Em busca de luz
Chego em casa e acendo a luz. Será esta minha casa? O que um ambiente precisa ter para que o consideremos nossa casa, nosso lar? Tento transformar este lugar no meu lar, tento ligá-lo a um aconchego, descanso. Coloco meus livros na estante e a guitarra com o amplificador ao lado. Mas entro e não me sinto ali. Serei não eu? Ou será não o lugar? A luz resiste em atiçar os cones ou mesmo estes resistem em transmitir o sinal luminoso para o meu cérebro. Não vejo, não vejo apesar da luz. Será mesmo a luz, ou serão os olhos? Será o cérebro? O que será? Na parede, a memória; fotos espalhadas e desorganizadas. Organizá-las-ei algum dia? Preferirei a organização? Escreverei um ode à desorganização? A super-organização européia, descobri recentemente, não é chave do sucesso deles. Os americanos parecem desorganizados e ainda sim controlam o mundo. Controlam com o capital, o dinheiro, a abertura de mercado. Será esta a chave? A liberdade? Oh, isso eu já sabia. Mas se a liberdade de mercado torna um país desenvolvido, o que fará a liberdade de pensamento? A sociedade alternativa de Raul será um lugar melhor para viver. Seria. Quero tomar banho de chapéu e questionar a democracia. Ora, a democracia deve emergir e é possível que não devamos tentar encaixar um cubo no lugar reservado a uma esfera. Não só a evolução biológica é gradualista, a evolução social também o é. Grandes transformações não acontecem da noite pro dia e não é matando um ditador que se transformará um estado em uma democracia. A guerra já se estende há anos e centenas de milhares de vidas. Será que era isso que o povo realmente queria? A democracia prega isto, certo? É uma nova colonização. Chegam os colonizadores com armas e supostas idéias. Matam os machos e estupram as fêmeas. Roubam os bens e transferem, em volumosos jatos, seus memes. É a mesma velha colonização. Nova roupagem, talvez. Apenas talvez.
Não querem saber de nós, os xenofóbicos desenvolvidos do bloco ocidental. Querem suas terras para si. Somos uma praga, querem mais é que saiamos de lá. Ora, de quem é o mundo? O mundo não é de ninguém. O mundo não é deles e não é nosso também. Rousseau estava certo, o mal da sociedade começou quando alguém cercou um pedaço de terra dizendo que era seu e algum outro idiota aceitou isso. Conseguiríamos montar uma sociedade não baseada no direito de propriedade? Que tal se cada um tivesse um tamanho máximo de terra que pudesse ter e que as outras terras fossem simplesmente dividas entre toda a população? Ora, já nos basta brigar pelos nossos amores. É muito mais digno do que brigarmos por terra, nacos de chão que não dizem nada. Somos uma espécie territorialista, afinal. Ser territorialista com o lugar que vivemos até vá lá, mas ser territorialista com um pedaço de terra nos confins do Acre que visitamos uma vez a cada década é demais. Deixemos que tomem as terras, quem precisa. Prega-se contra a guerra, mas viaja-se de primeira classe. Faz sentido? O mundo faz sentido? A consciência faz sentido? O que faz sentido? É melhor parar de pensar, ser um bom selvagem, conseguir dois acres de terra e voltar à fazenda, uma vida comunitária, pequena família e o céu estrelado. Por que não farei isso? Quem disse que não farei?
O fantasma da morte ronda esses arredores. Ele ronda os arredores de todos que ainda têm a sorte de estarem vivos. A vida é efêmera, sabemos bem. Vivemos com este fantasma ao nosso lado e quando me perguntam o que farei dentro de seis meses, não tenho como responder. Peço que perguntem ao fantasma. Fosse mesmo esse hedonista que me proponho, não estaria aqui agora neste quarto de hotel. Estaria no Brasil, estaria com ela, noites de amor uma atrás da outra. Mas não sou hedonista, não sou morto, não sou capitalista nem materialista e muito menos espiritualista. Não sou nada. Não sou ninguém. Só não suporto pessoas de mau humor e aqueles que se acham melhores do que os outros. Isso aí não dá pra suportar. Não voltarei à Inglaterra. Noites de sono tenho perdido sem mais nem porquê. Perco e não encontro. Não sei o que fazer. Escrevo porque não tenho saco para assistir TV e porque o tempo se dilata neste lugar. Antes fazia poucas coisas e o dia já se acabava. Agora faço muitas e ainda há dia. Ora, explicaria Einstein essas coisas? E sobre a coragem de se dizer o que se pensa. Covardes são os humanos. Mesmo eu sou covarde, mas de coragem expressiva, passo bastante da média.
