(um teste inicial para o movimento semanticista)Dia outro, encontrei eu ela com. Festa estávamos, rua na. Linda, linda e no cabelo laço tinha amarelo. Perguntei vinha donde e "Colômbia" respondeu. Pequena era, música cantava. Sexismo esbanjava e grande era brinco dourado seu, pérolas de. Dizia a música coisa alguma sobre quem era ou estava ou vinha ou ia. Tudo entendi quase. Ela falei a sobre palavras, meu problema com. Sei não repetir tudo de acordo com gramaticais regras. Mas creio não em panacéias, eu. Regras coisas são que tentam reunir irreuníveis entidades. Nelas acredito não. Da anarquia linguística parte faço, também das todas anarquias que pensar posso agora. Prova tenho porque muita gente já falei com. Entendeu-me não quantidade pequena as gentes. Dacolá e daqui, de parte a toda. Maioria idéias troco com a normal mais desenvoltura. Idiotices sintáticas respeitar preciso não-é. Sentido e semântica importa é o que. Nada mais, dúvida tenho não. Professor meu recomenda-me ler e ler para tudo aprender e decorar posições de sujeitos e verbos e pronomes e objetos das palavras frases adentro. Tentei já e consigo não, preciso não, ligo não. Importo-me mais nas pessoas com os olhos, eles são os principais da fala órgãos. Olhei já pra muita gente e as entendi mais que escutei quando. Os olhos com é possível saber demais gente sobre. Juro. Símbolos humanos fazem, cultura fazem, penso isso que é. Utilizando-os, pra perceber é possível até aqueles que s'enganam ao não se fielmente representarem ou aos que compreendem-se não. De tudo há neste mundo e muito bem sei que as compreensões assim sempre incompletas se fazem. Nada há que mundo todo a mesma coisa pense, concorde. Nadinha. Visão própria um tem cada sobre. Mosaico sociedade é opiniões de. Cada pensando um diferente. Atento fique você, d'accord? A Colômbia da moça falando me veio em inglês ou francês, respondi eu nas línguas parelhas. Várias falo e tudo acho bastante fácil, palavras decorar, regras entender. Usar não gosto, linguagem própria tenho e nem aí estou para quem problemas isso tem com. Problema decidi que não é isso, peculiaridade até charme. Gente tem muita que gosta, duvide não. Música em inglês cantou a Colombiana, sexy algo sobre, entendi creio na hora. Agora lembrança minha peça me prega. Sexy música, sexy garota. Brasileira amiga tinha e bom foi porque conversamos português também em. Colombiana sexy aprender português queria e sotaque falava com muito, mas tomar no cu mandar sabia. Ensina as grandes palavras antes para as pessoas, as gentes. Poesia sabia evidentemente não. Foderem-se as pessoas também de falar era capaz. Sotaque com falava forte, mas estranhamente percebia eu não o hispânico acento. Nem perceber que não percebia, percebia eu. Espanhol falar comecei com ela brincar para, mudar as coisas, atrás da orelha me tinha pulga também. A perceber começava. Respondia inglês em ela, português sotacado até, também francês, mas espanhol não. Segredo que teria garota esta? Em tempo pouco, convencido fiquei que falava não espanhol e inglês falava que vi bem. Mal nada seu francês também era. Donde reperguntei era ela. Colômbia de novo repetiu. Ela a então contei que ir havia já ao país seu e Bogotá bem conhecia. Donde era? Respondia nada e aleatoriedades então conversava a amiga com. Do assunto completamente saia e dispersa mostrava-se, o álcool quantidade em desculpa era. Segredo escondia algum, saber não pude qual. Saber poderia, ainda? Tentar deveria, encore? Desconfiou ela de mim a perceber algo, o fora deu quando. Só pensei depois portanto como bobo era eu. Vez uma que linda era, de tonto deveria ter-me feito. Não conquistar as mulheres, sei bem muito. Fato de, sei não o me que deu, vontade talvez de capacidade investigativa demonstrar, inteligência sabe quem. Como problema tenho, diferente sou, inteligente mostrar me preciso, senão bem se sabe, montam em cima de nossas cabeças as pessoas. Neste mundo compaixão não há. Fazem o que é apenas foder ao outro, um. Ah, o humano ser, ente. Nos fracos piedade sem nenhuma pisam, pisam. Mundo é este em que vivemos. Triste é isso constatar. Assim sempre mostrar-me tenho inteligente, senão dão-me estupidezes fazer para, ignoram louco a me pensar. Fita moça da vai longe agora. Burro para as mulheres é preciso se mostrar. Amam não inteligência tão assim grande, raiva. Acho eu que assim é, depende cada uma de entretanto, bem certo. Noite termino eu sozinho, crônica também. Haverá dia um que nada mostrar a ninguém precisar vou. Dia este serei ser apenas e comunicar-me-ei jeito qualquer de que entendam os outros. Preciso não é aos outros agradar e a comunicação facilitar. Bom é fazer com que atenção prestem em si quando se fala, senão por ouvido entra e por outro sai o que se diz, processamento feito nenhum é. Cada um falasse de diferente maneira, atenção mais fariam e compreender iriam melhor, errado estar posso também. Ignorante sou que sei. Se param entender-te para porém, assim melhor é. Advirto lêem aos que me: se não por inteligentes passem, vez uma que bela garota na cabeça fita podem perder. Sorte boa todos para. Comunicação dois vivas para, três. Viva, viva, viva, viva.
