Devaneios toscos sobre a mulher ideal
Do blog agora terminado, Diário de um Tosco.
-- Porra! -- era o que pensava o tosco quando acordava e percebia a presença daquela mocréia do seu lado -- Como é que fui ter coragem de pegar esse trambolho ontem a noite, puta que pariu!
Inconformado, pensava baixo, para não acordar a mulher. Era tosco, não era grosso e sem-educação, o que fazia uma enorme diferença, pelo menos dentro do seu cérebro deturpado. Em eventos similares acontecidos anteriormente, havia prometido a si mesmo que jamais deixaria mulheres desconhecidas dormirem na sua casa. É, além de não gostar de dormir com mulher alguma que fosse, muitas vezes tinha essa ressaca moral de acordar de manhã cedo e dar de cara com um mocréia como aquela. Além disso, alguma dessas poderia um dia roubá-lo, levando tudo que conseguira constituir a duras penas, naquele seu apartamento minúsculo construído com o suor de anos de trabalho duro.
Para ele, dormir com uma pessoa era algo extremamente pessoal, algo que só faria com uma namorada ou com alguém que gostasse de verdade, não era pra qualquer vagabunda que dava a bunda na primeira noite, como aquela ali. Mas, infelizmente, a grande quantidade de sangue no seu álcool (ou seria o contrário?) deturpara sua razão e o sono vencera a vontade de expulsar a garota, ou melhor, aquela coisa asquerosa, depois do sexo. Ah, o sexo tinha sido bom, como sempre. É como dizia aquele ditado: “sexo quando é ruim, é bom; quando é bom, é ótimo”. O tosco era plenamente adepto dessa teoria e ficava extremamente incomodado quando passava muito tempo “fazendo justiça com suas próprias mãos”, se é que o leitor entende. Obviamente nem lembrava o nome daquele ser estranho que jazia, roncando levemente, a seu lado. Talvez fosse Daniela... não, Daniela tinha sido a da semana anterior -- aquela sim, um filezinho -- essa tinha um nome esquisito, tanto quanto a aparência: Nilmara. Lembrara, afinal. Deveria tê-la expulsado gentilmente de sua casa, depois ter gozado, alegando alguma desculpa qualquer – na sua visão mulheres eram inúteis e incômodas depois do gozo. Sei lá, qualquer desculpa funcionaria e as que mais gostava de usar eram a de que seus pais chegariam no outro dia logo pela manhã, que trabalharia cedo ou, algumas vezes, dizia que tinha freqüentes ataques epiléticos durante à noite, que a garota não se preocupasse. Essa era a melhor das desculpas e nem era preciso pedir para as mulheres darem o fora. Elas não se preocupavam, “de maneira alguma”, diziam, mas acabavam preferindo ir embora por um ou outro motivo. “Que pena!”, o tosco dizia. Tal tática era utilizada principalmente no caso daquelas mulheres esquisitas que o nosso indelicado personagem fazia questão de nunca mais ver. E essas aí não voltavam, não mesmo. Parece que todas tinham preconceitos contra a epilepsia, deveria processá-las... isso se realmente fosse doente.
Olhou por mais uma vez aquela garota, não era bem uma garota, devia ter seus trinta e poucos anos. Afinal, começou a filosofar sobre como seria a mulher ideal. Imaginava que, no futuro, as mulheres seriam supérfluas para os homens (e talvez o contrário também fosse verdade, diriam as feministas, mas o tosco só pensou na condição de independência sexual masculina). No futuro, divagava, existiriam aquelas mulheres holográficas que se vê de vez em quando nesse filmes de ficção científica para nerds, umas holografias muito gostosas! Seria possível escolher a forma que a mulher se apresentaria para seu amo a todo momento. Pensou por alguns instantes e montou seu menu feminino semanal: no domingo queria a Scheila Carvalho mexendo com seu tchan; na segunda, a Luana Piovani, que delícia!; terça-feira seria o dia daquela gostosa da Britney Spears; quarta pegaria uma mulher mais velha, dessas coroas-enxutas-gostosas, quem sabe a Vera Fisher ou a Sharon Stone; na quinta-feira comeria uma oriental, mas uma oriental duplamente turbinada, não dessas originais retas e sem graça que se vê por aí; na sexta pegaria uma bem da gostosa mesmo, seria o dia de lavar a alma e escolher uma dessas atrizes de filme pornô bem safadas, que pedem para enfiar até em lugares pouco ortodoxos, de preferência que fosse estrangeira, para gozar em outra língua; por fim, no sabadão seria dia de escolher alguma pessoa do dia-a-dia, dessas mulheres que passam por nossas vidas e a gente sempre tem vontade de comer, escolheria uma dessas. A mulher holográfica seria de luz mesmo, transparente, quando estivesse funcionando como secretária e tal, em atividades burocráticas cotidianas, como atender ao telefone, lavar louça, varrer a casa e tal. Ela apenas se materializaria numa gostosa na hora que fosse necessário, e haja necessidade! Imagine chegar todo dia do serviço e comer uma mulher gostosa diferente, na hora que quiséssemos, do jeito que quiséssemos, quanto tempo que quiséssemos. O futuro será mesmo uma maravilha! Lamentava ter nascido naquela época de dificuldades sexuais. E o melhor de tudo -- filosofava ainda imerso na fantasia -- seria poder fazê-la desaparecer depois do gozo, o que seria sensacional! Nenhuma daquelas chatices enfadonhas de ter que ficar fazendo carinho e ficar abraçando depois do sexo seriam necessárias. Nada disso. Gozou, sumiu! Podia rolar até de programar isso aí, automaticamente. Imaginava, viajante, como seria bom o dia que esse futuro chegasse. Uma mulher gostosa, que falasse pouco e fizesse tudo o que quiséssemos, da forma como quiséssemos e, acima de tudo, que desaparecesse depois daquela última e deliciosa estocada: ah!
