<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739</id><updated>2012-01-27T02:14:47.598-02:00</updated><category term='capitalismo'/><category term='democracia'/><category term='otimismo'/><category term='religião'/><category term='evolução'/><category term='inglês'/><category term='grotesco'/><category term='estudo literário'/><category term='noção de pecado'/><category term='homossexualismo'/><category term='insanidade'/><category term='pacifismo'/><category term='mulher'/><category term='epistemologia'/><category term='conto'/><category term='surrealismo'/><category term='política'/><category term='maturidade'/><category term='contracultura'/><category term='lirismo'/><category term='literatura'/><category term='hedonismo'/><category term='onirismo'/><category term='neocristo'/><category term='destino'/><category term='crítica social'/><category term='cultura'/><category term='internet'/><category term='filosofia'/><category term='revolta'/><category term='tv'/><category term='liberalismo'/><category term='solteiro'/><category term='existencialismo'/><category term='balada'/><category term='ressaca'/><category term='machismo'/><category term='sincretismo'/><category term='sociedade plural'/><category term='literatura tipo-moderna'/><category term='brasil'/><category term='ambientalismo'/><category term='ensaio'/><category term='caso Eloá'/><category term='tosco'/><category term='poética'/><category term='experimento'/><category term='ephemeris vita'/><category term='ceticismo'/><category term='xadrez'/><category term='proto-semanticismo'/><category term='ética'/><category term='viagem'/><category term='crítica à ciência'/><category term='modernidade'/><category term='sexualidade'/><category term='descentralização'/><category term='moral'/><category term='contemporaneidade'/><category term='pessimismo'/><category term='computação'/><category term='neologismo'/><category term='obama'/><category term='auto-ajuda'/><category term='sonho'/><category term='mitologia'/><category term='desigualdade'/><category term='semanticismo'/><category term='fascismo'/><category term='humanismo'/><category term='civilização'/><category term='samba'/><category term='feminismo'/><category term='rio de janeiro'/><category term='publicação'/><category term='linguagem'/><category term='filosofia oriental'/><category term='crônica'/><category term='dúvida'/><category term='liberdade'/><title type='text'>Soluárias</title><subtitle type='html'>tipo-literatura</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>218</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-9085233857818810188</id><published>2011-12-28T02:46:00.000-02:00</published><updated>2011-12-30T13:39:22.461-02:00</updated><title type='text'>A feto</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-iXqM6ce-YcA/Tv3bINS1ScI/AAAAAAAAAnc/r9MYl-qzlyg/s1600/fetus.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="187" src="http://3.bp.blogspot.com/-iXqM6ce-YcA/Tv3bINS1ScI/AAAAAAAAAnc/r9MYl-qzlyg/s320/fetus.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto, tanto, tanto. Tanto que flui, tanto que vai e tanto que vem. Tanto que atiça à mente e que nos torna capazes de coisas impensáveis, maravilhosas, estranhas, esdrúxulas, quentes, frias, fracas: armas potentes de um desvendar misterioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto que atiça o desejo, a carne, o músculo irrigado pelas artérias que pulsam dentro de si e que o fazem capaz de operar o milagre de mais uma vida. Um choro, um dengo, a possibilidade de sermos pai e mãe. A possibilidade sermos filhos com os anos se transforma na possibilidade de sermos pais que mais tarde se transformará na possibilidade de sermos avôs e que então se consolidará na mais forte de todas certezas do mundo: acabaremos retornando ao pó. As gerações se substituem e as boas estirpes permanecem, assim como as piores, mas não as piores das piores. Essas dão conta de si próprias e queimam-se no amargo deleitar das catapultas existenciais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há espaço para todos e há um imenso vazio. Quando se necessita de alguém especial, específico, alguém que tapará este buraco que temos disponível, essa vaga, esse emprego como que de funcionário de nossa reparticoração. Contrata-se tal empregado, seduz-se-o. Diz-se-lhe as tarefas à cumprir, estabelece-se o que não se pode fazer, donde não se pode passar, quais as salas que lhe são proibidas entrar. Mantém-se de início uma distância de segurança e então coloca-se-lhe a coleira. A esta segura-se com força, principalmente em momentos-chave. Prende-se-o. E tal qual se faz com os cães, adestra-se-o: assim se deve ser, assim se deve fazer, assim se deve comportar, assim se deve trabalhar, assim se deve viver. Coloca-se-lhe as regras, dita-se-as claramente, repete-se-as se necessário. Repete-se-as, de fato, à exaustão. E então mais uma vez. Ou é assim ou é assado. Nunca assido nem assodo. Nem inhansim nem inhansem nem inhanson nem inhansum. Agora se sente que o outro está domado. E dorme-se, ainda assim tronquilo, enquanto a pulga faz cócegas atrás do órgão da audição. Assente, deite, role, finge de morto, não fale disto ou daquilo, geme comedidamente e ejacule sem a cabeça, que não serve para nada mesmo. Prenda, não permita liberdades, não divida, não seja amiga, não seja compreensiva. Tranque, feche, force, exija, roube, grite, faça o escarcéu que for mas não diga nunca que aceita, que aceita nenhum tipo de promiscuidade e que também não vai fazer, não vai estar de acordo, não vai desejar mais ninguém. Promete algo que sabe não poder cumprir, engane, faça como se fosse, minta, diga que é claro que é assim, diga que já fez. Diga o que quer que seja mas não te entrega, não dize a verdade, não pensa que vai entender, não pensa, não vai entender, finge e pronto. Fique por isso mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempero forte do meu tango. O tempero forte do teu corpo que vai e que vem e que se une ao meu. O tempero da juventude e da temperança. O tempero adocicado de teu corpo. E amargo. O tempero que sinto em mim quando você se vai e quando teu sal e tuas ervas se mesclam ao meu ser e me transformam em ti, e te transformam em mim. Qual o limite? Qual o limite do que sou e do que és? Qual o limite do que podemos ser? Qual o limite de mim e de você? Seremos mesmo um nesta criança? Seremos mesmo outro? Seremos nós ou serão eles? Quem será esse meu filho, este teu filho, este nosso filho, este filho do mundo, este filho de deus, este filho da pátria, este filho da pulta; este homem, este ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não minta, não sinta, não baile, não queira, não finja, não fale. Não, fale. Fale sim: diga logo ao mundo tudo o que está acontecendo e revele que deixastes de tomar a pílula e que não avisastes. Sei que sempre quisestes um filho, dois filhos, três filhos, quatro. E agora me ludibrias dizendo que sim e que não e que tantas vezes que foram um só dia esquecido e que nunca culminaram em ninguém, em nenhuma onda, em nenhuma vida, em uma vida que nem se sabe se chegará realmente a nascer -- espermatozóide de sucesso que somos todos nós. Mas agora é diferente. Agora é fato, é feto, é fito, serão fotos e não será nada fútil. Uma vida que nos irá unir, que unirá a ti e aos teus, a mim e aos meus, tal qual o poder que só uma vida tem, uma vida de um ser humano, a vida de uma mulher, de um poço de células que agora se organiza de forma mágica e inexplicável, vida que sou eu e que é você. Uma nova vida que nos fará renascer: seremos novamente. A vida que empurra a vida e que sopra mais vida na vida do homem. Vida que reproduz e gera vida. Vida que se copia e que gera mais vida. Vida, ida e vinda. Bem vinda seja tua vida. Bem vinda. Bem vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-9085233857818810188?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/9085233857818810188/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=9085233857818810188&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/9085233857818810188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/9085233857818810188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2011/12/feto.html' title='A feto'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-iXqM6ce-YcA/Tv3bINS1ScI/AAAAAAAAAnc/r9MYl-qzlyg/s72-c/fetus.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-4589182171088776543</id><published>2011-12-10T03:08:00.000-02:00</published><updated>2011-12-10T14:15:10.186-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='revolta'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica social'/><title type='text'>Cudumun, ritual de iniciação</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-utbHC0-n-Lk/Ttfoq07g4tI/AAAAAAAAAnQ/n4GKe2hL3SI/s1600/cudumun.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-utbHC0-n-Lk/Ttfoq07g4tI/AAAAAAAAAnQ/n4GKe2hL3SI/s320/cudumun.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Eu sou o Cudumun. O centro do olho de um Cudumun. O mundo com pregas, plastificado, buraco no meio. Sou o inferno todo queimado e enxampuado com touca de banho. Ninguém me quis, ninguém me quer e ninguém jamais me quererá. Não há tampa paromeu balaio. Quem pensa me querer é porque ainda não me conheceu muito bem e, quando conhecer, perceberá que jamais me quis, perceberá que idealizou erroneamente o que era e o que fui, transformou meu serei num seria absurdamente improvável: futuro imperfeito de um pretérito escuso. Pessoa alguma aguentar-me-á em minhas insurreições e constantes angústias com os mínimos cuidados do mundo, invisíveis para qualquer um e desprezíveis para quase todos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fui também o que se pensou qu'eu fosse, nem o que se pensava. Não fui, menos ainda, o que de mim se pensará. O que se pensaria ou o que se pensasse ficaram espalhados e sem razão. Nenhum tempo verbal me aturou, nenhuma imagem me foi fiel e nenhum avatar me avatou. Não fui nada do que ser humano algum imaginou: fui ainda muito mais, em alguns poucos aspectos, e muito menos, em uma abundância d'outros. Fui totalmente pleno e convicto em minhas ações, principalmente naquelas que não compreendi quando as realizei. E quando mal-mal m'entendi, muitos anos depois, com a ajuda de dezenas d'interpretadores, fui também repleto de mim. Esse carregar-me -- tal qual o Atlas ao mundo -- foi meu carma. Morri torto, sem m'aguentar. Ninguém m'ajudou a levar-me. Ninguém me quis aturar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estive sempre sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na busca de minh'autocompreensão fui então m'isolando de toda a sociedade dos homens e das mulheres que fazem e que são e que devem ser e que respiram e que vivem e que estão aqui e ali a influenciar todo um conjunto das gentes que se acham doutas e que são na verdade, piores do que eu, pior do que um Cudumun. Energúmenos, muitos são. Gentes como tu, como você, como este bago apodrecido que me lê agora e que se pensa o melhor dos homens. Se não viestes aqui para enfrentar-te, para enfrentar-me, para te ver jogado à lama e escorraçado, requisito mesmo que me deixes. Vás t'embora. Não falo, não falei e não me dou com covardes. Não aturo pessoa que não se dê ao respeito de ser xingado, amordaçado e cuspido por outro. Eu sou teu algoz. Eu que sou o Cudumun, eu que sou o pior dos homens, eu sou teu algoz. E tu não és melhor nem pior do que este cu, que este du, que este mun. Tu és ainda mais sujo e ainda mais podre. Vai mesmo, vai t'embora com o rabo entre as pernas, vade retro, não te quero aqui, nunca te quis prender e minha vontade não foi outra que t'estimular a imaginação e fazer-te aperceber da podridão que te cercas. Quis também acabar contigo, acabar comigo, acabar com todo esse cudu faz de conta, toda essa historinha mal contada que é a vida do homem: o herói, o protegido por um greus que não existe. Vai, sai, não me leias até o fim se te respeitas pois dar-te-ei um esculacho ainda maior nas próximas frases. Fode-te. Enfias teu dedo no dumun e depois chupa-o para ver se aprecias o sabor de ti. Não voltes, não precisas voltar, não preciso de ti, não clique o botãozinho inócuo para visitar-me, some, desaparece. Vai mesmo, vai t'embora e vive aí teu cuduinho felizinho de mentirinha, com tua familinha bestinha e teu gato abissal. Engana-te nesta farsa que criastes, colocas-te no topo de teu cudu como se nada mais existisse ao redor e como se tudo se resumisse neste teu trabalho de cerda, nesta tua esposa tapática, tua mãe de posta, teu pilhos e tua joça de dumun fedido. Requisitei-te a demandada, demônio do Cudumun. Se ficastes até agora, assume ao menos tua responsabilidade e engole tuas palavriânsias, teus pensatortomentos de que é alguém quando não passas dum excremento. Tanto melhor ficaria este cudu sem ti, os outros sete bilhões viveriam ainda melhor, viveriam ainda, viveriam melhor. Nada mudará quando te fores, nada se muda também se ficas, ninguém te dá a mínima que senão esta parca ralé com a qual convives. Fica aí à sombra de teu falsaltíssimo, como se fosses tu mesmo ele, prefeito e grório, magnílfico, inmortal e oniscidente, poderouso de todos os pouderes que tens ou que deverias virater. Rezas para tua própria alma como se de fato existisses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que chamas d'existência não passa de mero acaso, erro do cudu que rodou estrupiado na data e hora em que saístes do ventre impuro de uma bundavaga. Teu aniversário é um erro do universo, um erro da fortuna, um revés único e efêmero dos astros mais distantes. Mas também o verso e o uni não sofrerão com tua presença, posto tu és mínimo, és igual a nada, tuenada. Ninguém te lembrará dentro de meia centena de voltas deste planeta ao astro em sempre chamas. Confessa-te que és um bosfa, um merba, um erro no tesdino. Tu és ingnóbel, instúpido, não vales o ar que respiras, a comida que comes ou a fétida que cagas. Não vales mesmo estes teus olhos que lêm estas letras, este ouvido que escuta estas palavras, esta mente que s'imagina tão febril. Pior és tu ainda se aguentas este textículo que to apresento, esta bola inerte, não te dás ao respeito. Vai mesmo, vai e não volta, esquece-me, funde-te, funda-te novamente com teus dedos indicadores e então com os dedos médios que te deves causar ainda mais parazer. Economiza o mindinho, guarda-o para enfiar em teu onho, em teu maldito onho de vidro, perna de blau, cara de ântus. Ninguém te quererá. Mais cedo ou mais tarde perceberão a farsa que és, tua vileza e instupideza. Nada és capaz de fazer, nada ser, nadesperar. Vê tua vida, pensas o que poderias ser e o que és. Admite teu fracasso, tua desinteligença, tua incapacidade de vivere. Admite. Ajoelha-te e admite. Decepo-te&amp;nbsp;agora&amp;nbsp;enquanto revelo o que te tornastes também: Cudumun.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-4589182171088776543?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/4589182171088776543/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=4589182171088776543&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/4589182171088776543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/4589182171088776543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2011/12/cudumun-ritual-de-iniciacao.html' title='Cudumun, ritual de iniciação'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-utbHC0-n-Lk/Ttfoq07g4tI/AAAAAAAAAnQ/n4GKe2hL3SI/s72-c/cudumun.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total><georss:featurename>Rio de Janeiro - RJ, Brasil</georss:featurename><georss:point>-22.9035393 -43.2095869</georss:point><georss:box>-23.3716048 -43.8413009 -22.435473799999997 -42.577872899999996</georss:box></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-3801307834108692260</id><published>2011-11-26T02:33:00.000-02:00</published><updated>2011-12-02T09:46:11.328-02:00</updated><title type='text'>Sem prié prié</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-K06h486_z48/Tsfs07WAdkI/AAAAAAAAAnE/rZ6MQAsYudY/s1600/semprieprie.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="294" src="http://1.bp.blogspot.com/-K06h486_z48/Tsfs07WAdkI/AAAAAAAAAnE/rZ6MQAsYudY/s320/semprieprie.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Qual é o mais puro princípio do prazer que ocorre quando duas almas se entregam uma à outra em completa harmonia com o cosmos? Qual o mais puro? Qual o princípio? E qual o prazer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respira-se e sente-se vivo. Acorda-se. O café também é bom para estas coisas. E então o contato com o ser humano, este contato, esta energia, esta delícia que é viver para si e para O outro, esta vontade de conhecer e ser e expandir e querer e chegar e fazer e brilhar e ser e gostar e achar que isso é o que é o viver, com vê maiúsculo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E logo depois achar tudo isso uma porra de uma babaquice qualquer sem o menor dos sentidos. E então se arrepender de tudo e de todas as míseras coisinhas que aconteceram no desenrolar de toda uma história que se encaminhava para terminar mal. Se a morte é o fim de todas as histórias do homem, como se pode buscar um &lt;i&gt;happy end&lt;/i&gt;? O culpado então vira um momento mísero de pequeno, um Oi que se diz com um o menor ou um I maior, ou o completo oposto. Perfeição que torna defeito. Morte em vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então a palavra. Sempre a palavra a resumir o universo inteiro e alcançar diretamente o alvo onde residem as idéias. Palavra que transforma sentimentos mal interpretados em informações precisas. Informações precisas que atingem o ouvinte tal qual projétil de arma de fogo. Projétil que atinge e que aos poucos vai se espalhando por um corpemente que se deforma em ajuste ao atentado verbal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resultado é a mudança que dirige o movimento, movimento que guia uma ação e que, então, origina uma reação, uma resposta à ação, uma ação em retorno que é igual e contrária, tal qual na Física. O ato totalmente imprevisível, incompreensível, titubeante, amedrontado e seguro. A coragem que então se encarna para se dizer o que realmente precisa ser dito, o que vai no íntimo, o que incomoda, o que move, o que deseja, o que quer, o que verdadeiramente quer. Ou acha que quer. Jamais se saberá ao certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O modelo, a inspiração, o entender, o compreender e o tornar-se. A vida que balança entre os mais profundos precipícios. Somos o herói que deve percorrer os mais&amp;nbsp;estreitos&amp;nbsp;corredores, sem corrimão, corredores sobre os quais se anda equilibrando e prestes a escorregar. A escuridão do precipício sobe e nos cerca completamente. A mais repleta escuridão torna-nos quase cegos. Vemos o pódio à frente, percebemos a taça, mas não sabemos se os podemos alcançar. Mesmo assim continuamos, andamos eretos, distintos, como se nada nos aturdisse, como se nada nos balançasse, como se a escuridão não se incorporasse, como se nada pudesse deturpar esse singelo fio do equilíbrio que tornará apenas outra decepção arquivada à letra X, bem ao fundo do precipício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Átrios e ventrículos espalhados, pisados, carcomidos, incapazes serão de se regenerar outra vez em tecido cardíaco pulsante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o tempo. Quanto tempo? A fênix que é o coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-3801307834108692260?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/3801307834108692260/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=3801307834108692260&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/3801307834108692260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/3801307834108692260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2011/11/sem-prie-prie.html' title='Sem prié prié'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-K06h486_z48/Tsfs07WAdkI/AAAAAAAAAnE/rZ6MQAsYudY/s72-c/semprieprie.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-626873871232448702</id><published>2011-11-12T01:44:00.000-02:00</published><updated>2011-11-24T01:06:10.670-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='surrealismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>As cortinas</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-gS4AqcJCQT0/TsfZW-RimII/AAAAAAAAAm4/VMFyNofBqIM/s1600/cortinas.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="276" width="300" src="http://3.bp.blogspot.com/-gS4AqcJCQT0/TsfZW-RimII/AAAAAAAAAm4/VMFyNofBqIM/s400/cortinas.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O AMBIENTE &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cortinas. Cortinas e mais cortinas. Cortinas de pano. Pano preto, escuro, darque. Assim era seu lar. Várias cortinas enormes e enegrecidas caindo ao chão não se sabe a partir de onde, das mãos de um deus ou mais provavelmente de um diabo, Lúcifer que segura faixas de tecido. Naquela tenda habita o vampiro. Preso e livre dentro de seu quadrado. Negras cortinas que caem contendo furos através dos quais entra a névoa que se respira e a luz da noite. Janelas recortadas, confeccionadas com um perfeccionismo extremo. A luz que transpassa esses furos produz formas geométricas de contornos inusitados, ao lado de dentro do recinto. Luz noturna que entra e tece formas dinâmicas nas pa&lt;i&gt;no&lt;/i&gt;redes e assoalho num toque mágico e sombrio que evidencia a energia do mundo, a forma mutante como ele entra e desenha o ambiente, a cada segundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A penumbra que passa pelos poros de uma parede encortinada e negra trás também a visão do outro que o observa de fora e o analisa, mede, julga e tantas vezes o condena. O invejoso tenta destruir este lar vampiresco quando no fundo deveria desejar apenas amar seu ocupante. Toda a moralidade se mostra então escondida em um tempo verbal. As cortinas recortadas em diferentes desenhos permitem, portanto, que alguns o vejam através de círculos com variados tamanhos. Enquanto há outros para os quais sua vida deve ser interpretada em forma hexagonal: escura colméia. A arte o leva a moldar cortes malucos no tecido, criando formas indescritíveis em palavras, ziguezagues que sobem e descem, que se afinam e se redemoinham, que deixam rasgos milimetricamente caídos e belos. Detalhes rasgados de uma forma que o inocente poderia pensar aleatória. Ordem que reflete e que assim se deixa mostrar: os cômodos e seus habitantes. Vitrine urbana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele que tem sua alma enegrecida sai de casa e olha para dentro das cortinas. Olha como se não fosse ele mesmo que ali estivesse porém outro: um desconhecido. Tenta se analisar de forma imparcial. Balança a cabeça na dificuldade de imaginar aquele como se não fosse si, aquilo como se não fosse seu. Bate à parede a testa como se misturasse as idéias. Tenta ver-se como outro. Volta para dentro e acocora-se. Desiste do jogo físico e parte para o jogo totalmental. Dobra as mãos sobre as pernas e, ajudado por respirações espaçadas e mantras satânicos, vira apenas mente. Após minutos em meditação, alcança seu objetivo. O vampiro está em transe e torna-se capaz de se observar nitidamente, torna-se capaz de ver e ser e compreender todas as almas que vão dentro de si. Uma clareza de raciocínio o atinge: suas almas são todas negras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OAM BIENTE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atrás das pseudojanelas de formas recortadas no pretume pa&lt;i&gt;no&lt;/i&gt;redal há ainda camadas dispostas, novos níveis de proteção que o deixa então livre do olhar alheio. Um aquário de pano em uma era de farrapos retorcidos. As cortinas de dentro tampam os buracos cortados na cortina de fora. Eles impedem a luz de entrar e também de sair. A luz das velas, a visão, o julgamento. Esconde-se quando quer, onde ninguém o vê. Existirá o vampiro quando ninguém o observa? Em alguns pontos espalhados há ainda neoambientes onde toalhas de linha negra e sempre negra são aplicadas em vários níveis, proporcionando a entrada da luz por frestas talhadas numa ordenança de fios contorcidos. Um circo feito de algodão. E então o que ali está pode se esconder, pode se mostrar também, um pouco mais ou ainda menos, desta forma ou daquela, em triângulos, retângulos ou em poças rasgadas que imitam cambriões secundófobos. Algumas cortinas da cor deste conto são cortadas segundo arranjos fractais a deixar painéis de segundo, terceiro, quarto e quinto níveis se desenharem do lado de dentro do aposento. Há forma fractais, autossimilares, a árvore e o galho da árvore. A boneca russa do corte da abertura do pano preto é cada vez menor e igual, menor e igual, menor e igual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noite, as cortinas presas com argolas no longínquo do céu se abrem com o movimentar de braços hercúleos que as puxam os fios permitindo a entrada da névoa e da penumbra. O relento do Belzebu influenciará as mudanças no próprio indivíduo chamado Noite. A Lua comanda o movimento, sua luz prateada esbanja a morte e os fluídos do corpo daquele indivíduoser agora dançam sob sua influência sinfonar. O vampiro é a ressaca do mar. E então a complexidade da casa, do indivíduo e de seu sentimento suprahumano começam a rodar em volta do centro da casa até que todos eles fluem em direção a um tipo qualquer de vórtex irregular capaz de misturar todas as influências cognitivas do mundo de uma maneira dinâmica porém imprecisa, transformando essas energias ou ondas em um tipo qualquer de expressão corporal inédita e maravilhosa, o brotar da mais pura criatividade humana, o brotar de uma alma e de uma mensagem do que é a escura raiz do ser humano. O vampiro baila ao som e à influência de tudo o que atinge o humano. É vampiro e é humano, é o candomblé. Ele representa a raiz de seu povo e espécie. Respira e mostra os dentes enquanto seus braços e pernas sobem e descem a representar as influências do mundo em si. À sua volta estão as pretas cortinas negras de janelas indiscretas pregadas à face de um universo cuja teia de orbes crônicas devem se reunir em algum momento a fazer brotar aquele que é humano, aquilo que é humano, aquele que é sentimento e razão, paixão, emoção: som e ritmo inaudíveis. Aquele que fala a língua do mundo, aquele que é o mundo, aquele que é compreendido além palavras e das forças e das coreografias, além dos sons e dos mais singelos significados. Sobre o quê se está tratando? Uma compreensão maior que está escondida em todo o poço e em toda casa, em toda casa negra cercada por cortinas pintadas escuras em diversos níveis. Ali é o mundo, onde se vê e onde se é visto, onde se precisa agir, onde se sente a necessidade da ação. Onde se faz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A casa envolta, a tenda negra, cortinas escuras são sua vitrine para o mundo. O que ele vê é também visto e o que é visto, ele também vê. Por vezes, não entende. Coloca-se então fora da casa, da casca, não sai de si porque não pode. Gostaria. Olha-se e descompreende-se. Gostaria de se ver de fora e ser capaz de emitir juízo de valor inemocional sobre o que é e sobre como ser melhor. Ou pior. Há uma sombra da maldade que o ronda e que o seduz. Seus dentes resplandescem e brilham ao refletir a luz solar como segundo espelho. O vampiro aos poucos constrói a ontologia do que lhe é intrínseco. Ele se faz através da casa e das escuras cortinas, através de uma simples casa feita de panos pendurados, panos da cor do piche suspensos sob um céu que não tem ninguém para segurar, um pé direito infinito, um céu que já nasce caído, um anticéu para uma antiestória do homem e da descoberta de sua ignomínia, sua podridão, sua mais reles fajutagem, cafajestice, seu fanatismo e dogmatismo máximos. O vampiro se automutila. O homem escancarado sobre sua própria alma, sobre a alma de todos que passaram por si e sobre toda uma pirâmide de conhecimento assim tão alta. Seu sangue bebido o purifica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OAMBI ENTE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas cortinas pretas impedem a entrada da luz, o recinto é absolutamente alheio a fótons. Não se sabe então onde se é nem onde se está, há apenas o pretume. Mesmo o chão desaparece, desaparecem todos os limites e todas as fronteiras. O vampiro está suspenso e imerso no vazio que vem da mais repleta escuridão. Ao meio da sala, meio do mundo, lugar nenhum, ali ele roda, gira, grita e faz performances inimagináveis, indescritíveis mesmo nos mais longínquos terreiros. Ele deixa a energia do universo passar por si e influenciar seus movimentos e suas ações, seus desejos, suas angústias, sua fome de sangue fresco. Ele está de pé mas poderia estar também de pontacabeça flutuando no espaço sideral, sem gravidade ou foco, sem referência alguma. Ele está sozinho no mais escuro dos negrimundos, lugar onde a visão desaparece ante o cerco preto das cortinas. Não há mais universo, não há mais gentes, não há mais nada. Há apenas o movimento, a resposta mais natural que seu corpo reflete quando sente o mundo, lê, interpreta e responde a todas as suas energias. O vampiro sente e move, logo, existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OAMBIEN TE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há nenhum espaço totalmente aberto. Tudo o que se pode ser, fazer ou bailar torna-se apenas uma ínfima parcela de infinitas despossibilidades. Quão limitados são os seres humanos em suas casas negras de panos recortados? A mente em harmonia com o corpo e com as influências do mundo: o vampiro é o mais característico dos seres humanos, ele é o vórtice de onde todas as emoções brotam. Na dissociação há apenas o falso elevar de um padrão podre que se afunda ante o derrubar fálico de um império ignoto, estupro de um pau imaterial em um mundo que não existe. E os seres de alma negra passarão agora todas as letras em escrutínio a acusar os vampiros dos mais grotescos pecados. Gênios incompreendidos em um mundo de idiotas insanos, incapazes de relativizar questões. Pecados que são pecados-não quando todas as cortinas se abrem e o mundo se escancara finalmente em um arroto uníssono que julga toda a humanidade como podre, como o cu de todos os princípios e como ode de uma penitência frívola. A virtude foi encontrada apenas naqueles indivíduos, nos vampiros, habitantes de escuras casas cercadas de cortinas negras e que bailam naturalmente sob as influências que os cercam. Deles será o mundo do porvir. &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-626873871232448702?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/626873871232448702/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=626873871232448702&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/626873871232448702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/626873871232448702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2011/11/as-cortinas.html' title='As cortinas'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-gS4AqcJCQT0/TsfZW-RimII/AAAAAAAAAm4/VMFyNofBqIM/s72-c/cortinas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-4857197231565554511</id><published>2011-10-22T12:00:00.004-02:00</published><updated>2011-12-30T22:56:15.887-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>Setenta minutos</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-T-EYzGYu1UY/Tq1bJVRgf8I/AAAAAAAAAmo/kRwY86xiSAc/s1600/setentaminutos.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="242" src="http://1.bp.blogspot.com/-T-EYzGYu1UY/Tq1bJVRgf8I/AAAAAAAAAmo/kRwY86xiSAc/s400/setentaminutos.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltastes então, voltastes finalmente ao lar e aos teus. Voltastes tão tarde, já passa da metade do segundo tempo. Voltastes mesmo ou continuas distante? Onde estás? Acorde, veja, este o mundo. Ele é assim. Ele é simples assim, é complexo assim. Este é o mundo, ninguém o entende e todos nele vivem, e todos vivem. Venha, vamos entrar nesse ônibus. Ei, motorista, por favor, um segundinho. Obrigado. Suba com cuidado, isso. Há um lugar vago ali, sentemo-nos. Veja o lado de fora, veja, esta é nossa cidade, os velhos prédios, a pobreza, as gentes incessantes e ansiosas que vão e que veem, este é nosso lar, tão difícil que é ficar longe dele e ter os poderosos daqui nos olhando com tamanha desconfiança. Não nos amaram e não nos amarão, amargos que são. Nunca confiarão em nosso potencial de mudar o mundo, viverão apenas suas vidas e limparão seus umbigos. E a culpa será toda nossa. Pelo menos morrerão mais cedo e deixarão seus lugares vagos para os de nossa geração. Não, não, eu sei, eles nunca morrem, e além disso constroem seus podres sucessores. Não haverá jamais espaço para nós. Mas também nós não morremos, não morreremos, seremos como o ferro ou como metais preciosos. Ouro e fogo. Que farás da vida agora que aqui estás de volta ao mundo do real, do que realmente importa. Nada importa quando se está longe, não é? A vida se passa como se não se passasse e vivemos apenas como que para continuarmos vivos e aborrecidos, numa rotina que é verdadeiramente a da depressão soluária, mesmo quando há boa qualidade de vida. O que é isso sem pai e sem mãe e sem os amigos da infância? Pura solidão. Apenas aqui em casa é que o valor das coisas convergem em um ponto extremo, claro, definitivo, único. Onde se vive? Onde se quer viver? Deveríamos era ir para o mato, para o mais longe dos confins do mundo e lá ficarmos esquecidos para sempre. Vamos? Vamos comigo! Podemos montar uma pousadinha e ficaremos por lá mesmo, esquecidos de todo esse mundo e dessa confusão de pessoas que veem e que vão, que passam, que ficam, que trocam e destrocam seus amores e profissões e lugares. É muita loucura de uma vez só, haja coração. Você sabia que o Jonas se casou com a Olívia e que eles se mudaram para o Butão? Pois é, estão lá morando em algum templo budista e criando filhos que não serão mais uma célula cancerosa de Gaia. Ninguém os consegue encontrar, poderíamos fazer isso também, que tal? Mas agora que voltastes quererás permanecer cá, não é? Como é que estão tua mãe e teu pai e teu tio e teu cachorro? Não queria comentar, mas vejo que já estás a passar da idade, digamos, natural para uma mulher se casar. E vejo que não se casaste ainda. Não que eu esteja interessado no assunto, nada disso, mas com quem você pretende se casar? Há pretendentes? Onde estão aqueles teus antigos namorados? Ainda solteiros? Não duvido que haverão pessoas que queiram contigo ter este tipo de relacionamento duradouro que a tradição da família coloca no mais alto dos patamares. E tu tens aquela gorda poupança, certo? Não, nem me olhe assim, para mim não dá, estás velha e não quererás compartilhar das minhas aventuras juvenis. Somos como irmãos, não somos? Sim, estou velho também. Mas minha cabeça é cada vez mais como a de uma criança, só penso em coisas mágicas e tenho sonhos, muito sonhos, confundo os sonhos com a realidade e tenho a loucura de pensar que meu trabalho é um tipo de brincadeira. Não que eu não o leve a sério. Claro que levo, mas não vou também ficar pensando que responsabilidade é cu. Brinco nas formas de viver e quero é estar rodeado de pessoas que eu ame e que me amem e que eu possa assim jogá-las também neste mundo lúdico que vivo. Claro, todos nós viemos de famílias e crescemos em famílias e acostumamo-nos a viver dessa forma de termos sido filhos e querermos ser pais e com nossos filhos conviver em harmonia e com eles amar e aprender a conviver e ensinar e maravilhar e gostar e saber que esse amor familial é realmente algo grande e forte, algo que pode salvar este mundo dessa pilantragem e decaimento moral que se vê na capital federal e também aqui nas esquinas. Eu vou sim me casar e ter filhos e ser mais um ser humano comum do que um filósofo como Kant que escreveu coisas maravilhosas sim, mas que não deve ter tido amor a nenhuma criança. Descartes teve uma filha, sabia? Ela morreu, acho que com cinco anos. Ele diz ter sido sua maior tristeza. Talvez fosse melhor ser algum tipo de Kant sim, eu sei, mas é que eu amo muito as pessoas e aí sem dúvida vou querer ter com elas esse amor maior que a gente sente quando transa e quando deseja se procriar. Você também pensa assim, certo? Está na tua hora. Eu gosto aqui da praça do Papa porque há esta vista privilegiada da cidade e do morro, cidade-morro, e a gente ainda pode fumar mais ou menos tranquilamente. Saiba que um dia já pensei que casaria contigo, mas foi ilusão. Você também já pensou que eu sei. Confesse. Ah, eu sabia. A gente se ama sem precisar ter nenhum tipo de, não sei, talvez precisássemos, mas somos como irmãos, certo? Beba esta água de coco, está bem geladinha. Lembras daquele concerto do Gil com a Rita Lee que viemos aqui, já devem fazer mais de vinte anos uma hora dessas. Foi maravilhoso! Bem lembrado, aquele dia dos Paralamas com o Hermeto também foi inesquecível. Há quanto tempo não vagabundeávamos assim? Não há nada melhor do que isso. Salve o fim do ano onde finalmente podemos esquecer de tudo e curtir nossos amigos. Pena que você esteja muito velha para se assentar à grama. Fique aí em pé então olhando, eu estou cansado. Agora queres subir nos brinquedos? É apenas para provares a si mesma tua própria juventude. Teu espelho não te negará. Eu concordo que é duro o drama das mulheres, a vontade de ser mãe e a efemeridade da função reprodutiva. Três pretendentes então. Não seria número demais? Precisarias apenas de um, algum que fosse grande e forte num sentido que expanda o físico, é claro. Se eu fosses tu, pensaria em um, ou em outro, ou em outroutro. Exclusão, sabe, eu usaria a partícula &lt;i&gt;ou&lt;/i&gt;. Quem quer demais fica sem foco e nada consegue alcançar. Concordo que também faço isso em alguns aspectos, mas falávamos sobre teu casório. Você é inocente em pensar que o dinheiro vai comprá-los: não vai! Ou, se comprar algum deles, você terá tido o pior, a pior relação, o maior interesse e a falta de comprometimento. Pode ser que eu exagere sim, mas talvez seja você quem o faça. Eu não, imagine, não aceitaria dinheiro algum pra ir contigo para... para qualquer lugar. Não estás a me oferecer e tentar dizer que eu fosse ou seja um dos?... Queres me comprar, é isso? Não é que eu não te ame, mas é só que nosso amor não... Sim, eu preferiria não ter que trabalhar mais em nada e gostaria de poder ficar por aqui e ali apenas a anotar minhas impressões sobre o mundo e curtir as... Estás tão certa de que tens grana para vivermos para sempre juntos e despreocupados, não sabias que eras tão gorda assim monetariamente. Acho que mentes. Não sabes o que são dez ou vinte anos a sustentar dois ou três capetinhas. Há um sítio na internet que diz: são centenas de milhares de dinheiros para cada cabeça, e você bem sabe que eu também não sou nenhum tipo dessas gentes que gostam de economizar, não é? Nem sei se me dou bem contigo no dia-a-dia, você sabe que és difícil de aguentar, e não estou disposto também a largar a minha carreira para transitar com alguém tão inconstante como ti, como tu. És bem inocente em pensar que alguém pode dizer um sim ou um não sem nem tentar, que alguém modificará completamente sua vida, mudará de casa e de emprego, cidade, país ou o escambal para ficar contigo ante uma proposta. Não, não, tudo menos isso. Não quero assinar nenhum contrato, nenhuma porra de papel nenhum que seja apenas minha prisão, minha escravidão, minha submissão completa às tuas vontades e a teu dinheiro podre. De onde ganhastes tanta grana? Roubas, matas, o que fazes? Herança é dinheiro sujo que não se merece. Engula-o, queime-o, doe a instituições de caridade, monte uma para ti se não acreditas nas dos outros. Já estou farto dessa tua conversinha, achei que estivesses saudosa de minha companhia e de nossas conversas, mas agora percebo que só querias me cercar, atrair para tua armadilha sentimental, para a escravidão de corpo e alma. Isso não posso suportar, não sou quem pensas, não sou ninguém e de mais a mais não serias feliz comigo e nem seríamos capazes de sustentar uma família. Não digo sobre o vil metal que pareces ter de sobra, digo mesmo da psicologia que se precisa ter para lidar com crianças. Em tua loucura destruirás teu próprio lar e tua própria vida. Enfim, acho melhor que desistamos dessa conversa, ela já se desencaminhou demais de seus objetivos iniciais, não quero também pensá-la assim tão estúpida, tão amarga ou rancorosa. Gosto de ti, dê-me um beijo. Ei, um beijo apenas. Falamos demais e nos precipitamos sobre. Ok, eu me precipitei. Sim, confesso, desculpe, não chore, não estou dizendo que você é assim tão insensível ou tão estranha, eu só não esperava, desculpe, eu sei que não deveria levar nada tão a sério, na verdade fui eu mesmo quem disse isso mais cedo. Olha só, vamos descer até a Savassi e lá tomamos um sorvete e então não sei. E então voltamos para casa e nos encontraremos depois, outro dia, noutro lugar, outras ondas e outras energias e outras ideias que estarão em nossas cabeças e que talvez entrem em sintonia. Não quis demonizá-la, não. É incrível, está bem, está feito, vamos, não chore, não minta, não se sinta assim tão fraca ou tão forte. Não escondas tua sensibilidade feminina que é o que tens de mais belo, não te renegues. Respire fundo, vá, agora se levante dessa grama, tua roupa já está toda suja, venha, vou limpá-la, pronto, agora estás digna, segure à minha cintura, vamos até lá em cima de novo, o ônibus passará em menos de 10 minutos e então estaremos tomando um sorvete com calda de chocolate que aliviará todas as nossas angústias e ansiedades. Vamos, não chore. Todos nós te amamos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-4857197231565554511?