Ando para dentro da casa e a luz começa a se dissipar. O foco é fosco mas permite a distinção dos objetos. Precisarei da visão? Precisarei de quê para viver? Entro no quarto e a luz de fora nada ilumina, a cortina está fechada. Estará mesmo fechada, a cortina? A luz de dentro faz que vai mas não vai. Como assim? Nem eu entendo. De contos e crônicas loucas e sem sentido, o mundo está cheio. Para quê tudo isso? Não sei, gosto de coisas sem explicação, gosto de não ser previsível, gosto de sair da regra e do inusitado tenho afeição. Aquela lá não aguentou. Queria o padrão, default, standard. Não pôde aguentar. Uma pena, mas apenas para mim. Infelizmente. Chego no cinema sem nada saber e só posso me surpreender, pois nada ouvi sobre nada. É bom ser surpreendido positivamente. Já se o caso anda na casa dos números negativos, daí é normal porque todo mundo sabe: o mundo é uma merda mesmo. Talvez por isso essas drogas legais sejam usadas com tanto vigor pela população: religião e televisão. Haverá uma sociedade que as proibirá? Talvez a sociedade de Raul, talvez nem ela. Não sei de mais nada. Ainda está escuro, onde encontrarei a luz que procuro?
Não querem saber de nós, os xenofóbicos desenvolvidos do bloco ocidental. Querem suas terras para si. Somos uma praga, querem mais é que saiamos de lá. Ora, de quem é o mundo? O mundo não é de ninguém. O mundo não é deles e não é nosso também. Rousseau estava certo, o mal da sociedade começou quando alguém cercou um pedaço de terra dizendo que era seu e algum outro idiota aceitou isso. Conseguiríamos montar uma sociedade não baseada no direito de propriedade? Que tal se cada um tivesse um tamanho máximo de terra que pudesse ter e que as outras terras fossem simplesmente dividas entre toda a população? Ora, já nos basta brigar pelos nossos amores. É muito mais digno do que brigarmos por terra, nacos de chão que não dizem nada. Somos uma espécie territorialista, afinal. Ser territorialista com o lugar que vivemos até vá lá, mas ser territorialista com um pedaço de terra nos confins do Acre que visitamos uma vez a cada década é demais. Deixemos que tomem as terras, quem precisa. Prega-se contra a guerra, mas viaja-se de primeira classe. Faz sentido? O mundo faz sentido? A consciência faz sentido? O que faz sentido? É melhor parar de pensar, ser um bom selvagem, conseguir dois acres de terra e voltar à fazenda, uma vida comunitária, pequena família e o céu estrelado. Por que não farei isso? Quem disse que não farei?
O fantasma da morte ronda esses arredores. Ele ronda os arredores de todos que ainda têm a sorte de estarem vivos. A vida é efêmera, sabemos bem. Vivemos com este fantasma ao nosso lado e quando me perguntam o que farei dentro de seis meses, não tenho como responder. Peço que perguntem ao fantasma. Fosse mesmo esse hedonista que me proponho, não estaria aqui agora neste quarto de hotel. Estaria no Brasil, estaria com ela, noites de amor uma atrás da outra. Mas não sou hedonista, não sou morto, não sou capitalista nem materialista e muito menos espiritualista. Não sou nada. Não sou ninguém. Só não suporto pessoas de mau humor e aqueles que se acham melhores do que os outros. Isso aí não dá pra suportar. Não voltarei à Inglaterra. Noites de sono tenho perdido sem mais nem porquê. Perco e não encontro. Não sei o que fazer. Escrevo porque não tenho saco para assistir TV e porque o tempo se dilata neste lugar. Antes fazia poucas coisas e o dia já se acabava. Agora faço muitas e ainda há dia. Ora, explicaria Einstein essas coisas? E sobre a coragem de se dizer o que se pensa. Covardes são os humanos. Mesmo eu sou covarde, mas de coragem expressiva, passo bastante da média.
Ando para dentro da casa e a luz começa a se dissipar. O foco é fosco mas permite a distinção dos objetos. Precisarei da visão? Precisarei de quê para viver? Entro no quarto e a luz de fora nada ilumina, a cortina está fechada. Estará mesmo fechada, a cortina? A luz de dentro faz que vai mas não vai. Como assim? Nem eu entendo. De contos e crônicas loucas e sem sentido, o mundo está cheio. Para quê tudo isso? Não sei, gosto de coisas sem explicação, gosto de não ser previsível, gosto de sair da regra e do inusitado tenho afeição. Aquela lá não aguentou. Queria o padrão, default, standard. Não pôde aguentar. Uma pena, mas apenas para mim. Infelizmente. Chego no cinema sem nada saber e só posso me surpreender, pois nada ouvi sobre nada. É bom ser surpreendido positivamente. Já se o caso anda na casa dos números negativos, daí é normal porque todo mundo sabe: o mundo é uma merda mesmo. Talvez por isso essas drogas legais sejam usadas com tanto vigor pela população: religião e televisão. Haverá uma sociedade que as proibirá? Talvez a sociedade de Raul, talvez nem ela. Não sei de mais nada. Ainda está escuro, onde encontrarei a luz que procuro?
Marcadores: crítica social, filosofia
