.comment-link {margin-left:.6em;}

Crônicas soluárias (?)

Idealismo, lirismo, literatura e filosofia social enclausurados no sentimento de vazio da pós-modernidade.

18.6.09

Esquenta

Apenas a intuição vale na literatura. Prosa e verso são leituras do homem, dele próprio. Auto-leituras sinceras. Quando mais sinceras, melhor. A falsidade e a negação da própria alma é o que matam a literatura. Aquele que se escuta, aquele que se escreve, aquele que se abre e se mostra.

Nada foi feito ou deixou de existir, e mesmo assim eu te amo. Eu acho. Não tenho porque saber de coisas como essas que vão e vem ao longo do dia. Olho nos seus olhos e vejo que você me ama. É de manhã. À tarde leio indiferença, preguiça ou dúvida. Por um lado entendo a dúvida sobre o que ainda não aconteceu, mas de outro não posso acreditar que ela exista, posto que nossos olhos assim já se encontraram e já brilharam uns para os outros. Amores serão sempre amáveis. E então à noite, depois de me amar e ignorar, você me odeia. Afasta-se e evita-me. Nega-me olhares, carícias e toques, rejeita minhas maiores idéias e argumenta contra qualquer mosca oriunda de meus ventres amargos. No dia seguinte ama-me à tarde e odeia-me pela manhã, ignorando-me à noite. E assim nosso cotidiano se segue. Tal é o mistério inconstante escondido em tua alma super-feminina e este instinto, esta briga e esta exigência de respostas diferentes de mim-a-ti faz-me amá-la com ainda maior intensidade.

A festa foi boa, assim como a outra. Nossos momentos no bar, no lar, no altar. Se exagero na construção simbólica e neste futuro que não sei se teremos, acredite: não se trata de desejo profundo qualquer, é apenas questão de rima. Jamais digo uma verdade e é neste paradoxo que te prenderei para que sejas minha e ao mesmo tempo tenhas a liberdade. Posto que se o amor é um labirinto sem saída, ele ao menos é grande e inevitavelmente fará com que Teseu encontre, em algum momento, o minotauro.

E quando a lua deste céu estrelado esteve escondida pela sombra da Terra, o céu gotejou de estrelas e foi neste dia que te vi pela primeira vez. O choque dos teus olhos nos meus foi mesmo lancinante e daquele momento em diante sabíamos que estávamos de certa forma ligados. Pena que ainda não descobrimos como, mas o futuro irá certamente nos dizer, não nos preocupemos.

Não sei porque me arrefeço, porque faço, porque deixo, porque não te olho nos olhos e dou-te aquele beijo que temo e desejo. Você também não demonstra emoção ou sentimento desses que transbordam pela pele de humanos ou sapos. Repousa numa paz serena de quem já teve o quis ou do que vive apenas para ver o sol e a lua passarem e repassarem sem deles absorver o sentimento do que nos faz viver a plenitude. A maravilha do estar vivo se confunde com a monotonia do estar saudável e apenas somos realmente vivos quando estamos nos recuperando de uma enxaqueca que seja, um braço quebrado, um algo inusitado, ou apenas no amor. Dar-te-á meu amor a emoção que agora te falta e que se percebe neste teu suspirar quase cansado embora jovem? Espero que sim... temo que não.

Marcadores: ,

0 Comments:

Postar um comentário

Links to this post:

Criar um link

<< Home