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/4857197231565554511/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=4857197231565554511&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/4857197231565554511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/4857197231565554511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2011/10/setenta-minutos.html' title='Setenta minutos'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-T-EYzGYu1UY/Tq1bJVRgf8I/AAAAAAAAAmo/kRwY86xiSAc/s72-c/setentaminutos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-796642103965265662</id><published>2011-10-04T21:40:00.000-03:00</published><updated>2011-10-17T11:45:56.217-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sincretismo'/><title type='text'>coreoGrafia</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Ir5DUkkPxmM/TpwuDR-rPeI/AAAAAAAAAmE/yNKiWJvw3l8/s1600/coreoGrafia2.png" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="300" width="400" src="http://3.bp.blogspot.com/-Ir5DUkkPxmM/TpwuDR-rPeI/AAAAAAAAAmE/yNKiWJvw3l8/s400/coreoGrafia2.png" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;A tecnologia permite uma maior educação ao ser humano, uma facilidade em expor e receber informações, uma mais fácil troca de informações entre eles. O ser humano tem uma fome incontrolável de cultura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem-vindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O balé da literatura dança enquanto observo meus próprios braços a digitar estas teclas. Com angustiada agilidade meus dedos, mãos e braços vão bailando, os cotovelos voam para lá e para cá nesta alternância de símbolos escolhidos para representar todo o mundo -- inventada por descendentes de algum africano. A mente coordena a música do meu corpo e de minhas letras tal qual um maestro no púlpito a escolher o que se digita, como, quando, em qual gingado e com qual intensidade. Dali pra cá vão estas letras que produzem um balé literário de múltiplos sentidos, todos aguçados, onde a dança é mera invenção qwertiana para a escrita doutros idiomas que calharam em se transformar num padrão da humanidade que tem ligeiras exceções. E o mindinho no a, e o outrodinho que se estica e alcança o acento agudo a dar força às palavras e às sílabas e métricas. É qué ré qué qué. Uá quá rá quá quá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei mais para que ou por que escrevo e não preciso mesmo de razões para nada disso. Donde se consegue o tempo para fazer isso que todos fazem, que ninguém faz, que alguém faz e que é o hábito de dizer e querer falar, palavrear pelo mundo, cumprimentar o cavalo pela manhã e desdizer o que se antedisse como Rauzito já fazia desde os anos 80. Metamorfose ambulância num mundo de loucos, tão loucos, tão loucas, para quê, qual o motivo dessa angústia que te seque e te persegue e que te faz sentir e morrer a cada dia um pouco. É a angústia da busca de não se sabe o quê, eis a raiz da angústia de um homem, de uma mulher, de um filho, de... Precisamos esperar, planejar, pensar, fazer, orquestrar, dizer, matutar, escolher, agir e querer. A preguiça é o pior dos pecados, já diria a pobre vó Tuta que realmente acreditava em pecado e deve ter tido uma surpresa ao morrer e não se encontrar com o deus que esperava e orava todos os dias durante mais de noventa voltas da terra ao redor do sol. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uso neste instante os poderes de mediunidade que abundam em minha família para transformar o ininterpretável em interpretável ou multinterpretável que seja, dadas as enormes limitações de qualquer linguagem. Invento um personagem que sou eu e que não sou. Quando o personagem sou eu, acho-o belo e vejo seu reflexo brilhante no espelho das águas. Quando o personagem não sou eu, acho-lhe chato, bobo, feio, inguinorante, pedante, malamanhado, inútil, boçal. E então vou moldando meu avatar de self com o barro das palavras e vou-me transformando em mim mesmo como acho que deveria ser se aquele ali aberto às entranhas fosse mesmo eu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mando uma informação à máquina através do desenhar de dedos num equipamento que é capaz de interpretá-los, desenhá-los enquanto elétrons e fótons num aparelho eletrônico e apresentá-los a ti, que recebe e processa e digere e transforma e devolve outrinformação qualquer que talvez jamais me atinja de volta. Nesses momentos, tu e a máquina e eu somos um só e a informação que jaz no mundo flui de mim para ela e para ti. Eu estou portanto em você, que está nela e que está em mim. Acusar-me-ão de sonhar demasiado, mas já adianto que sonho mesmo e que não apenas admito minha culpa como incentivo também outros a sonhar porque sonhar é maravilhoso; e você que não sonha deveria experimentar. O mundo é um sonho que se sonha só? O mundo não é um sonho que se sonha só, o mundo é um sonho ordenado que se sonha em conjunto e que se envolve as pessoas nos seus próprios sonhos. Meu sonho de ser um escritor envolve você que me está lendo e meu sonho de ser um cientista envolve as pessoas que trabalham ao meu redor, o sonho dos alunos em ser profissionais eu sonho com eles nas salas de aula e todo o mundo e toda a sociedade não passam de sonhos que sonhamos em conjunto. O mundo tem regras que podem ser percebidas e medidas e descobertas e calculadas e preditas de certa maneira pelos seres humanos. As máquinas estão aí para provar, principalmente o avião, assim como o paralelepídedo que se chuta com o mindinho. O mundo não é sonho algum, ele existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem disse que o agora seria assim? Quem consegue saber o que realmente acontece agora? E como o que acontece agora desenrolará em algo que será importante no porvir? O simplismo e o reducionismo que alcançaram seu estado mais elevado no universo de Newton ou na ciência do século XIX começaram a se dissolver no início do século XX. A estatística finalmente chegava à física, que antes modelava apenas um universo de entidades platônicas perfeitas e completamente determinísticas. O paradigma laplaciano vislumbrava a imaginativa possibilidade de desvendar todo o passado, o presente e o futuro ao sabermos posição e velocidade de todos os átomos e as regras que descreviam seus movimentos entre os mínimos espaços de tempo. Quanta inocência, diriam os modernos. Quanta infantilidade, diriam os contemporâneos. Como se pôde pensar que já sabíamos tudo? Mesmo nosso amigo Alberto, inventor da mais famosa expressão da física, nunca chegou a se convencer por completo de que o universo era probabilístico, ou que deus jogava dados. A próxima geração de cientistas, entretanto, já trabalhava com a probabilidade de forma sofisticada, culminando na mecânica quântica. E se até a primeira metade do século XX o ápice da ciência era o estudo das partículas, Watson e Crick causaram uma revolução. Em um trabalho de duas páginas publicado na revista Nature, em 1953 -- ano de nascimento do meu pai -- a ciência de ponta guinou-se para biologia, culminando no que hoje chamamos do advento da biotecnologia. E mesmo que sem saber, os ingleses trouxeram todos os estudos que aconteciam em sua volta sobre cibernética e linguística para a ciência dura, natural. Pela primeira vez ainda, a biologia era explicada com base na química e na física ao invés de ser entendida como um fenômeno quase que inexplicável, intratável, à parte, místico. Agora a herança genética podia ser compreendida através de uma molécula com sua estrutura de dúpla-hélice, uma espiral mística que contorcia compostos químicos chamados de nucleotídeos A, C, G e T que se encadeados tal qual ACCTGGCAT -- ou sobre outra sequência qualquer  -- representavam um sentido tão compreensível para a célula como os caracteres b, o, l, a, quando seguidos representam para nós a referida imagem mental. A sequência do DNA contém, portanto, informação química codificada de forma digital. Rapidamente os desenvolvimentos das teorias de informação e troca de sinais permitiu aos pesquisadores compreender que a célula e o DNA continha sentido tal qual um livro o contém. A linguística uniu-se à biologia e à fisicoquímica de uma maneira rápida, direta, elegante e moderna; explosão de criatividade que seria glorificada com o maior prêmio da ciência acadêmica, amém, chegando em 1962 para a dupla que almoçava no The Eagle. E eu, que anos depois almocei lá também, senti o clima, as coisas, as gentes, os jeitos, o que se é e como se é e como se foi. Visitei também a casa do Carlos Roberto, o Darwin, e assisti palestras ao vivo com Hawking, Dawkins, Dennet, e outros. É estranhamente gratificante ver seus ídolos frente à frente, senti-los humanos, vê-los errando, sendo mau educados ou esquisitos. A idolatria está quase sempre vinculada ao inimaginável; e por isso é preciso conhecer para saber e ser e desmistificar toda essa algazarra que nos passam pela TV e pelos jornais e que não entendemos nada, que nada faz sentido, que uma reportagem ridícula é dita enquanto o pau quebra no congresso. O que será o amanhã? A sociedade está calma e talvez esteja calma demais. As mídias sociais ligam os homens como colas. Se for para fazer uma revolução, que a façamos em plena paz e em muitas manifestações. Quem são esses donos do poder? Por que os obedecemos? A povo unido jamais terá alguém à sua altura. Paz consigo e paz com os outros. Consigo e com os outros. Consigo e com os outros. Dancemos as palavras e subamos o abismo da física, a antientropia, o sentido que se faz e que se alcança. Dancemos as mãos ao teclado e buscamos as letras que nos fazem o que somos. Dancemos ao palavrear sobre o conhecido e o desconhecido. Metafísica das letras ante o que se pode saber. Dancemos apenas estes dedos e estas ideias. Dancemos apenas. Dancemos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-796642103965265662?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/796642103965265662/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=796642103965265662&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/796642103965265662'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/796642103965265662'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2011/10/coreografia.html' title='coreoGrafia'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-Ir5DUkkPxmM/TpwuDR-rPeI/AAAAAAAAAmE/yNKiWJvw3l8/s72-c/coreoGrafia2.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-4368744107167056063</id><published>2011-09-18T00:05:00.004-03:00</published><updated>2011-09-20T15:27:36.224-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>O sangue que se dá</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-mF3sToo7-MA/TnVzuhrMOgI/AAAAAAAAAl8/RVzWqrj3gc8/s1600/white-red-blood-cells_edited.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="277" width="400" src="http://2.bp.blogspot.com/-mF3sToo7-MA/TnVzuhrMOgI/AAAAAAAAAl8/RVzWqrj3gc8/s400/white-red-blood-cells_edited.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Meu sonho sempre fora ser um ídolo humanista, e na adolescência e juventude tentei insistentemente montar algum tipo de movimento cultural que pudesse repercutir de forma dura na estrutura da sociedade ou na maneira enviesada segundo a qual as pessoas enxergavam o mundo. Pensava nos erros cometidos por milênios de injustiças sociais e queria de alguma forma revolucionar os pensamentos dos humanos em direção à virtude. Fato é que nunca fui capaz de fazer porra nenhuma. Ninguém acreditou em mim e minha desculpa pra mim mesmo sempre fora a de que eu era inteligente demais para levar todas essas mudanças a cabo. Só ignorantes seriam capazes de aliciar massas inteiras de pessoas atrás de si em prol de um objetivo que julgassem eloquente e que fizesse deste mundo um lugar melhor para se viver. Os inteligentes frequentemente propunham algo que ninguém estaria interessado ao tentar promover uma sociedade mais justa através da educação, onde o conhecimento fosse emancipado e onde as pessoas pudessem respeitar umas às outras, onde houvesse verdadeiro amor entre os seres. Era uma forma que encontrei de conviver em paz comigo mesmo e com minhas frustrações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em algum momento dessa estrada, desisti do caminho ao perceber que ninguém estaria querendo fazer nada que não fosse viver sua própria vida e apenas alguns poucos idealistas iriam de fato seguir lutando e gritando para defender as "pobres" pessoas que estavam razoavelmente satisfeitas com as suas vidas na miséria, as desigualdades e as humilhações que sofriam dos mais poderosos. A vida era uma só para se passar lutando. Eles queriam ter apenas suas pequenas e pobres familinhas com seus módicos prazeres e seus mais imperfeitos e despreocupados conteúdos: futebol e um emprego para o genro. Não haviam vivido no bom e no melhor para saber o que seria a vida daquele jeito e então contentavam-se com as migalhas oferecidas por um governo populista. Depois que descobri então este suposto segredo secreto guardado pela humanidade, desisti de me tornar um tipo qualquer de Gandhi ou Martin Luther King e decidi apelar, cagar, horrorizar um tipo médio de burguês consumista que oprime e desrespeita sem sequer perceber. Minha ideia era agora me tornar um ídolo punk, um anti-ídolo qualquer, um falso testemunho de mim mesmo e de meu próprio passado. Minhas atitudes e roupas e formas de vestir e comportar agora entravam em completo choque com o que os outros tachavam com a alcunha de normal. Olhavam-me à barba e tinham um choque, olhavam-me à roupa e tinham outro, escutavam o qu'eu dizia e pronto, taxavam-me louco ou esquisito. Como se não fossem eles mesmos. Qual não é facilidade de adicionar rótulos às pessoas e esquecer sua própria auto-rotulação? É como já se dizia naquele blues clássico regravado por Clapton: "&lt;i&gt;Before you accuse me / take a look at yourself&lt;/i&gt;". Nada mudou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por esta facilidade ou cacoete com o qual imodestamente fui escolhido pelo deus das letras, depois de algum tempo perdido profissionalmente fui contratado por um jornal para escrever materias sobre cultura. Dada minha presença intermitente em shows e peças e concertos e tudo o mais que pudesse estar ligado à cultura, rapidamente fui alocado para o setor da crítica cultural. Lá haviam os mais doutos críticos que sabiam muito bem comparar as obras apresentadas na cidade maravilhosa com uma historiografia da arte em questão. Os profissionais da área eram assim tão babacas que quase poderiam estar na universidade pregando a caretice dos métodos de avaliação das obras contemporâneas. Rapidamente compreendi que o povo não queria nenhum tipo de comparação dos teatros modernos com nada que pudesse sequer lembrar cenários shakespeareanos nem porra nenhuma que cheirasse a um classicismo exacerbado que estava totalmente fora de moda. O que as pessoas queriam  mesmo era escutar um relato apaixonado sobre a obra de forma que se sentissem estimuladas a sair de casa para irem assistí-las: e que se fodesse a história da arte ou a relação de tudo aquilo com a Grécia antiga ou com a Roma de Virgílio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fato é que os humanos são tão complexos e maravilhosos que mesmo as piores peças apresentavam pelo menos alguns segundos de genialidade e quando eu ganhava essas entradas para as premières, era só isso que eu precisava encontrar: onde, durante aquela hora e meia de espetáculo, eu conseguiria encontrar um mísero minutinho que fosse digno de louvor. Aprendi isso a duras penas também, aprendi que o profissional do caderno de cultura deve estar ali para falar bem, não para esculachar. As poucas vezes em que realmente caguei o pau em cima de uma peça ou obra, as repercussões foram tão arrasadoras -- principalmente para mim e para a bosta do meu currículo vivo -- que agora prefiro simplesmente não comentar ou deixar pra lá os comentários mais incisivos e críticos. Depois de um tempo acostuma-se às trupes que andam no Rio de Janeiro e deixa-se enganar pela mediocridade delas. Alguns amigos, diplomatas em Brasília, também me ensinaram a importante arte de se falar e falar sem nada dizer. E assim, quando a peça era ruim e precisava-se fazer comentário qualquer sobre a tal balbúrdia, daí simplesmente juntava-se meia dúzia de palavras aqui e ali e montava-se um xis-egg comentário de página e meia que nada dizia nem deixava de dizer. Era a nulidade da política internacional aplicada à apreciação cultural. Comentava-se assim longamente sobre o público, o teatro, tocava-se ligeiramente em pontos sobre o cenário e figurino e finalizava-se com aqueles segundos de beleza que salvavam a peça; conteúdo pontuado em um mar de insignificâncias. O leitor do jornal não queria também que se fizesse nenhum tipo de avaliação mais tendenciosa ou crítica artística. O indivíduo lê o jornal apenas para se informar, não quer exatamente que ali sejam emitidos juízos de valor muito sofisticados. Ele quer assim ler algo insosso mesmo, algo que apenas diga Isso aconteceu e pronto e foi assim e foi bom. Ele não quer ler também o que foi mal -- e o que quer vai direto para as páginas policiais ou invés de abrir o caderno de cultura. Mas o fato mais verídico de todos é que as colunas ou blogues jornalísticos que apresentam algum conteúdo crítico e moral de alto valor são praticamente ignoradas pelas pessoas, simplesmente pelo fato de que poucos são suficientemente inteligentes para interpretá-los. O sujeito, de fato, para escrever para um jornal precisa quase retirar o seu cérebro e deixá-lo ali de lado. Assim como faz também o leitor. E nesse vazio de ideias é que o profissional precisa trabalhar, se for inteligente o bastante. Ou se não o for, absolutamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de anos fazendo essas bostas dessas críticas a gente acaba conhecendo um pouco das pessoas que fazem esse meio cultural acontecer. Saiba de uma coisa: tudo acontece em torno de pessoas e são elas que fazem o mundo girar, as coisas mudarem, os ventos soprarem para lá ou para cá. O humano é sempre o centro de tudo o que acontece no mundo do humano. Então o que se deve sempre prezar é o relacionamento com elas, mesmo com as mais estúpidas. Isso também porque os indivíduos que trabalham nisso ou naquilo são sempre os mesmos e a gente vai envelhecendo e vai vendo que as mesmas pessoas continuam fazendo as mesmas coisas e continuam nos seus mesmos estatus, por vezes ligeiramente mais altos ou baixos. Mas são pessoas, indivíduos, seres humanos. As mesmas gentes, e ninguém nunca morre nem muda de estado de forma drástica; precisa-se aprender a conviver com elas. Ninguém também aparece assim do nada, bombando. No meio cultural não há degraus e há apenas rampas. É preciso compreender os humanos em toda a sua complexidade e o que é mais preciso é estar sempre de boa com todos eles. São esses contatos que podem te arrumar os melhores empregos, as melhores bocadas, os mais bem quistos bonus da vida. E foi numa dessas que fui convidado para acompanhar uma parte da turnê dos Estereafônicos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha primeira ligação com o grupo de rock foi justamente em um show que fizeram no Circo Voador e do qual eu estive trabalhando para o jornal. O show foi uma verdadeira merda, o som estava pessimamente equalizado e o baixo várias vezes ficava com uma zoeira altamente esquisita, de forma que mal-mal consegui perceber exatamente as cadências ou as linhas que seguia. O microfone do vocalista e supostamente dono-da-banda também estava tão zoado que era preciso um grande movimento imaginativo para completar as partes inteligíveis das canções. Mas sei que pude ao menos perceber algumas partes boas de algumas delas, os famosos segundinhos de êxtase, principalmente daquela que era o mote chefe ou música de trabalho da banda. Foi essa que consegui melhor compreender e que posteriormente fui capaz de verificar a letra completa na página deles na internet e que me permitiu escrever o comentário elogioso daquela bosta de show. Meti o pau de leve nos técnicos de som mas no fim fiz um texto que era tão rico e cheio de vida ao contemplar uma suposta poesia contida na música de trabalho, que no dia seguinte o vocalista chegou a m'enviar um texto agradecendo. Enfim, não fiz nada para elogiá-lo e de fato a impressão que ele me causava não era jamais de simpatia. Auto-intitulado Johnny Smash, Joãozico era um playboy babaca que calhou de nascer numa família rica e de ser capaz de ter alguns amigos com o mínimo de dom musical para montar uma banda que tocava apenas em tons maiores e que nem sabia o que eram tétrades. Jamais vi nele nenhum toque daquilo que chamo de Arte e o sujeito era realmente apenas mais um entre milhões de babacas metidos à besta que acreditam fazer boa música. Ele sequer sabia tocar bem algum instrumento e uma vez me disse que seu sonho era conseguir uma guitarra ou violão que acompanhasse sua voz, já que assim não precisaria perder horas aprendendo a tocar aquelas bostas. Agora, onde já se viu um sujeito que vive de música não gostar de tocar? Até eu mesmo que sou um razoável ignorante na técnica da guitarra, até eu sei que o que dá tesão ao músico é justamente pegar o instrumento e ser capaz de debulhá-lo, de execrá-lo, de tirar dele a mais perfeita e esdrúxula, magicamente bela sequência de sons. Quantas vezes à noite com minha guitarra já não nos pegamos assim em sintonia com o mundo? Eu que nem sou músico, que nem dedico todos os dias da minha vida à arte de fazer sons, eu agora me considerava mais músico do que o Johnny, que só queria um tipo qualquer de sintetizador que seguisse o que ele soltava na voz. Sou um cantor, ele revelava, sou um cantor. E era mesmo, isso não se poderia negar, tinha lá um estilo prório de cantoria meio &lt;i&gt;rock and roll&lt;/i&gt; que dava sim um toque mágico às canções e talvez tenha sido isso que escrevi na tal da resenha que lhe despertou a soberba quando m'escreveu agradecendo o comentário. Na dúvida do que fazer à época, retruquei sua mensagem dizendo que eu não escrevia para agradar ninguém e que eu apenas seguia meu ritual trabalhístico de comentar os sucessos que estavam em voga no Rio de Janeiro nesta segunda década do século XXI. Posteriormente, enquanto já estávamos nesta viagem que faremos e que ainda sequer comentei, ele me disse que a ideia do convite que me fez teria partido justamente dessa mensagem desnecessária que enviei como que a dizer que ele que se fodesse. Na verdade, ele disse, nunca quis nenhum tipo de gente puxando seu saco, ele queria alguém sério que de fato apreciasse o som que faziam de uma forma sincera. Engoli seco, era fato que eu apreciava sim algumas cadências e certos riffs interessantes que os Estereafônicos incluiam em suas canções, mas nunca havia feito nenhum comentário realista sobre a contribuição deles para a cena musical brasileira ou para o grande legado do Brasil enquanto produtor e exportador de música. O peso deles enquanto representantes da história da música brasileira não passava de algumas gramas; não tinham nada de original. De fato a base da banda era o rock 'n roll, gênero que o Brasil até se destacava internamente, desde os Mutantes, os Secos e Molhados e até a Jovem Guarda, mas que nunca houvera expandido nossas fronteiras territoriais. À exceção do inclassificável Sepultura, jamais tivemos um rock tipo-exportação, e na minha opinião estávamos longe de termos isso com os Estereafônicos. Ainda mais com um nome desses, impronunciável para um gringo. Felizmente nunca me fizeram essa pergunta diretamente, uma vez que tenho essa grande dificuldade de manter minha boca fechada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim vou vivendo e ganhando meu pão de todo o dia, qualquer dia venho contar da viagem que fiz com o Johnny e a galera da banda. Enfim, se não me tornei o ídolo quem eu gostaria de ser ou aquele que almejava me tornar desde muito cedo, não posso dizer que cheguei tarde demais ao fundo do poço. Eu era sim mais uma pessoa inteligente fracassada, mas nem mais inteligente nem mais fracassado do que muitos outros. Deixei de acreditar em mim mesmo como a mais perfeita encarnação de algum ser mitológico da humanidade e aceitei-me apenas enquanto motivação ontológica, um ser propriamente dito que se deliciava com vida apenas por que ela era diferente do estado estável morte, onde me estabilizaria para sempre depois que de alcançá-la. E então resolvi fazer de mim algo que pudesse ser útil à sociedade sem sonhar demais nem demenos. Amei muito e trabalhei com afinco e seriedade sem sacrificar demasiadamente meu corpo ou minha psiquê, pedaços quebrados de um só ser. Talvez por isso eu esteja aqui hoje, velho, a falar todas essas sinceridades aos senhores. E ainda haverá muito mais o que dizer... se ao menos alguém estiver interessado em escutar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-4368744107167056063?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/4368744107167056063/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=4368744107167056063&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/4368744107167056063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/4368744107167056063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2011/09/o-sangue-que-se-da.html' title='O sangue que se dá'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-mF3sToo7-MA/TnVzuhrMOgI/AAAAAAAAAl8/RVzWqrj3gc8/s72-c/white-red-blood-cells_edited.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-3897625573371239237</id><published>2011-09-03T14:03:00.001-03:00</published><updated>2011-09-05T13:38:04.265-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contemporaneidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='surrealismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>Todos os intelectuais</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-BGOzl4cucVY/TlR8aNXs1kI/AAAAAAAAAlU/HczD5Thclb0/s1600/5Booksooks.png" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="200" width="330" src="http://3.bp.blogspot.com/-BGOzl4cucVY/TlR8aNXs1kI/AAAAAAAAAlU/HczD5Thclb0/s400/5Booksooks.png" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Branco pingou duas gotas de alucinógeno em seus olhos para poder melhor pensar. Depois de passar anos lendo toda a literatura clássica em política internacional e direitos humanos, precisava agora mesclar todo esse conhecimento e tentar incorpora-lo ao que supunha ser sua contemporaneidade. Herdeiro de Marx, queria agora saber e entender, supor como a revolução da informação transformaria toda a conjuntura macroeconômica no sentido de libertar os cidadãos das garras dos grandes interesses. Sabia que alguma coisa ia escondida nos meandros intelectuais desse problema mas, careta que era, não conseguia ter nenhum tipo de vislumbre sintético que resumisse todo esse conjunto de informações em algum tipo de filosofia do porvir, ou do agora. Sabia muito e sabia isso e aquilo, estudara muito tempo e por muitos lugares, relampeou à luz das razões simples e das lógicas não-euclideanas, ministrou cursos e palestras sobre todas as questões, mas sentia-se sempre atado a uma rede conceitual associada ao pensamento ocidental, tendo os gregos e o francês como pilares. Por mais que tenha flertado ligeiramente com filosofias orientais ante uma óptica saideana, não conseguia sincretizar ou avançar nos pensamentos e nos ideais de uma novistória. Foi assim que decidiu adentrar o mundo que vai além da sensibilidade-padrão de forma a tentar desconstruir toda sua visão tal qual um castelo de cartas, a descobrir algum troncudo rei de espadas que pudesse ser substituído por um curinga qualquer intelectual que se apresentaria acocorado sobre as nuvens simbólicas das doutrinas acadêmicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderia entretanto ter imaginado que seu globo ocular não fosse exatamente o melhor lugar para a aplicação da droga de emancipação mental. Sendo esse órgão justamente o principal responsável por nos fazer ver o mundo desta forma que vemos e não doutra forma qualquer, metaforicamente pensou que seria o local de ideal aplicação. Afinal, sabemos que todos os pensamentos se reúnem em imagens e que uma imagem vale mais do que mil. Palavras e palavras despejadas à tela. Decanutos depois entretanto, nosso herói passava a sofrer distorções em seu campo visual e via as paredes chapiscadas do muro vizinho escorrendo tal qual cachoeira, via quadros respirando e copas de árvores que dançavam como ondas no mar. E então realizou que as gotinhas mágicas não deveriam ter sido aplicadas ali, mas noutro lugar de seu corpo que refletisse melhor sua sociedade. Onde então? Talvez da próxima vez pingasse as gotas em outro tipo de mucosa, como a anal. Esta última certamente representaria de forma mais adequada a realidade social em que vivia, ante governos que abusavam do poder e do apodrecido capitalismo que finalmente dava mostras de afundar-se em sua própria lama. Pingasse em seu pênis, talvez pudesse refletir melhor sobre o poder enquanto ferramenta exclusiva para o sexo, refletir sobre os grandes carros enquanto extensões fálicas de um mundo canceroso, sobre uma lógica anti-comunitária que prezaria apenas a passagem para frente de suas porras e seus genes egoístas a quererem viver mais e mais noutras máquinas de sobrevivência, custando o que custasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando acordou em sua cama, entretanto, horas depois, nem soube dizer sobre o que houvera refletido em seu tempo de alucinação e agradeceu que não tivesse avançado pela janela até dezessete andares abaixo, onde encontra-lo-iam espatifado, corpo estendido ao chão. A esposa nem quis comentar o que lhe acontecera, embora tenha sugerido por atos, risadas e ligeiras performances teatralescas que nosso herói houvera beirado as portas da insanidade. Tanto foi assim que desaconselhou o marido a realizar esse tipo de atitude neurológica em busca de novos caminhos intelectuais ou, ao menos, que se decidisse assim o fazer, que diluísse a porra da gota pelo menos dez vezes e tomasse então doses menos abruptas que o mantivessem pelo menos com o dedo mindinho do pé ao chão. Branco desconversou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentado em sua escrivaninha e olhando o teto pensativo, deixou seus pensamentos fluírem. Poderia até ser que a gota não o tivesse exatamente enlouquecido ou permitido o alcançar de pensamentos mais precisos, sintéticos, claros, diretos, belos e elegantes. Mas a experiência senduvidamente mexera n'algo que jazia escondido em reminiscências cognitivas e essa desarrumação conceitual poderia ter em breve... em breve... sim, sim! Branco teve um vislumbre! Ah, um vislumbre. Finalmente, o tão esperado motor das grandes descobertas e das grandes ideias! Era Branco agora ativo, ser, ente, gente, pensava e logo existia. Pensou. E então pôs-se a escrever à luz da razão, mãos e cérebro conectados à máquina em uma explosão de símbolos jogados ao canvas inexplorado do editor de textos. Explicava agora por a mais bê porque, depois de séculos de história e com o novo desenvolver da informação, os seres humanos deixariam de ser enganados e como os governos fariam para melhor cuidar da população em uma eudemocracia de aspectos sociais profundamente desenvolvidos. A tecnologia finalmente permitiria às nações tornarem-se soberanas independendo das outras e então não haveria forma alguma de preconceito ou sobrepujança. Todas as nações seriam iguais sendo diferentes e mesmo ante uma grande desigualdade cultural, haveria a base biológica do ser humano enquanto animal que era esta, dada, dividida entre todos os povos. Branco ficou ali então por horas a fio e, quando terminou de extirpar de si toda a inspiração que nem mesmo podemos saber ao certo se teria sido influenciada ou não pela utilização da substância psico-ativa, deixou-se adormecer com a cabeça sobre o teclado. Sua pobre conjuge teve mais uma vez o trabalho de levanta-lo e acompanha-lo até a cama, pé ante pé. E ainda foi obrigada a retornar à sua prancheta de trabalho virtual e apagar os cerca de dois milhões e trezentos e doze mil e dezenove caracteres esse que ele havia digitado muito provavelmente com o nariz até o momento em que ela o houvera encontrado ali com o encéfalo sobre a prateleira de símbolos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que nos dias seguintes Branco foi obrigado a reler toda sua epifania e tentar tirar algum sentido de tudo que estava ali escrito. O intelecterói esteve então convicto de que em seu estado de catarse, houvera tido ali inúmeras e maravilhosideias, porém foi incapaz de definir quais delas teriam sido antes impensadas sobre a sociedade, o mundo contemporâneo e os direitos do homem. A sopa conceitual que produzira, porém, embaralhava palavras de ordem sobre a falta de espontaneidade das pessoas e a grande derrota de seu time na Taça Libertadores da América, dentre outras pseudo-intelectualidades menos explícitas. Depois então de perder duas semanas a tentar sintetizar todas as suas grandes teorias sob uma ampla óptica cosmogônica, Branco teve mais uma vez seu momento Eureka. Gritou como o grego à banheira e dirigiu-se imediatamente ao armário, onde pegou o tubo lisérgico e o entregou à esposa, a quem pediu que o aplicasse em seu ânus. Despatavida e confodasida, a mulher até aceitou realizar a tarefa, mas antes decidiu homeopatizar a substância e realizou diluições tão seriadas do produto antes da aplicação que Branco não teria sentido absolutamente nada se ele mesmo não tivesse adicionado mais duas gotas à solução final quando a esposa deu-lhe as costas. Hoje nosso herói já pode ser considerado um dos maiores intelectuais da atualidade, embora ainda tenha dificuldades para escolher entre um capuccino e um moccaccino à fila da cafeteria, sendo então &lt;i&gt;bullyin&lt;/i&gt;ado pelos que o esperam atrás da fila.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-3897625573371239237?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/3897625573371239237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=3897625573371239237&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/3897625573371239237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/3897625573371239237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2011/09/todos-os-intelectuais.html' title='Todos os intelectuais'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-BGOzl4cucVY/TlR8aNXs1kI/AAAAAAAAAlU/HczD5Thclb0/s72-c/5Booksooks.png' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-1517738783308281586</id><published>2011-08-23T02:51:00.002-03:00</published><updated>2011-08-30T14:59:02.568-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pessimismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='auto-ajuda'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='otimismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica social'/><title type='text'>Surfando no tsunami da virtude</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-5opAf4FO2cA/Tj1dAbqE7yI/AAAAAAAAAks/Gicy7o3gX-o/s1600/Surf_Barrel_Tubo_piece.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="250" width="400" src="http://1.bp.blogspot.com/-5opAf4FO2cA/Tj1dAbqE7yI/AAAAAAAAAks/Gicy7o3gX-o/s400/Surf_Barrel_Tubo_piece.