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Pequena análise do presente textoCom este texto pretendo iniciar um movimento literário que batizo de
semanticismo. O semanticismo pretende transverter todas as regras gramaticais produzidas para toda e qualquer língua. Ele é focado apenas no sentido. Se um texto pode ser compreendido por um leitor e se ele faz sentido, isso basta. Não se deseja sequer definir um sentido único para um texto e mais rico ele será, inclusive, caso permita a diferentes leitores tirarem diferentes mensagens do texto. É claro que o texto não deve consistir simplesmente de palavras soltas e neste ensaio teste de abertura do movimento fica claro que há uma estória a ser compreendida. Não se deve querer simplesmente transformar a literatura em algo completamente aleatório com palavras sendo colocadas uma após as outras sem qualquer ordem ou sentido maior, como o sentido do texto completo. No que me condiz como escritor, acredito que o semanticismo seja algo a ser visto como estando do lado completamente oposto do classicismo, onde o escritor procurava as mais precisas regras da língua culta e que quanto melhor as utilizava, mais virtouso seria seu texto. Não, o semanticismo é exatamente uma revolta a esse tipo de literatura, que consideramos quadrada e antiquada e presa dentro de padrões estéticos definidos de maneira estrita pelos gramáticos, supostos detentores do saber linguístico. O semanticismo é também uma guerra conta o gramaticismo, contra aqueles que pensam que mudando detalhes mundanos das regras de produção das línguas poder-se-á segurar sua evolução. A nova gramática do português que agora sai e que vem a ser adotada pelos governos lusófonos da Europa, América do Sul e África em livros didáticos é por este movimento questionada e até ridicularizada. As línguas podem ser encaradas como entidades vivas que co-evoluem com o ser humano em qualquer parte que ele esteja. E embora seja necessário que falantes da mesma língua se entendam, não será a produção de regras excessivamente rígidas -- ao limite do ridículo, como deixar de acentuar certos ditongos -- que irá homogeneizar nossa língua ou qualquer outra. A gramática é a prisão onde estão encarcerados todos os poetas e escritores. O sentido é muito mais importante do que qualquer regra e, de fato, mesmo quando se utiliza o mais estrito conjunto de regras possível, um texto tem muito mais interpretações que seu autor pode supor quando da escritura. Vide Barthes, Eco ou Derrida. É claro que concordamos que para quesitos práticos da vida social, é sim necessária a existência de uma língua culta com a qual a maioria dos faltantes concordarão sobre sua adequação a determinado sentido explícito de cunho político, autoritário, regulamentar. A literatura e o literato, entretanto, devem ser livres para produzir o sentido da forma como bem lhes convier. O semanticismo visa também propiciar uma ligação mais forte entre a língua e as culturas regionais, sendo que a expressão da linguagem popular por meio das regras gramaticais limitado em demasiada a expressão cultural. É preciso que abramos o leque e as correias da gramática para que possamos melhor compreender o ser humano em todas as suas expressões. A linguagem deve ser livre para evoluir e o escritor deve ser livre para se expressar de uma forma que melhor lhe convier, da forma que ele sentir mais natural e original. A derrubada das leis gramaticais em prol apenas e somente da produção de sentido -- único ou leitor-depende -- abre a porteira para uma quantidade sem número de possibilidades literárias. Ao misturar em uma frase de maneira medida ou quiçá aleatória sujeitos, pronomes, objetos, verbos, um escritor pode criar uma marca de sua literatura e pode abrir novos e maravilhosos campos de compreensão a serem explorados. Não há outra questão da linguagem que senão a busca da compreensão. E se a compreensão pode ser alcançada sem que respeitemos regras explícitas de gramática, por que então utilizá-las?
A pergunta filosófica por trás do semanticismo é: como é gerada a compreensão? Que características deve ter um texto para que alguém o leia e diga que o entendeu ou saiba interpretá-lo de uma forma adequada?
E ainda, com Eco: quais os limites da interpretação?
Também em linguística creio que o semanticismo ajuda a compressão. Eu, por exemplo, entendo muito bem o inglês e consigo normalmente ser bem compreendido por qualquer pessoa com a qual eu tente dialogar. Ainda que certas palavras ou expressões não me sejam conhecidas, não me lembro de alguma vez na qual eu não tenha conseguido me comunicar na língua de Shakespeare. É claro que um texto semanticista não será um lugar para se aprender as formalidades retrógradas necessárias à descrição de um idioma formal qualquer. As regras formais são importantes para o aprendizado de um novo idioma. Entretanto, creio que textos baseados no semanticismo serão mais fáceis de serem lidos por aqueles que não compreendem determinada língua, uma vez que será necessário apenas ter um bom vocabulário para entender o sentido do que está escrito. No semanticismo, as palavras são dispostas numa frase sem uma regra explícita. A disposição das palavras na frase podem, portanto, (1) seguir a regra formal dada para a língua, (2) subverter propositadamente esta ordem ou, simplesmente, (3) ignorar tanto quanto possível as regras formais e apresentar uma disposição pseudo-aleatória. Fica claro, entretanto, que as regras de pontuação num texto semanticista devem ser aplicadas com zelo e cautela. Sem qualquer regra, é claro. Mas uma vez que a observação de regras para a definição de todo e qualquer elementos sintático das frases tenham sido subvertidos, a pontuação passa a ter um papel ainda mais importante na formação semântica de uma frase.
Outras reflexões haverão de surgir a partir de um contexto semanticista na literatura, linguística e nos estudos culturais.
(18/03/09)
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