Ainda viajava ali na cama, quando percebeu que a mulher começava a se movimentar, estava acordando finalmente. Ela abriu os olhos, agitada, e depois de alguns instantes, enquanto possivelmente se lembrava do que acontecera na noite anterior e onde é que havia adormecido, olhou para o tosco e levantou-se eufórica:
-- Onde estou? Quem é você? O que está acontecendo?
O Tosco achou graça e disse que estava para fazer a mesma pergunta para ela. Mas depois contou tudo o que acontecera na noite anterior. Ela, aos poucos, ia se lembrando dos acontecimentos. Fez uma cara de curiosidade antes de perguntar:
-- Nós fizemos amor, não foi? -- perguntou a garota vacilante sem nem se dar conta de que estava sem as roupas.
-- É claro que não! -- respondeu o Tosco.
Nem deixou o suspiro de alívio que saia da boca da mocréia terminar e já completou:
-- Nós fizemos foi sexo, uma sacanagem da boa! -- completou nosso anti-herói em seu mais glorioso estilo.
-- Porra! -- era o que pensava o tosco quando acordava e percebia a presença daquela mocréia do seu lado -- Como é que fui ter coragem de pegar esse trambolho ontem a noite, puta que pariu!
Inconformado, pensava baixo, para não acordar a mulher. Era tosco, não era grosso e sem-educação, o que fazia uma enorme diferença, pelo menos dentro do seu cérebro deturpado. Em eventos similares acontecidos anteriormente, havia prometido a si mesmo que jamais deixaria mulheres desconhecidas dormirem na sua casa. É, além de não gostar de dormir com mulher alguma que fosse, muitas vezes tinha essa ressaca moral de acordar de manhã cedo e dar de cara com um mocréia como aquela. Além disso, alguma dessas poderia um dia roubá-lo, levando tudo que conseguira constituir a duras penas, naquele seu apartamento minúsculo construído com o suor de anos de trabalho duro.
Para ele, dormir com uma pessoa era algo extremamente pessoal, algo que só faria com uma namorada ou com alguém que gostasse de verdade, não era pra qualquer vagabunda que dava a bunda na primeira noite, como aquela ali. Mas, infelizmente, a grande quantidade de sangue no seu álcool (ou seria o contrário?) deturpara sua razão e o sono vencera a vontade de expulsar a garota, ou melhor, aquela coisa asquerosa, depois do sexo. Ah, o sexo tinha sido bom, como sempre. É como dizia aquele ditado: “sexo quando é ruim, é bom; quando é bom, é ótimo”. O tosco era plenamente adepto dessa teoria e ficava extremamente incomodado quando passava muito tempo “fazendo justiça com suas próprias mãos”, se é que o leitor entende. Obviamente nem lembrava o nome daquele ser estranho que jazia, roncando levemente, a seu lado. Talvez fosse Daniela... não, Daniela tinha sido a da semana anterior -- aquela sim, um filezinho -- essa tinha um nome esquisito, tanto quanto a aparência: Nilmara. Lembrara, afinal. Deveria tê-la expulsado gentilmente de sua casa, depois ter gozado, alegando alguma desculpa qualquer – na sua visão mulheres eram inúteis e incômodas depois do gozo. Sei lá, qualquer desculpa funcionaria e as que mais gostava de usar eram a de que seus pais chegariam no outro dia logo pela manhã, que trabalharia cedo ou, algumas vezes, dizia que tinha freqüentes ataques epiléticos durante à noite, que a garota não se preocupasse. Essa era a melhor das desculpas e nem era preciso pedir para as mulheres darem o fora. Elas não se preocupavam, “de maneira alguma”, diziam, mas acabavam preferindo ir embora por um ou outro motivo. “Que pena!”, o tosco dizia. Tal tática era utilizada principalmente no caso daquelas mulheres esquisitas que o nosso indelicado personagem fazia questão de nunca mais ver. E essas aí não voltavam, não mesmo. Parece que todas tinham preconceitos contra a epilepsia, deveria processá-las... isso se realmente fosse doente.