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;O que pensa muito sobre o que isso ou aquilo vai gerar ou dar ou como vai repercutir ou o que irão pensar ou se vão mesmo pensar ou julgar ou dizer que é bom ou ruim ou fraco ou preconceituoso ou feio ou bonito ou o que quer que seja que sequer ainda se pensou; este não faz. Quem faz é quem não entende, quem chuta a bola para o gol sem saber se ela entra ou se vai para a torcida como delicioso chute de Baggio em 1994. É tetracampeão! Alguns amarão, outros odiarão, a maior parte não se importará. Não há como saber o que sairá de tua compreensão deste texto, sobre tua apreciação desta obra eletrônica, sobre o mundo velho da expressão cultural que se faz e que se joga em um mundo que é simplesmente um mistério. Ninguém tem bola de cristal. Àqueles que temem, aos que não estão convictos de seus ideais, àqueles que sabem de sua parcela de culpa ou preconceito e também ao ignorante, melhor mesmo é ficar calado. Inventa-se então uma desculpa para tal, diz-se que "o silêncio é o refúgio do sábio" ou inventa-se qualquer baboseira inócua que permita o indivíduo viver bem consigo mesmo e manter uma postura de austeridade respeitosa que de fato esconde suas mais sinceras opiniões. Vivemos uma cultura do medo, onde opinar é se expor, é dar a cara a tapa e o que cala, este não tem inimigos e convive com tudo e com todos. Bem, sempre bem. Não deixa de achá-los estúpidos ou geniais, não deixa de pensá-los grandes ou pequenos, admiráveis ou nojentos. Aquele sobre quem falamos não se revolta contra as injustiças ou as deslealdades, não se revolta contra a opressão, o crime, o enriquecimento ilícito. Ele apenas olha-os e segue adiante buscando um dia gozar dos mesmos privilégios que o outro goza ao invés de tentar reverter o estado de calamidade em que se encontra a moral no Brasil e no mundo. Quem são eles, quão pequenos não são. Não seremos nós a discordar: são mesmo pequeníssimos, ínfimos, reles; o sentimento que temos para com eles é de pena e dó. Sob seus pontos-de-vistas, a regra de ouro e o imperativo categórico ficam assim para nós-outros enquanto ideais inocentes de quem não conhece as agruras e a torpeza da sociedade real. Pintam-nos pulando em um mundo de fantasias infantis junto com nossa amiga Poliana ou com a galera da turma da Mônica: "Só estes inocentes poderiam de fato pensar em um mundo de paz ao ignorar realmente a faceta de ódio que há na natureza dos homens. Só mulheres mesmo poderiam pensar assim." E nessa linha podre de raciocínio vão ainda mais longe ao pensar que a guerra do homem deve ser travada contra o próprio homem -- o mesmo ao qual se cumprimenta e depois, inadvertidamente, se passa uma rasteira. São estes os homens que brigam com seus melhores amigos e se tornam deles arqui-inimigos, recuperando a mitologia dos super-heróis e transformando a si mesmos em personagens principais da história em quadrinhos que é sua vida. Quem serão os infantis? Serão esses últimos ou aqueles que querem apenas desenvolver e ir à frente com amizade e paz? São os que acreditam na ferrenha força de uma tradição patriarcalista e bélica ou aqueles que lutam por novas ideologias de valor mais humanista? É claro não se deve colocar rótulos nas pessoas e nos grupos, mas em grande medida sabemos quem são os que pensam assim ou assado, de forma que ninguém jamais colocará Gandhi do lado errado desta dicotomia que, assim como todas as outras, é também falsa. Ninguém está pronto, perfeito, polido, moldado. Ninguém estará. Aquele que foi o mais perfeito babaca durante três, quatro décadas, também ele pode mudar, pode pensar melhor, pode querer se superar, pode compreender finalmente o valor da igualdade, do marxismo, da luta e resistência pacífica em busca de um ideal de humanidade mais virtuoso. Por outro lado, ainda que um possa vir a fazer tal mudança transcendendo a barreira das classes recém definidas, seria mais uma vez inocência nossa pensar que os povos dominadores, com sua cultura racista e escravagista temperada em fogo nem tão brando assim -- por séculos! -- vão agora mudar de ideologia como que se por um passo de mágica. E então olhamos não para um futuro próximo, mas para um futuro distante. Olhamos lá adiante em busca de uma paz que não se sabe se chegará e que pode parecer infantilidade buscar. Brincaremos de tentar. Não há mais distâncias, o mundo é um só e as culturas se reúnem sob um poço de incompreensões: o ocidente europeu, a arábia, o oriente, a latino-americanidade, o americanismo e a africanidade. Quais serão as grandes divisões geográfico-culturais do mundo moderno? Toda afirmação e toda moral estão fixadas em um tempo histórico e em um arcabouço cultural que forma os arquétipos do que convencionamos chamar de moralidade humana. À época da inquisição não se via a igreja católica como vilã, como falsa, como sofrível, injustificável e assassina. Via-se-a como defensora dos melhores ideais da humanidade, dos ideais do cristo crucificado, ideais estes que podem ser mesmo verdadeiramente belos, mas que foram carcomidos e desvirtuados por milênios de ordenanças eclesiásticas corruptas e altamente poderosas. A relação do indivíduo com o místico e o mágico deveria ser sempre uma relação direta, não algo intermediado por supostos sacerdotes que teriam de alguma forma um privilégio inalcançável sobre o mundo espiritual. Se é claro que há pessoas mais sensíveis às condições energéticas do universo -- o que quer se queira dizer com isso --, é claro tais autoproclamados não são os que se levantam aos púlpitos a repetir baboseiras há milênios desgastadas. Precisamos de novos guias morais, novas ordens, novos livros a seguirmos, novas condições para uma era de aquário, uma era de mais igualdade, de uma humanidade mais livre e verdadeiramente respeitosa com as outras humanidades, uma humanidade que veja na outra seus brilhos e não suas fétidas deturpações. Que igualdade é essa que eu posso vender carros em seu país tanto quanto você pode vender no meu. Mas oras, aqui não há nenhuma fábrica para produzi-los? Os dominadores utilizaram a técnica dos direitos iguais de uma forma torpe para alavancá-los ainda mais alto e aumentar seus poderes e seus privilégios. A balança representa a justiça, mas e quando não se tem produtos para contrabalançar a desigualdade que vai encima do prato. Mas não é óbvia a dominação? Qualquer um em posição de poder não faria exatamente a mesma coisa? Os oprimidos não passariam a opressores se lhes fosse dada a oportunidade. Eles não querem vingança contra a sociedade. Eles não se desenvolveram às custas de seus próprios esforços e não são &lt;i&gt;self-made-mens&lt;/i&gt;? Não, não, não é óbvia a relação oprimido-opressor e somente os racistas e aqueles que não querem ver um mundo mais igual é que fizerem e continuam fazendo praticando a opressão. Eles foram traumatizados enquanto infantes, não podemos culpá-los. Zweig achou que a Europa afundar-se-ia sob o dilúvio chamado Segunda Guerra Mundial e que seria aqui no Brasil do futuro que uma nova humanidade nasceria sob a insígnia da novigualdade e do respeito a todos povos sob a insígnia da miscigenação. Otimista que era; não se pode ser otimista com o Brasil; todos sabem e veem que beiramos o completo caos da calamidade pública, pobreza, inveja e podridão moral. Pelo menos assumimos nossa culpa e reconhecemo-la, não é assim também por todo o lado? Veja debaixo dos tapetes dos grandes castelos o volume de sujeira podre que ali não se encontra. Se precisamos proteger nossos interesses, e é claro que precisamos, isso não pode ser feito rebaixando nossos colegas e concorrentes. O Itamaraty tenta. Não falamos grosso com o baixinho nem fino com o grandalhão, Chico concorda. Dizemos apenas e sinceramente o que achamos que trará a virtude ao mundo. Estado e vida. Estado é vida. Vida é estado. Vida e estado. Temos inveja de nossos amigos bem sucedidos, bem casados, bem de vida e de bom emprego? Temos mesmo? Precisamos sentir essa inveja? Não podemos simplesmente querer-lhes o bem e buscarmos também o nosso próprio bem? Não podemos querer o bem e o crescimento profissional, intelectual e moral de todos à nossa volta? Não podemos lhes apresentar a outra face? Não podemos negá-los três vezes diante do espelho ao invés de apedrejá-los? Por que insistimos em nos fazer dissimulados, falsos, em sorrir para xis e para ipsilon para depois lhes passarmos as pernas por trás? Quem somos nós? Que saco processador de merda que somos? É preciso coragem, é preciso também força para não sucumbirmos e nos tornarmos agora opressores. É mais fácil e mais burro fazermos isso, mas não queremos a facilidade ou a burrice, queremos a virtude e a delícia, a expansão de nossos ideais até o fundo dos poços e das conexões cerebrais, queremos crescer e amar, crescer amando tudo e todos, quem podemos e quem não podemos. Não precisamos viver na pobreza nem doarmos todos nossos bens aos menos favorecidos, mas alguma doação para entidades filantrópicas que possamos acompanhar seu resultado é algo próximo do mínimo que sentimos uma obrigação moral em fazer. Enquanto isso, outros economizam para comprar foguetes ultramodernos que talvez sejam depredados por estes que ficaram sem seu soldo, sem seus alimentos ou vidas, para aqueles que nasceram nas piores condições, nas piores situações, nos piores submundos e locais. Eles não teem culpa, não aponte assim o dedo em suas faces: eles são vítimas de um sistema difícil de coordenar, um sistema mundial de exploração tão complexo e que vem operando há tantos anos que é incrível mesmo pensar o quanto já conseguimos desviá-lo de seus vieses mundanos. Você é também responsável por este sistema funcionar assim. Se é certo que a moral do homem avança em direção à virtuose máxima ao longo do tempo histórico, sem dúvida há desvios torpes e atalhos ainda mais longos. Avançará mesmo? Toda a questão é tentar guardar um otimismo no mais íntimo do corpomente e executar ações que se dirijam ao encontro de ideais humanitários reais; vive-se no mundo que se pensa viver e são as ações que contam ainda mais do que aquilo que se diz ou aquilo que se prega; ainda que pregar e dizer sejam em si também ações, ações incólumes se não associadas a outras de maior consagração pragmática. O que não se pode é se esconder atrás do véu do silêncio e do aceite calado e passivo das injustiças e das corrupções. Tornam-se assim culpados do mundo cão por cumplicidade. O que não se pode é aceitar a covardia de dizer "Sim, senhor" e fazer o que se pede quando isso vai contra os mais profundos ideais. O que não se pode é ser irresponsável em todas as atitudes que guiam a vida própria e a cercania. Se tratarmos bem nosso entorno já estaremos tratando bem todo o mundo e toda a sociedade; e se começarmos com uma marolinha, passaremos dela à onda e então em círculos de virtuose alcançaremos, quiçá, uma super-onda dos mais belos valores que inundará o mundo: tsunami de bons tratos e bons acolhimentos aqui e ali e acolá, de todos e por todos e para todos, elevando em virtuose máxima a experiência maravilhosa de estarmos vivos. Ah, esta virtuose de nos enxergamos enquanto seres humanos dotados de uma consciência única e bela no sentido mais mágico que conseguirmos imaginar; e ainda além.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-1517738783308281586?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/1517738783308281586/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=1517738783308281586&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/1517738783308281586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/1517738783308281586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2011/08/surfando-no-tsunami-da-virtude.html' title='Surfando no tsunami da virtude'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-5opAf4FO2cA/Tj1dAbqE7yI/AAAAAAAAAks/Gicy7o3gX-o/s72-c/Surf_Barrel_Tubo_piece.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-3666843457945885059</id><published>2011-08-11T22:12:00.003-03:00</published><updated>2011-08-23T02:03:28.317-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura tipo-moderna'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sincretismo'/><title type='text'>Culturofagia canarinha</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-50oHA_XLpG4/TkAQvMjbwOI/AAAAAAAAAk0/FDpbOx8YWEk/s1600/oper%25C3%25A1rios_bola_bandeira%25281933%2529.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="295" width="400" src="http://2.bp.blogspot.com/-50oHA_XLpG4/TkAQvMjbwOI/AAAAAAAAAk0/FDpbOx8YWEk/s400/oper%25C3%25A1rios_bola_bandeira%25281933%2529.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Quando nosso querido músico afrosulamericano partiu em castigo e sorte para a enebriante ilha do norte, ele não sabia tudo o que se daria e como deglutiria de maneira doce os hábitos empedernidos do velho mundo. De fato, cozeu-os a fogo brando em seu cérebro animal, misturando-os a todas suas influências desde a mais tenra infância nos confins esburacados do semi-árido nordestino. Temperou sua bel'obra com os mais virtuosos ideais já surgidos na humanidade e botou fora tudo que considerou desprezível, apresentando-nos o resultado de toda essa deglutição cultural sob a forma sonora. Como eram belas! Como são belas e como serão sempre suas canções a se misturarem em meio à dança e aos gritos doutrora -- uh-uh-uh-uh ah-ah yeah-yeah --, doutra humanidade antes esquecida e agora modernizada perante a pajelança multirracial. A brasilidade pode ser vista enquanto epicentro de tantas rotas culturais diferentes: européias, negras, árabes e indígenas -- temperadas com suaves pitadas de filosofias orientais de cunho completamente metafísico. A energia de todos reunidas num novo lar tropical, quente e aprazível, com coqueiros, praias paradisíacas, água de coco e biquininhos fio-dental. O que é pecado mesmo? Vamos todos misturar nossas culturas e fluídos com essa gente de todo mundo, sob a energia do astro rei à moleira e os ideais de alegria, música e bem viver. A maior espontaneidade é a que existe no lugar onde se pensa e se fala e se faz até macumba se for o caso, mas não se deixa de ser o que se é. O corajoso, já dizia Quintana, é aquele que não liga para o que dizem sobre suas atitudes e as faz e refaz ainda sob chuvas de críticas de todos os povos originais, os não-miscigenados e racistas que se pensam como as sombras mais ideais nas cavernas de Platão; metáforas nas mentes dos seus deuses. A genética comprova: é o vigor do hibrido. Sabe-se que as linhagens biológicas de organismos são reproduzidas anos entre si para a seleção de suas melhores características. E assim faz-se o melhoramento genético das raças de milho, soja, de cães ou humanas. Tal "melhoramento" entretanto, se é praticado ao extremo, causa uma degeneração dos organismos; e assim quando algumas linhagens puras são cruzadas com indivíduos de outras linhagens também puras, elas frequentemente produzem uma prole altamente forte e resistente. A este evento deu-se o nome: "vigor do híbrido", o vigor da heterozigosidade, pergunte ao frade Mendel quem quiser saber melhor. A verdade é que a endogamia e a seleção das raças puras causa degeneração no que é biológico; e também no que é cultural. E assim o sincretismo de unir o catolicismo com a umbanda ante o espiritismo de Xavier encontra pouso forte no coração canarinho. Os músicos misturaram chiclete com banana, ritmos africanos com guitarras elétricas, produzindo nem chiclete nem banana, nem tambores e nem só guitarra. Pegou-se todos esses ingredientes biológicos e culturais e misturou-se-os num incompreensível liquidificador antes de apresentá-los ao mundo, que gostou e disse em voz tenor: vigoroso é este híbrido verde e amarelo! E o misturil antropofagizado mostrou-se realmente forte e vigoroso. Tanto foi assim que ele dominou a bola na intermediária, driblou alguns meios-de-campo e tocou às esquerdas, quando o lateral então avançou com explosão e emoção, entrou na grande área, passou a bola por debaixo da perna do zagueiro com maestria, fez que ia chutar, travou uma enceradeira pra enganar os adversários e ao invés de bater direto preferiu servir o companheiro livre e em melhor ângulo; este que, superando-se em força e vontade, aproveitou a distração do goleiro e deu um bicudo de prima na bola, que seguiu certeira ao ângulo, balançando o filó. Brasil pentacampeão e o futebol como a metáfora de toda a complexidade da vida, do mundo, da política, da organização, da vontade, da raça, da magia, da arte e da técnica, do mulato topetudo que é o rei do futebol; e sempre será. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem comeu o mundo e processou-o em seu estômago mental, transformou-se em algo imprevisível e inusitado, resultado único de influências das mais diversas e responsável por exalar novas estéticas para uma sociedade sempre em construção e jamais pronta: país do futuro. Se de um lado tinha-se o ideal da super-organização e de outro havia o super-caos, obteve-se um resultado que estava longe de ser super-super mas que era um caosorganizado emergente, feliz e sexualmente realizado: andava sem camisa, de chinelos e óculos escuros, com um batuque a tira-colo e bebericava um copinho de cerveja pra espantar o calor. Tinha lá uma veia artística que se não era tecnicamente perfeita, era verdadeira e inovadora, sob a qual todos percebiam brotar de dentro: simples, sincera e elegante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Discutiu-se então quem seria o melhor ou o pior do mundo e nosso avatar não quis colocar seu voto nem nos velhos nem nos novos nem nos de-sempre modificados. Votou em todos ainda que não quisesse anular seu voto; o que queria era mostrar a importância de cada um e de todos sem classificá-los nessas torpes formas de números e conceitos que se embaralham e que não nos permitem dizer exatamente quem ganha e quem perde. Pensava que era ali no embaralhar das cartas humanas e culturais que o jogo distribuído à mesa se dava, enquanto alguns blefavam dizendo que terem saído de zape e sete de copas quando na verdade não tinham nada além de figuras machistas, onde até o valete valia mais do que a dama. Acreditava no poder da compreensão quando fomentada pelo diálogo aberto e pela troca de ideias. Sabia que o mundo chegaria em algum acordo se fossem deixadas cada uma das partes expressarem-se livremente e defenderem, com fé e argúcia, aquilo em que acreditavam. Mas não foi a favor dos preconceitos, dos apedrejamentos, dos jogos monetários nem dos narcisismos, agora chamados de racismos. Disse que todos são e devem ser e serão respeitados e que o respeito está no ouvir e no tentar fazer junto, tentar reunir e agregar, somar, multiplicar, criar algo novo sob o manto de todas as questões políticas e sociais de um mundo com cosmologias tão diferentes. Tantas vidas são as dos seres humanos: o operário e o empresário não vivem no mesmo mundo. O vendedor de coco na praia e o nerd administrador do banco de dados são diferentes no que querem e exigem da sociedade. O vendedor de coco da China pareça talvez mais com o da Austrália do que com conterrâneos seus vivendo em diferentes nichos sociais. E o governo, maternal, tentava ajudar as pessoas como se estas fossem seus filhos, não seus funcionários ou subordinados, tinha-se-lhe amor e foi isso que Luiz Inácio disse e representou em mantos caricaturados com um georginho de um lado e um huguinho do outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O negro afrosulamericano representava quase tudo e quase todos. Era um mundo em si mesmo e explodiu sob todas as influências na música, na dança, na arte, na política, no ode ao conhecimento e à ciência. Mostrou para todo mundo o que é ser brasileiro e disponibilizou gratuitamente tudo o que fez para todo o universo: até em Marte escutam-no. Os babacas entretanto preferiam pagar e consideraram-no tolo. Seus bisnetos, entretanto, entenderam-no; mas eles ainda estariam para nascer e até que os sois e as luas atravessassem milhares de vezes a abóbada celeste muito sufoco passou pelo mundo. E muito sufoco ainda passará.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-3666843457945885059?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/3666843457945885059/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=3666843457945885059&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/3666843457945885059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/3666843457945885059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2011/08/culturofagia-canarinha.html' title='Culturofagia canarinha'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-50oHA_XLpG4/TkAQvMjbwOI/AAAAAAAAAk0/FDpbOx8YWEk/s72-c/oper%25C3%25A1rios_bola_bandeira%25281933%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-2747023103727370100</id><published>2011-07-28T00:00:00.001-03:00</published><updated>2011-08-04T22:37:14.150-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poética'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><title type='text'>Escremorrer</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/--LCb6l6YQOI/TiZOwBLsQCI/AAAAAAAAAkc/cJEpr0Aiy6Y/s1600/grave.8459_edited" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="265" width="400" src="http://1.bp.blogspot.com/--LCb6l6YQOI/TiZOwBLsQCI/AAAAAAAAAkc/cJEpr0Aiy6Y/s400/grave.8459_edited" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Quando escrevo morro. Morro quando escrevo. Nenhum texto faz sentido se não for como último, o derradeiro, &lt;i&gt;De revolutionibus orbium coelestium&lt;/i&gt; para Copérnico, a Origem para Darwin. A maior arte é aquela de ter a coragem de dizer aquilo que o mundo ainda não está preparado para ouvir: apelo último que reverte as leis e a moral buscando alcançar nada menos do que o humanista virtuoso em cada indivíduo -- imperativo do mais categórico ante a finitude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A morte me está próxima. Ela sempre esteve. Ela está de fato nos assombrando aos ouvidos enquanto os anos vão se passando na mais perfeita saúde. Maestra da traiçoaria: peste bubônica, câncer, pneumonia; o infarto agudo, o aneurisma, o caminhão que nos passará por cima ao atravessarmos a rua à frente de nossas casas. A vida urbana é o risco, é viver o risco, é morrer o risco. Tal como a vida no campo, como toda vida. Abraço a morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo o que está vivo, morre. Ou vai morrer. A vida por si só já é grandiosamente impressionante. Esse aglomerado de células colaborando para a homeostase, a formação do organismo, o metabolismo, a consciência. Somos todos um maravilhoso mistério biológico. Não há artífice algum, há apenas a auto-organização que beira o caos e que a qualquer momento pode cair de volta em seu poço atrator, buraco-negro. A morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu morro, tu morres, ele morre, nós morremos, vós morreis, eles morrem. Eu morrerei. Tu morrerás. Ele morrerá e ela também morrerá. Nós morreremos e vós, estai certo, morrereis. Eles morrerão. Morrerão todos, nós e eles, e eu e tu e todas as pessoas do passado, do presente e do futuro do pretérito do indicativo. Todas as pessoas de todos os tempos verbais ou históricos ou contemporâneos. Ou morreram, ou morrerão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraço a morte. Não a temo. Sei que está aqui e que me levará quando a hora chegar. A hora vai chegar. Irei tranquilo porque já tendo morrido tantas vezes nas palavras, já sei que ela é tão somente o esvaziamento. O esvaziamento das ideias e das angústias, o esvaziamento das aflições e dos desejos, das dores e dos amores, o esvaziamento de si e sua reintegração noutro meio incognoscível. O não ser não pode ser ruim sendo que ele é apenas um nada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A morte de quem se ama assusta mais. O desaparecimento completo de quem se viveu e de quem se foi e de quem se tornou e de quem se é, de quem faz parte desse corpomente misturado e complexo que somos cada um de nós. Tua morte é como um órgão do corpo que se vai, um buraco que se abre, uma ferida que não se cura. A morte do que se ama é a verdadeira morte em vida, é perder um pedaço, um ombro, uma deliciosa confraternização do viver. Os duros e os jovens provavelmente não compreenderão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A morte do gene ocorre antes da morte do meme. Escrever é sobreviver. Cada uma de minhas mortes literárias demorará ainda mais tempo para se acabar do que meus olhos ou minhas mãos. Mesmo que apenas uma pessoa me venha a ler dentro de sabe-lá quantos anos depois de minha morte física. Escrevo para driblar a morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que isto escreveu já está morto. Este é seu túmulo. Oremos por su'alma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-2747023103727370100?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/2747023103727370100/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=2747023103727370100&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/2747023103727370100'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/2747023103727370100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2011/07/escremorrer.html' title='Escremorrer'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/--LCb6l6YQOI/TiZOwBLsQCI/AAAAAAAAAkc/cJEpr0Aiy6Y/s72-c/grave.8459_edited' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-2048471499468376630</id><published>2011-07-16T13:53:00.007-03:00</published><updated>2011-08-18T22:59:24.299-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contemporaneidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='internet'/><title type='text'>Não me ofereceram a pílula azul</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-fy8EaqVQ0ko/TiHXVLIvIqI/AAAAAAAAAkU/g4S31QpoG4Y/s1600/RedpillMatrix_mod.png" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="225" width="400" src="http://3.bp.blogspot.com/-fy8EaqVQ0ko/TiHXVLIvIqI/AAAAAAAAAkU/g4S31QpoG4Y/s400/RedpillMatrix_mod.png" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Acordei virtualmente cerca de três horas depois do que no mundo real, onde fiquei ainda a girar para lá e para cá, dar-lhe beijos e amores; e tomar um café bem tranquilo. E então pluguei-me à matrix, verifiquei os e-mails e as redes virtuais. Relembrei pessoas que há muito não via e visitei algumas de suas sugestões intelectuais, ignorando solenemente qualquer coisa que parecesse engraçadinha ou boboca. Só quero saber do que pode dar certo. O problema é saber o que poderá dar certo quando se tenta e se vai e se bate a cara à parede amassando-se assim o nariz e transformando-se então num sujeito traumatizado pelo nariz deformado. Não que as pessoas percebam-no, posto que jamais o haviam visto com o nariz intacto e então não pensaram que fosse algum problema adquirido, porém a própria expressão da natureza narigal daquele sobre quem falamos. Quem será este? Fato é que no mundo virtual todas essas coisas são sublimadas e o que se vê é uma expressão iconificada do sujeito, onde ele representa suas bandeiras ou estéticas da forma mais pura e ideal possível -- tal qual Neo em &lt;i&gt;The Matrix&lt;/i&gt;. A apresentação dos álbuns de fotos e tirinhas e quadros e designs identifica simbolicamente o indivíduo e permite uma expressão sofisticada de uma psiquê completa, complexa. Quem é o outro? O que ele me trás? Ele é um bobo, um inteligente, um chato, um torcedor, um zoador, um depressivo, um pedante, um mala, um completo babaca, um exemplo a ser seguido, uma personalidade única em meio a centenas de caras que se apresentam em um mundo que está além deste físico. Que mundo é esse? Quais são suas características? A revolução da informação tornar-se-á uma revolução política e moral? A informação livre, os hackers, os vazamentos, a educação sobre a democracia, o conhecimento mais próximo e profundo sobre a cosmologia do outro e de sua realidade. A internet permite às pessoas se conhecerem melhor, se conhecerem enquanto seres políticos e ativos, se conhecerem também humanos, carentes, apegados ou desapegados a este ou aquele valor. Conhecemos então as pessoas e suas índoles, suas particularidades. Ídolos tornam-se pessoas e a identificação de si com o ícone brilhante do outro é a seta que guia nossa transformação e impulsiona-nos para a virtude. A idolatria é o acelerador das revoluções. E o mundo é mais humano. As redes sociais permitem-nos ver que independente das convicções quaisquer que as pessoas tenham, elas são antes de tudo humanas. Pode-se escolher não ser amigo de quem não divide consigo os mais profundos valores. Mas se for assim, o indivíduo terá um grupo pequeno de conhecidos. Adiciona-se quem mal se conhece e tem-se a surpresa de perceber que o "amigo" é evangélico, católico, ateu, a toa, maconheiro, gay, macho, casado, solteiro, cientista, arquiteto, profissional, nerd, esquisito, exibicionista, músico,  escritor, designer, educador, empresário. Na foto ele está de terno, sem camisa, fazendo pose, ao lado de outro, fora de foco, com cara de quem acabou de acordar, super-maquiada, de camiseta, vestidinho, biquini, sorrindo, gritando, com a língua pra fora, ao lado de alguém ou de cabeça para baixo. E esta foto, com essas nuances da simbologia alheia, diz muito sobre a pessoa, sobre o que ela é, sobre como quer parecer aos outros. A internet é talvez como o biquíni e esconde principalmente as partes mais importantes; o que não se mostra é mais relevante do que aquilo que dá às vistas. Mas não queremos também sermos vítimas de nenhum tipo de medo sobre a explosão da nossa privacidade à cara do mundo virtual. Aos que estão convictos de que fazem algo em prol do mundo e da humanidade, não há nada a esconder, não há covardia. Queremos mesmo é usar as redes virtuais como algum tipo de jornalismo pessoal ante as maiores injustiças que vemos sendo cometidas pelos atuais governantes. Talvez seja muito forte dizer que as revoltas que veem acontecendo nos países árabes seja devido às ferramentas de mídia social, principalmente ao facebook. Entretanto está claro que há neste novo mundo um vazamento delicioso das mais sigilosas informações que parece direcionar nossa sociedade em algo que ela ainda não é: uma verdadeira fraternidade. Ou ao menos fazer-nos aproximar mais deste utópico ideal. É a revolução da informação, da cultura e da leitura. Todos leem mais, a grande parte é alfabetizada, entende-se melhor a utilização de argumentos para se defender das falácias e dos grandes golpes intelectuais. Estamos sem dúvida ainda muito longe de toda a revolução da educação na humanidade -- revolução esta que virá da completa alfabetização de todos os povos e de seu acesso irrestrito à informação. Revolução cuja largada já foi dada e à qual será impossível segurar suas rédeas. A ressaca democrática do acesso à informação continuará inercialmente acontecendo ao longo deste século cuja segunda década agora se abre. A revolução parece ter alcançado até a Inglaterra com o fim(?) de um dos mais tradicionais (e corruptos) tablóides jornalísticos -- ou por que não dizermos império econômico -- que existia há mais de cento e cinquenta anos. A mesma revolução precisará alcançar a América, onde o conservadorismo extremista tem suas mais profundas raízes. O que se dará? Estaremos mesmo andando em direção de uma maior justiça social e ao fim das antigas e corruptas oligarquias? Quais serão as outras que agora alcançam seus postos e que serão então vistas como corruptas dentro de cinquenta ou cem anos? Como a sociedade deve se organizar para guiar seus limites de conduta ética ou moral? São essas talvez as perguntas para uma nova década e para um novo século. O que será de nós, dos estados e de nossos avatares virtuais? Não há dúvida, vivemos hoje já a odisseia do &lt;i&gt;Second Life&lt;/i&gt;, temos nossas vidas virtuais separadas, disjuntas, que interceptam apenas tangentemente nossas vidas reais. Caricaturas em zeros e uns. Não somos mais um único indivíduo, esquizofrenicamente temos nosso eu-ideal que projetamos e enfiamos à goela eletrônica do outro: engula-me assim. E então, como se nada mais se passasse, cansamos desta realidade e nos desligamos. Não temos a opção de vivermos apenas num mundo ou no outro. Não nos deram tal opção. Também não quereríamos. Desconexão. É hora de novamente retornarmos ao mundo real, à vida &lt;i&gt;per se&lt;/i&gt;, ao andar e caminhar e dirigir e comer e dormir e amar e amar; e amar. E amar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ave Avatar&lt;br /&gt;----------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ave avatar&lt;br /&gt;Avatar&lt;br /&gt;Quem sou eu&lt;br /&gt;Quem és tu&lt;br /&gt;Quem soueu eśtu&lt;br /&gt;Quem soueuéstu&lt;br /&gt;Quem soueuéstusoueu&lt;br /&gt;Quem&lt;br /&gt;somos nós&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Avatar&lt;br /&gt;A vida e a segunda vida&lt;br /&gt;A vida de dentro e de fora&lt;br /&gt;Dentro e fora&lt;br /&gt;Dentroefora&lt;br /&gt;Dentroeforaedentroefora&lt;br /&gt;Ah, ah, ah, avatar&lt;br /&gt;Neo&lt;br /&gt;Matrix&lt;br /&gt;Conectar&lt;br /&gt;Avata vatar&lt;br /&gt;Atava tavar&lt;br /&gt;Ave avatar&lt;br /&gt;Ave avatar!&lt;br /&gt;Ave avatar!!&lt;br /&gt;Ave&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Avatar ave&lt;br /&gt;Livre, voa&lt;br /&gt;Avatar nave&lt;br /&gt;Surfa, pega onda&lt;br /&gt;Escreve no perfil&lt;br /&gt;Cheira o cangote virtual&lt;br /&gt;Avatar&lt;br /&gt;É melhor do que eu a vatar&lt;br /&gt;Vata pela conectividade&lt;br /&gt;Ave avatar&lt;br /&gt;Ave a tarde&lt;br /&gt;Alvo a estar&lt;br /&gt;Algo a ser&lt;br /&gt;Algo a ter&lt;br /&gt;Avatar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não&lt;br /&gt;Sou eu&lt;br /&gt;Eu, eu?&lt;br /&gt;E eu, quem sou?&lt;br /&gt;Não sei quem sou eu&lt;br /&gt;Mas sei que eu&lt;br /&gt;Não sou &lt;br /&gt;Avatar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou mais&lt;br /&gt;Sou menos&lt;br /&gt;Bem menos, bem mais&lt;br /&gt;Incognoscível&lt;br /&gt;Não sou tão ridículo&lt;br /&gt;Mas sou ainda mais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem sou eu?&lt;br /&gt;Que pergunta&lt;br /&gt;eu nem sei&lt;br /&gt;quem sou&lt;br /&gt;Nem sei&lt;br /&gt;quem não sou&lt;br /&gt;Quem serei?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Avatar&lt;br /&gt;Não sou eu&lt;br /&gt;Não sou eu&lt;br /&gt;Avatar&lt;br /&gt;Vá tara vá&lt;br /&gt;Avatar&lt;br /&gt;Rata a vacar &lt;br /&gt;Vaca a ratar&lt;br /&gt;Avatar&lt;br /&gt;Não sou eu&lt;br /&gt;Avatar&lt;br /&gt;Arrasa bar&lt;br /&gt;Arroto a dar&lt;br /&gt;Esgoto ao ar&lt;br /&gt;Gafe a soar&lt;br /&gt;Post apagar&lt;br /&gt;Matar avatar?&lt;br /&gt;Ar ar ar ar&lt;br /&gt;Avatar&lt;br /&gt;Quem és tu&lt;br /&gt;Avatar&lt;br /&gt;Quem sou eu&lt;br /&gt;Avatar&lt;br /&gt;O que faço&lt;br /&gt;O que fazes&lt;br /&gt;Avatar&lt;br /&gt;Nem quero saber&lt;br /&gt;Avatar&lt;br /&gt;Só quero viver&lt;br /&gt;Avatar&lt;br /&gt;Desconectar&lt;br /&gt;Avata vatar&lt;br /&gt;Atava tavar&lt;br /&gt;A rata a ratar&lt;br /&gt;Avata vatar&lt;br /&gt;Ave Avatar&lt;br /&gt;Ave Avatar&lt;br /&gt;Ave&lt;br /&gt;Avatar&lt;br /&gt;Desconectar&lt;br /&gt;Human mode on&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;===&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* O título da presente crônica consiste em referência a uma cena do filme &lt;i&gt;The matrix&lt;/i&gt; onde o Neo (Keanu Reeves) -- o personagem principal da saga -- decide engolir a pílula vermelha oferecida por Morpheus (Laurence Fishburne), significando que preferia conhecer a realidade a viver em um "mundo 'feliz' de mentirinha". A foto representa justamente o momento em que o guru Morpheus oferece as duas pílulas ao herói moderno. Em nosso mundo real e virtual, virtual e real, não nos ofereceram pílula alguma para tomarmos. Não nos ofereceram nem mesmo um cigarro. E vivemos a angústia de sermos nosso eu real e nosso eu virtual: imagem que fazemos de nós através da internet. Nossa versão virtual tem hoje a possibilidade de ser maior e mais influente que nosso eu real, ainda que ela seja uma projeção inseparável do mesmo &lt;i&gt;self&lt;/i&gt;. O que pensarão os outros quando nos virem pela internet? Que espelho é esse? Que visão é essa? Somos aquilo que parecemos? O que somos? O que queremos ser ou passar? E o que não queremos ser mas mesmo assim nos transformamos? Tais reflexões guiaram a escrita desta postagem. Agradeço a leitura. Abraços!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;== Link para o filme The Matrix, no IMDb: &lt;a href="http://www.imdb.com/title/tt0133093/"&gt;go&lt;/a&gt;!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-2048471499468376630?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/2048471499468376630/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=2048471499468376630&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/2048471499468376630'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/2048471499468376630'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2011/07/nao-me-ofereceram-pilula-azul.html' title='Não me ofereceram a pílula azul'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-fy8EaqVQ0ko/TiHXVLIvIqI/AAAAAAAAAkU/g4S31QpoG4Y/s72-c/RedpillMatrix_mod.png' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-1390137138351506593</id><published>2011-06-30T14:43:00.002-03:00</published><updated>2011-08-18T23:05:59.769-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura tipo-moderna'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='proto-semanticismo'/><title type='text'>A sorte do mundo</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-_UukouRSnrU/Tg4NYw-DQQI/AAAAAAAAAkE/FMnv8RNsRn0/s1600/sorte_do_mundo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="246" width="300" src="http://3.bp.blogspot.com/-_UukouRSnrU/Tg4NYw-DQQI/AAAAAAAAAkE/FMnv8RNsRn0/s400/sorte_do_mundo.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem todos aqueles que pensaram num país melhor renderam-se ao estado de graça que emanava da praça XV desde o século passado. Em bom carioquês, o mestre Partola gritou: Ih Manuel, cante! -- fazendo com que o prussiano de origem portuguesa entoasse novas operas ou fados de um tempo imemorial. Os sambistas tentavam assim atualizar os enredos do velho Manu a uma estória mais moderninha: coisa qualquer que incluísse estética cibernética e música eletrônica. Entretanto muitos eram ainda insensíveis a todas essas entradas e saídas, softwares e hardwares, pins e pons; e assim tornava-se necessária uma abordagem mais efetiva, capaz de fazer com que a música popular atingisse de fato às massas italianas, principalmente ao pene. Não se soube jamais o que ocorreu naquela noite e todos os relatos obtidos eram incongruentes entre si. Em um deste dizia-se inclusive que Frederico, em riste, tentava wagnerizar velhas canções tornando-as não apenas desantiquadas, mas agora inultrapassáveis e acaquéticas, ainda que belas quando vistas por mentes baluartes e por neorococós vindouros. Tais melodias espirravam vicissitudes de cunho até racista, algo que sabidamente contaminou Adolfo Bigodinho, o brutamontes que gritava palavras de ordem sob o picadeiro em que se tornara o coreto da praça -- e que a partir de então representava o velho continente; ou o topo do mundo. E assim toda a tecnologia bélica dos conservadores acabou saindo à frente mais uma vez, quando Júlio Roberto decidiu mesmo retirar a granada do bolso e lançá-la em contagem regressiva lá pelos lados da zona norte, ainda que seus principais inimigos estivessem sob o sovaco do Cristo. De fato ele sabia que não podia com eles e estava apenas desejoso de mostrar que sua força fálico-bélica poderia sim destruir a mais magnífica imagem de braços abertos. E desta forma sua força de tombamento daquela estátua representando o símbolo máximo seu país e estado e cidade poderia ser comparada àquele inesquecível dia em que mágicos aviões adentraram os arranhas-céus pela janela de emergência e botaram-no abaixo devido ao revanchismo ante as humilhações dos concidadãos barbados pelos povos desbotados. Venceria a guerra e escreveria seu nome na estória dos seus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pulou-se então um galho e literarizou-se o baralho. Ninguém jamais teve razão, principalmente o grade barbudo que, ao lado do valete de espadas, acabou sendo caçado, encontrado e assassinado pelos donos do poder que não se deram nem mesmo ao trabalho de pendurarem sua cabeça em lugar iluminado em néon posto que esta se tornaria de pronto um símbolo qualquer de uma luta que eles haviam ganhado, não perdido. "Quem são mesmo os assassinos?", perguntou-me um transeunte. Matutei por um tempo mas não fui capaz de respondê-lo com precisão. O outro terno barbudo do passado sulista virara um mártir endurecido e ainda assim não se poderia dizer que todas as conjunções de fatores soberanos não fossem vazar, mesmo ante uma contemporaneidade do mundo de informações pseudo-sigilosas. Passou-se um nove de paus à mesa e agora os mais novos Luteros foram capazes de questionar os poderes adquiridos e pregar atas em portas de igrejas contra as bulas papais. Em seguida, os mesmos apresentaram o sangue de seu desenrolar e foram presos por transar sem camisinha, mesmo se isso fosse exatamente a coisa mais natural a se fazer uma vez que a capa peniana nunca houvera existido antes de algumas décadas e mesmo que a ciência moderna estivesse mostrando que a troca de fluidos influenciasse positivamente a temperança dos seres humanos. Diz-se que a lei do amor não era permitida naquele estado brochante. Não obstante, o pecado sexual não importava uma vez que todos os vazamentos haviam realmente acontecido e que mesmo o escancaramento das políticas leviatânicas dos estados viessem a concretizar um momento qualquer da existência ao qual o grande indiano pacifista jamais poderia imaginar ocorrendo. E enquanto o pobre casi-faquir cor de chocolate remoía em seu túmulo, os adoradores do sentido multiplicavam as letras iniciais das colunas das páginas ímpares por cinco e dividiam as consoantes finais das páginas pares por dezessete apenas para encontrar nos grandes escritos sagrados o que querque quisessem realmente ler ali, apresentando falsas provas aos ignorantes como se qualquer tipo de providência houvesse imperado quando da escrita das obras, o que de fato consistia em desconhecimento sobre diagramação de obras literárias ou prática clara de uma horrorosa psicanálise. Por isso mesmo que alguns psicólogos freudianos resolveram por bem denunciar tais atos, definindo-os como falhos para o manco Espírito dos tempos modernos. E então, com zelo e cautela, aqueles que tinham o símbolo do diabo acompanharam a argumentação que se seguiu tentando identificar em seus pormenores sobre o que se tratava, uma vez que consistia em obra de cunho metafórico &lt;i&gt;pero no mucho&lt;/i&gt; e que senduvidamente traduzia-se em derramalhações dos grandes sertões pintados de rosa pelos mais puros caboclos do sul, representantes honestos de nosso povo. Eles sabiam que toda obra literária valia a pena ser escrita desde que fizesse os seres pensarem e não contivessem declarações contraditórias internamente. Não se poderia, portanto, dizer A e não-A ao mesmo tempo, mas se fosse dito A e Bê ainda que de forma não sequituria, saber-se-ia buscar elos de ligação para a formação simbólica de um sentido apenas imaginável, quiçá reconhecível e jamais necessário. Chamava-se o leitor à responsabilidade do construto semântico e o bom ou a boa seguia corajosamente pelas frases. A verdade é que por meio de um pequeno trecho de símbolos encadeados jazendo à beira da incompreensão passava-se toda a estória do mundo ocidental em ligeiras metáforas que se vão reunindo ante uma globestória que cada vez se tornava mais anotada, detalhada e incompreensível. Dever-se-ia alternativamente buscar a simplicidade tal qual disseram os antigos e dever-se-á explicar todas as coisas da maneira mais direta e clara para que até os mais ignorantes, ou seja, toda a maioria, possa vir a compreender apenas -- engolir e não refletir, tal qual uma pílula insípida e azul. Seria de fato algo de extremo mau gosto, ou perda devida do tiquetaquear relogial o fato de se tentar repetir vocábulos apenas como pretexto para a divagação, como se a crônica consistisse numa sugestão catalisadora de novideias que, agora desacentuadas, pudessem implantar-se aos cérebros dos humanos como bombas relógios ainda mais fortes que as granadas atômicas. Buscava-se então a antítese do que fizera com sucesso o careca que romanceava os contos neurológicos, neurologizando-se agora os contos verídicos baseados na instável estória da humanidade. Dessa forma, tratava-se qualquer novidade que se pudesse pensar e que ligasse tal qual emenda de um fio aos pensamentos anteriores, cuidando-se evidentemente em utilizar um excesso racional de fita isolante para evitar choques intelectuais que viessem a se auto-contradizer e jogar toda obra ao chão dada a falta de respeito pela regra mais básica de qualquer texto literário ou filosófico. A não é não-A. "Quem escreve, teme", era a máxima máxima da humanidade, uma vez que para tudo se responsabilizaria alguém em dedos acusatórios. O autor assim não era mais aquele que fazia e lia e montava e construía, mas aquele que assinava como a bradar: "Fui eu quem disse essa babaquice e assumo!", e a partir de então os autores fantasmas abundavam inclusive em romances ganhadores de prêmios enquanto personagens principais, a transpor ao papel os pensamentos que a elite dizia hipocritamente ter mas que não conseguia fazer transparecer, precisando para isso de algum de mago capaz de transformar e embelezar de palavras. Fala clara e raciocínio direto, ou seja, nada do que passa por aqui. E enquanto alguém falava de ratos que roiam a roupa e a rapadura e o carro e o ferro e farrapo do espaço, sem prejudicar a rima da canção outro argumentou que arte era aquilo que causava estranhamento, algo que nem mesmo o cantor Manuel conseguiu compreender e nem poderia. O motivo: tinha a mente muito reta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-1390137138351506593?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/1390137138351506593/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=1390137138351506593&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/1390137138351506593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/1390137138351506593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2011/06/sorte-do-mundo.html' title='A sorte do mundo'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-_UukouRSnrU/Tg4NYw-DQQI/AAAAAAAAAkE/FMnv8RNsRn0/s72-c/sorte_do_mundo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-1189664923976205111</id><published>2011-06-18T13:06:00.016-03:00</published><updated>2011-08-24T00:46:10.341-03:00</updated><title type='text'>Ephemeris</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-lmH_kH5zlAI/TlRz8MU3kHI/AAAAAAAAAlM/_dOUDyNWpkk/s1600/bardodo.png" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="400" width="346" src="http://2.bp.blogspot.com/-lmH_kH5zlAI/TlRz8MU3kHI/AAAAAAAAAlM/_dOUDyNWpkk/s400/bardodo.png" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;A vida muda, as pessoas mudam, a temperatura muda e o ambiente muda, mas o cigano é o mesmo e trás consigo os resquícios de suas vidas passadas, sua história cultural que agora precisa adaptar a uma outra realidade. A adaptação é a chave-mestra, ponto de bala da teologia darwiniana que não precisa necessariamente de fé e está embasada nos pilares supostamente enebriados do que se convencionou chamar ciência, vida, biologia. O que se adapta persiste, segue, prosegue, avança, procria e popula o mundo com seus filhos bioideológicos. O cigano trás consigo toda a bagagem que, a despeito de uma pequena trouxa de roupas, consiste na forma de se viver, uma forma que se foi aprimorando ao longo do tempo e que é atemporal, ageográfica, anormal. Forma de vida que s'engana. E então agora que chega noutro ambiente é preciso mais uma vez acertar o olho do búfalo, é preciso mirar e perceber as nuances, é preciso ficar atento ao transformar toda a diversidade da vida e o caos da mudança em um assentamento tranquilo à soluariedade dos costumes empedrecidos. Os mais normais dos dias são estafantes e toda informação é nova idade, é pau, é pedra, e é o próprio tao. Por mais que se viaje e que se vá e que se venha, o cigano tem uma vida que é igual, um arcabouço do bem viver que encontrou ao longo das suas andanças e que leva, imaterial, em todas as suas jornadas. Um homem é um homem e uma vida é uma vida. O que se dá e o que se faz e o que se é, isso se transporta. Aqui e ali, com estes ou aqueles, com sol ou vento ou chuva ou rajadas de trovões fortíssimos que às vezes nos afrontam e nos fazem perceber que o verdadeiro bem-bom já passou e que a vida é mesmo esta rainha vermelha a nos chicotear e mais uma vez dizer que se correr o bicho pega e que se ficar a solução também não será de forma alguma aprazível. Nada como o ócio. "O que seu personagem faz quando está sozinho?", pergunta Syd Field. É preciso caracterizá-lo e caracterizar-se. O cigano tem amigos e seus amigos do peito que ama, do seu coração, essas pessoas maravilhosas, elas não são de fato pessoas, elas são apenas funções que ocupam em um nicho vago que é a carência do homem; e da mulher também, sempre a mulher que representada aqui como homem explode e expande o conceito da humanidade de uma forma muito mais gostosinha. Isso sem contar com todos os extremos da grotesca sexualidade humana que pululam nas esquinas a satisfazer os desejos de quem quer e tem como pagar. A cigana é o cigano que é a vida e a mudança que não se muda, a mudança que modifica os ramos mas mantém as raízes, o ser, a vida, a essência, o eu e o próprio, o ontológico. Quem é não deixa de ser e, quando deixa, não mais importa. Quando se é, se é, quando não se é, acaba também se sendo porque do inefável destino da personalidade de alguém não se estará nunca livre até que todos que o conheceram também perecerem. A lembrança é o estar vivo. Talvez eu mesmo divague pelas palavras como divago agora pelas experiências e pelas cidades, talvez passeie mesmo entre geografias e relevos e climas como passeio pela delicadeza, empatia e furor dos lugares e das mulheres onde no fundo busco apenas um modelo ideal, impossível de ser alcançado, um modelo completo do yang para o yin, do oposto que se atrai e se completa e que se quer e que se ama e que se busca e que não existe que senão nos sonhos de alguém ou enquanto sombra de uma caverna platoniana de onde se grita e não se escutam os ecos. Quanto mais respostas busco mais perguntas alcanço e quanto mais compreendo menos entendo de toda esta vivência que é o chegar e o ficar, o amar e o partir, e então auto-fenixar-se mais uma vez num grande retrocesso que culminará num grande avanço, imensurável e claro progresso intelectual das gentes e pessoas e pensamentos e ilusões e clarezas epistemológicas que depois de deslumbrarem à primeira vista revelam-se apenas como outras mesmices a exigir nova respiração e então um renascimento tal qual o do domingo de páscoa. Amem! A quaresma aquarela as cores de um novo mundo que chora, que ri, que sente saudade e que transforma esta saudade em força de valoração dos momentos, todos os momentos, em um completo e contínuo êxtase de se saber vivo e de ter essa energia contagiante de querer compreender mais sobre toda profusão de gentes e pessoas e ideias novas e ultrapassadas, tudo de novo, que também se renovam e que se cansam de si mesmas quando se veem no espelho que é a boca das outras pessoas; ou seus olhos. E então quando menos se percebe já se está a caminho, indo e voltando, partindo e chegando, nesta hora da chegada que é a mesma da partida e o trem que alcança ambos os referenciais anda trôpego sob colinas ainda não exploradas e de difícil acesso até encontrar dois novos pontos de chegada ou partida que colapsarão em uma só nota musical, resplandescente e pura, que resumirá todos os portos e estações onde nunca se quis chegar. O macaco dispõe aleatoriamente as palavras em um texto e faz o sentido que o leitor quiser, o macaco é apenas um catalisador de idéias acentuadas, esplendor de uma enzima epistemológica para os seus e principalmente para si. Ele não suporta, não aguenta, ele se enfada de si mesmo e das mesmices em que entra e senta e fica e deita e rola e finge de morto e brinca e briga e se mostra e se dá e se esconde e se perde; e então parte novamente a se buscar. Então é hora de brincar doutra coisa, é hora de expandir-se ainda mais, de pular proutro galho e de se reconstruir sob os mesmos alicerces. Ninguém sabe mesmo o que é a vida. E ninguém, jamais, saberá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-1189664923976205111?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/1189664923976205111/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=1189664923976205111&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/1189664923976205111'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/1189664923976205111'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2011/06/ephemeris.html' title='Ephemeris'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-lmH_kH5zlAI/TlRz8MU3kHI/AAAAAAAAAlM/_dOUDyNWpkk/s72-c/bardodo.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-3498726619093234754</id><published>2011-06-06T21:55:00.004-03:00</published><updated>2011-08-19T00:24:23.806-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sexualidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='noção de pecado'/><title type='text'>A calorosa repressão</title><content type='html'>Todas as condições para o ocorrido foram um tanto quanto incompreensíveis, desde o primeiro momento. Jamais compreendi a ética e a moral deles e considero-me alienígena quanto ao mundo real. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um hotel de uma cidade do interior. Vim dar uma palestra na universidade. Pagaram minhas despesas e eu não teria por que negar. Preciso educá-los. A partir de amanhã estarei em sala de aula, e até lá preciso terminar algumas coisas. Saio para almoçar e quando retorno pego meu computador e três livros para terminar o seminário e fazer algumas pesquisas de última hora para o evento. Não vou ficar solitário nesse quarto fechado. Da janela vejo uma garota no saguão do hotel, ao ar livre. Servirá certamente de musa por alguns instantes. Com o material à mão, desço até o andar respectivo e escolho uma mesa nem próximo ou distante dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A garota lê um livro com razoável interesse. Ela tem cervejas pela metade e parece já estar por aqui há pelo menos hora e meia, cálculos aproximados. Talvez ela me deixe em breve, espero que não. Os três garçons que uma hora desta nada melhor teem a fazer bajulam a linda viajante que pode terminar, quem sabe, na cama de algum deles, em algum momento. Não os culpo, também agora estou aqui a ansiar pelo mesmo, pobres escravos de impulsos sexuais que somos. A moça lê e me percebe a canto d'olhos, estou em uma mesa logo atrás a estudar, divagar, pensar e escrever também estas mornas palavras enquanto tomo a coragem necessária para abordá-la, ou não. Espero com paciência pela contingência do momento a se tornar necessidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdi o &lt;i&gt;timing&lt;/i&gt;, como sempre. Agora chegam ao recinto competidores, ou melhor, outros rapazes pseudo-másculos que falam alto sobre idiotices de machos. Por sorte não são da melhor estirpe. Instantaneamente eles quebram o encanto que havia em nossa comunhão solitária. Reparo em seus gestos. Nos dela, claro. Seu livro tem um formato diferente, parece de fato um caderno. Ela o toma como tal. Por vezes, tira sua atenção da leitura e olha para os lados, sei que me observa e que sabe que a observo neste xadrex da sedução que agora jogamos. Se queremos a mesma coisa, então porque ninguém toma a iniciativa? Por que não somos diretos? Mas é isso justamente que não se pode fazer, não se pode ser direto com as mulheres. Tudo é medido em mim: atitudes, roupas, corte de cabelo, discrição, direção dos olhares. É minha obrigação aborda-la, certo? Eu sou o macho e ela será machista, como são quase todas, numa cultura de herança patriarcal que se entremeia a um mundo natural de seres biológicos de estratégias sexuais diferentes. Segundo a biologia o maior investimento na prole é feito pela fêmea que guardará a criança em seu ventre por meses e depois passará dezenas de anos cuidando dela. Este homem que vos fala poderia apenas chegar lá e conversar e pegar e gozar e sair fora para sempre; pagando apenas a pensão para evitar o xilindró. Por tudo isso, é ela quem escolhe para quem vai dar. Por outro lado, o macho precisa tomar a atitude como naquele samba moderno "quero ver se você tem atitude, se vai encarar". Ela quer ver se vou ter atitude e os relógios serão testemunhas do que irá ocorrer. Mas de fato não tenho atitude nenhuma, sou apenas um poeta observador, antropólogo das coisas humanas e recriador das mais loucas despossibilidades em mundo enfadonho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora um dos três rapazes sai. Os outros dois, depois de discutirem um pouco, teem também seus assuntos esvaídos, já beberam cerveja e falaram sobre mulheres e futebol, não terão mais o que fazer. Então percebem melhor minha presença e eu me enfio ainda mais concentradamente no meu computador a fingir que faço o que minha neomusa desconcentra-me. Há um indivíduo um tanto quanto estranho sentado ao lado, ele certamente observa também a mulher. Bendita é a fruta entre os homens. Ele está escrevendo alguma coisa concentrado, ele digita com destreza, para e observa seu texto. Deve estar escrevendo no MSN ou enviando algum e-mail, claro. Ninguém escreve sobre o que lhe acontece num determinado momento. A porta de vidro me observa. Os rapazes ainda me reparam, que saco!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão da caracterização dos personagens, acredito, não deve começar em um estereótipo, como comumente fazem os romancistas. Fulano é alto ou gordo ou feio ou o que querque seja. Ele tem óculos ou não, veste-se desta ou daquela forma, tem este ou aquele hábitos. O personagem não precisa ser jamais descrito simbolicamente e a construção mais rica se faz quando percebemos suas ações, suas palavras, relações com outros personagens. Saramago chega a escrever um livro inteiro sem jamais dar nome aos personagens. Clarice Lispector começa o livro em uma vírgula e o termina no meio de uma palavra. A obra literária não precisa e não deve, acredito, estereotipar e exagerar na caracterização dos personagens. Apenas a má literatura e o mau cinema o fazem. Estamos rodeados dessas descrições caricatas de nós mesmos, de nossa família, de nosso povo, de nossa pátria, do ser humano. Por que será que não somos capazes de compreender toda a dimensão do humano? Tendemos assim a criar descrições enviesadas e preconceituosas das pessoas. Enquanto isso, a realidade é que as pessoas não são apenas boas ou más. Elas são misturas de virtuoses e apodrecimentos e esta é, invariavelmente, a dimensão humana, mas não só. Parece-me agora que as mídias, misturadas com os mais diversos interesses sociais é que são os principais responsáveis pela leitura caricata do mundo, em sua dimensão pseudo-social. Os interesses escusos dos poderosos realizam então a utilização da mídia, principalmente a de massa dos dias modernos, para malignizar os indivíduos que são seus competidores e assim poderem ganhar ainda mais poder. São os terroristas. Veja as eleições para presidente este ano. Essa campanha de blasfêmias e calúnias não serve aos propósitos de uma democracia, esse showmício horroroso com seus estereótipos plebiscitários. Isso servirá apenas aos falsos propósitos dos conservadores que quererão apenas manter seus dólares em alta. Agora se coloca então a questão da informação livre e da liberdade de imprensa. A imprensa, é claro, não pode ser censurada como foi em épocas de ditatura, tão mal digeridas pelo estômago de nosso país, tidas ainda como um demônio a ser exorcizado. Hoje temos a questão contrária àquela que aconteceu neste país nas épocas de ditadura. Com a completa liberdade de imprensa, agora a imprensa pode dizer o que bem quer, inclusive mentiras deslavadas. Meus conhecimentos sobre jornalismo são medíocres, devo confessar, mas o pouco que estudei em um curso pela internet prezava bastante a ética do jornalista em produzir matérias que fossem socialmente responsáveis. No Brasil de hoje, jornalistas são demitidos por manifestarem opiniões que vão contra os interesses da empresa de mídia que a suporta. Nosso carismático ex-presidente estava correto: é perigoso para a democracia quando os jornais e as revistas semanais -- supostamente idôneas e formadoras de opinião -- comportam-se tal qual partidos políticos. O pior caso é aquele da revista semanal da imprensa brasileira que, embora não diga abertamente qual é seu candidato, publica calúnias falsas com títulos sensacionalistas para influenciar a opinião pública de forma escrachada, direta, grosseira e caluniosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peço desculpas por ter-me perdido nessas divagações. Volto a descrever o que se passa. A moça nesse instante levanta-se e entra no saguão. Os rapazes já foram embora e é hora de retomar o clima a dois que se fazia antes de suas presenças. A moça assenta-se em uma mesa de frente à TV ligada, talvez preste atenção em algum programa. Eu que não estou interessado nessas lavagens cerebrais da TV aberta e que sei buscar boa informação na internet, penso que ao menos terei uma boa oportunidade de abordagem, nem tudo estará perdido. Em qual medida serei falso ao meu caráter de antropólogo se me adentrar em meu objeto de estudo? Adentro de fato à sala fechada do saguão e olho-a nos olhos, ela já esperava que eu o fizesse. "Está frio, não?" Ela responde com doçura, "Sim, está." "O que passa na TV uma hora dessas?" "É o jornal", ela parece interessada. Talvez como eu apenas finja o interesse para manter uma conversação, sigo-a na estratégia. "Posso assentar-me contigo? Garçom, uma cerveja e dois copos!" E então conversamos e conversamos. Ao fim de três ou quatro garrafas, já parece hora de ir embora. Diz-me o número do quarto onde está e planejamos nos encontrar ao longo da semana. Terei perdido mais uma vez o tempo? Deveria ter sido mais direto? Ela vai embora, charmosa e sedutora. Sinto que me quer. Ela ficará a semana toda também neste hotel e podemos nos encontrar amanhã ou depois. Dou-lhe um &lt;i&gt;ciao&lt;/i&gt; às italianas e digo que foi um prazer conhece-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A semana é corrida, há cursos para dar e trabalhos a fazer de modo que a encontro apenas no último dia que me resta na cidade. Não cheguei a contatá-la ao longo da semana e também ela não o fez. Em encontros rápidos ao café da manhã mal olhou-me ou disse bom dia. Talvez seja dessas que acordam de mau humor. Voltei ao hotel depois de andar meia-cidade a procurar algum restaurante que achasse acolhedor e simpático para um almoço fora de hora e, não tendo encontrado, voltei a manjar por ali mesmo e, coincidência, eis que também ela parece ter tido ideia semelhante. É o mesmo saguão, a mesma cerveja e o mesmo livro. Nós também provavelmente somos os mesmos. Mas a garota precipitou-se e já havia comido quando cheguei, não quis dividir prato algum. Conversamos logo como se fôssemos bons amigos e desta vez eu me sentia mais solto e sedutor, tanto que me saíram fáceis alguns galanteios recebidos com sorrisos e olhos brilhantes. Não demorou muito até que eu arriscasse uma aproximação e, pegando em sua cintura com firmeza e delicadeza, dei-lhe finalmente um beijo à face que continuou em outros pequenos beijinhos até alcançar sua boca. Ela estava carente, segundo seu próprio relato não encontrava ninguém minimamente interessante naquela cidade há meses para conversar e estava assim tão triste e solitária.  De fato estava trabalhando por ali e morava no hotel fazia algum tempo. Pedimos mais duas cervejas e convidei-a para o meu quarto, prometi tocar uma música em sua homenagem. Ela aceitou, mas advertiu: "não vai acontecer nada". O que é nada? Já estávamos nos beijando e isso, certamente, já era alguma coisa. Abri a porta do quarto e convidei-a a entrar, conversamos mais um pouco e logo a moça quis saber mais sobre minha vida e viola. Talvez ainda um pouco tímida por estarmos a sós ela agora beijava-me com frieza, num misto de medo e vontade de que eu lhe tirasse as roupas e tomasse a atitude que se esperaria de um macho. Mas eu não tinha nenhuma pressa. Peguei o violão e realizei alguns truques que estou certo de terem-na impressionado, posto que transformaram aquele beijo insosso em um beijo voluntarioso e tesudo. Nada como a música para ativar a sedução. Empurrei-a até a cama e começamos a nos beijar ardentemente e então nos aquecemos e nossas mãos agora passeavam por nossos corpos. Porém mesmo ali na intimidade do quarto e sem que ninguém nos visse, ela segurava minhas mãos quando elas tentavam alcançar seus seios ou sexo. Pensei estar talvez indo rápido demais e por mais de uma vez segurei minha onda enquanto tentava tocá-la em locais mais adequados, se é que o leitor me entende. Mas embora seu beijo fosse de um calor descomunal, ela continuava empurrando minhas mãos de si quando elas chegavam aqui ou ali. Ora, fiquei a pensar, teria quinze anos a garota? Não tinha. Tudo indicava que ia alto nos trinta. De fato, poderia ser quase chamada de senhora. E mesmo assim nesse pudor assim tão adolescente? Seria possível? Insisti com mais vigor na aproximação e então ela interrompeu tudo, empurrou-me e assentou à cama repetindo o que dissera outrora: "pare, não vai acontecer nada entre nós". Perguntei diretamente se ela falava sobre sexo, já que muito houvera acontecido desde então. Ela confirmou que era isso mesmo e é claro que joguei meus galanteios de macho a dizer que sexo era uma continuação normal do que estava acontecendo, que existia camisinha e tal e que, se ela estava com vontade de faze-lo, por que não fazia? Replicou, embora solteira, livre e desimpedida, não tinha vontade nenhuma de fazer essas coisas com quem acabara de conhecer e como eu não estaria ali no dia seguinte para, para. Não completou a frase. Argumentou que em seu ponto de vista seria um martírio fazer isso com alguém que no dia seguinte desapareceria. Retruquei então que dada a moderna técnica do sexo com camisinha, não havia mais razão para se evitar ou restringir os próprios desejos. Ela então disse que não tinha desejo algum em fazer sexo comigo e que queria apenas beijos associados a algum carinho. Dei-lhe pequenos beijinhos então e ficamos na cama a acariciar-mo-nos. Mas algo fervia dentro de nós e em pouco tempo já estávamos novamente trocando carícias ardentes e nossos corpos produziam muito calor. Finalmente ela permitiu que eu tocasse seus seios com as mãos e, dentro de mais uma ou duas dezenas de minutos, com a boca. Entretanto quando tentei tocá-las mais abaixo, outra vez resolveu dar crises de chilique pueril e parou tudo repetindo que não queria, que não faria, que não era dessas, que nunca mais me veria, dentre outras coisas. Falei-lhe que não deveria reprimir o desejo que ia em si, que isso fazia mal ao corpo e à mente, mas respondeu que não tinha desejo algum por mim e repliquei que mentia e que era falsa, posto que eu sentia seu desejo arder em seus beijos e no calor de seu corpo. Aturdida então da verdade ante argumento tão claro, percebeu então que não mais era possível negar sua enorme vontade. Seu desejo quente, ardente e veemente estava mais claro que a luz do sol. Ainda assim falou que não e não e não. E não. Mas já havíamos conversado sobre tudo que se poderia se conversar e já havíamos também chegado às mais próximas fronteiras do sexo que seria possível. A partir dali só nos restaria nos amar ou nos despedir. É claro que este escritor era adepto da primeira opção, mas a moça parecia irredutível. Como adolescentes virgens, embalamos mais um ou dois desses ciclos de começarmos a nos beijar ativamente, esquentar-mo-nos ainda mais e eu tentando convencê-la a dividir comigo a beleza e a razão de ser um ser humano... E ela nada. Chegava sempre ao instante em que parava tudo e ficava naquele falso-moralismo possivelmente religioso a dizer que não e não. Mas também não ia embora, não saia, apreciava minha companhia e meus beijos e meus abraços. Estava claro que queria que eu a fodesse com todo meu ímpeto e desejo, mas algo dentro de si falava que isso era impróprio, indevido, que era um desrespeito contra si mesma, uma desvalorização de seu Eu mulher. Sabe-se lá o que passava em sua cabeça. Cheguei mesmo a sugerir que ela talvez tivesse algum tipo de trauma sexual, que teria quiçá sido estuprada na infância ou que teriam-na violentado em alguma ocasião. Só isso a meu ver explicaria a razão de construir um barco maravilhoso e não querer navega-lo. Mas a moça argumentou que não se tratava de nada disso, depois confessou em risos sobre um tio que a teria bulinado, o que não me permitiu perceber se falava de algo real ou se dizia qualquer aleatoriedade apenas para concordar com minhas pseudo-explicações psicanalíticas para sua recusa. Fato é em certo momento decidi me despir por completo e cheguei a ser capaz de tirar sua blusa e abrir seu sutiã, mas ela não me deixou mesmo avançar mais do que disso e, em certo momento, decidiu finalmente gritar, espernear e ir-se embora como se o errado fosse eu. Ela, com seus beijos quentes de quem precisa ser penetrada e eu com todo meu vigor e desejo eretos a pincá-la sobre suas roupas. Ela que passava as mãos com desejo pelo meu corpo e que me beijava aqui e ali, em certo momento teve suas falsas convicções falando mais alto do que seu desejo. Então levantou-se num ímpeto, jogou-me à face palavras de ordem sobre minha ética e moral, ajeitou razoavelmente sua roupa e saiu do quarto com suposta raiva, não sem antes bater a porta e maldizer-me em injúrias. Logo a mim, que queria apenas amá-la e faze-la sentir um prazer talvez efêmero sim, mas sincero e gostoso. Enfim, talvez ela é que tenha certa razão e eu que precise ter mais paciência com as pobres pessoas que ainda acreditam no pudor e nos velhos costumes, talvez o sexo seja mesmo esse pecado maldito que dizem as escrituras. Nesta noite dormimos os dois ardendo de desejo um pelo outro, desejo este que poderia ter sido bonito, mágico, único e consumado. Talvez nos vejamos novamente, talvez não nos vejamos nunca mais. O sexo no novo século de camisinha e pílula continua sendo um tabu e nós, ao invés de nos entregarmos ao hedonismo ou mesmo ao epicurismo, continuamos escolhendo o religiosismo. Por que o mundo é tão complicado?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-3498726619093234754?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/3498726619093234754/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=3498726619093234754&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/3498726619093234754'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/3498726619093234754'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2011/06/calorosa-repressao.html' title='A calorosa repressão'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-9131088883380937596</id><published>2011-05-22T17:10:00.003-03:00</published><updated>2011-08-19T00:35:55.582-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rio de janeiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>O paisagem</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-mBdObkC0ZRI/TeJQadGjHtI/AAAAAAAAAio/MPh8VgU5aYI/s1600/lagoa.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="224" width="298" src="http://1.bp.blogspot.com/-mBdObkC0ZRI/TeJQadGjHtI/AAAAAAAAAio/MPh8VgU5aYI/s400/lagoa.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;i&gt;A lagoa Rodrigo de Freitas no Rio de Janeiro. Foto obtida &lt;a href="http://olimpiadasrio2016.hd1.com.br/turismo.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Uma dúvida cruel assolava um cidadão carioca em mais um domingo: daria duas voltas na lagoa ou pedalaria até a praia para ver o movimento? Fato é que era novato tanto no esporte bicicletário quanto na exploração da cidade e assim não sabia ao certo a distância compreendida entre um ponto e este mesmo ponto que corria ao redor daquele um enorme volume de água existente na zona sul do Rio de Janeiro. Mas deu sorte, nosso concidadão, posto que se depara com uma delicada garota que, quanta coincidência, também tem o mesmo destino. E mais: ela conhece a distância e sugere que a travessia é tão fácil que ambos os trajetos podem ser feitos sem qualquer problema. Seria ela uma atleta que subestimava a condição de esportista de um cidadão comum? Dez quilômetros, no máximo, fecharia a lagoa e havia até uma amiga sua que se gabava de completar o trajeto em uma hora à pé. Portanto, perimetrizaria maximamente dez caemes, o circuito. Foi à frente, a meiga, e mostrou ao cidadão os caminhos cicloviários entrecruzados que iam e vinham em voltas para evitar o caótico tráfego automobilístico: Há um caminho mais rápido e menos seguro, advertiu, mas recomenda-se seguir a ciclovia. Seguiram. O dia era de um sol gostoso sem nuvens e, passadas as águas de março, a promessa de vida abundava, no presente ou passado. A moça contou-lhe um pouco de sua vida e quis saber também algo sobre o rapaz que agora a seguia e decidia mesmo segui-la até a renomada praia da garota jobineana, destino final desta outra. Mas quem não pegava a bicicleta há tanto tempo tinha certa dificuldade, desculpou-se o rapaz em desengonço operacional de seu veículo pernomotor. Eles então separam-se enquanto ela se dirigiu ao encontro das amigas semi-nuas de pele em amorenar e marcou um reencontro à frente dos prédios de janela escura, perto do posto dez, onde o rapaz provavelmente não voltará. Ela percebe e repete, sugere que observe direito: Está vendo?, aqueles prédios ali, naquela direção, na praia. Há um povo, uma gente dela, conhecidos, desconhecidos quiçá, há alguém que estará ali. O rapaz mal faz que entende e embora tenha vontade não chegará ao ponto de incomodá-la e esperará por melhor oportunidade de abordagem enquanto se beijam à bochecha e se abraçam levemente em despedida. Ele agora segue seu caminho em direção ao arpoador, onde parará, ingerirá o líquido e comerá a polpa da praia, subirá nas pedras e verificará o Brasil, o mar, a pedra, os prédios, as gentes e a beleza. Enrolará ao retorno e decidir-se-á nem passar pela praia, resolução antiga que seria então confirmada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tragamos o futuro ao presente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não encontra mais a ciclovia para retornar à lagoa e agora anda em meio aos carros em seu veículo metamorfoseado funcionalmente. Pedal por pedal chega novamente ao destino que faz parte do caminho de volta e para sua surpresa tem este equipamento onde se pisa agora ao chão, quebrado? Tenta-o recolocar sem sucesso. Tenta outra vez, mas seu ato é inefetivo, o encaixe não se dá. Tenta mais outra e outra e outra. Não irá se cansar? Não se cansa e tenta e tenta e perde minutos, decanutos, duzenutos e nada. Decide ir embora monodal, pisando apenas de um lado e empurrando o pé-de-vela do outro, numa dificuldade capenga e desajeitada, vergonhosa. Ainda bem que a mina não estava mais ali para vê-lo em repleto desajuste. Mas não anda nem dez metros e assim como por magia ali está, veja só que coisa: um mecânico de bicicletas, como que surgido do nada ou da lâmpada de um Aladim ou como se fosse uma aparição tal qual um oásis no deserto. Justamente quando mais se precisa dele. E ele é simpático, ele pode até ter um outro pedal que encaixe bem ali, mas procura-procura e não acha. Procura mais, não cansa, chama o ajudante, procura, procura e acha. Ora, bem. Isso mesmo, achou um do mesmo tamanho e que encaixa como uma luva. A volta para casa agora está garantida. Ele ainda chama o ajudante para mostrar-lhe como se faz. Adiciona graxa à rosca e coloca primeiro o pedal ao contrário: "Olhe aqui, Antônio, aprenda como se faz. E você, fala o carioca consertador ao concidão: E você olhe para o outro lado que é para não aprender." E então ri brincalhão do pseudo-segredo de sua profissão. "Essa primeira etapa do pedal ao contrário é apenas pra corrigir a rosca do pé-de-vela, entende?", que o ciclista amador poderia até perder, caso o pior acontecesse. Mas não acontece, ele está em seu dia de sorte. O moço conserta também o pedal do outro lado que já estava ficando em situação estressante e diz que cobra apenas cinco reais pelo serviço. O sortudo diz que não lhe dará menos de dez e lhe oferece um nota de onze por falta de trocado, ganhando então de presente um convite para a exposição &lt;i&gt;Sobre as mãos&lt;/i&gt; que o mecânico-artista exibirá em lugar bem indefinido, a saber, por ali mesmo, talvez debaixo do carvalho. No desenho-invitação há bem uma mão com uma semente no meio que simboliza o próprio lugar onde estão, aquela árvore que ali está e donde a semente foi colhida. Que maravilha este local de trabalho ao ar livre! Parabéns e até logo. Ao retorno vai escutando música e bicicletando tão descolado e sem camiseta cantando em êxtase carpedineano que abracadabramente integra-se em ajuste fino à atmosfera da cidade e transforma-se num só com ela, vira então obra de arte em movimento e há inclusive uma turista que saca de si uma foto ao pedal natural com a grande pedra e a água e os prédios atrás; pronto: agora ele já faz parte da paisagem do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-9131088883380937596?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/9131088883380937596/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=9131088883380937596&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/9131088883380937596'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/9131088883380937596'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2011/05/o-paisagem.html' title='O paisagem'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-mBdObkC0ZRI/TeJQadGjHtI/AAAAAAAAAio/MPh8VgU5aYI/s72-c/lagoa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-116623131795153929</id><published>2011-05-02T21:53:00.003-03:00</published><updated>2011-05-10T19:11:42.046-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>Um pai do porto</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-lhesTDmVnf8/TchfaBoy8RI/AAAAAAAAAiI/OSuSba9jR34/s1600/rio_de_janeiro_36_neg08.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="145" width="400" src="http://1.bp.blogspot.com/-lhesTDmVnf8/TchfaBoy8RI/AAAAAAAAAiI/OSuSba9jR34/s400/rio_de_janeiro_36_neg08.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;i&gt;Porto do Rio de Janeiro, por &lt;a href="http://www.fotoimagem.com/paginas/portos/rj/rio_de_janeiro_rj/riodejafotos.htm"&gt;Flávio R. Berger&lt;/a&gt;.&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o relógio tocou no cais do porto, sinalizando que já eram oito horas, Amanda não sabia o que fazer. Preocupada, sem saber onde ir, perguntou ao narrador desta história o que deveria fazer, considerando que já eram oito horas. Para sua surpresa, no entanto, também o narrador não tinha a menor idéia das ações que ela deveria tomar. Assim como ela, ele havia sido levado até ali pela força das circunstâncias, e não tinha noção do que seria da personagem ou mesmo desta história que agora é contada. Fato: estavam ambos perdidos, ela e o narrador, o narrador e ela. Tinham duas opções, poderiam voltar até onde tinham vindo, poderiam ficar ali esperando o que iria acontecer ou poderiam inventar algum motivo obscuro pelo qual estariam ali e que daria a esta história algum sentido. Eram três opções, de fato, perceberam. Ao menos sabiam contar. Não sabiam era o que fazer. Esperaram. Talvez alguém por ali aparecesse, alguém cujo nome fosse Inspiração, alguém que salvasse Amanda de ter não ter sido criada em vão ou de correr o risco de ser apagada de uma história que chegou a existir apenas por um mero e vão parágrafo. A existência da garota dependia disso e não se poderia matar uma personagem de ares tão humildes e jeito tão meigo. A história dela não era como outras histórias que se contam por aí, histórias da aristocracia, histórias que a elite continua contando para a própria elite, num círculo de exclusão literária que deixa de fora as classes menos favorecidas, como aquela de onde Amanda se originara. Nascera mesmo na favela e tivera dois irmãos assassinados antes que chegasse a entender o significado da morte, essa palavra de cinco letras que as vezes custa a se fazer entender até para um adulto -- quiçá então para uma criança de pouca instrução. Apesar de tudo, Mandinha era boa aluna, quando pequena gostava de ir às aulas e entendia melhor do que a média aquelas coisas tão sem sentido que a professora escrevia no quadro negro; matemáticas e ciências da vida. Carlinhos e Robson não conhecera direito, mas aos seus outros quatro irmãos teve a sorte de vê-los crescer e ajudar na criação dos mesmos. Lembrava ainda de sua mãe, trabalhando dia e noite para trazer o pão para dentro de casa e dos furtivos pais de seus irmãos que vinham visitar sua casa apenas para que mais outro nascesse dentro de nove meses. Jamais conhecera seu próprio pai e olhando aqueles quarentões que descarregavam os navios, imaginava que um deles poderia ser ele, embora não soubesse que característica procurar nos marinheiros para identificá-los enquanto pais. Na imagem mental que tinha de seu progenitor, ele era um sujeito de garra: homem forte, bonito e bravo, bem diferente daqueles fanfarrões que visitavam sua casa à noite e com quem sua mãe se deitava, vez por outra. Os pais de seus irmãos eram, definitivamente, diferentes do seu pai verdadeiro. E era isso que pensava Amanda, ao olhar para cada um daqueles indivíduos que por ali passavam: ela tentava sobrepor a imagem mental que tinha de seu pai com a imagem real de um daqueles fortes homens. A um deles, que carregava uma enorme caixa de madeira onde lia-se uma palavra de seis letras que poderia representar aquela pobre mulher, ela resolveu parar e afirmar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Com licença, moço. O senhor é meu pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A garota era mesmo direta, e não se sabe porque aquela frase saiu dela com convicção tal que o sujeito assustou-se e por muito pouco não deixou a caixa cair ao chão, o que sem dúvida destruiria seu conteúdo. Com grande destreza, entretanto, conseguiu evitar um tombo e colocou a caixa, suavemente, no solo. "O que você disse?", perguntou o sujeito. A garota repetiu a frase. O sujeito repetiu a pergunta e Amanda mais uma vez confirmou a resposta. O homem, que evidentemente já havia feito sexo por aqui e por ali, há muito tempo, cogitava mesmo em rodas de brincadeira, entre os amigos, que poderia ter tido filhos pelo mundo sem que efetivamente tenha ficado sabendo disso. Era comum aportar em determinados locais, como ao Rio de Janeiro mesmo, e apaixonar-se louca e freneticamente por alguma mulher descarcomida em uma dessas noites de solidão e levá-las para a cama, passando-lhe o rodo desprotegido, ao menos por vezes. E, então, na semana seguinte já estava novamente dentro do navio, noutro lugar, apaixonando-se ardentemente por outras mulheres. Tinha paixões tão efêmeras quanto as flores do cacto. Em algumas dessas idas e vindas, poderia ter engravidado alguém que jamais tivera oportunidade de rever. Talvez, há muito tempo atrás, naquele mesmo lugar houvera se enveredado à cama de uma mulata -- teria sido mesmo ali? De alguma forma que não sabia como, aquela linda garota ali parada tinha um quê de si, ele notava. Mas como o teria descoberto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parou um instante a olhar para ela: era bonita, tinha a maçã do rosto saliente como a sua própria, boa compleição física, olhos negros como uma jabuticaba e um charme singelo e um tanto quanto especial. Por um instante quis que aquilo fosse verdade. Quis ter uma filha, uma família, algo que pudesse viver para, um motivo para parar de vagar sem rumo pelos portos. Pensou em quão interessante seria ter uma filha linda como aquela que pudesse abraçar e beijar e se preocupar todos os dias, os dias todos. Até aquele momento, no auge de seus quarenta anos, sua vida nunca tivera qualquer regra e fora uma completa aventura sem rumo ou direção. Mercenário, fazia o que querque lhe oferecessem mais dinheiro. Ia e vinha nos navios e certa vez chegara a conhecer até a China. O homem, então, parado ali a refletir, desejou acreditar na menina, ele desejou ter alguém a visitar constantemente, coisa qualquer que o fizesse querer ancorar sua vida em algum porto fixo. Nenhuma pergunta veio à sua cabeça, ele apenas quis abraçá-la. Abraçou e beijou a garota, dizendo "Minha filha! Que bom que eu te encontrei!" E assim ficaram os dois, abraçados por alguns instantes, pai e filha, a sentir a enorme felicidade de um reencontro depois de mais de dezesseis anos separados pelas vicissitudes do destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Y8Wxxdp7dMo/TchhEUqNTYI/AAAAAAAAAiQ/b61sBXgNgLo/s1600/black-father-and-daughter.