Olhou por mais uma vez aquela garota, não era bem uma garota, devia ter seus trinta e poucos anos. Afinal, começou a filosofar sobre como seria a mulher ideal. Imaginava que, no futuro, as mulheres seriam supérfluas para os homens (e talvez o contrário também fosse verdade, diriam as feministas, mas o tosco só pensou na condição de independência sexual masculina). No futuro, divagava, existiriam aquelas mulheres holográficas que se vê de vez em quando nesse filmes de ficção científica para nerds, umas holografias muito gostosas! Seria possível escolher a forma que a mulher se apresentaria para seu amo a todo momento. Pensou por alguns instantes e montou seu menu feminino semanal: no domingo queria a Scheila Carvalho mexendo com seu tchan; na segunda, a Luana Piovani, que delícia!; terça-feira seria o dia daquela gostosa da Britney Spears; quarta pegaria uma mulher mais velha, dessas coroas-enxutas-gostosas, quem sabe a Vera Fisher ou a Sharon Stone; na quinta-feira comeria uma oriental, mas uma oriental duplamente turbinada, não dessas originais retas e sem graça que se vê por aí; na sexta pegaria uma bem da gostosa mesmo, seria o dia de lavar a alma e escolher uma dessas atrizes de filme pornô bem safadas, que pedem para enfiar até em lugares pouco ortodoxos, de preferência que fosse estrangeira, para gozar em outra língua; por fim, no sabadão seria dia de escolher alguma pessoa do dia-a-dia, dessas mulheres que passam por nossas vidas e a gente sempre tem vontade de comer, escolheria uma dessas. A mulher holográfica seria de luz mesmo, transparente, quando estivesse funcionando como secretária e tal, em atividades burocráticas cotidianas, como atender ao telefone, lavar louça, varrer a casa e tal. Ela apenas se materializaria numa gostosa na hora que fosse necessário, e haja necessidade! Imagine chegar todo dia do serviço e comer uma mulher gostosa diferente, na hora que quiséssemos, do jeito que quiséssemos, quanto tempo que quiséssemos. O futuro será mesmo uma maravilha! Lamentava ter nascido naquela época de dificuldades sexuais. E o melhor de tudo -- filosofava ainda imerso na fantasia -- seria poder fazê-la desaparecer depois do gozo, o que seria sensacional! Nenhuma daquelas chatices enfadonhas de ter que ficar fazendo carinho e ficar abraçando depois do sexo seriam necessárias. Nada disso. Gozou, sumiu! Podia rolar até de programar isso aí, automaticamente. Imaginava, viajante, como seria bom o dia que esse futuro chegasse. Uma mulher gostosa, que falasse pouco e fizesse tudo o que quiséssemos, da forma como quiséssemos e, acima de tudo, que desaparecesse depois daquela última e deliciosa estocada: ah!
Ainda viajava ali na cama, quando percebeu que a mulher começava a se movimentar, estava acordando finalmente. Ela abriu os olhos, agitada, e depois de alguns instantes, enquanto possivelmente se lembrava do que acontecera na noite anterior e onde é que havia adormecido, olhou para o tosco e levantou-se eufórica:
-- Onde estou? Quem é você? O que está acontecendo?
O Tosco achou graça e disse que estava para fazer a mesma pergunta para ela. Mas depois contou tudo o que acontecera na noite anterior. Ela, aos poucos, ia se lembrando dos acontecimentos. Fez uma cara de curiosidade antes de perguntar:
-- Nós fizemos amor, não foi? -- perguntou a garota vacilante sem nem se dar conta de que estava sem as roupas.
-- É claro que não! -- respondeu o Tosco.
Nem deixou o suspiro de alívio que saia da boca da mocréia terminar e já completou:
-- Nós fizemos foi sexo, uma sacanagem da boa! -- completou nosso anti-herói em seu mais glorioso estilo.
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