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="400" width="267" src="http://1.bp.blogspot.com/-Y8Wxxdp7dMo/TchhEUqNTYI/AAAAAAAAAiQ/b61sBXgNgLo/s400/black-father-and-daughter.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;&lt;blockquote&gt;Pai e filha se reencontram depois de anos . ? ! (foto obtida &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_EmGL4XBULEA/S-Q9avJrjdI/AAAAAAAAAGg/FBV7A4PAKvg/s1600/black-father-and-daughter.jpg"&gt;aqui&lt;/a&gt;)&lt;/blockquote&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns segundos depois, no entanto, a razão -- ah, maldita razão -- açoitou as mentes de um e de outro. Eles então se soltaram enrubescidos. O homem então bombardeou a filha de perguntas: "Como você sabe que sou o seu pai?", "De onde tirou isso?", "Tem um teste de DNA?" -- e já pensava tudo isso calculando o quanto não teria que pagar de pensão para uma filha que ainda nem completara os dezoito anos e que provavelmente gastava demasiado com os estudos. O suporte da carência era uma coisa, mas ele estava e sempre esteve falido, não poderia sustentar nem bem a si mesmo, quanto mais uma adolescente cujos seios começavam a inflar sobre a camisa. Ele não poderia sustentá-la, não poderia assumir esta responsabilidade, não era capaz disso. O alvoroço das perguntas e dos pensamentos racionais trouxeram também Amanda de volta ao mundo da realidade. Respondeu que não sabia de nada, que tinha apenas o visto e sentido aquilo com uma força maior do que já sentira qualquer outra coisa na vida. Intuição feminina, concluiu. Sensação, desejo, percepção, cheiro, observação, irresumível dom ostentado apenas pelas mulheres. Essa convicção que a assaltara era mesmo muito forte, fechou os olhos e sentiu profundamente em confirmação: era sim!, ela quase poderia jurar que ele era mesmo seu pai, ela sabia que aquilo era verdade. O suposto pai que agora já olhava em volta a temer reprimendas de seu supervisor até sentiu que a garota falava a verdade, mas a razão lhe açoitava com vigor os pensamentos: "Você não pode ser minha filha e ter-me achado assim". Pegou novamente a caixa e ajeitou-a nos ombros, dizendo: "Você está louca e com excesso de carência!, deveria procurar um médico", e completou já de costas, "(...) ou um namorado com uma pica bem grande". E continuou seu caminho até o pátio onde todas as caixas estavam sendo desembarcadas. Mas Amanda não o escutou, escolheu não fazê-lo para não se machucar e continuou seguindo-o ao dizer que sabia que ele era seu pai, que estava certa, que poderia jurar e que ele não teria o direito de negar aquilo antes de se submeter a um teste de DNA que comprovaria, por a mais bê, que ela seria mesmo sua filha legítima. Apelou então para que ele observasse as semelhanças entre eles: tinham o mesmo tipo físico, traços semelhantes no rosto e nos olhos, temperamentos semelhantes, cor da pele parecida. A conclusão é que só poderiam ser parentes muito próximos. O sujeito colocou novamente a caixa no chão. Olhou para a menina, olhou em volta. As pessoas passavam. Foi carinhoso com ela, pegou em sua mão e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Olha, querida, você parece uma pessoa muito boa e eu gostaria mesmo de ser seu pai. Entretanto, há pelo menos mais dez pessoas ao nosso redor, como o Ronaldo (apontou um sujeito que estava dentro do navio), o Delfino (apontou outro) e aquele outro sujeito ali, que também poderiam ser seu pai. Mas eles não são meus ou seus parentes! As pessoas se parecem, de uma certa forma, somos todos humanos: uma boca, dois olhos, duas orelhas, pele e tal. E, além disso, há filhos que são radicalmente diferentes dos pais: isso não quer dizer nada. Pare de sonhar, querida, e viva sua vida. Deixe-me viver a minha, tenho muito o que fazer ainda hoje. Mal comecei a descarregar o navio...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Mas, pai... eu sei que você é você. Eu sinto. Eu vejo esses outros e não sinto nada, mas olho pra você e tenho uma intuição, algo dentro de mim acende e uma certeza se apodera de mim. Eu sei que você é meu pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Garota, como você se chama?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Amanda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Olhe, Amanda, eu ficaria muito feliz se fosse seu pai de verdade. Mas não sou, existe uma chance muito pequena, quase nula, de que você seja realmente minha filha. Vamos viver o mundo real, chega de fantasias! Já passei da idade de brincar de casinha e você também já passou. Aceite os fatos: não somos parentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Mas e o exame de DNA, papai, você aceitaria fazer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Você pagaria, Amanda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Não tenho dinheiro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Então não posso arriscar. Onde está sua mãe? Por que você não pergunta a ela quem é o seu pai?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Ela vai dizer que é você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Não vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Não vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Vai sim. Vou lá buscá-la, não saia daqui. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Ok, não vou sair. Vamos demorar mais umas quatro horas para conseguirmos descarregar todo o navio. Durante este tempo, estarei aqui. Não demore.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Ótimo! Obrigado, pai. Voltarei logo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-S9sW2Brn1uM/Tchh4uYsaBI/AAAAAAAAAiY/omd6iDUSVzE/s1600/rio-de-janeiro-favela-da-rocinha-slum-photo-by-n-cabana.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="266" width="400" src="http://1.bp.blogspot.com/-S9sW2Brn1uM/Tchh4uYsaBI/AAAAAAAAAiY/omd6iDUSVzE/s400/rio-de-janeiro-favela-da-rocinha-slum-photo-by-n-cabana.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;i&gt;O pai sobe o morro para visitar a casa da filha, sua mãe e irmãos. Créditos da Imagem: &lt;a href="http://prefeitosonline.com.br/site/wp-content/uploads/2011/02/rio-de-janeiro-favela-da-rocinha-slum-photo-by-n-cabana.jpg"&gt;Not1&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanda saiu então correndo do cais e chegou até em casa em menos de trinta minutos, tempo recorde. A mãe estava lá, cuidava do menorzinho, que andava doente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Mãe, encontrei meu pai!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Tá louca, menina? Nem eu sei direito quem é o seu pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Não mãe, eu encontrei, ele está lá no porto. Vamos! Vamos! Você tem que ir reconhecer ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- No porto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- É, no porto. Vamos! Vamos logo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Minha filha, acalme-se e escute: mesmo que eu encontrasse o seu pai, digamos que fosse ele mesmo, eu não conseguiria reconhecê-lo. Eu não sei quem é o seu pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Mas eu sei, mãe. Eu sei! Vamos comigo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Não posso ir agora, querida. Traga-o até aqui. Tenho que cuidar do seu irmão. Ele não está bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Ele não vai querer vir, mãe. Ele é marinheiro, deve ter que ir embora hoje ou, no mais tardar, amanhã. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Pois volte lá então e diga que estamos oferecendo jantar e pouso para ele por uma noite. Veja se ele pode vir. Então você traz ele até aqui e fica cuidando do seu irmão enquanto eu farei um jantar e conversarei com ele para saber se é ou não o seu pai. Pode ser? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Pode, vou tentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então deu tudo certo, o marinheiro chamava-se Antônio Nobrega foi até a casa dela. Supostos pai e mãe conversaram, sem chegar a nenhuma conclusão. Podia ser que sim e podia ser que não. A memória é uma coisa muito vaga quando se trata de um período de dezesseis anos, uma única noite, e bastante bebida. Além de tudo, sempre algum dos meninos ia ali ver quem era ele e ao menos Vicentinho chegou a perguntar-lhe diretamente se ele seria seu pai também. Enfim, a conversa havia sido agradável e combinaram que, quando ele ali voltasse, dentro de uma ou duas semanas, iriam todos realizar o exame de DNA e confirmar ou refutar de vez a hipótese. Amanda foi dormir feliz da vida com seu novo e improvável pai. Nesta noite sonhou que andava com ele de mãos dadas e o apresentava às amigas, que a congratulavam por ter um pai tão charmoso. Em seus sonhos, algumas das amigas chegavam até a se insinuar para seu pai e ela então o abraçava toda cheia de ciúmes. Antes de sair da casa dela, na manhã seguinte, seu pai veio e deu-lhe um beijo na testa que até hoje Amanda lembra com carinho. Tanto que ela considera o Zequinha, nascido cerca de nove meses depois desta data, como seu único irmão legítimo. E embora o pai tenha novamente desaparecido depois daquele dia, ela vai ao porto às vezes esperar o dia em que ele descerá levando uma grande caixa que conterá um presente trazido lá da Arábia para si. Neste dia ele desistirá de sua vida errante e virá tomar seu lugar como chefe definitivo daquele lar. Amanda então suspira e aperta ao peito uma foto de um moço que encontrou numa revista e que se parecia tanto com aquele seu verdadeiro pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Originalmente escrito em 15/12/06. Modificado em 16/10/07.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-116623131795153929?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/116623131795153929/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=116623131795153929&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/116623131795153929'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/116623131795153929'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2006/12/o-pai-de-amanda.html' title='Um pai do porto'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-lhesTDmVnf8/TchfaBoy8RI/AAAAAAAAAiI/OSuSba9jR34/s72-c/rio_de_janeiro_36_neg08.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-6320833297308794939</id><published>2011-04-24T09:48:00.010-03:00</published><updated>2011-04-24T18:03:05.991-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='neocristo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='religião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>A revelação</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-vttxlGtbkEQ/TbSIj3GYTqI/AAAAAAAAAhw/KSK91xONVCw/s1600/cruz.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="200" width="151" src="http://2.bp.blogspot.com/-vttxlGtbkEQ/TbSIj3GYTqI/AAAAAAAAAhw/KSK91xONVCw/s400/cruz.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja bem, senhor, sei que és capaz de fazê-lo, por que não o faz, (...) tu que já fizestes esta que é a maior maravilha de todas que é o ser humano, tu que criastes tudo desde a luz e as sombras, tu que criastes as plantas, os peixes e os animais, tu que criastes as mais longínquas estrelas às quais os pobres cientistas só conseguem enxergar com grandes telescópios, tu que inventastes o sol, o mar, o cume das montanhas, tu que tivestes esta imensa criatividade e este poderio de tornar real o que pensastes de forma tão bela e com tanto empenho, por que é, meu senhor, por que é que deixastes tantas injustiças acontecerem com os homens, qual teu porquê? Por que é, meu senhor, que punistes o homem assim tão duramente pela curiosidade sobre um fruto proibido, por que proibistes o fruto, meu senhor, por que punistes tantos em tantas eras, de tantas formas sinistras e grotescas, por que deixastes tudo isso acontecer, meu senhor, por que se és tão forte, se podes tudo criar, se és onipotente e grandioso, por que, senhor, por quê? Este teu pobre servo mal pode pode compreender teus desígnios, mal pode querer chegar a quem sabe um dia compreender muito, este teu servo que é limitado, que é sombra de um ideal perfeito em tua mente, como posso eu julga-lo, meu senhor, como posso, como poderia, como faço, o que estou a fazer? Senhor, dê-me apenas a capacidade de aceitar que o que faz é por um bem maior, é por um objetivo mais amplo e mais adequado para nós, para o homem, para o Espírito. Não consigo crer, meu senhor, não consigo crer que alguém pode prezar tanto o destino ao assassinar o caminho, não creio que fins compensarão os meios, senhor, não acredito em ti, não acredito em mais nada, não acredito na predestinação do mundo, na idéia de um porvir melhor, não acredito nisso, não consigo, sinto muito, não posso, sou incapaz, sou fraco. Acredito apenas no agora, no universo em que vivemos, na existência do aqui e do hoje, onde todo o mundo e todo o tempo confluem em uma beleza, uma criatividade, uma ação, uma vida. Acredito apenas no presente, meu senhor, preciso ser sincero contigo e com minhas mais profundas crenças, aquelas que me veem do âmago, aquelas que me saem naturalmente tal qual jorro do meu próprio ser, fluir interminável de vida humana. Tu que me fizestes, sei que me fizestes desta forma, sei que me fizestes para isso, sinto tua força a me pedir a mais pura das minhas naturalidades, o mais aguçado escutar dos meus instintos a trazê-los para o mundo do hoje e do agora, singularidade única, maravilhosa e irrepetível. É por isso que tenho tantas dúvidas, que não posso acreditar nesta idéia que repetem de ti, nesta tua suposta capacidade de fazer tudo e de não ser responsável pela podre sociedade do capital, pelo desrespeito crasso dos seres humanos por eles mesmos e pela tua tão bela obra arquitetônica. Preciso confessar e se és mesmo assim onipotente como te pensam, nem preciso dizer ou relatar por que tu já saberás e sentirás em ti porque te tenho negado tanto, por que tenho sido cético quanto à tua existência, o que já fizestes, meu senhor, o que já fizestes para me provar de tua existência, não fizestes nada, absolutamente nada, como posso saber se foi mesmo tu quem criastes estas coisas, quem sou então, sim, admito, limitado, extremamente limitado, incapaz de tomar atitudes coerentes ou totalmente racionais, incapaz também de escutar sinceramente as minhas próprias raízes, quem sou eu, sou um fracasso, um erro, um zero às esquerdas, não sou ninguém, se existires, então, peço que me perdoes por não compreendê-lo e estou certo de que, se existes, compreenderás, e se não existes, nada disso importará, ou melhor, importará sim, venho aqui para dizê-lo, meu senhor, que tua moral anda errada, anda enviesada e falha, anda carcomida e velha, como talvez esteja o senhor. A nova moral, meu senhor, a nova moral do século XXI é a preocupação com o bem estar do agora, deste momento, do único momento mágico que existe, este presente, estas palavras, esta leitura e esta escrita. Os fins não podem de maneira alguma justificar os meios porque os fins, meu senhor, os fins não existem, nunca saberemos se chegaremos lá nesses nossos ideais assim tão tortos e imperfeitos, nossos socialismos e nossos capitalismos, nossa sociedade, senhor, escutai-me, senhor, não podes dizer estas coisas aos humanos, erras, senhor, erras tanto quanto eu blasfemo, não, erras ainda mais, erras por permitir selar décadas, séculos e milênios de brigas em prol de uma paz que nunca chega, de um amor entre os irmãos que é pura invenção, que negas tuas próprias raízes ao cobrar indulgências, ao prometer o paraíso, ao catequisar sob a lâmina da espada, e &lt;i&gt;se blasfemo agora contra ti blasfemo embasado num histórico de destruição que a idéia de ti causou no meu mundo e que parece proceder melhor sem a tua presença, presença enganosa e falsa que tem subjugado a humanidade ao longo dos séculos&lt;/i&gt;, não estou aqui para negar a bela contribuição do cristo que, mesmo que não tenha existido, é sem dúvida a encarnação não de ti porém dos mais belos ideais humanistas e de desapego, contrário do que vem sendo pregado pelas instituições que julgam representá-lo senhor, e pela grande maioria da população em um mundo que é apenas de aparências e dinheiro, mundo acabado, sem lastro, que é pobre em sua base e merece apodrecer cada vez mais ante seus próprios propósitos egoístas e mesquinhos, sabes de uma coisa, meu senhor, quando vejo o futuro, percebo que nos enxergarão hoje de forma assim tão horrorosa, vejo um futuro melhor, senhor, vejo um futuro que se virará à época de hoje com gosto amargo à boca, nojo e reprovação, alguns seres humanos, senhor, que talvez viverão ainda depois de nós, os poucos que restarem, eles reconstruirão um mundo diferente, eu vejo, senhor, eu vejo, eles construirão este mundo do agora que prego, um mundo em que o momento principal será o presente, não a construção de um futuro incerto, onde as pessoas prezarão antes suas felicidades pequenas e momentâneas, as maiores do mundo, do que supostas felicidades oriundas da aquisição de bens materiais, como se vê hoje em toda parte. Estes homens estarão traumatizados pelo que temos feito, senhor, eles irão querer algo diferente e mais virtuoso, senhor, senhor, salve meu corpo, senhor, salve minh'alma.&lt;br /&gt;(25/10/10)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;== Boa páscoa a todos! ==&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-6320833297308794939?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/6320833297308794939/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=6320833297308794939&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/6320833297308794939'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/6320833297308794939'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2010/08/veja-bem-senhor-sei-que-es-capaz-de.html' title='A revelação'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-vttxlGtbkEQ/TbSIj3GYTqI/AAAAAAAAAhw/KSK91xONVCw/s72-c/cruz.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-9207435469499801873</id><published>2011-04-12T08:32:00.002-03:00</published><updated>2011-08-24T00:32:14.017-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='grotesco'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='surrealismo'/><title type='text'>O cagão</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-8woPVpzlu1I/TbSOZ8sqw7I/AAAAAAAAAh4/4tV0NM7X7cE/s1600/Retrete.gif" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="250" width="250" src="http://4.bp.blogspot.com/-8woPVpzlu1I/TbSOZ8sqw7I/AAAAAAAAAh4/4tV0NM7X7cE/s400/Retrete.gif" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida de Anastácio resumia-se em cagar. Cagava sempre ao amanhecer, em horário bem regulado. Depois cagava também em algum lugar da tarde e, se a bendita vontade novamente lhe aprouviesse, cagava também à noite. Em seu trono, Tacinho era feliz, ali ele era rei, ele é quem mandava, vai ou vem, nesta ou naquela velocidade, forçando o abdômen em excesso ou suavemente. Por vezes jurava descobrir um novo músculo dentro de si que era capaz de expelir a bosta com maior eficácia. Acionava o tal do músculo e pronto, a beleza da coisa profunda: bosta na água e água na bunda. Ali em seu momento de reflexão cocozístico nosso herói vivia as maiores peripécias do será-só-imaginação e do será-que-vai-acontecer e do que foi e do que poderia acontecer mas não aconteceu com relação a todos aspectos de sua vida. Era um momento sempre aconchegante, idolatrado, calmo, filosófico, concentrado e pacífico. O tempo simplesmente parecia desaparecer quando o rapaz sentava-se ao trono e desligava-se de todas as desimportâncias da vida; momento meditativo de esvaziamento racional. Havia todas as possibilidades. Inclusive o ritual fecal em muitos pontos funcionara em substituição ao seu vício pelo cigarro, que também possui cinco minutos guardados dentro, mas que é muito mais prejudicial à saúde. Cagar não, cagar é saudável, cagar é especial, cagar é processar, cagar é viver. Gostava de variar também na variedade de fezes que expelia. Fazia testes e experimentos com seu próprio corpo a verificar a relação dos alimentos com a coloração e consistência do bolo que jogava à privada pelo cu. Descobriu que a banana por exemplo tinha efeitos diversos quando estava verde ou madura, uma tirava e outra levava-o com mais frequência a ocupar o melhor e mais aconchegante lugar de sua casa. Ao lado da privada, os livros abundavam; e havia de todos os tipos. A leitura, também concluíra o cagão, influenciava de sobremaneira na velocidade e aceleração da expulsão merdal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando terminava lembrava dos tempos em que chamava a mãe para limpá-lo, no que ela até molhava o papel higiênico à pia para não assar o bebê: veja que gracinha o Tacinhozinho com a bundinha empinadinha para a mamãe! Mas agora não, não empina mais bundinha nem molha porra nenhuma de papel porque é macho, é homem e tem cu de homem: cabeludo, malcheiroso e completamente pregueado, tal qual à época de seu nascimento. E se antes tinha medo de que algum dia o filmassem assim a limpar o cu e publicassem em rede nacional, agora acha bonita e até poética esta limpeza anal. O homem, pensou certa feita, só é verdadeiramente homem quando está limpando o rabo. A esta máxima escatológica venerava e repetia em sermões para os amigos que se riam sem levá-lo a sério. Mas Tacinho falava seriamente, pois realmente acreditava nisso -- o que causava ainda mais risos nos amigos que o viam defender a cabulosideia e ficar quase ofendido de acharem graça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-79QtWHQk3FU/TbSOwjbRsOI/AAAAAAAAAiA/o57hqvJdYY8/s1600/merda.gif" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="239" width="251" src="http://2.bp.blogspot.com/-79QtWHQk3FU/TbSOwjbRsOI/AAAAAAAAAiA/o57hqvJdYY8/s400/merda.gif" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Anastácio sabia que cada coco tinha a sua aura, o seu jeito, a sua particularidade. Cada cagada era uma cagada diferente e era preciso respeitar a hora e a unicidade de cada momento defecatício.  Uma breada nunca seria igual a outra. Em algumas situações, podia pegar um livro, revista ou jornal. Outras exigiam o mais filosófico dos silêncios e o meditar sobre a vida. Outras ficavam até esquecidas quando mais de 20 páginas do livro já haviam se passado e neste momento vinha-lhe à mente a cara neurótica da sua proctologista a dizer-lhe que sentar ao trono por tanto tempo era causa de hemorróidas e que não deveria ser feito. Nesse momento, verificava se o capítulo do livro já estava acabando ou não, buscava entre a narrativa algum momento passível de interrupção próximo. Em caso de término breve do capítulo, apagava o dedo indicador da proctologista e ia até o final, mesmo que uma sombra da doutora ficasse ali a observá-lo acusatoriamente. Inclusive se algum dia tivesse hemorróidas sabia que deveria culpar os diálogos saramaguianos ou os ininterruptos e tão relidos capítulos de Raduan Nassar. Poderia pedir indenização a eles?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era hora de mais um e Anastácio sentiu o estômago remexendo e uma coçeira leve na região do cólon. Abriu um sorriso e levantou de sua cadeira de chefe geral para perder-se no tempo. A secretária às vezes batia insistentemente à porta enquanto nosso herói divagava como um rei louco. Jamais interrompia seu cagar em correria, este era seu conceito, sua ética defecal, jamais o faria. Ora, a mais completa e perfeita hora do dia?, isso nunca. E então tomava seu tempo à latrina e desligava-se do mundo exterior. Quando terminava, tratava de limpar-se também com extremo cuidado e perdia ainda quase um minuto a observar a obra, sua cor, a textura, a quantidade, a expessura, o grau de compactação, a forma com a qual havia se deitado esculturalmente ao vaso sanitário. Tudo isso lhe causava uma enorme apreciação estética. A bosta, que bela, que bela bosta, repetia. E então era novamente hora do desimportante, da empresa, dos negócios, das gentes querendo lhe passar a perna. Mas tudo que nosso herói mais queria era poder mandar todas as pessoas à merda, incentivá-las a cagar com maestria e compreender o maravilhoso fenômeno da digestão e do transformar-se. Comia uma maçã e agora ele se tornava a maçã, ele era a maçã. E o que não era, transformava-se magicamente num colosso de cor amarronzada que ele espelia por sua segunda boca, o segundo dos pontos limítrofes da linha digestória. Noutra de suas filosofadas, concluiu que o homem era simplesmente uma máquina processadora de alimentos, uma máquina produtora de bosta. E em outra feita tentou produzir apenas um tipo de bosta em série, mas descobriu que não era apenas a alimentação que influenciava. Também, é claro, a quantidade de água bebida e mesmo o estado emocional contribuia para que a merda saísse assim ou assado. Quando precisava fazer exame de fezes, delirava. Era a desculpa perfeita para poder ficar perto de sua bosta e assim pegá-la ainda quentinha a encher suculentamente o minúsculo frasquinho. Tinha inveja dos profissionais responsáveis por pegar todas as bostas nos laboratórios e saber distinguí-las. Imaginava-se detectando os vermes apenas pelo odor e por vezes cogitava seriamente em entrar no ramo das análises clínicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às mulheres que conquistava, insistia em ve-las no processo da evacuação e deliciava-se com tal visão. Preferia ainda que elas não soubessem que via, posto que assim tinha ainda uma idéia mais fiel de como era aquela mulher. Já disse algumas vezes a amigos que a hora que realmente se conhece uma mulher é quando se a vê cagando. Infelizmente para ele não eram todas que o permitiam tamanho intimidade. Mas em sua casa cagava muitas vezes em conjunto com a esposa, um em cada vaso. Às vezes conversavam, as vezes não, dependia do evento único que era cada cagada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale notar ainda que, quando vomitava, sentia uma enorme tristeza consigo mesmo, mesmo que isso acontecesse bastante esporadicamente. Achava um desperdício ter que jogar fora restos semi-digeridos e amarelos, com um fedor horroroso. Por falar em fedor, Anastácio já se disse gostar do cheiro de sua própria bosta e é verdade que gosta, mas ama de paixão mesmo é o cheiro da bosta de vaca, o cheiro da roça, do pasto. Não há para ele maior felicidade do que ver uma vaca cagando e imediatamente após o fato meter o pé naquela bosta maravilhosa que a vaca expelia. Segundo ele, os indianos estiveram sempre corretos em considerar a vaca como animal sagrado. Com uma bosta daquelas? Quentinha e de deliciosa textura para a sensibilidade dos pés humanos. Nesses momentos tinha a certeza de que tudo tinha um propósito: para quê existiria a vaca senão para deliciar o humano com sua bela bosta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá se vai Anastácio mais uma vez. Corre para sentar e quando se assenta tem aquela sensação maravilhosa de alívio e de liberação esfincterial. Vá lá seu Anastácio, vá ser feliz na vida, mas não esqueça o papel higiênico.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-9207435469499801873?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/9207435469499801873/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=9207435469499801873&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/9207435469499801873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/9207435469499801873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2011/04/o-cagao.html' title='O cagão'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-8woPVpzlu1I/TbSOZ8sqw7I/AAAAAAAAAh4/4tV0NM7X7cE/s72-c/Retrete.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-839410467466535676</id><published>2011-03-31T20:38:00.002-03:00</published><updated>2011-04-12T19:24:30.224-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica à ciência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='auto-ajuda'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica social'/><title type='text'>O sentido, a beleza e o tempo reflexivo</title><content type='html'>&lt;br /&gt;Não! Não quero que me leiam como se lessem aquelas coisas que já se sabe corretas e que já se concorda d'ante-mão. Não sou um jornal, não sou nenhum tipo de repositório de informação precisa ou confiável. Nunca pretendi estar correto em nenhum assunto e portanto toda a leitura que se deve fazer de todo e qualquer de meus escritos deve ser feita sobre a insígnia da &lt;b&gt;dúvida&lt;/b&gt;. Será que falo a verdade? Será que minto? Será que este argumento tão bem delineado não tem uma fraqueza que tenha passado desapercebida? É assim que devo ser lido, é assim que se deve ler. Em cada frase há uma esquina, em cada linha lógica que se segue deixa-se milhares de outras para trás. É impossível estar absolutamente correto sobre qualquer assunto. O que é o copo? O que é o chão? O que é a gravidade? O explodir do vidro no chão a comprova? Não saberemos enquanto não o soltarmos. E nem mesmo ao recolhermos os cacos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-kFDhp8nEXLw/TaTP3W1UHqI/AAAAAAAAAho/37vc8s4Atz4/s1600/umbertoeco.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="171" width="114" src="http://4.bp.blogspot.com/-kFDhp8nEXLw/TaTP3W1UHqI/AAAAAAAAAho/37vc8s4Atz4/s400/umbertoeco.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;i&gt;O italiano Umberto Eco é um dos maiores intelectuais vivos. Tendo ocupado o posto de professor titular da cadeira de semiótica da Universidade de Bologna, Eco é aqui relembrado por seus estudos na obra "Os limites da interpretação". O que um texto pode significar? Embora esta crônica não tenha nada a ver com futebol, por exemplo, diferentes leitores podem interpretá-la de formas diferentes e é este alcance interpretativo múltiplo de um texto que Eco tenta discutir.&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;As teias pseudo-lógicas que sigo, ao longo de descrições ou argumentações, podem fluir para inúmeras compreensões. Com &lt;a href="http://www.amazon.com/Limits-Interpretation-Advances-Semiotics/dp/0253208696"&gt;Eco&lt;/a&gt;, pergunto ao leitor, &lt;i&gt;qual o limite interpretativo de um texto?&lt;/i&gt; Se é certo que não estou aqui a dizer à uma pobre mãe que seu filho pereceu na guerra, o alcance do que digo não pode ser por mim totalmente percebido ou compreendido. Sou assim inocente das idéias que prego, carrego ou espalho em profusão memética. São elas que me parasitam e minha inocência é tamanha que sou, de fato, vítima de meus próprios impropérios, assaltado e carcomido por estes vírus da mente que nos invadem a nos forçar a expressão, os dizeres, as idéias; e as contradições. O texto não serve para ser lido, o texto deve ser sentido, incorporado, carcomido, transformado. O que digo parasita tua mente também e agora já vais dizer por aí o que aqui se disse ou noutros lugares. Você é o que você lê. Você é uma soma qualquer de todas as influências e pessoas e coisas e lugares que já calharam de aparecer em seu caminho. Você é a confluência única de tudo o que você mesmo buscou saber, aprender, se informar. Você que me lê, você sou eu, você se transforma em mim e me faz ser o mundo, você é meu veículo de expansão. Você pode ser um filósofo que lê ou pode ser o jornal que se assiste sem pensar e que assim s'emburrece. Você é existencialisticamente responsável por sua capacidade, sua disposição, seus anseios. Não culpe o mundo, não culpe nenhum tipo de entidade inexistente pelos seus impropérios, pelas suas derrotas, não culpe a mim, não culpe seu esposo, sua mãe ou sua vida miserável. Só você é culpado. Mas também nos bons, momentos de alegria, neles, sim, neles, você também é o "culpado", também é responsável por tudo de bom que acontece consigo. Parabéns, vislumbre aí a saída do poço diabólico sartreano, a felicidade, o quase-hedonismo, o epicurismo levado a sério, a apreciação angustiosa da beleza de uma vida em todos seus esplendores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/TQiebTUwkaI/AAAAAAAAAbY/SdVQwCAzj2Y/s1600/tom.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 192px; height: 256px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/TQiebTUwkaI/AAAAAAAAAbY/SdVQwCAzj2Y/s320/tom.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5550860732615135650" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;A música trabalhada de Tom Jobim está para um Chico Buarque assim como a realidade está para o cientista. O bom letrista não pode compor uma letra apressada para uma tão-bela melodia; o bom cientista não pode produzir um trabalho apressado para uma tão-bela realidade.&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Não há nada tão grande quanto o &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;sentido&lt;/span&gt;, o sentido que se busca nestas palavras incertas, nestas frases malacabadas, nestes textos que apelam ao nexo da exatidão. Tenho inveja dos letristas e dos cientistas, tenho inveja de ambos que sabem pegar uma realidade e por cima dela construir algo belo e lustroso; criação precisa de um sentido a ser incorporado pelos poros doutros seres humanos; ideais tão bem construídos que se estuda e se canta e se toma como verdade da vida e do conhecimento. A realidade da música e a realidade física que sai dos resultados de experimentos. Mágicos pegam tais realidades arbitrárias e belas; e com um olhar cuidadoso e boa índole são capazes de utilizar essas informações para aumentar (ainda mais) a quantidade de beleza-criativa existente no mundo. O verdadeiro trabalho científico é como a letra que se encaixa perfeitamente à música e em conjunto cria algo novo, anteriormente desconhecido no universo. Qual não é a responsabilidade de um Chico Buarque ao receber uma canção de Tom Jobim e ter que fazer uma letra para ela? &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Imagine o que seria destruir uma música de Tom Jobim com uma letra irresponsável, feita sem nenhum cuidado?!&lt;/span&gt; Mas este que é um dos maiores gênios de nossa música sabia do zelo do amigo para com a composição e esforçava-se ao máximo para produzir letras à altura. Não se há de negar seu êxito. Imagine uma letra medíocre a estragar uma obra jobineana... Vale lembrar o caso em que Tom compôs a canção "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Anos Dourados&lt;/span&gt;" e Chico, prometendo a letra, não foi capaz de entregá-la antes que o seriado estreiasse na televisão. Na estréia ouvia-se ainda a versão instrumental da canção. O bom cientista também não deve viver na estressante correria de uma sociedade científica que balança sob o algoz da insígnia: "publique ou pereça". Infelizmente é o acontece hoje com nossos pesquisadores do Brasil e, de certa forma, do mundo inteiro -- vivendo sob o signo da ciência num mundo capitalista de números vazios onde tudo é feito pra ontem e tempo é dinheiro. O zeitgeist desta época inibe a criatividade, privilegia o empreendedorismo acéfalo e desenvolvimentista. Faça, aumente, trabalhe, não pense. Estes não parecem ser capazes de publicar trabalhos verdadeiramente bem feitos, criativos e bem pensados uma vez toda a política de financiamento da ciência no mundo leva em consideração a &lt;i&gt;quantidade&lt;/i&gt; de artigos publicados, uma vez que a &lt;i&gt;qualidade&lt;/i&gt; é bastante subjetiva de ser apreciada, medida ou avaliada. Então quem publica &lt;i&gt;mais&lt;/i&gt; leva &lt;i&gt;mais&lt;/i&gt; dinheiro e fama, independente da qualidade. Seria como obrigar os Chicos Buarques a entregarem o CD inteiro pronto antes do início do seriado, qual teria sido a qualidade das canções? E então, aqueles mais produtivos são incentivados e ganham ainda mais dinheiro para fazerem trabalhos ainda mais rápidos e com um critério mínimo de qualidade. Será que precisamos mesmo beneficiar e louvar a mediocridade? Não seria melhor investirmos em algo mais durável, mais criativo, mais inteligente? E quem tenta seguir esse caminho é pouco incentivado, seja pelos colegas ou pelas políticas públicas. Mas basta. Não iremos nos entregar à mediocridade dos números. Demoraremos para fazer nossas belas canções e nossa bela ciência. Devemos é seguir mesmo, meu caro amigo, o velho conselho buarquiano, conselho baseado na experiência que leva à mais pura beleza, à mais forte responsabilidade de se letrar uma canção do velho maestro Brasileiro: "não se afobe não, que nada é pra já". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;== clique no link para deleite quase-certo ==&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=R4GGyUitAcE"&gt;Anos Dourados&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Chico Buarque&lt;br /&gt;(De: Chico Buarque &amp; Tom Jobim)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A7M   F#m7    Bm7  E7(b9)   A7M  F#m7  Bm7&lt;br /&gt;Parece que dizes      Te amo,        Maria&lt;br /&gt;E7(b9)     A7M  F#m7   Bm7   E7(b9)   A7/4(9)&lt;br /&gt;Na foto____grafia       Estamos        felizes&lt;br /&gt;A7(b9/13)            D7M    D#m7        G#7(b9)   C#m7&lt;br /&gt;Te ligo afobada E deixo confissões   no gravador&lt;br /&gt;D#m7     G#7(b13)     C#m7    D#7     G#7(b9)   C#7(13)  F#7(b9/b13)  Bm7&lt;br /&gt;Vai ser     engraçado Se tens um no_____vo amor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E7(b9)      A7M  F#m7    Bm7  E7(b9)     A7M    F#m7  Bm7&lt;br /&gt;Me vejo  a teu lado      Te amo?        Não lembro&lt;br /&gt;E7(b9)  A7M    F#m7       Bm7 E7(b9)    A7/4(9)&lt;br /&gt;Parece  dezembro      De um ano        dourado&lt;br /&gt;A7(b9/13)          D7M     C#7/4(9) C#7(b9)    F#m7&lt;br /&gt;Parece bolero Te quero,           te quero&lt;br /&gt;Dm6/F               A7M   F#m7      B7(13) B7(b13) E7/4(9) E7(b9) C#7(13)  F#7(b9)&lt;br /&gt;Dizer que não quero      Teus bei____jos     nun_____ca     mais&lt;br /&gt;B7(13) B7(b13) E7/4(9) E7(b9) A6   E7(b9)&lt;br /&gt;Teus bei____jos     nun_____ca     mais            &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A7M  F#m7      Bm7   E7(b9)    A7M  F#m7  Bm7&lt;br /&gt;Não sei se eu ainda      Te esqueço        de fato&lt;br /&gt;E7(b9)  A7M   F#m7   Bm7  E7(b9)     A7/4(9)&lt;br /&gt;No nosso retrato      Pareço        tão linda&lt;br /&gt;A7(b9/13)            D7M     D#m7      G#7(b9)   C#m7&lt;br /&gt;Te ligo ofegante E digo confusões   no gravador&lt;br /&gt;D#m7   G#7(b13)    C#m7    D#7   G#7(b9)    C#7(13)  F#7(b9/b13)  Bm7&lt;br /&gt;É descon___certante Rever o gran___de amor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E7(b9)  A7M    F#m7   Bm7   E7(b9)   A7M     F#m7  Bm7&lt;br /&gt;Meus olhos molhados      Insanos,       dezembros&lt;br /&gt;E7(b9)    A7M    F#m7     Bm7  E7(b9)    A7/4(9)&lt;br /&gt;Mas quando me lembro      São anos        dourados&lt;br /&gt;A7(b9/13)          D7M     G#m7(b5)       C#7(b9)     F#m7&lt;br /&gt;Ainda te quero Bolero,   nossos ver_____sos são banais&lt;br /&gt;Dm6/F               A7M   F#m7      B7(13) B7(b13) E7/4(9) E7(b9) C#7(13)  F#7(b9)&lt;br /&gt;Mas como eu espero       Teus bei____jos     nun_____ca     mais&lt;br /&gt;B7(13) B7(b13) E7/4(9) E7/4(b9) Gm7(9)&lt;br /&gt;Teus bei____jos     nun_____ca       mais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;C7(13) / F7M / Bb7M / E7(13) / Em7(b13) / A6(9)/E&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-839410467466535676?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/839410467466535676/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=839410467466535676&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/839410467466535676'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/839410467466535676'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2011/03/o-sentido-beleza-e-o-tempo-reflexivo.html' title='O sentido, a beleza e o tempo reflexivo'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-kFDhp8nEXLw/TaTP3W1UHqI/AAAAAAAAAho/37vc8s4Atz4/s72-c/umbertoeco.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-2854199483421271054</id><published>2011-03-13T02:46:00.034-03:00</published><updated>2011-03-22T09:57:17.624-03:00</updated><title type='text'>Minhas duas mortes</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-xMyajN3JVnQ/TYiYhhrHirI/AAAAAAAAAhQ/CLV4kMwr4fc/s1600/MORTE1.JPG" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="300" width="288" src="http://4.bp.blogspot.com/-xMyajN3JVnQ/TYiYhhrHirI/AAAAAAAAAhQ/CLV4kMwr4fc/s400/MORTE1.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;i&gt;Terei morrido? Estarei vivo? Haverá alguma linha do tempo em que minha família terá chorado minha morte? Como me safei de cair do décimo andar de um edifício e de ter sido afogado no mar de Búzios? Haverá algum propósito para que eu não tenha me espatifado ou enchido meus alvéolos d'água salgada?&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;A memória nos prega peças. Não sei ao certo quando morri da primeira ou da segunda vez, mas sei que já morri e minha vida é prova disso. Assim, se hoje estou aqui é porque algo no universo rodou e girou, fez e desfez, sacudiu, balançou e permitiu-me continuar respirando, metabolizando, forrageando. Diz-se que o gato tem sete vidas, mas quantas vidas terá o humano ainda não se sabe. O que sei desde então é que são mais de duas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-h85utVXNxDQ/TYiZy9kA0YI/AAAAAAAAAhY/-DkYrvKZtvU/s1600/queda.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="236" width="300" src="http://2.bp.blogspot.com/-h85utVXNxDQ/TYiZy9kA0YI/AAAAAAAAAhY/-DkYrvKZtvU/s400/queda.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;i&gt;E durante esta psicológica queda passou-me à mente um filme da minha curta vida de pré-adolescente: o sítio, o circo, o cinema, o céu estrelado, a namoradinha, a babá, amigos, pai, mãe e o chão em que não m'espatifei.&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Busco resquícios da memória. Estou em casa. Há o velho sofá, há a arca com os mantimentos, há a TV e o videocassete. Há a janela. Moro no décimo andar de um prédio no alto da Serra, onde se tem uma visão privilegiada de toda cidade e onde o por do sol é sempre maravilhoso sob a selva de pedra. Do alto do morro entretanto estou um pouco isolado de toda a cidade, é preciso subir e descer a enorme inclinação da rua para chegar em algum lugar habitado. Aqui encima só há nós e a favela, onde não se arrisca chegar por medo, embora tantas pessoas venham e vão dali pra cá e de cá pra lá. Mas nunca nos arriscamos a entrar por ali. Não importa, inclusive, eu venho aqui contar apenas como morri, provavelmente pela primeira vez. Não sei o que me deu a querer subir nesta escada agora, em frente à janela que vai aberta e que esconde o mistério da queda livre à aceleração da gravidade, nove vírgula oito metros por segundo ao quadrado. Dez andares darão quase 30 metros de altura e os físicos e engenheiros certamente farão a conta que constatará, ou constataria, meu corpo esparramado no chão em total ausência das funções vitais. Qual será a melhor posição para cair de tão alto sem se espatifar? Era a cortina, sim, eu mesmo fui voluntário do trabalho de trocá-la por uma nova, lavadinha, era meu dever pegar aqueles ganchinhos e encaixá-los aos trilhos. Eu ainda sou um pré-adolescente e devo ter 11, 12 ou 13 anos e fiquei feliz de ser útil à economia doméstica, ainda mais um trabalho assim tão preciso, arriscado, importante, onde é realmente necessário alguém de garra para levá-lo a cabo. E então os ganchos vão se encaixando, o primeiro, o segundo, o terceiro. A escada não está perfeitamente posicionada e o esticar de meu braço já causa certas dores ou incômodos, ficar com o braço levantado assim tanto tempo não me é comum. E agora, sabe-se lá porque cargas d'água, meu corpo faz uma alavanca com a janela e empurra a escada onde me equilibro para trás e assim eu caio. Mas não caio no chão e nem mesmo caio lá em baixo, o que me acontece é que fico com meio corpo para dentro de casa e meio corpo para fora. A vertigem de me ver em queda livre me trás essas sensações de quase morte, meu corpo pendula para fora da janela e vejo passar à minha frente um filme rápido, resumido de toda a minha vida. Vejo-me enquanto bebê sendo carregado e enquanto criança brincando com minhas irmãs e primos, vejo a professora e a escolinha, vejo as viagens que fiz, vejo o sol e a lua e as estrelas do sítio, vejo o futebol, o voleibol e a natação, vejo minha madrinha me afagando e vejo minha mãe e meu pai falando-me carinhos, vejo o palhaço, o trapezista, o circo e finalmente concentro-me no chão que me parece estar cada vez mais próximo. Então tudo some e agora me dou novamente por mim, meu corpo, a escada, a cortina. Estou em pé e não caí. Nada aconteceu. Ou melhor, meu corpo pendulou para fora da janela mas acabou ficando mesmo do lado de cá, dentro de casa, fora do tempo ou do espaço. Mas como? Passo as mãos em mim e estou mesmo aqui. Duvido da vida, duvido da existência e olho para baixo esperando ver lá, estarracado e ensanguentado, meu próprio e pequeno corpo, morto, apagado, desligado da vida. Serei só alma, agora? Mas não há nada, não há corpo algum, não há nada lá em baixo, dou um grito a saber se alguém irá escutar e em pouco minha mãe já está ali, louca, a querer saber o que aconteceu. Como não bastasse o susto, tomo ainda uma bronca de que isso não se faz com a janela aberta e então ganho um chamego. Ela mesma terminaria o serviço. Vou para o quarto com a sensação que aquilo realmente aconteceu, com a sensação de que realmente caí e que na última hora em que realmente eu deveria morrer, um flash branco corroeu todo o mundo e fez o tempo voltar. Não a minha hora, não teria sido, eu ainda não deveria morrer, o Espírito houvera guardado algo ainda para mim, um carma, um ter que viver para fazer, um algo qualquer. Eu precisava realmente viver, senti que havia algum tipo de missão e assim, segundo todos a quem consultei posteriormente, parece-me que de fato sobrevivi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-U4ci8UVj46U/TYiatQ2HqrI/AAAAAAAAAhg/ZyJIE_FHDrE/s1600/afogar.JPG" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="268" width="294" src="http://3.bp.blogspot.com/-U4ci8UVj46U/TYiatQ2HqrI/AAAAAAAAAhg/ZyJIE_FHDrE/s400/afogar.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;i&gt;Quando me afoguei não houve filme-da-vida a passar. Houve apenas o desespero, o mesmo que vi anos depois na cara de minha avó moribunda, o pedido surdo de um socorro que não parecia vir, medo extremo, a sensação de auto-preservação em falha eminente, a reversão do mais arraigado instinto de qualquer ser vivo. Desta vez há um lapso de memória, um flash, e de repente já estou na praia, tonto, incompreendendo toda a situação, senão estou são, estou salvo, a vomitar litros d'água salgada.&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;A época talvez houvesse qualquer dúvida do Destino ou do Espírito hegeliano sobre a importância desta minha vida para a continuação e superação desta sociedade dos homens, dúvidas sobre a real necessidade de continuação deste algo que apenas se iniciara e que, em sombras, ainda passara. Foi quase ao mesmo tempo em que morri pela segunda vez, pelo menos em minha memória. Mas não estava mais em Belo Horizonte, no alto da Serra quando deixei de viver outra vez. Agora estava agora na praia, havia o Sol e as areias. Havia o mar, misterioso mar, berço das sereias, lendário e fascinante como no canto carnavalesco. Eu estava com meus tios de Brasília, longe da proteção dos meus pais, não terá sido apenas um sonho? Nas férias, era comum que eu viesse aqui para onde hoje habito, a capital federal, para brincar com meus primos de idade semelhante naquela grande casa do lago sul, logo após a ponte jotaká que nem sei se houvera sido construída à época, o que deixava sua casa tão afastada da cidade que era mesmo vista enquanto sítio ou chácara onde um mundo mágico havia no sonho de uma criança. Mas eu não estava em Brasília, repito, estava na praia com meus tios e primos brasilienses. Seria Cabo Frio?, não estou certo, era algum balneário qualquer e confesso não me lembrar de quase nenhum detalhe desta viagem que senão este que agora me preparo para relatar. Pois bem: era um dia de sol e estávamos todos à praia. Meu primo mais velho teve a brilhante idéia de alugarmos snorkels e pés-de-pato para que pudéssemos andar ao longo das pedras na praia a ver a fauna marinha que por ali se apresentava. Meu instinto científico e biológico já se aflorava à época. Por algum motivo que não sei qual era, acabamos com dois snorkels, duas máscaras e apenas um par de pés-de-pato que dividimos entre nós, um pé para cada. Confesso que à época não era nenhum exímio nadador como me tornei anos depois e não tinha a intimidade que hoje tenho com a água. Não sei como posso ter de fato sobrevivido à situação se não me sentia confortável com a máscara, se não sabia usar corretamente o snorkel e se me desequilibrava com o pé de pato único -- que só depois de algum tempo dei a perceber que mais me atrapalhava que ajudava. E fomos nadando. De fato, a fauna marinha do litoral carioca era bela e rica. Vimos peixes de todos os tipos: coloridos, grandes, pequenos, sozinhos ou em cardumes e fomos nos afastando aos poucos da praia. Fui lentamente seguindo uma grande pedra cheia de cracas e ouriços para tentar ver mais a beleza da fauna marinha e, quando dei por mim, já estava cansado de nadar. O pé-de-pato causava-me desconforto, minha respiração estava por demais ofegante e meu primo havia desaparecido por completo. Rodrigo? Rodrigo? Sem resposta, as ondas batiam-me agora às costas e vez por outra eu tomava um caldo. Não consegui mais nadar e engolia água e mais água; eu precisava urgentemente de me apoiar em algum lugar, depois de nadar por uma vintena de minutos, o mar havia se tornado bravo e eu não conseguia mais me manter nadando. O desespero começou a tomar conta, será que eu morreria ali, afogado? Mas não havia onde me encostar. A pedra estava cheia de cracas nos locais onde eu poderia colocar a mão; as cracas eram quase como navalhas. Por outro lado, ao chão, toda a pedra estava populada por ouriços que indubitavelmente espetar-me-iam o pé na tentativa de equilibrar-me e parar um tempo a respirar e descansar. Mas eu estava prestes a me afogar e não tinha nenhuma escolha, então decidi por bem pisar em qualquer lugar na pedra antes de morrer afogado. Neste instante, uma onda levou-me um pouco mais pra frente e ali decidi fincar o pé antes de tomar aquele que poderia ser meu último e fatídico caldo do dia, onde a água salgada entraria em meus pulmões e fecharia os alvéolos à respiração do ar atmosférico. Mas eis que consegui pisar na pedra com um único pé, deixando o outro suspenso e por alguns segundos, menos de um minuto certamente, consegui me equilibrar, espantar um pouco do desespero, levantar o rosto da água e respirar uma, duas, três vezes profundamente, levar o ar aos meus pulmões e ter novo fôlego para continuar. A parte mais incrível desta estória foi ter tido um tempo de olhar onde é que eu houvera verdadeiramente pisado e constatar que eu pisara num único local entre toda a extensão da grande pedra que se espalhava por ali onde não havia nenhum ouriço. Eu pisei exatamente numa clareira de ouriços onde cabia tão somente aquele meu único pé no qual eu agora me equilibrava, o resto todo da pedra estando completamente coberta desses animais? Teria meu pé deslocado o ouriço que porventura estivera ali? Ou terá tido algum propósito da onda, do instinto, da providência? Mal consegui acreditar na minha sorte, que ainda não podia ser comemorada dada a gravidade da situação. Agora já vinha uma nova onda e o equilíbrio saci-pererê não aguentaria por muito mais tempo, dada a força da água que viria. Olhei para a praia e finalmente tomei as últimas forças que me restavam para tentar chegar até lá. Também houve um lapso qualquer de memória de todo esse caminho, flashes embaralhados e o grande flash branco. Só lembro realmente de mim quando já estava na praia, onde me deitei por alguns segundos com a sensação de que estava salvo. Meu corpo estava em bagaços, eu ofegava ardentemente e sentia-me extremamente mal. Olhei para o lado tentando encontrar meu primo que também não estava por ali; teria deixado-me morrer? Calculei a barraca onde meu tio provavelmente tomava seu chopp e fui me arrastando por cerca de 400 metros até chegar onde estavam todos a mal se darem conta do meu sumiço. Apenas quando os vi e quando finalmente cheguei ali, sentindo seguro e protegido, que me dei ao direito de passar mal, que verdadeiramente me entreguei ao mal estar que me vinha de dentro, e ali jorrei em vômito litros de água do mar, para o espanto de todos. E então me assentei e fiquei ali, branco, quase morto, morto-vivo, vivo-morto, por alguns momentos antes de concluir que haviam me doado, outra vez, uma nova chance. Eu havia sido escolhido mais uma vez pelo Destino a não perecer, ou talvez eu houvera aberto uma nova trilha do tempo na qual eu estava vivo. Noutras trilhas temporais, talvez meu cadáver fosse encontrado boiando algumas horas depois. Nunca conversei com meu primo a saber o que houvera acontecido e, de fato, isso parece que pouco importa. Eu estava vivo e havia mais uma vez saído de uma situação de quase-morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantas vezes se precisa morrer para se morrer de verdade? Terei mesmo morrido ou terei apenas passado esses apuros que todos passam quando a vida é longa e os riscos existem mesmo? Que eu saiba, talvez eu tenha morrido também uma terceira vez, quando viajava para um congresso de carro e decidi usar o caminho que olhara na internet ao invés de aceitar o direcionamento do meu orientador, que ia num outro carro, em rebeldia da juventude. Pegamos a serra carioca com uma chuva torrencial em um breu completo. O carro chegou a sair da pista e entrar diretamente na escuridão, mas no último instante consegui virar o volante novamente para a pista e sobrevivi, e sobrevivemos tanto eu quanto o pessoal que ia comigo. Em quais linhas do tempo vivemos? Como nossas vidas interceptam com as de outras pessoas? Por que a vida não é um sonho que se vive em conjunto? Terei outras vidas? Terei aberto novas linhas temporais em minhas mortes? Terei morrido em algum trajeto de avião? Haverá algum mundo em que meus familiares terão chorado minha morte? E por que então vivo neste mundo? Não. Não há nada. Não há linhas temporais ou qualquer tipo de idéia como essa, diz-me a razão. Foram apenas chances e probabilidades, para quem está vivo há sempre a chance de morrer e, caso eu houvesse realmente morrido nessas feitas, aqui não estaria hoje a relatar nada disso que me aconteceu e que, por sorte, acaso, jamais providência, guia-me a contar esses fatos enquanto indivíduos menos solitários que eu, índios e padres e bichas, negros e mulheres, e adolescentes, fazem o carnaval.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-2854199483421271054?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/2854199483421271054/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=2854199483421271054&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/2854199483421271054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/2854199483421271054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2011/03/minhas-duas-mortes.html' title='Minhas duas mortes'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-xMyajN3JVnQ/TYiYhhrHirI/AAAAAAAAAhQ/CLV4kMwr4fc/s72-c/MORTE1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-8335602869190140586</id><published>2011-03-06T09:47:00.004-03:00</published><updated>2011-03-08T12:15:14.587-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='onirismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='surrealismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>O transeunte</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-G0hCjHSL9z8/TXZGkFFecTI/AAAAAAAAAgg/aDjs5LuD3OM/s1600/4115180227_175886e230_z.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="267" width="400" src="http://3.bp.blogspot.com/-G0hCjHSL9z8/TXZGkFFecTI/AAAAAAAAAgg/aDjs5LuD3OM/s400/4115180227_175886e230_z.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Euclides acordou meio zonzo, olhou-se no espelho e não se reconheceu. Decidiu por tomar um banho e aprontar-se antes de sair. Mas para onde iria? Fez então seu higiene e vestiu sapatos de camurça, calça xadrex, blusa branca com detalhes roxos e blaser. Desceu até o centro e andou pela cidade. Quando viu uma aglomeração de pessoas, decidiu juntar-se a ela. Gostava de gentes. Era uma fila. Entrou na fila. Não conseguiu, entretanto, ficar quieto. Discutiu com o senhor da frente, um velho careca e simpático, que o melhor esquema seria o da pilha, e não o da fila. Como assim?, retrucou o senhor. Ora, se ele acabara de entrar e o esquema fosse do tipo pilha, ele seria logo o primeiro a sair e não precisaria ficar esperando tanto tempo. O senhor descompreendeu e Clidinho, como se apresentou nosso herói, explicou didaticamente usando mímicas e caras e bocas falando sobre uma pilha de pratos, pequenos e grandes e médios, donde o último a ser colocado seria o primeiro a sair. No caso daquela fila, o último a entrar seria o primeiro a ser atendido e receber sua gratificação. Mas qual seria a gratificação?, não havia nenhuma e a fila era apenas para comprar algodão-doce, coisa que ele negou por ser diabético, ou por achar que era. Saiu da fila a procurar então outra coisa a fazer, outras gentes a conversar, outros lugares a ir. Despediu-se do senhor e agora já vagava de ante-mão para a entrada da filial central do Banco do Brasil, onde acabou sendo inibido à entrada pela presença de tantos senhores zelosos e observadores, todos eles armados, no que concluiu que não poderia ficar à vontade ali, mesmo que não tivesse dinheiro algum e que precisasse pelo menos de um trocadinho para comprar um suco à esquina. Dirigiu-se à loja de sucos. Entrou novamente na fila sem questionar que o primeiro a entrar seria o primeiro a sair ou se o último a entrar é quem seria o primeiro a sair. Gostava das gentes. A moça à frente era bonitona e tinha um rabo de cavalo grande de cabelos ondulados e sedosos que Euclides não resistiu em tocar e acariciar, e cheirar. Primeiramente fingiu que não era com ela, a moçoila, e balançou a cabeça como quem se desvia de algum incômodo, talvez estivesse acostumada com jovens a querer seduzi-la começando pelo toque capilar. Mas o Crídes não desistiu e repegou seu cabelo enquanto falava para mãe que nunca houvera lido em livro algum que a gripe fosse um vírus sem cura. A garota-mulher agora deu-se ao trabalho de virar para trás e averiguar a existência de um sujeito, por assim dizer, no mínimo estranho, tinha o cabelo completamente despenteado com ares de louco, seus olhos pareciam entrar dentro de si ou até a transpassar e o toque que ele dera repetidas vezes no seu cabelo fora com um mão suja, nojenta, talvez engordurada. A moça teve asco do sujeito, gritou um Sai pra lá e deu-se o fora da loja de sucos que não tinha um único segurança a garantir a tranquilidade dos clientes. Euclides fez como se a louca fosse ela, levantou os braços tal qual jogador que se redime da falta e reclamou da juventude moderna que não respeita os mais velhos e que sequer sabe mais como se vestir ou se portar ou reclamar ou dizer ou fazer qualquer coisa. E então a velha senhora que agora adentrava a venda concordou e começou a relatar o caso de um sobrinho malcriado, quando alguém que flagara toda a cena interrompeu-a dizendo sobre a incoveniência de nosso herói a tocar a jovem moça sem nenhum pudor e que a mesma havia de fato tomado a atitude correta num mundo onde ninguém mais está a salvo ou livre de atitudes inconvenientes de pessoas inoçônicas. E isso veio apenas a fazer com a velha senhora e outros que não haviam observado nada se juntassem a maldizer as modernidades e as juventudes. E então foi a vez do defensor da moça sair antes que fosse linchado pelos saudáveis bebedores de sucos do centro da cidade. Euclides entretanto enfadou-se daquela comunhão de velhos que falavam um por cima do outro e puxou a primeira velha de lado a convidá-la ao ouvido para um café em um lugar mais adequado, ela aceitou com pesares e começou logo a contar toda a sua vida, desde a mais tenra infância. Atravessaram a augusto de lima e seguiram pela rio de janeiro. A vovozinha disse ter vindo do interior do estado e ter vivido muito tempo ali no centro mesmo, na rua guajajaras, num prédio excelente onde teve seus três filhos, todos hoje muito bem de vida, morando nas principais capitais do mundo e então contou sobre a morte do marido e sobre todos os colossais dramas que sofreu quando ele foi dianosticado com o câncer e que quando morreu até mesmo a vizinha estava com ela e que ainda que fosse tudo muito esperado ela sofreu muito e o marido também sofreu muito de dor por meses a fio e que uma das filhas tinha sido muito ingrata e que nem se dera ao trabalho de voltar de viagem a rever o pai que estava moribundo na cama e quando chegou já era tarde demais e então Euclides cansou da conversa fiada da velha e agora já prestava atenção no outro lado da rua, um ambulante que vendia esses brinquedos para as crianças e saiu andando sem se despedir da dona e fato é que a velha continuou contando sua vida para algum tipo de amigo imaginário e nem percebeu pr'onde fora Euclides que, já tendo se desligado da voz da senhora, agora já re-atravessava a augusto de lima ao se desviar dos carros e então chegou ao ambulante e perguntou como funcionava aquele brinquedo que se mandava o boneco ao alto e depois se pegava novamente às mãos e o ambulante mostrou e quis cobrar do velho três vezes mais do que cobrava normalmente e o velho disse que pagaria e que havia gostado muito do brinquedo e saiu andando com o mesmo, enquanto o ambulante foi atrás dele a dizer que precisava pagar, Mas pagar o quê, disse Euclides, e então o vendedor começou a gritar com o velho e tomou de sua mão com vigor o boneco voador, dando-lhe ainda um safanão e xingando-o de filho da puta, quando então passava algum bom cristão que começou a dar uma lição de moral ao ambulante, dizendo que chamaria a polícia, que aquilo era um desrespeito com a terceira idade, que um dia ele também seria velho, se tivesse sorte, e veria assim como são mal tratados os pobres senhores, aquilo era um absurdo e jesus cristo houvera dito sobre a compaixão, sobre o amor e a piedade, sobre o perdão e então ele o perdoava, viraria até a outra face, mas era preciso saber conviver em sociedade e agora Euclides já virava a outra esquina chegando à praça sete onde sentou-se no primeiro banco que encontrou e era um banco desses de jogadores de damas e então o sujeito perguntou se queria desafiá-lo e ele disse que sim e então as peças foram colocadas ao tabuleiro e o outro senhor fez o primeiro movimento, no que Euclides o copiou simetricamente do lado de cá do tabuleiro e foi então repetindo tudo que o primeiro senhor fazia até que sua primeira peça foi comida e nosso herói, sem entender porque o amigo, a quem ele havia confiado o jogo, tirava agora uma de suas peças do tabuleiro, considerou aquilo um insulto e gritou incompreensíveis palavras de ordem, bateu com as mãos ao tabuleiro, bagunçou todas as peças, colocou uma à boca e mordeu tão forte quanto possível, mas não conseguiu quebrá-la e assim cuspiu-a ao chão e balbuciou outras palavras que ninguém antes soubera existir na língua portuguesa e saiu maldizendo o mundo e as pessoas em rabujice. Então não se sabe como sua alma aportou novamente em seu corpo e um sopro de razão inflou então seu corpomente. Não entendeu o que fazia no centro da cidade àquela hora, com aquelas roupas, andando assim-assim. Olhou aos bolsos e não tinha documento, não tinha um tostão, não tinha nada. Pensou que talvez tivesse entrado mais uma vez em algum tipo de surto psicótico e decidiu simplesmente pegar um taxi a voltar para casa. Pediria ao taxista que esperasse na portaria até que fosse lá em cima no apartamento pegar o dinheiro. Ajeitou-se em sua vestimenta, retirou o blaser a carregá-lo à mão e deu sinal ao taxi. Ao parar, ele disse, para a Serra, por favor. E o taxista tomou seu rumo para o bairro desejado. Não conversaram sobre coisa alguma e Euclides seguia apenas observando o conturbado trânsito da capital e as pessoas que andavam enquanto subiam a afonso pena até a praça do papa. Ao chegar mais acima da rua o taxista perguntou finalmente Qual era o endereço preciso, ao que Euclides respondeu: Endereço? Foi então expulso do taxi ali pela altura da rio grande do norte e decidiu caminhar mais um pouco até a savassi, onde sempre havia gentes e ele gostava de gentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;===&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;i&gt;Créditos da foto mostrando a praça 7, em Belo Horizonte: &lt;a href="http://www.flickr.com/photos/paulotavio/4115180227/"&gt;Paulo Otávio&lt;/a&gt;.&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-8335602869190140586?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/8335602869190140586/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=8335602869190140586&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/8335602869190140586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/8335602869190140586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2011/03/o-transeunte.html' title='O transeunte'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-G0hCjHSL9z8/TXZGkFFecTI/AAAAAAAAAgg/aDjs5LuD3OM/s72-c/4115180227_175886e230_z.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-2658102667556486236</id><published>2011-02-26T18:00:00.009-03:00</published><updated>2011-02-27T13:09:42.679-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='religião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>Tolerância religiosa, um conto</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-wI8QFnbKsw8/TWpu1CbBz2I/AAAAAAAAAf8/fHA3qZJ69aY/s1600/dramatic-rain-scene-small-2-Lightning.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="199" width="300" src="http://2.bp.blogspot.com/-wI8QFnbKsw8/TWpu1CbBz2I/AAAAAAAAAf8/fHA3qZJ69aY/s400/dramatic-rain-scene-small-2-Lightning.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Eis que no instante em que disse "Foda-se deus", o céu começou a cair. Não que o céu todo viesse abaixo, posto que em literatura usamos e abusamos deste artifício chamado metáfora. De fato, era apenas uma chuva que nada tinha de fina ou delicada e que surgia como pancadas duras e fortes de uma água que não se poderia saber onde estava acumulada, uma vez que era tanta. É claro que nosso herói também não pensou que houvesse qualquer relação entre a palavra dita e o início daquele evento natural ao qual poderíamos chamar tempestade. Mas que era engraçado, isso era. Qualquer cristão ou teísta que ali estivesse, no entanto, teria pensado que o evento fora uma resposta da fúria divina contra os dizeres do camarada. Esperariam ainda que um relâmpago ofuscante aparecesse em meio às trovoadas e um raio certeiro acertasse sua cabeça, rachando-a em duas a enviar o blasfemador diretamente -- e sem escalas -- para os confins escuros e quentes do inferno. Esqueciam-se os cristão que deus é amor e que o perdão é uma das mais virtuosas características do Onipotente, ao menos no novo testamento. Exatamente para provar que nada disso tinha sentido, também nosso personagem -- que naquele instante discutia com crentes -- andou correndo pela chuva ao invés de proteger-se em qualquer abrigo e continuou a gritar a mesma frase que teria, nos olhos de alguns, sido o estopim da queda d'água. Ficou ali no meio do canteiro a andar por cima das gramíneas e a gritar que deus que se fodesse enquanto causava repulsa em não mais do que cinco amigos tementes ao todo-poderoso. Tementes mesmo que eram, posto que agora o que mais queriam era sair de perto daquele ser infame, não queriam vê-lo nunca mais e não queriam que suas pessoas fossem tidas como próximas daquele que continuava pulando e gritando absurdidades e loucuras sob a água da chuva. Teriam-no pensado louco, talvez, se ele não dissesse as palavras com tanta agressão, fúria e lucidez racional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-r9EldrYsMr4/TWpyOYI2qvI/AAAAAAAAAgE/5BaWi0U91ZQ/s1600/blastphemy.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="210" width="300" src="http://4.bp.blogspot.com/-r9EldrYsMr4/TWpyOYI2qvI/AAAAAAAAAgE/5BaWi0U91ZQ/s400/blastphemy.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Dentre os crentes o pior era um deles que com toda inocência e esperança teria marcado aquele encontro entre seus amigos em comum, a pensar que os protestantes da fé seriam capazes de converter seu amigo de infância ao teísmo; catequese descompensada em pleno século XXI. Desde o início pensara que não seria tarefa fácil e combinara um cinema entre todos como se esta não fosse a questão principal do dia. O ateu aceitou e todo o grupo foi assistir o filme, sendo que as inevitáveis discussões acabaram ocorrendo logo à saída do cinema e foi ali que o inocente pregador verificou a enorme falta de respeito de nosso amigo descrente contra a sua ou contra outra religião qualquer. De fato, o sujeito respeitava sim a religião e os religiosos, mas desde que eles não viessem interferir em seu dia-a-dia ou querer colocar idéias supostamente idiotas e/ou ultrapassadas em sua cabeça ou na cabeça de outros seres humanos. Acusou-os de lavagem cerebral e de assassinos, herdeiros dos inquisitores. Em seu cotidiano, ele os respeitava sim e jamais tentara fazer essa absurdidade de que agora era vítima: jamais tentara premeditadamente convencer algum católico ou protestante ou judeu ou cristão de qualquer índole de que deus não existisse, quanto mais juntar um grupo e inventar desculpa qualquer apenas para que o assunto fosse posto em pauta e que a retória pudesse ser utilizada de maneira tal qual faca afiada para podar, cortar e ferir o arcabouço de idéias metafísicas que trazia dentro de si. Posto que os crentes haviam todos acertado e premeditado o ataque psicológico e ideológico contra ele, eram muitos contra um, uma covardia, e foi quando disso se apercebeu que resolveu então dizer palavras de baixo calão sobre a entidade divina da qual os outros tantos adoravam, respeitavam, ou temiam. O que mais o incomodava era que os crentes não acreditavam que alguém sem religião poderia ter uma moral humanista e querer salvar o humano do próprio humano. Para os crentes, cegos pela religião, apenas se poderia salvar o homem pelo caminho do divino e tal opinião nosso herói não poderia aceitar. Porém esteve acuado em meio a cinco pessoas que não deixavam que apresentasse seus argumentos em completude. Era uma briga ideológica injusta e durante as poucas vezes em que tentou argumentar, jamais deixaram-no chegar ao cerne das idéias e cadeias argumentativas que traçava. Rapidamente alguém já começa a rebater idéias de característica intermediária e todos, que concordavam entre si, escutavam aquele que interrompia -- e com ele concordavam. Embora assim tenha debutado este texto e que isso talvez venha a caracterizar os ateus como radicais, coisa que é normalmente aceita entre os teístas, a verdade é que a radicalidade vem normalmente -- e veio neste caso -- como a única saída possível dado que os outros estavam surdos aos argumentos que nosso herói proferia. &lt;i&gt;Tentou argumentar em prol da falta da necessidade finalista, tentou argumentar sobre a navalha de Occam, sobre a maior chance de se provar a existência do que a não-existência; tentou argumentar sobre a evolução darwiniana, sobre a teoria do Big Bang e sobre o fato de que podemos aceitar nossa incompreensão sobre a maravilha do mundo sem que a ela demos qualquer nome, deus ou qualquer outro.&lt;/i&gt; Mas não houve diálogo, não o deixavam falar, argumentar, concluir, usar provas e exemplos. Estupravam seu ouvido com gritos que depois de acalmavam apenas em tom de voz. Não queriam escutá-lo, não queriam saber de suas idéias, não queriam discutir ou aprender. Queriam apenas transmutá-lo em algo que não era, que não podia ser, queriam fazer aquela lavagem cerebral nele e provar que estavam certos e que toda a tradição milenar da igreja católica e jesus cristo e a virgem e este blá-blá-blá que já conhecemos. Foi por isso que, assustado, mandou deus à puta que o pariu em certo instante. Blasfêmia tal que aquelas pessoas jamais haviam visto. Ele ainda repetiu aos berros, posto que fora acuado num canto e seu linchamento teria sido inevitável caso não passasse ao ataque ao invés de defender-se. Chamou deus de corno, filho da puta, ignorante, questionou sua onipotência e sua onipresença. Tudo isso ante uma gritaria insana e a coincidência do pé d'água que se sucedeu atiçou ainda mais o temor dos tementes, que agora já pensavam que talvez o diabo tivesse tomado o corpo do amigo, do estranho, do louco. A chuva caia e os gritos continuavam, berros blasfemos, berros que doíam aos ouvidos e causavam medo. A situação era difícil, a tempestade era forte e as palavras de excesso eram ouvidas também ao longe. Aquelas frases toscas, infames, não poderiam continuar. Amedrontavam-se com a fúria de deus, os crentes. Juntaram-se e decidiram que isto deveria acabar. Um deles partiu contra o que livremente gritava o que queria e deu-lhe um empurrão, jogando-o no chão. Dos outros quatro, dois não se mexeram assustados e contrariados com o clima de violência que agora se instaurava. Porém os outros foram lá ajudar o amigo a encher de bofetões o infiel. E quando ali chegaram, uma batalha já estava em vigor. O ateu parece que batera a cabeça ao cair e estava tonto, embora não deixasse de mandar deus se foder e o outro agora o segurava e socava-lhe a barriga. Os outros dois também ali chegaram para ajudar a fazer a enviesada justiça dos homens pelas próprias mãos. Três contra um, não foi difícil encher o infiel de porradas até que sangrasse como um jesus cristo crucificado. Só pararam com a violência depois que o sujeito não mostrou mais reações quaisquer e apanhava como um boneco de pano, sem forças, sem estímulo, sem nada, inconsciente. Quando então perceberam o que haviam feito, disseram que ele merecera e sairam rapidamente do local, deixando o sujeito ali desmaiado, chuva na cabeça, sangue no chão. Os outros dois que tudo viam mal, parados, mal podiam acreditar e agora começavam a duvidar até de deus e do bem que a igreja e sua ideologia poderiam fazer. Não podiam acreditar que seus amigos, os que pregavam o bem e a comunhão entre os homens tivessem abatido covardemente, aleijado e quiçá assassinado outro ser humano, um irmão que estava apenas desviado, perdido em seu caminho espiritual. Não deram qualquer trela para os três que voltaram, sangue em punho, O que vocês fizeram? Deus tenha piedade de nós. Foram lá ver o amigo blasfemador e balançaram-no, mexeram em seu rosto, seus braços e pernas. Ele não mexia e então chamaram a ambulância que, quando chegou, chegou atrasada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os três foram embora fugidos, os outros dois disseram apenas que alguns assaltantes teriam-no punido -- confiavam na justiça divina acima da justiça humana -- e o um, finalmente, apenas deixou de existir. Talvez a desexistência seja mesmo melhor do que conviver num mundo de seres assim tão intolerantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(26/12/08) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;===&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Análise e discussão deste texto&lt;/b&gt;: &lt;i&gt;Vivemos num mundo onde precisamos aceitar diferentes pontos-de-vistas sobre qualquer assunto e que precisamos escutar o que nossos inimigos ideológicos teem a dizer sem que nos sintamos ofendidos com suas opiniões, mesmo quando elas são agressivas. A agressividade verbal não deve ser jamais uma justificativa para a agressão física, verbo se combate com verbo, com ideologia, razão, com pensamento e idéias. É claro que é preciso um certo auto-controle para que se possa efetivamente levar esta moral a cabo, mas acredito que seja preciso buscá-lo e alcançá-lo. Além disso, aqueles que normalmente cometem agressões verbais o fazem porque seus argumentos não puderam ser plenamente ouvidos, e então ele parte para sua última cartada: a agressividade. Qualquer animal, quando acuado, demonstra comportamentos agressivos. Também eles devem tentar se conter e apresentar argumentos claramente ao invés de partir para agressão verbal. Qualquer tipo de agressão, portanto, deve ser evitada -- embora possamos talvez concordar que um mínimo seja necessário para retirar as pessoas do estado inerte em que se encontram e fazê-las refletir melhor sobre seus mais queridos dogmas. Neste conto, ambos os lados exageraram, tanto o agressor verbal quanto os agressores físico; embora os últimos tenham certamente ultrapassado em muito o limiar de uma atitude aceitável socialmente.&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-2658102667556486236?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/2658102667556486236/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=2658102667556486236&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/2658102667556486236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/2658102667556486236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2011/02/tolerancia-religiosa-um-conto.html' title='Tolerância religiosa, um conto'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-wI8QFnbKsw8/TWpu1CbBz2I/AAAAAAAAAf8/fHA3qZJ69aY/s72-c/dramatic-rain-scene-small-2-Lightning.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-996847793260073219</id><published>2011-02-18T07:30:00.004-02:00</published><updated>2011-02-21T14:00:12.098-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica social'/><title type='text'>O líder, e a neosociedade de sempre</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-e9a7Q9FMBds/TV5iArfHYOI/AAAAAAAAAfQ/EauTQ_6_NMI/s1600/leader.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="213" width="300" src="http://2.bp.blogspot.com/-e9a7Q9FMBds/TV5iArfHYOI/AAAAAAAAAfQ/EauTQ_6_NMI/s400/leader.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Anda, o rapaz, e repete sempre a mesma prece. Em aparência, não dá mostras de ser quem seja. É apenas algum sujeito simples que se nega a repetir tudo que vinham lhe dizendo desde os tempos de criança. Àquela época, o caçula precisou ir contra os valores estabelecidos em sua sociedade-família para que lhe dessem crédito, jamais fora verdadeiramente banhado ante as águas mornas do amor incondicional. Estranho e inquieto, lutou por aceitação, mas só enquanto rebelde era capaz de ser o centro das atenções. Todavia que não se pense este lugar tribunal acusatório algum contra seus pais, coitados, que já tinham outros filhos para criar e que foram muito naturais sempre e quando. O menino é que parecia razoavelmente problemático, excessivamente inteligente e arguto. Percebia privilégios dos irmãos em questões que passavam transparentes para os pais. E para que dessem dele notícias, precisou então reverter todos os padrões de seu lar, gritou a questionar morais e valores, reverteu toda a história do que lhes acontecia para então ser notado. Todas as vezes em que se destacou foi como contra, anti, rebelde revolucionário do mundo família ao bater raivosamente a porta do quarto quando supostamente deveria trancar-se em castigo. Os pais se olhavam sem saber o que fazer. Reprimiam-no novamente em gritos e palavras de ordem. Achavam-no perdido e não percebiam que quanto mais o "educavam" ante o respeito à ordem e aos costumes vigentes ali, mais ainda ele se revoltava em rebeldia. Era quase estabelecida, a guerra civil domiciliar. Noutros tempos de morais menos humanistas, os próprios pais teriam-lhe tirado à vida ou mandado-o ao campo ou ao convento para espairecer e deixar de tentar ser o que não era, deixar de questionar apenas pelo gosto de mostrar-se correto e os outros, errados. Foi crescendo. Estudou com empenho nos tempos de colégio e destacou-se com brilhantismo em áreas como as de lógica e matemática. De raciocínio invariavelmente claro, direto e mordaz, atacava então quaisquer formas não racionais de existência ou pensamento. Vivia a centelha iluminista ante o pedestal da razão. Esquecia, entretanto, da caoticidade da sociedade e das opiniões. Acreditou demais em si mesmo, na razão e em uma suposta Verdade. Em sua adolescência encontrou as religiões, formas morais e irracionais de conhecimento. Percebendo antes seus lados danosos a seus pontos positivos, usou-a como exemplos e armas de ataque lógico e ideológico, poços de irrazões desfundamentadas dos quais a sociedade dos homens dever-se-ia ver livre, e para sempre. Tecia com habilidade argumentos em linhas lógicas eficientes para desconstruir quaisquer conceitos em que a sociedade careta acreditasse, era incisivo em suas palavras como a lince ao pescoço da presa. Em meio à sua revolta, esquecia-se o quanto seus próprios argumentos eram, também eles, questionáveis em um sem-número de medidas, enquanto autoritariamente pregava pela certeza e correção do que dizia contra o estabelecido. O dono da Verdade e único conhecedor e alcançador da mesma foi sempre um tipo de modificador dos conceitos da vida cotidiana daqueles que com ele conviviam. E esperneava a tentar influenciar os outros a querer trocar as porcas idéias estabelecidas pela sociedade -- de forma arbitrária -- por outras idéias estabelecidas por ele mesmo de forma também arbitrária. Mas não, a sociedade estava se afundando e só ele saberia como salvá-la. Não acreditou em ninguém, não fez amigos, jamais teve alianças, nunca procurou a beleza nos trabalhos alheios. Só procurava a discórdia e a desobediência. Era duro no que dizia e jamais aceitou a relativização de qualquer um dos seus argumentos, sob nenhum aspecto. Irredutível, só ele estava correto, só ele tinha a resposta para os problemas da sociedade, só ele era inteligente, mordaz, corajoso e hábil o suficiente para preconizar uma revolução deste mundo para um próximo. Pregava e gritava incansavelmente de sua poltrona em algum lugar do mundo, jamais agia. Era apenas um catalisador da discórdia e nada trouxe de positivo para o mundo. Covarde, mesmo que fosse o tempo das lutas armadas, ele jamais teria pegado o fuzil e se dirigido ao centro do poder. Pregava a destruição da capital, a bomba sob os políticos, arrotava ignorância sobre tudo e sobre todos, era incapaz de auto-crítica, julgava-se soberbo e soberano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhum homem possui dentro de si todo o vasto conhecimento do mundo e nosso herói era também ignorante num sem-número de índices, indicadores e teorias epistemológicas que teriam sido necessárias para fundamentar com maior razão seus ideais e sua vontade de crítica ou transformação. Mas considerava-se o maior dos sábios e assim arrotava a soberba do conhecimento. Viajou para a mais longínqua das cidades e viveu em meio aos índios e militares. Nunca precisou ou teve simpatia alguma pelas mulheres, tidas como fracas e ignorantes em sua visão machista e egocêntrica do mundo. Tudo que no mundo era diferente de si estava errado e precisava ser curado. Julgava-se o centro da estética do mundo e mesmo se estivesse correto em determinados pontos, sua arrogância davam nojo ao cidadão comum. Alguns loucos, porém, o amavam. Jamais pregou a igualdade ou respeito com os diferentes, queria simplesmente esmagá-los tal qual havia sido, em toda sua vida, esmagado pelos seus próprios e pela sociedade. Julgava-se gênio, louco, acima dessa quantidade de gente, corja ignorante que lotava os transportes públicos das grandes cidades. Substituiria uma oligarquia dominante pela sua própria, passaria de oprimido a opressor no dia que lhe dessem poder, via-se que era sedento por poder. Mas jamais lhe dariam nada, ele jamais alcançaria coisa alguma, gritaria para sempre com a mesma vozinha afetada de velha neurótica. (...) Depois de anos pregando modificações conseguiu reunir meia-dúzia de seguidores que a ele se aliaram repetindo as mesmas ladainhas autoritárias que dele brotavam desde a adolescência. Jamais tentou entender a fundo o que criticava, era sempre superficial na análise. Só aceitava em seu bando aqueles que lhe babassem o ovo de tanto que chupassem os bagos; precisavam se submeter completamente a si e a seus enviesados, afetados conceitos. Ele que pregava a crítica e a argumentação juntava atrás de si alguns poucos que lhe aceitavam em total submissão, ajoelhavam-se ao ouvir seu santo nome, amém. Chocou a sociedade no dia em que foi capaz de convencer alguns daqueles idiotas que o seguiam a matar-se pela causa, pela transformação, por um futuro melhor. O suicídio de alguns em nome de sua causa causou espanto nas gentes de seu tempo e deu-lhe a publicidade que queria, saiu nos jornais e televisões ao custo de poucos corpos, ganhara poder. Aproveitou para gritar ainda mais alto o que pregava, mas ninguém o escutou, fizeram troça dele, caiu no ridículo e mais uma vez não teve auto-censura, acusou de ignorantes os que o atacaram. Foi acusado de homicídio nestas ocasiões assim passadas mas não se encontrou provas para colocar-lhe no xilindró e agora sua força era maior e mais gentes perdidas e revoltadas juntaram àquela contra-crítica dos poderes vigentes ao querê-los substituir por outros de iguais valores, ou seja, nenhum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-ZVJB4end4Ek/TV5jyobuMeI/AAAAAAAAAfg/v7CM-iKCtCQ/s1600/carro-demonio.gif" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="213" width="250" src="http://1.bp.blogspot.com/-ZVJB4end4Ek/TV5jyobuMeI/AAAAAAAAAfg/v7CM-iKCtCQ/s400/carro-demonio.gif" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;O automóvel, inclusive, era execrado de forma absolutamente crassa em sua filosofia, sendo que representava assim o pai de todos os males. Para si, os veículos automotores vinham associados diretamente com a desvontade do homem urbano em tratar bem da natureza, vinham associados justamente à demonstração do esbanjamento do dinheiro, da forma de transformação do que havia de mais sujo no mundo em símbolo de estatus, de símbolo fálico em uma sociedade de classes.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Aos poucos criava assim sua seita, sua corrente, sua ala radical. Embora jamais tivesse acreditado na paz ou na não-violência, era possível encontrar na sua cartola de truques intelectuais a valorização de idéias um tanto quanto humanistas -- que pregava também com o mesmo vigor. Questionava as destruições que vinham sendo operadas contra o planeta, criticava com ardor a ganância dos homens que jamais deveriam ter deixado de viverem como caçadores-coletores e pregava pela naturalidade dos seres humanos e pelo retorno à simplicidade da vida na selva. Ia assim na contra-mão completa dos desenvolvimentos tecnológicos e da busca pelos mercados, era contra o consumismo e o desenvolvimentismo. Pudesse, teria colocado tanga em todos os humanos e guiado-os de volta à floresta. Mas não teria sido capaz de mover os zumbis de seu tempo. Os homens agora queriam a tranquilidade de seus lares com acesso rápido ao conhecimento via web e carros cada vez mais potentes e velozes. O automóvel, inclusive, era execrado de forma absolutamente crassa em sua filosofia, sendo que representava assim o pai de todos os males. Para si, os veículos automotores vinham associados diretamente com a desvontade do homem urbano em tratar bem da natureza, vinham associados justamente à demonstração do esbanjamento do dinheiro, da forma de transformação do que havia de mais sujo no mundo em símbolo de estatus, de símbolo fálico em uma sociedade de classes. Este líder ideológico entretanto mal percebia o quanto sua cosmologia era idêntica à vigente. Tal qual cristianismo e islamismo, tudo que era estabelecido tinha, com sua corrente filosófica, a mesma natureza de princípios. Sua vertente de uma neosociedade afundava sobre as mesmas bases daquela à qual questionvava com vigor. Tornava-se assim apenas o pregador de uma variante do que já existia, não de uma completa revisão de valores como dizia. Ele mesmo não entendia o que queria ou onde queria chegar, não conseguia ver suas idéias enquanto mesmice, o que verdadeiramente eram. E isso sem contar com as grandes contradições que vinham embutidas em seu sistema, por exemplo: era a favor da tecnologia apenas até o ponto em que ela poderia ir de encontro a seus ideais. Aceitava os avanços tecnológicos dirigidos a tentar salvar o planeta, aceitava-os como auxiliares na busca de conhecimento, aceitava a tecnologia para escutar suas músicas e assistir seus vídeos. Negava-a com ardor quando defendia o retorno ao simples e à natureza. Esquecia-se que as moedas teem dupla face, cara e coroa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-w3aeEOAZvrY/TV5jArRwqoI/AAAAAAAAAfY/AcnXNUBXdw4/s1600/BaboonMandrillMouthOpen.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="400" width="267" src="http://3.bp.blogspot.com/-w3aeEOAZvrY/TV5jArRwqoI/AAAAAAAAAfY/AcnXNUBXdw4/s400/BaboonMandrillMouthOpen.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;Não se lembra quando concordou com alguém. Era criticado com tanto ardor quanto semeava com suas críticas. E ao invés então de caminhar no sentido de amenizá-las, fazia exatamente o que esperava de um singelo e inocente ignorante, indivíduo afetado e dogmático em suas próprias crenças, ele revoltava-se ainda mais e mostrava agora os caninos ao abrir a boca e os dentes. Filosoficamente, voltava assim ao estado natural. Utilizava o método argumentativo babuíno. &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;O mundo não havia sido feito para si e a raiva que guardara no estômago desde a mais tenra infância, a vontade de aparecer, ser alguém, ser aceito, ser escutado pela sociedade naquilo que dizia, eram escancaramentos de sua loucura e egoísmo que ficavam cada vez mais claras ao longo dos anos. Jamais falava algo com prudência ou temperança. Era sempre ansioso, superficial e ácido em seus dizeres e comentários. Mostrava sim os grandes erros de uma cultura supostamente ocidental em país tropical, mas fazia-o de forma tão dura, supondo-se sempre correto ante a ignorância dos demais, que chegava a causar ódio nos outros por si. Não se lembra quando concordou com alguém. Era criticado com tanto ardor quanto semeava com suas críticas. E ao invés então de caminhar no sentido de amenizá-las, fazia exatamente o que esperava de um singelo e inocente ignorante, indivíduo afetado e dogmático em suas próprias crenças, ele revoltava-se ainda mais e mostrava agora os caninos ao abrir a boca e os dentes. Filosoficamente, voltava assim ao estado natural. Utilizava o método argumentativo babuíno. Ganhava todas as discussões e debates de que participava apenas pelo cansaço do contra-argumentador que, cedo ou tarde, fatigava sua beleza ao perceber-se discutindo com um indivíduo que desconstruia todos os conceitos estabelecidos do mundo vigente, mas era incapaz de desconstruir seu próprio pensamento, tótem sagrado ao qual venerava com total paixão, ilogicamente. Alguns percebiam tal contradição em usar argumentos para demolir o vigente e escondê-los para manter sua própria filosofia ante um pedestal a ser adorada. De fato, não passava de um falso-moralista. Defendia o sistema, era contra os que governavam. Poder-se-ia compará-lo a outras personalidades da humanidade que teriam aos poucos se afastado da sociedade para montar grupos e núcleos separados dentro dos quais os mesmos problemas da humanidade se repetiam de forma ligeiramente diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;===&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com críticas cada vez mais ácidas em meio a um governo que desrespeitava a população, o afilósofo foi aos poucos conseguindo novos adeptos para suas causas e argumentos de retorno à natureza e de vida simples. &lt;i&gt;A tecnologia vinha gerando cada vez mais desigualdade&lt;/i&gt;, onde tudo estava à disposição do rico e nada à disposição do pobre. Suas palavras vagavam então soltas em uma sociedade onde ao menos não se censurava os pregadores. Décadas em luta permitiram-no adquirir agora ao menos uma metade de uma centena de seguidores, tendo convencido todos a se mudarem para umas terras que houvera comprado nos confins de um sertão. Lá montou uma nova sociedade onde valorizar-se-ia outras coisas, outras vidas, outros empreendimentos. Foram para lá bandos de gentes a populá-la. Voltando então a uma vida pseudo-simples chegou a reinventar a idéia judia dos kibutz e poder-se-ia dizer que era ele o coordenador do kibutz em que transformara aquela fazenda no interior das Minas Gerais. Produziam o suficiente para comer e vendiam em cooperativa determinados produtos à prefeitura da cidade. Este dinheiro usavam para comprar bens que não eram capazes de produzir, como computadores e internet. Continuava pregando o retorno às raízes e o estado de bem com a natureza e era este o ponto central de sua sociedade. Por outro lado, pregava a supremacia do homem sobre a mulher e estava sempre a humilhar cidadãos pela forma como pensavam ou por atitudes supostamente incorretas que tomavam. Instaurou o julgamento sumário dos indivíduos. Em sua sociedade não era apenas o líder político, mas também quem julgava e o líder religioso. Embora sua sociedade não aceitasse a idéia de um deus, tinham um senso forte do misticismo e todas as sextas-feiras se reuniam para falar sobre o inexplicável e venerar em meditação qualquer tipo de força que pudesse influenciar suas vidas e idéias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-4gBwy6A9p0U/TV5lWHSKhvI/AAAAAAAAAfo/wIRun9GqR9o/s1600/GoyaDuelwithCudgels.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="200" width="400" src="http://3.bp.blogspot.com/-4gBwy6A9p0U/TV5lWHSKhvI/AAAAAAAAAfo/wIRun9GqR9o/s400/GoyaDuelwithCudgels.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;Obra "Duel with Cudgels" do pintor romântico espanhol &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Francisco_Goya"&gt;Francisco Goya&lt;/a&gt; (1746-1828), um dos principais comentadores e cronistas do seu tempo. Nesta obra ele representa alegoricamente as divergências entre monarquistas e liberais na guerra civil que acontecia ao norte da Espanha de sua época. Aqui a obra ajuda na representação do duelo entre o líder de uma neosociedade e seu principal seguidor.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Foi assassinado por seu mais fiel seguidor, justamente pelo mesmo acreditar tão fielmente em seus ideais de modificação dos costumes. Aquele quem o seguiu mais de perto e por mais tempo, aquele que mais o amou e que mais o venerou. Aquele quem mais acreditou em todas as suas palavras e todas suas idéias. Este que idolatrava o afilósofo, este que queria tornar-se o próprio, este que acreditava na luta armada, que acreditava na crítica mordaz aos valores estabelecidos um dia questionou o julgamento de uma mulher que nada tinha de problemática e que houvera sido banida da sociedade pelo seu líder. O seguidor protestou em riste, protestou com o punho e a espada, questionou o líder e propôs um duelo, não o mataria jamais à traição. Não tendo mais como rejeitar sua honra, aceitou o embate e pensou que outros o teriam defendido até o último momento, quando o seguidor, mais jovem e viril, enfiou-lhe ao peito uma lança feita de árvores e pedras do próprio lugarejo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve grande comoção sob seu corpo rígido, trespassado por objeto natural, morto em duelo justo entre machos. O novo líder, entretanto, propôs novas reformas, permitia a livre circulação de idéias e criou um conselho para discutir as mudanças de rumos e futuras preservações do local. Foi para sempre lembrado como grande homem, isso sim, mas sua intervenção no mundo havia funcionado apenas para reunir povos que criticavam o sistema vigente. Seu próprio sistema não houvera sido democrático, apenas ainda mais autoritário que os sistemas que se conhecia à época. A sociedade que criou prosperou sim e cresceu, principalmente sob o comando de novos ideais que pregavam justiça e paz ao invés de uma ordem imposta de cima ante critérios arbitrários, esdrúxulos e modificáveis ante o humor do líder que agora descansa e que, muitos duvidam, que o faça em paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(01/08/10)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-996847793260073219?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/996847793260073219/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=996847793260073219&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/996847793260073219'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/996847793260073219'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2011/02/o-lider-e-neosociedade-de-sempre.html' title='O líder, e a neosociedade de sempre'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-e9a7Q9FMBds/TV5iArfHYOI/AAAAAAAAAfQ/EauTQ_6_NMI/s72-c/leader.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-1048392624790054549</id><published>2011-02-12T13:00:00.011-02:00</published><updated>2011-02-12T23:17:24.824-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica social'/><title type='text'>Noite carioca</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-h4QDKAEIShU/TVb-26XR3WI/AAAAAAAAAeY/oWhKwFugbJw/s1600/CAL%25C3%2587AD%25C3%2583ODECOPACABANA.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 245px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-h4QDKAEIShU/TVb-26XR3WI/AAAAAAAAAeY/oWhKwFugbJw/s400/CAL%25C3%2587AD%25C3%2583ODECOPACABANA.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5572921808250854754" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um bafo quente era sentido em toda a cidade do Rio de Janeiro. O sentimento de alívio que sentimos ao entrar no taxi que levava no talo seu ar condicionado misturou-se à náusea do cheiro flatulento oriundo do senhor que o dirigia; ou do último passageiro que retornava de uma churrascaria. Para Copacabana, dissemos. Ainda tínhamos certo receio do que nos aconteceria num taxi na cidade mais violenta do mundo, terceiro mundo em desenvolvimento e desigualdade. Mas conhecíamos aproximadamente o caminho, olháramos nos sítios da internet e estávamos mais ou menos cientes da rota a ser seguida. Para variar, não houve problema. Quando ele parou ali, tivemos que nos  desviar de algumas putas e outros tipos mulambentos que forregeavam pelas ruas da cidade identidade de um país em contradição. A questão do Rio de Janeiro, sua guerra civil, ela resume de forma precisa grande parte dos problemas da atualidade. Estamos noutro século, noutra era, é preciso tomar outros tipos de decisões, não é a repressão policial dura e cruel, injusta, assassina de inocentes que vai resolver o problema. O século XX está terminado. Precisamos, necessitamos, urgimos de uma mudança moral, uma mudança de valores, de idéias, de conceitos ou ambições. Ninguém precisa ser rico, ninguém precisa consumir mais do que um pouco a viver no conforto e sem preocupações. O mundo está acabando, as florestas, os rios, as fontes, a Terra está enfeiecendo às custas da ganância do ser humano. Mas não tem problema, certo? Não estaremos aqui para ver seu fim e fodam-se as próximas gerações. A política brasileira vive e continua a viver da solução paliativa, para inglês ver, solução da classe alta burguesa que não quer resolver de fato, que não quer perder seus privilégios, quer apenas esconder a podridão de um mundo tão desigual: de um lado o carnaval e doutro a fome total. E a merda, solta no ventilador, espalha-se até distâncias desconhecidas. Eis o homem, seu egoísmo, seu antropocentrismo, ele é tudo e tem inclusive a imagem do deus espelhada em sua face narcisística, em idéias e escritos assassinos incutidos covardemente à cabeça das crianças. E mais: para que tantos bens, tanta riqueza? Para que a esbórnia do sexo? Para quê o exagero? O excesso? "Nada em excesso", já se escrevia 3.000 anos atrás às portas do templo de Apollo, onde habita o &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;oráculo de Delfos&lt;/span&gt;, mesmo lugar onde se disse certa vez que Sócrates era o sujeito mais sábio de Atenas, no que ele retrucou que só o era porque admitia o tamanho de sua ignorância. O homem parece ser capaz de enxergar somente aquilo que ele explica, o que ele está preparado para ver. O sábio Sócrates tinha uma apreciação tão completa e rica do mundo, que sabia que nenhuma ciência nunca seria capaz de explicar sequer parte significativa da realidade física ou natural. Ele sabia que seu conhecimento explicava tão pouco do mundo e é hoje ridicularizado por dizer "Só sei que nada sei", logo o homem mais sábio de sua época. Mas a questão era, e até hoje é esta, existe uma soberba do conhecimento que se pensa capaz de explicar tanto, sendo que até hoje só fez pequenas correlações entre fatos e criou-se teorias metafísicas para associar de forma lógica e racional tais correlação. Sim, é bela. A ciência e o bojo do nosso conhecimento consistem em maravilhosas tentativas de compreender o mundo, mas eles jamais podem se pensar completas, perfeitas, definitivas. Não há necessidade epistemológica, tudo é transitório. Não há também nenhum livro do conhecimento ao qual o ser humano seja capaz de ler algumas páginas; e cada vez mais. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;O conhecimento é construído dia após dia, pela descoberta de novas correlações entre realidades físicas e a construção de teorias absolutamente metafísicas que as expliquem. &lt;/span&gt;Por que a idéia de átomo pode ser mais aceitável ou acreditável do que a idéia de alma? Apenas porque existem evidências físicas e correlações conhecidas que deixam clara que a idéia de átomo não foi refutada pelos dados experimentais. Para questão da alma, ainda há controvérsias relevantes. Na ciência verdadeira, apenas os fatos importam e precisam ser interpretados. A porta se abre e Mariana me cutuca: chega de divagações, já chegamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-tVNQWemhVSc/TVbweHsqD8I/AAAAAAAAAeQ/pO_lECmeI-8/s1600/296px-John_Collier_-_Priestess_of_Delphi.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 198px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-tVNQWemhVSc/TVbweHsqD8I/AAAAAAAAAeQ/pO_lECmeI-8/s400/296px-John_Collier_-_Priestess_of_Delphi.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5572905989170663362" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Uma sacertodisa Pythia (1981), retratada na obra "Priestess of Delphi" de John Collier, pintor inglês que foi genro do naturalista Thomas Huxley (conhecido como o buldogue de Darwin). Na Grécia antiga, o oráculo de Delfos era consultado por quaisquer indivíduos que precisassem tomar decisões delicadas. Este que foi o mais prestigioso e autoritário oráculo dos tempos gregos e consistia, na verdade, da opinião de sacerdotisas pythias em estado de transe. Cogita-se que o transe era induzido por gases que brotavam da terra e eram capazes de conectar as sacerdotisas com o divino. Nesta crônica, o oráculo é lembrado pela inscrição "Nada em excesso" e pela profecia de que Sócrates seria o homem mais sábio de Atenas. Outra das suas mais famosas citações é o "known thyself" ou "conhece-te a ti mesmo". Para mais informações, clique &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Pythia"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;À recepção do evento nos esperavam morenas maravilhosas que nos indicaram o lugar apropriado de nos assentarmos: a saber, ondequer que estivesse livre. O evento era quase luxuoso, mas como estávamos sempre no nosso querido Brasil, num Rio de Janeiro em auge de verão, estávamos todos assim: semi-nus de sandálias. Salve o Brasil! Como conhecíamos poucas gentes daquelas que vagavam por ali, ficamos conversando logo com a primeira pessoa que nos deu alguma moral. Era uma garota, uma mulher linda e sensualíssima. Falava tanto, tão bem, tão ininterruptamente e com tanta naturalidade sobre o sexo que em algum momento chegamos a pensar que fosse profissional do ramo. Na dúvida se perguntávamos ou não, dados tabus sociais que talvez fizessem-na sentir-se ofendida, ainda que a resposta fosse afirmativa, preferimos entrarmos no jogo e falarmos também o que querque completasse e rendesse o assunto. A moça era bastante interessante e tínhamos uma enorme curiosidade antropológica sobre aquela mulher: desejo intenso em entendê-la, entender sua realidade, sua formação, sua construção sociológica. Considerando ainda seu charme dengoso e suas formas físicas, pensei que o melhor meio de estudo seria aquele mais direto e preciso, o da carne, intrusivo, maravilhoso e efetivo método de se conhecer outro ser humano. Mais provavelmente eu seria afogado pela sua volúpia, ainda que não se possa descartar a possibilidade de que fosse a ela a pedir arrego ao fim da noite. Nada disso aconteceu, nem vai acontecer. Não lhe perguntei coisa alguma nem insinuei nada muito exageradamente. E se não o fiz, não foi exatamente por pudor, mas apenas porque ela agora já ia com outro de uma forma ainda mais sensual do que aquela com a qual me tratara e assim uma nova insinuação poderia causar tumulto nesta conflituosa relação entre machos. Esbanjava charme, esta personagem que interpretava tão bem e que mal se sabe se era verdadeira ou falsa. Em meio a tudo isso havia cervejas e cigarros e outras mulheres também. E foram tantas cervejas e cigarros e conversas sobre sexo que em algum momento fui aturdido por um ímpeto de enfado ante as condições das últimas horas, e deu-me vontade de tentar outras coisas, novas possibilidades, outras gentes e situações. Decidimos ir embora. Agradecemos o anfitrião e nos despedimos do avião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então descemos à pé a-té-é a praia e seguimos caminhando pela orla. O calor e o bafo do verão carioca, frente ao mar, às duas da manhã, era suavizado pelo vento delicioso e pela maresia que quase não fedia tanto. Andamos e chegamos a tomar uma aguinha de coco para tentarmos ver se conseguíamos continuar nosso caminho. Ela dizia que não estava cansada, e seguia serelepemente ao meu lado na madrugada, excelente companhia. Lembramos de velhas amizades e confessamos dramas do nosso nem tão seleto grupo de amigos. Falamos sobre o Brasil, o Rio, a lua, as belezas da mata atlântica e as condições da vida humana. Andamos até Ipanema a procurar algum bar qu'estivesse aberto com algumas pessoas de boa índole, onde poderíamos tomar uma saideira e, quiçá, uma saideiríssima. Quebramos ali pelo meio enquanto todas as ruas e lugares nos lembravam trechos de músicas populares brasileiras. Pegamos então a rua Vinícius de Moraes e chegamos até a lagoa, onde -- dado o cansaço de nossas pernas, a falta de simpatia pelos lugares atravessados e as colunas em pandarecos -- decidimos dar a noite por encerrada e finalmente pegar um taxi de volta para casa. E então aquele bafo quente que ainda era sentido na madrugada de um sábado de Janeiro de nova década foi parcialmente aliviado pelos ventos frios do ar condicionado do veículo em aluguel, agradáveis sentimentos térmicos que se misturaram à náusea do cheiro flatulento do senhor que o guiava; ou de seu último freguês, a retornar da casa de chucrutes. Para Botafogo, dissemos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;==&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Pós-escrito&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao chegar em casa adicionei-a aos meus amigos eletrônicos logo que deitei ao computador a iniciar a descrição desta noite. Preciso confessar que a curiosidade sócioantroposexológica por aquele indivíduo particular da espécie ainda não foi completamente sanada. Talvez um dia ainda nos reencontremos neste mundão de ateus...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-1048392624790054549?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/1048392624790054549/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=1048392624790054549&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/1048392624790054549'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/1048392624790054549'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2011/02/festa-carioca.html' title='Noite carioca'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-h4QDKAEIShU/TVb-26XR3WI/AAAAAAAAAeY/oWhKwFugbJw/s72-c/CAL%25C3%2587AD%25C3%2583ODECOPACABANA.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-6251987812779330014</id><published>2011-02-06T23:33:00.001-02:00</published><updated>2011-02-09T11:57:29.442-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='surrealismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica social'/><title type='text'>Tá liberado</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/TVKXiAskRWI/AAAAAAAAAdI/tp7G3Cg-VLQ/s1600/policia04.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 213px; height: 155px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/TVKXiAskRWI/AAAAAAAAAdI/tp7G3Cg-VLQ/s400/policia04.gif" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5571682299568997730" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Polícia rodoviária a quinhentos metros, polícia rodoviária a trezentos metros, eu desliguei o rádio, abri o vidro e Bom dia e Documentos e O que o senhor faz e Donde vem e Pronde vai e O que é isso aí atrás. Um violão e uma guitarra. Violão? E guitarra? Mas o senhor não disse que era professor de música, Mas eu não sou professor de música, Então para quê carrega tantos instrumentos, E não posso?, Geraldo, vasculhe aí o violão do rapaz pra ver se não encontra nenhuma droga, nesses jovens de hoje não se pode mais confiar. O outro guarda pegou a guitarra e sacudiu-a ridiculamente, bateu em todas as suas partes com pequenos socos até comprovar de que a dita cuja era tão somente uma Guitarra ao invés de um compartimento secreto para o transporte de substâncias ilogicamente consideradas ilegais. Antes que vasculhasse o violão, entretanto, peguei-o e comecei a cantar uma música, um blues qualquer improvisado em tom de mi maior. E não sei o que me deu que danei a cantar junto, Isso é uma bliz / pare logo por favor / me dê documento com respeito sim-senhor / E essa guitarra o que fazes aí / Só pode ser droga, vamos logo exigir. Os ordeiros olharam-me com espanto e tiveram dúvida se este quem vos fala estava tirando uma com a cara deles ou se era algum tipo de bobo feliz mesmo. Não hesitei e continuei mais uma estrofe, Senhor doutor, tinha droga aí / num fomo nós que botamo / u senhor pode confiri, já tava aí / só queremo um trocado / que é procê pudê partí. Agora não havia mais dúvidas, os moços de uniforme confirmaram que eu estava mesmo era tirando uma com cara deles e começaram a olhar uns para os outros com uma cara de Não, Isso não pode, Isso não é direito. Mas eu continuei mais ainda a cantar e tocar, de fato me divertia em inventar uma canção ali a partir do nada ou de uma insinuação de estresse e ser assim capaz de gerar as mais diversas emoções noutros indivíduos. De fato, eu estava mesmo dando uma de louco e os controladores da moral não iam acreditar que eu não os estivesse provocando. É bem sabido que um homem que carrega uma máquina que pode matar-te a seu bel prazer sente-se bastante sensível às ofensas de outros, mesmo que seja financiado pelo próprio estado que, em última instância, também representa o indivíduo que agora é amolado e que deveria protegê-lo. "Você com um revólver na mão é um bicho feroz", já dizia Bezerra, "sem ele anda rebolando e até muda de voz." Mas não-não, não cheguei a vociferar tal canção, o momento era apenas de uma alegria tensa e não tive o meme bezerral a me açoitar naquele instante. Não obstante, emendei outra estrofe, descendo na escala, e do agudo para o grave continuei, Mas dinheiro / dinheiro eu não dou não / senão cês vão ter mesmo é que tomar no seu butão. Agora pronto, estava tudo feito, armado, concentrado, correto, precisamente observado e testemunhado por mais de 2 indivíduos fardados que eu havia sim atentando contra as Autoridades imposta pelos guardiões detentores do Ferro. E então já me pararam, começaram a gritar, desembainharam o revólver, pediram que eu levantasse os braços, tiraram a correia do violão que ia envolta no meu pescoço com uma violência injustificável, empurraram-me até o carro, mandaram colocar as mãos em cima do teto, revistaram sem delicadeza meu corpo inteiro buscando armas, empurraram-me até um poste, algemaram-me na porra do poste, vasculharam meu carro, mexeram nas minhas malas, deixaram tudo de pernas pro ar, não acharam porra nenhuma de nada que pudesse ser ilegal no carango de pessoa comum que era o meu, reuniram num cantinho pra decidir o que iam fazer comigo, foram lá dentro conferir qualquer coisa com a minha identidade e o meu CPF, deixaram-me sozinho, não me ofereceram nem um cigarro ou café, fizeram-me perguntas como se eu lhes devesse alguma satisfação da minha vida e se eu conhecia alguma pessoa importante, eu disse que conhecia várias, eles perguntaram quem, eu disse: a minha mãe, meu pai, minha madrinha, minha tia, eles me interromperam e falaram que não estavam pra brincadeiras e que eu tinha entendido muito bem a pergunta e que respondesse logo que era pro meu bem, senão eles iam considerar que eu não conhecia ninguém e que portanto isso poderia m'enfraquecer porque agora eles os sádicos poderiam poderão fazer o que quiserem de mim e eu pobre vítima da pseudo-igualdade, pseudo-liberdade e da pseudo-fraternidade já poderia começar a tremer nas bases porque eles iam me deixar em maus lençois, então eu perguntei o que estava sendo alegado contra mim, o que eu tinha feito de errado, porque eu estava algemado num poste se eu não era bandido, se eu não tinha feito nada de errado, se era apenas uma pessoa alegre que gostava de cantar e criar músicas para uma situação, um momento, o que, qual era minha culpa, e assim o guarda ficou um tempo pensando sem sequer se lembrar mesmo porque é que eu estava sendo preso e precisou perguntar pro outro que disse que eu tinha desacatado eles na canção, eu perguntei porque, e ele disse que era por conta da propina que eu sugeri que eles aceitariam e que eu os mandara tomar no botão, mas eu disse que eu não sugeri nada, que eu fiz só uma música pensando numa situação hipotética de um indivíduo sendo preso sem justa causa e encontrando políciais corruptos, mas eu tinha inventado uma estória, eu jamais falei que estava querendo insinuar algo sobre eles, isso não, continuei, não os desrespeitaria assim tão desmesuradamente, não senhor, não eu, pessoa de respeito, eu disse que prezava bastante a profissão de mantenedor da ordem e que achava uma profissão muito nobre, imagine, defender a população dela mesma, realmente uma coisa muito necessária uma vez que tem tanta gente louca e mau-caráter no mundo, não apenas dentro da polícia como em toda a sociedade, inclusive completei dizendo que eu tinha até um primo que trabalhava no ramo, e, o sujeito interrompeu logo, perguntando: um primo?, é, respondi, um primo, trabalha na polícia militar, E qual o nome, Zé, Zé de que?, Zé das Dores, e então foi lá dentro e conversou com um sujeito e com um outro, e então vieram os três, perguntaram mais uma vez se eu os tinha desrespeitado e eu disse que não, imagine, disse de novo tudo com ênfase e tentando evitar qualquer tipo de cinismo que me atiça naturalmente e aí eles olharam entre si e bem e balançaram a cabeça afirmativamente e decidiram me soltar, devolveram-me os documentos, não cobraram nenhum tostão, deram umas recomendações carolas sobre meu comportamento e finalmente um deles disse, Percebemos que o senhor é mesmo uma pessoa de bem, enquanto outro pegou o meu braço e foi m'encaminhando pro meu carro dizendo ao meu ouvido para que da próxima vez eu não fosse tão alegre, finalmente o terceiro deu-me um tapinha-quase-empurrão nas costas e disse com autoridade: Tá liberado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-6251987812779330014?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/6251987812779330014/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=6251987812779330014&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/6251987812779330014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/6251987812779330014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2011/02/ta-liberado.html' title='Tá liberado'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/TVKXiAskRWI/AAAAAAAAAdI/tp7G3Cg-VLQ/s72-c/policia04.gif' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-400605270313265206</id><published>2011-01-19T19:19:00.002-02:00</published><updated>2011-02-01T11:20:57.683-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sonho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='lirismo'/><title type='text'>O acordar lírico</title><content type='html'>&lt;br&gt;É dia, o sol brilha. Deitada no sofá da sala sem quê nem porquê, a garota questiona se tudo aquilo houvera realmente acontecido. Posto que não poderia, não podia, não estaria dentro das leis do universo que aquele tipo de coisa pudesse acontecer com seres humanos e que sua consciência pudesse ter sido assim ampliada, expandida ao mais alto grau de bem estar e satisfação. Não poderia isso acontecer apenas devido a conexões físicas e psicológicas com outro ser humano qualquer, ainda mais com Aquele que praticamente viera de conhecera e que, de fato, parecia nada significar para si até tão pouco tempo atrás. Teria sido mesmo verdade?, teria acontecido?, perguntava-se e nessa pergunta feita e refeita e trefeita passou toda a manhã em meio a lembranças que alvoroçavam seus sentidos e por vezes traziam de volta o sentimento de Completude e Êxtase que houvera sentido naquela noite e que agora a reassaltavam tal qual nos filmes, quando está uma pessoa a pensar e então aparecem trechos esparsos da cena que vivera há pouco ou até mesmo vidas atrás, pois bem se sabe que a Vida de alguém consiste na verdade de várias vidas superpostas que se renovam e renascem, todas contínuas, todas diferentes, todas seguidas de um fluxo inexorável; escravas do que chamamos de tempo. Vida de vidas, única e múltipla ao mesmo tempo. Mas havia Sim tudo acontecido e havia sido Sim daquela forma que agora se lembrava e se acalentava, porém não exatamente, não, não exatamente porque bem se sabe que as lembranças de qualquer pessoa são de fato selecionadas por tudo aquilo que a pessoa era ou deixava de ser ao longo de sua vida, o sujeito, a biografia do sujeito, seus medos e aflições e angústias não só moldavam seus circuitos neuronais como eram moldados pelos mesmo através de interações ainda desconhecidas por nossa vã filosofia. Era uma nova pessoa, metamorfose do self, metamorfose de si mesma, enchera-se dele e transbordava de vida e paixão, respirava em suspiros e ainda não conseguira se concentrar em nada que não fosse apenas a lembrança da noite e de seus sentimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/TUgDPsrEbSI/AAAAAAAAAco/-BIehhqG8RU/s1600/Hall%252CBernard-theSleepingBeauty.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 225px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/TUgDPsrEbSI/AAAAAAAAAco/-BIehhqG8RU/s400/Hall%252CBernard-theSleepingBeauty.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5568704507468344610" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;The sleeping beauty, obra do pintor francês Henry Caro-Delvaille (1876-1928), que parece retratar a protagonista deste conto a sonhar com o amado e suas últimas desventuras a inundarem su'alma de um lirismo mágico e delicioso.&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Também nele, neste instante sentado à frente de uma tela de computadores e verificando suas mensagens eletrônicas enquanto soltava palavras brutas em meio à tela, num frioseco de sala de escritórios, a lembrança do ocorrido saltava aos olhos e à cabeça e ao membro e ao corpo inteiro e mente. Não duvida como ela do acontecido, espanta-se apenas da intensidade do mesmo uma vez que tudo havia sido assim tão inesperado e as coisas haviam dado muito mais certo do que qualquer tipo de previsão. A magia do que é real perpassa sempre o mundo do imaginário, e apenas algumas vezes é tão melhor do que o primeiro. Qual a surpresa?, qual o bem estar?, qual o mundo. Pensa-se e é pensado que o mundo seja mesmo cheio de surpresas e que justamente esta criatividade do universo que o torna Mágico e Belo; que o faz desencaixar deste tropeçar ansioso da sociedade moderna no ir e vir e produzir e fazer e ser e ganhar e vencer, coisa que não se entende quem da poesia se torna filho e pai, mãe e próprio, suficiente, self, ego, eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas fronteiras do que um dia sonhou em ser mas que hoje não mais se encaixa no sonho infantil, ela treme ante as novas possibilidades e torce sem esforço para que desapareça a lembrança e o rapaz de sua frente posto que tal instabilidade d'alma não está preparada a enfrentar. Entretanto, no fundo daquilo que considera ser si mesma, mistério em eterna construção, quer apenas ampliar aquela idéia, trazê-la para junto de si, transformar-se nela, ser uma outra, ser livre, ser humano, ampliar e suprir este desejo que é do que vale a vida, respirar com vontade e não com preguiça ou medo. Em sua mente que baila ante o corpo esparramado no sofá, as idéias são apenas um tipo qualquer de borro fundo e manchado que nele foram capazes de se expandir e que nele continuarão marcadas para todo o passado, presente e futuro. Coisas tão intensas como estas, acontecimentos eternos ou &lt;span style="font-style:italic;"&gt;singularidades sentimentais&lt;/span&gt;, não são assim capazes de desaparecer de hora para outra, nem mesmo em questão de dias ou semanas ou meses ou anos; e enquanto titubeia se para ele não teria sido mero farfanear de asas à meia noite. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;O outro enquanto mistério.&lt;/span&gt; Teria tudo assim sido, para ele, tal qual evento corriqueiro que se faça e que seja assim feito um dia depois do outro com diversas pessoas e gentes de formas assim tão superficiais ou mundanas? Enfim conclui que Não, que assim não poderia ser porque experiência como aquela não se tem e não se tinha ninguém, todo dia, ou com qualquer pessoa. Não era Aquela tipo de experiência alguma esta que se vivia assim soluariamente, não aquela, pois se assim fosse, explodir-se-ia em sentimentalidades íntimas, em conhecimento do mundo e do íntimo das pessoas, nem se fosse profissional não se verificaria tal rompante lírico com muita frequência, posto que há coisas que a profissionalidade esconde e robotiza, transformando em simples gralhas o que antes fora &lt;span style="font-style:italic;"&gt;poesia&lt;/span&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É hora, precisa sair do seu sonho e voltar à realidade, o relógio taquetiqueia dizendo que não pode ficar ali esparramada na lembrança e na vicissitude de um sonho, de um dia que não deveria ter existido ou que deveria Sim, ah se deveria, dia em que o universo todo houvera conspirado desde muito para que acontecesse e se celebrasse em seu favor, depois de tantos revezes. Houve o Seu dia, dia perfeito e imutável que se pudesse repetiria em sucessão até o fim. Haveria inclusive de anotar a data e então passar a comemorar seus aniversários, pois fora aquele o grande dia em que se abrira para o mundo, talvez pela primeira vez em tamanha plenitude, dia de renascimento aflorado pela total entrega e pela mais completa e deliciosa recepção do outro, do humano, da confiança, do mundo, das coisas, do bem e do amor, sim, do amor. Levanta-se e então balança a cabeça para afastar pensamentos recorrentes, alonga os braços para cima e respira fundo, tem mesmo que Gritar para se ver então livre do mundo lírico em que se encontrava e agora está quase refeita pronta para o mundo. Estará mesmo? Corre para o quarto e veste-se de roupa chique, no banheiro se maquia apenas ligeiramente, posto que este é seu estilo, este agora é seu estilo, quer ser mais natural, quer sentir-se mais humana, quer mais amor e mais Sexo, mas apenas do Bom, do eterno. Olha no espelho e vê-se ainda pela metade no mundo lírico, não conseguira acordar, conseguiria? Grita ainda mais forte e vê que está quase lá. No espelho, repara agora em detalhes e acha-se linda, como um dia ele a houvera visto, em idiossincrasias que lhe davam personalidade e leveza, ele que soubera buscar em si o que ia apagado há tanto tempo. Solta os cabelos e, pela primeira vez em muito tempo, sente-se livre para usá-los dessa forma. Ela não é mais a mesma. O relógio toca, despertador da hora-máxima-permitida e então não há mais jeito, não há mais como, é preciso ir e ir e ser e trabalhar e voltar à roleta russa da sociedade moderna. E então corre, ela corre para a porta e abre-a num vigor e pressa de quem teme voltar para o sofá e ficar apenas nua, sonhando por mais tempo. É apenas o que queria. A porta então se abre e se fecha num grande estalo. Leva as mãos à cabeça na ânsia de voltar. Ainda não está livre, pode ter esquecido algo importante e ser obrigada a retornar, no que pode ser engolida novamente pelo sofá-dos-sonhos. Confere sua bolsa, tudo deveria estar lá. Está tão ansiosa que mal consegue conferir a bolsa. Na portaria, respira fundo e toma-se de calma, lê a bolsa e verifica que nada houvera esquecido. Só agora respira mesmo em paz e assim vai tomar conta de seus afazeres, sem conseguir afastar de si por completo o mundo lírico. Uma vez tendo-o visitado, ele entrou dentro de si, ele jorrou dentro de si e ela agora é também um ser Mágico. Está noutro plano, noutra onda, noutro contexto que a enriquece sim, mas que a afasta deste mundo de carne-e-osso dos ratos humanos: acéfalos, insentimentais. O que será de si? Ela não sabe e ao dirigir para o trabalho apenas deseja que todos algum dia possam experimentar esta leveza e este sonho que se apoderaram de si desde aquele dia, aquela noite, aquele homem e aquela riqueza sensorial e sentimental. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;02/02/2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-400605270313265206?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/400605270313265206/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=400605270313265206&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/400605270313265206'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/400605270313265206'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2011/01/o-acordar-lirico.html' title='O acordar lírico'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/TUgDPsrEbSI/AAAAAAAAAco/-BIehhqG8RU/s72-c/Hall%252CBernard-theSleepingBeauty.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-3732940466059288619</id><published>2011-01-10T02:35:00.001-02:00</published><updated>2011-01-15T22:22:16.520-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='moral'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ensaio'/><title type='text'>A metamorfose do Narciso em Frankenstein</title><content type='html'>&lt;br&gt;Houve um dia em que vivi a epopéia de Narciso, saga do homem pela consagração de sua própria beleza. Neste dia, vi refletida na podre água do rio das Velhas a minha imagem, que brilhava em uma suposta perfeição, erudição e bo'estética. Achei-me então o centro do mundo e a convergência última de todas as coisas. Tudo passava por mim de alguma forma e eu era responsável pelo sucesso de todos os outros, enquanto seus revezes tinham a ver com aquilo que me negava. Houve um tempo em que eu mesmo era o maior modelo possível da perfeição humana -- segundo meus próprios critérios, evidentemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/TTInJADnJxI/AAAAAAAAAcM/tgNOFwL_Mvk/s1600/Michelangelo_Caravaggio_065.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 330px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/TTInJADnJxI/AAAAAAAAAcM/tgNOFwL_Mvk/s400/Michelangelo_Caravaggio_065.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5562551525343438610" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Narciso (Narcissus) acima é obra do mestre italiano Michelangelo Merisi da Caravaggio (29 September 1571 – 18 July 1610) executada por volta de 1597-1599. Representa o mitológico herói grego Narciso a observar e se apaixonar por sua imagem refletida em um espelho d'água. Esta é a primeira auto-visão do eu-lírico desta crônica.&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Este tempo passou. Não sei exatamente como passou, talvez pela humilhação sofrida em países estrangeiros ou por pequenos fracassos da vida cotidiana que acabam mostrando ao Narciso que sua beleza não alcança tão elevadas proporções. Na ciência sabemos que quando os fatos negam a teoria, é preciso trocar a teoria ao invés de esconder os fatos. Então este cientista viu-se finalmente humano, demasiado humano, errante, pessoa, ser, indivíduo que é belo sim, único em sua essência, mas que não é de forma alguma melhor do que outros indivíduos que vão por aí. O que é ser melhor? Qual o critério de excelência ou beleza que devemos usar? De fato, o índio talvez seja o "melhor" humano, aquele que mais respeita a vida em todas as suas formas, que não contribui para a morte ou para a insustentabilidade da vida. Outra vida há de nascer, afinal, dirá o urbanóide. A vida sobreviverá apesar das mudanças do homem; porém de forma diferente e provavelmente mais sombria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Há tantas pessoas que me cercam que são tão lindas, que são tão inteligentes e tão sábias! Como se pode querer ser o centro do universo? Como posso querer eu influenciar essas pessoas em todas as suas virtudes? São elas que me influenciam. São elas que me transformam no que sou. E também eu as influencio, de forma recíproca, não-direcionada, imprevisível e complexa suficiente para possamos chamá-la de mágica. O meu reflexo nas águas do rio é de fato um mosaico de todos que por mim passaram, de todas as boas influências que recebi das mais diversas pessoas, seja ao longo de anos ou em uma simples conversa-fiada na fila do banco. Eu sou todas essas pessoas, umas mais, outras menos, eu sou meus pais, eu sou o que de melhor consegui absorver deles e de toda a minha família e meu círculo de amizades. Eu sou um círculo virtuoso dos meus melhores amigos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/TTIpS3YqQDI/AAAAAAAAAcU/1xSJSWrw27Q/s1600/Metamorphosis_of_Narcissus.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 262px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/TTIpS3YqQDI/AAAAAAAAAcU/1xSJSWrw27Q/s400/Metamorphosis_of_Narcissus.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5562553893837750322" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"A metamorfose de Narciso" é uma obra do célebre pintor espanhol Salvador Dali (1904–1989). A obra de 1937 empresta seu nome a este ensaio que representa a transformação do eu-lírico narcisista em uma miríade de possibilidades shelleyriana.&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Aprendi ainda, ao conviver com os outros, o que em mim era bom e virtuoso e o que era mau. O espelho do outro permite uma apreciação menos pessoal de si mesmo. Do que vi neles e achei bom, procurei aproximar-me cada vez mais. Já do que era mau ou feio, esteticamente desagradável, e que também vi em mim, procurei afastar-me. Não sei se os melhores exemplos que tive na vida foram os positivos ou os negativos. Às vezes é mais importante entender o que não se deve se tornar do que compreender exatamente o que se tornar, ou de quem seguir os passos. Temos miríades de ídolos e nossa idéia é sempre nos aproximarmos deles da melhor forma que pudermos. E essa miríade de ídolos e vilões que nos forma como somos, que nos faz indivíduos; é isso que aparece ao espelho quando se olha com atenção. É o que aparece mais precisamente nos filmes de nós mesmos. Somos Frankesteins de nossas mais virtuosas influências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;E a cada dia que passa parece que a maturidade nos faz ser capaz de distinguir melhor e com mais prudência e responsabilidade o que podemos e devemos ser, como nos devemos comportar para que passemos esta vida de forma digna e prazerosa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/TTIrcwDkwGI/AAAAAAAAAcc/H5nkP8rjZ10/s1600/frankenstein_de_niro.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 298px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/TTIrcwDkwGI/AAAAAAAAAcc/H5nkP8rjZ10/s400/frankenstein_de_niro.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5562556262692208738" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;blockquote&gt;Robert de Niro enquanto Frankenstein, na adaptação da obra de Shelley para o cinema. Frankestein é um indivíduo criado a partir de diferentes partes de diversos indivíduos. Aqui, o eu-lírico passa de um ser narcisista a outro capaz de identificar em si as mais diversas influências psicológicas de outras pessoas com os quais convive ou conviveu. Entretanto, o Frankenstein deste ensaio é diferente: ele é formado pelas partes mais virtuosas e belas dos outros indivíduos dos quais o eu-lírico torna-se o conjunto das partes. Isso, de certa forma, ainda o torna razoavelmente narcisista, mas um narcisista capaz de ver a beleza não apenas em si, mas também nos outros e nos reflexos de outros no self. Convida-se ao leitor imaginar então o mais belo Frankenstein que puder de forma a terminar imaginativamente a presente leitura.&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Pensamentos associados:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por vezes encontrei alguns que eram o extremo de algo que anteriormente eu achava bom. E ao ver quão podres eram em suas soberbas, desgostei deles e desgostei do que havia deles em mim. Assim acendi em mim apenas as chamas do que considerei belo, fogo que me esforço para manter acesso tal qual pira olímpica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Mais alguns: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Agora penso mais claramente que o narcisismo vem de uma falha sensorial, uma deficiência na percepção do próximo, da beleza do próximo e da influência do próximo em si. O Narciso é incapaz de enxergar virtude estética ou até moral no indivíduo alheio a si e a beleza que enxerga, quando o faz, consiste apenas no reflexo de algo que já está encerrado em sua própria beleza enquanto indivíduo. Assim, apenas o que parece consigo é belo e toda beleza vem de uma herança-de-si, epicentro da virtude. Mas o narcisismo pode até mesmo ser considerado um problema psiquiátrico, que é a falta da relativização, a falta de colocar-se no lugar do outro para entender o papel dele na sociedade. Inclusive este tipo de pensamento de "colocar-se no lugar do outro" parece ser algo particular ao ser humano que, por mais que tenha esse sistema defeituoso, em diversas situações é capaz de usar essa arma mental para prever acontecimentos futuros. Parece-nos que outras espécies animais são incapazes de fazer este tipo de deslocamento do self...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;E ainda outros:&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma questão interessante: supostamente as pessoas imaginam um mundo em que os outros cidadãos sejam como si ou que sejam diferentes de si? Parece que na sociedade urbana de hoje normalmente acredita-se que as pessoas em geral sejam normalmente mais ignorantes do que o indivíduo que pensa ou julga. Este também é um reflexo do narcisismo, pensar-se superior à média dos seres humanos. Em que se é superior? Por que usar o critério que se escolhe para julgar? A baleia dirá que é a maior espécie viva na terra. O homem dirá que é mais inteligente enquanto o rato dirá que gostar de queijo seria o critério de valoração.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-3732940466059288619?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/3732940466059288619/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=3732940466059288619&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/3732940466059288619'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/3732940466059288619'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2011/01/metamorfose-do-narciso-em-frankenstein.html' title='A metamorfose do Narciso em Frankenstein'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/TTInJADnJxI/AAAAAAAAAcM/tgNOFwL_Mvk/s72-c/Michelangelo_Caravaggio_065.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-469329942184613800</id><published>2011-01-03T20:36:00.001-02:00</published><updated>2011-01-15T20:56:15.285-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='lirismo'/><title type='text'>Resposta</title><content type='html'>&lt;br&gt;Jamais me preocupei com teu casamento e sempre soube, desde o início, que não aguentarias conviver com aquele sujeito. Não para sempre, ao menos. Bem sabes que ignorei solenemente a cerimônia e todas as pompas, não tendo me prestado sequer a receber teu convite; quanto mais comparecer à cerimônia. Jamais quis ser teu amigo e o sentimento que guardo por ti é muito forte, porém diferente. Eu poderia até querer ou gostar de ser e ter-te por perto, mas o fato é que não sou assim tão forte a segurar meus mais profundos instintos ou sentimentos estéticos para contigo. É fato que quando te vejo ou escuto ou faço qualquer coisa que me lembre a ti, tenho esse remorso, volta-me um gosto amargo à boca, uma vontade de fazer sabe-se lá o quê, uma vontade de ter feito algo mais. Mas nem tanto, no fundo estou convicto de que fiz o que pude até o limite da minha auto-estima ou sensibilidade humilhatória e a decisão foi totalmente tua, esta responsabilidade existencial de ter escolhido casar-se com outro. Sei que estás segura hoje desta decisão, mas sei também que matutarás ao longo dos anos, sabes que hoje casa-se e descasa-se com exímia facilidade, fostes na direção do que a sociedade e família te disseram, não te culpo. Lembres entretanto que não serei teu eternamente, mas serei eterno enquanto durar; quiçá enquanto durou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Esta mensagem que agora recebo só pode ter saído de um dia de fúria com teu esposo. Não se oferece casamento a outro antes de ter desmanchado com um, não se o diz que ama, que te arrepende, que sabes que cometeste erros. Espera-se um pouco. És muito ansiosa. Acalma-te. Não venha assim agora dizer que me amas, não desta forma, jamais tivestes qualquer tipo de responsabilidade com meus sentimentos; e mais uma vez o demonstras. Convenhamos que és egoísta e estou mesmo a esperar nova mensagem amanhã a dizeres que não era bem assim, que tudo fora dito em um momento de embriaguez e que eu deveria, devo e deverei esquecer tudo. Não será sequer necessária tal mensagem, sei que não mandarás porque jamais respeitou a mim ou aos meus sentimentos. Já sei, saberei e entenderei, não terei levado mesmo a sério o que dissestes. Sei que escreves como quem joga palavras no ar, mas cuidado!, as letras são eternas e eu bem poderia mostrar essa carta a... não se preocupe, não farei nada disso. Apenas respira e tenta te recompor, reconstrói-te. Será que estivestes mesmo consciente e ciente do que representa o que m'escrevestes? Creio que não. Temo que sim. Não se termina uma história de amor num dia e se começa outra, noutro. Dá-se um tempo, respira-se, pensa, medita, viaja, encontra, fica, beija, transa, fica mais, vê se gosta. E só então resolve. O que te deu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Temo dizer que te quero sim, que sempre te quis e que sempre vou te querer. Eu acho. O que sinto por ti não me parece efêmero, é perene o sentimento, ele é como o rio que passa na Amazônia e que nunca seca. Às vezes que nos encontramos: as poucas, as muitas, as imemoriais, as ilembráveis e as inesquecíveis. Tudo está aqui guardado nessa caixa corpomente que sou eu, que é minha memória e a modificação de tudo que nos aconteceu, misturada aos meus sonhos e à lembrança dos meus sentimentos. O quanto te amei não poderá ser substituído por nada no passado, presente ou futuro. Isso está solidificado na história do universo e quando o mundo ressurgir também este amor novamente florescerá. Este amor que tive por ti ainda existe em mim enquanto um tipo qualquer de sopro a invadir minh'alma. Não te desesperes, isso não é um não. É só um não-agora. Agora não posso. Estou assim, com tantas coisas a fazer, e num período difícil da vida. Tenho até outra que penso que amo. Penso. Enfim, venha vir, venha ver, venha conversar e dizer e falar e beijar e amar. Já disse que não se resolve essas coisas assim, de pronto, como se fosse tipo qualquer de contrato. Percebas: nem sei se conheço-te ainda, nem sei se continuas sendo a mesma menina-mulher que um dia fostes e que um dia maravilhou minha vida ao torná-la tão mais brilhante e agradável e vida e deliciosa e... Não sei quem és agora que anos se passaram. Não sei o quanto daquela que amei e que amo em lembrança ainda está incrustada em teu corpo e tua mente. Não sei, não posso dar-te nenhuma resposta afirmativa ou negativa ou definitiva porque as coisas de amor não funcionam assim, não comigo. Sei que corro o risco de perder-te com esta resposta, mas já te perdi uma vez quando o sentimento que tinha por você era quase maior do que o mundo. Sabes o quanto me magoou e o quanto rebolei para me curar do pensamento em ti. Anos mais tarde, tudo isso se acalmou e ainda que eu te queira, ou que eu queira ficar contigo, não posso assim decidir isso como se decide almoçar no Bolão ou no Beirute. Há muitas coisas envolvidas e esta tua explosão de sentimentos e sinceridades é bonita, mas é ligeiramente infantil, adolescente, imatura. Se me queres mesmo, apareça, ligue, encontre-me e me ame com toda a vontade do mundo. Mas não se decide desta forma, talvez precises de um psiquiatra. Eu não sou profissional, mas poderia dar-te uns conselhos que talvez funcionassem, ao longo de anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;De fato, jamais t'enviarei esta mensagem. E sei que jamais voltarás a me contatar. Será? E se assim for: que destino, este nosso!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-469329942184613800?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/469329942184613800/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=469329942184613800&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/469329942184613800'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/469329942184613800'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2011/01/resposta.html' title='Resposta'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-3480141329949653013</id><published>2010-12-31T07:45:00.004-02:00</published><updated>2011-01-09T03:09:50.713-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ensaio'/><title type='text'>Dois mil e desce, dois mil e ouse</title><content type='html'>&lt;br&gt;E o Assange e o Lula e a Dilma e a "crise econômica mundial" e o aumento nos salário deles (nunca o nosso) e a copa do mundo com os amigos e o polvo clarividente e a &lt;a href="http://cienciaonline.blogspot.com/2009/08/paranoia-da-gripe-e-biologia-dos-virus.html"&gt;lorota da gripe suína&lt;/a&gt; e o Venter com seu genoma sintético e a NASA com o DNA de arsênico e o deus que não existe se há terremoto logo no Haiti e o pré-sal que promete desenvolver o país e o desastre do derramamento de óleo e a obamodecepção e o chinês preso ganhando nobel da paz e o outro nobel pra literatura sulamericana e o feicebuque bombando e a ressaca do Avatar e a guerra civil carioca e o meio-ambiente sendo derrotado pela bancada ruralista e o iPad e os documentos abertos e o mundo da informação e o google e a wikipedia e a internet e os blogues e o Paulo Moura e o fluminense e o Saramago e nós, e nós, mein Freund, e eu e você? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que virá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega, chega desse ano, desse trabalho, dessas gentes, desse vai e vem, desse ter que ser, desse desenvolver, desse fazer e acontecer. Chega disso tudo. Estou cansado e quero o ócio, o mais puro ócio, eu quero minhas férias, digníssimas e merecidas, quero poder gastar meu tempo comigo mesmo e com mais ninguém; nem contigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É absurdo que na sociedade moderna as pessoas não gastem mais seus tempos consigo mesmas... Gastam com o desenvolver de seus institutos e currículos vitae que não demonstram nada de interessante sobre si; no máximo demonstram muito pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que se é e o que se pode ser? O que se quer ser, onde se quer chegar e para quê? O que se pensa que se é e o que se é de verdade, aos olhos alheios de outros centrados em seus próprios seres. Quem, quando, como e por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o futuro, o que será? Queremos crescer ou permanecer estáveis? Queremos tranquilidade e estabilidade ou queremos risco e fortes emoções? Vamos continuar nessa vidinha ou vamos dar uma chacoalhada geral para vermos o que acontece, o que pode acontecer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chacoalhemos nossas vidas em pé de estagnação para vermos se dela brota um broto, quem sabe um fruto ou flor qualquer que tragam ou semeiem em nossas próprias almas um gosto mais forte pelo que é belo e por tudo aquilo que possa transformar o mundo num lugar mais gostosinho de se viver. Mas que nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Massacremos nossas neuroses, estas ou aquelas, principalmente as que mais se sobressaem quando mais tentamos escondê-las. Só mesmo os psicólogos para pensar que o subconsciente é mesmo sub. Ele é mesmo super, super-consciente, super boicote que fazemos a ações e pessoas e coisas que nos chocam e iluminam. Qualquer um percebe. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o medo?... Qual é este medo que temos de tudo? Qual é esse mundinho que artificialmente criamos para vivermos dentro dele e que não representa de forma alguma a sociedade lá fora, as gentes e pessoas que vão e que veem. Aqui estamos seguros, estamos aqui dentro, seguros, in-seguros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não entendemos nada e praticamos a soberba do conhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poucos homens pulam de para-quedas do topo do morro ou de suas próprias psiquês. Os instantes que se passa em queda livre, à pura aceleração da massa corporal mais a aceleração da gravidade, dão pavor e liberdade, permitem que nos superemos e aguentemos mais alguns dias, semanas, meses nessa total desilusão que é a vida em sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os idiotas, os canalhas, os maus profissionais, as gentes que estão todas aí e que vão e que vem e que voltam e que se dizem assim mas são assado, e ganham eleições e prometem xis e fazem ipsilon sobre dez, elevam seus nomes sem elevar suas morais e seus povos. A eles estaria fadado o fracasso e a morte lenta, se o mundo fosse justo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até o sexo morreu, está em perigo nas mãos dos conservadores que veem nele não a única saída possível para o drama existencial, mas um poço ainda mais fundo de neuroses. Falo do sexo de verdade, não do sexo pseudo-protegido do carnaval.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero mesmo é dançar um forrozinho com aquela gata, um xote gonzagueano bem xamegado onde nossos corpos se embolarão e se misturarão na pista de dança antes de se misturarem verdadeiramente ao transformar-nos apenas num indivíduo biconsciente. Quero isso o ano inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um ano, um dia, uma hora, um minuto, um segundo. Dois mil e desce, dois mil e ouse.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-3480141329949653013?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/3480141329949653013/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=3480141329949653013&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/3480141329949653013'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/3480141329949653013'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2010/12/dois-mil-e-desce-dois-mil-e-ouse.html' title='Dois mil e desce, dois mil e ouse'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-6334261391593271922</id><published>2010-12-18T20:49:00.003-02:00</published><updated>2011-01-16T01:18:24.585-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica social'/><title type='text'>O sócio-suicídio enquanto catapulta</title><content type='html'>&lt;br&gt;Ganhei duas apostas no jogo da vida e quando a roleta russa deixou de explodir meu cérebro na primeira e segunda tentativas, eu percebi que talvez fosse mesmo o predestinado ou escolhido que todos diziam, desde a mais tenra infância. O gatilho de tudo isso foi meu suicídio social -- antes mesmo da tentativa de morte física -- quando me respeitei ante tudo e todos, tendo acreditado piamente numa moral e uma ética próprios que vinham de algum lugar bem interno do meu ser. Eu apenas sentia e realizava, sem me podar por motivo algum. Como é de se imaginar, tais morais de um humano que se respeita não eram, não foram e não seriam nunca compatíveis com as morais sociais de qualquer época, principalmente daquele início de século XXI onde tudo parecia quadrado, idêntico, globalizado, idiotizado. Tantas várias vezes cometi atentados sociais contra minha própria vida e carreiras profissionais ao agir de forma inapropriada ou dizer o que supostamente não se deveria ser dito e o que era escuso, distinto ou estranho dado os maus tempos e a moral deturpada daqueles que me cercavam. Jamais deixei de seguir uma idéia de pureza, uma inocência aventureira spielbergiana ou a verdadeira força lucasiana, intuição do jedi. Assim, os atentados sociais que cometia contra mim mesmo seguiam-se em contínua ininterrupção, e foram tão insistentes, seguros e repetitivos que eu sempre me surpreendia por não estar em esquina alguma a pedir esmolas. Eu me suicidava e continuava vivo, vivi ainda mais que o gato, com sete ou nove vidas, perdi a conta de quantas vezes falei o que não deveria para as mais altas autoridades e mesmo assim continuei seguindo e aumentando meu próprio estatus de cidadão supostamente respeitável. Estou convicto de que Kafka teria se orgulhado de mim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/TRHuduC49LI/AAAAAAAAAbw/IyjqjUxE30o/s1600/starwars_indianaJones.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 80px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/TRHuduC49LI/AAAAAAAAAbw/IyjqjUxE30o/s320/starwars_indianaJones.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5553482009868301490" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Os filmes de George Lucas e Steven Spielberg influenciaram toda uma geração de jovens com relação ao papel do herói, à crença em uma moral própria e diferente da dominante, à resistência e à confiança em uma força interior oriunda supostamente de nossos instintos mais puros.&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/TRHujzNNYiI/AAAAAAAAAb4/dhLQcaZmm8k/s1600/harrisonford.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 106px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/TRHujzNNYiI/AAAAAAAAAb4/dhLQcaZmm8k/s320/harrisonford.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5553482114332975650" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"Jamais deixei de seguir uma idéia de pureza, uma inocência aventureira spielbergiana ou a verdadeira força lucasiana, intuição do jedi."&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;As explicações para esses eventos de suicídios sem mortes poderiam ser várias. Em primeiro lugar poder-se-ia pensar que teriam medo de mim, veriam a loucura ou genialidade em minhas atitudes e palavras, e temeriam assim minha forma homicida de viver; se eu atentava kamikasemente à própria vida, o que não faria com as vidas deles? Sabiam-me capaz de causar o maior dos escarcéis e sabiam também de minha inteligência e força de articulação conceitual. Talvez vissem em mim a sombra do argentino Guevara que dizia já estar morto mesmo e por isso não tinha medo de nada. Sua sombra sem dúvida me guiara por alguns caminhos horripilantes e emocionantes em certas feitas de uma guerrilha que enfrentei pela ascenção social e pela crítica dos valores. Mas o fato é que eu sempre fora alguém de coração grande, seguia firme sem perder a ternura e na autobiografia das minhas ações tornava-me alguém que era tanto amado quanto odiado; e odiado principalmente pelos principais atores de uma sociedade decadente e ultrapassada. É notório que o círculo dos que me defendiam ou atacavam sempre crescia, e às vezes um dos lados seguia mais firme que o outro; e então a balança se revertia. Não importa o que se faça, só importa se aqueles que te caluniam estejam em maior ou menor quantidade do que os outros. Nunca se avalia seriamente o que alguém já fez e tudo gira em meio a um mundo de fofocas e revezes que estão ligados apenas de forma sutil às ações que se toma ou se deixa de tomar. Não há nenhum árbitro feroz ou único e mesmos os maiores juízes estão apenas a balbuciar impropriedades, protegidos pela tradição e a praça dos três poderes. Outros dos velhos senhores de exímia moral que evitavam em cortar-me as asas da rebeldia talvez deixassem-me viver em sociedade posto que eles mesmos já haviam tido os mesmos questionamentos e, ao contrário de lutar por eles, como eu mesmo fazia corajosamente, teriam preferido a tranquilidade do aceitar social, evitando entrar em brigas morais em nome do que chamaram de viver-bem. Teriam aceitado eles aquele certo grau de hipocrisia que é necessário aceitar quando faz-se parte dos "altos níveis". Viam em mim, assim, um espelho de uma moral juvenil que não mais tinham e que não mais poderiam ter no topo da pirâmide do medo em que eles próprios se colocavam; e se afundavam. E assim admiravam-se que eu não tivesse sido ainda convertido em nenhum tipo de idiota que só sabe bendizer os pobres valores de uma sociedade com tantos erros. A visão de um homem moral faz incrivelmente renascer nas velhas múmias quas'embalsamadas um novo ideal humanista que já se fazia apagado ou morto há tantos tempos. Mas o fato é que eu já mudara de vida dezenas de vezes, fui de contínuo a grande pesquisador e estudioso em países estrangeiros e se me quisessem matar ou assassinar-me socialmente, haveriam os que chegariam em minha defesa a questionar suas autoridades e suas escolhas. Enfim, a terceira e última explicação possível para o êxito do suicídio em vida é este: a legião de defensores. Criou-se então um mito entorno de mim, um mito que eu mesmo ajudara e fizera criar, um mito do herói com mil faces que agora se apresentava de uma forma despojada a criticar os privilégios e defender a igualdade e a fraternidade. E assim eu dizia inconveniências e falava obscenidades que não deveriam ser ditas por pessoas do meu nível, ora que nível, ora que coisa, ora que eu era apenas um acreditar em si mesmo. Digo que este ponto seja o mais fraco porque, no fim das contas, quem está por cima não liga para exércitos formados por aqueles que veem de baixo e são capazes de rechaçá-los de forma não muito dispendiosa ou complicada. Finalmente pode-se considerar ainda que o sócio-suicídio demonstre pelo menos algum tipo de coragem e sinceridade, valores altos da humanidade que hoje encontram-se desaparecidos em um mundo de cagões hipócritas, incapazes de dar qualquer opinião publicamente, capazes de pensar apenas em suas auto-promoções, medrosos dos revezes aos quais poderão ser futuramente acusados ante um mundo em eterna mudança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/TRHtgjfRMiI/AAAAAAAAAbo/jtu3YaGxQow/s1600/Fofoca.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 248px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/TRHtgjfRMiI/AAAAAAAAAbo/jtu3YaGxQow/s320/Fofoca.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5553480959062520354" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;"&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Nunca se avalia seriamente o que alguém já fez e tudo gira em meio a um mundo de fofocas e revezes que estão ligados apenas de forma sutil às ações que se toma ou se deixa de tomar." Obs.: Vide a política brasileira.&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Vale uma ressalva final: note que, de fato, em mim o verdadeiro suicídio teria sido a aceitação de uma completa revolta e de um completo desrespeito por tudo e todos. Tais sentimentos jamais me aventaram de forma completa, posto que sempre estive também presente para defender os bons ideais herdados da cultura ocidental, oriental, indígena, aborígene, urbana, brasileira, cinematográfica ou filosófica. As misturas de todas as morais fez este mundo globalizado onde valores alopátricos se confluem para gerar neovalores morais mesclados, neófitos, ainda em formação, atualizados para uma novumanidade em um novo milênio de informações vazadas e múltiplas, mundo escancarado do qual esperamos simplesmente um pouco mais de paz; e amor. Eis portanto, a função social dos ensaios filosóficos: atualizar o que há de "melhor" (considerado pelo homem, com todos seus revezes) na história e filosofia para o mundo contemporâneo. Salvemos então os ensaístas, nestas tentativas supostamente bem argumentadas de venderem seus próprios (e belos) peixes.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Ingredientes: super-sinceridade, desrespeito a autoridade, ética impecável, bom uso da linguagem e conhecimento filosófico.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-6334261391593271922?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/6334261391593271922/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=6334261391593271922&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/6334261391593271922'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/6334261391593271922'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2010/12/o-socio-suicidio-enquanto-catapulta.html' title='O sócio-suicídio enquanto catapulta'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/TRHuduC49LI/AAAAAAAAAbw/IyjqjUxE30o/s72-c/starwars_indianaJones.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-4031588640680550010</id><published>2010-12-12T07:54:00.001-02:00</published><updated>2010-12-15T23:41:58.964-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ensaio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica social'/><title type='text'>O social como anti-humano</title><content type='html'>&lt;br&gt;Respiro o ar puro do dia. Os pássaros cantam e até o sol que andava sumido, resolve dar o ar da graça. Parece um dia de férias, mas é apenas mais um dia de trabalho: ó céus. Acordo cedo para poder ser eu mesmo antes da transformação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A magia que está por trás do número sete é o que levou alguém a escrever que deus fez o mundo assim em seis dias e só depois descansou. Dever-se-ia ter escrito que ele teria feito o mundo em dois ou três dias e logo depois descansado, no que teríamos uma semana com menos dias de trabalho. Mas precisamos ajudar a sociedade, ajudar nosso estado e nosso país a crescer e se tornar um dos maiores, senão o maior monarca da intemperança mundial. O mundo vive hoje a era do autoritarismo nuclear, a democracia e a igualdade de direitos que é pregada pelas supostamente neutras entidades internacionais vai só até determinados pontos. Não é questão de haver uma igualdade nuclear entre as nações, a questão é que apenas algumas nações escolhidas que apresentam indivíduos supostamente mais racionais é que podem ter a bomba agá. E com isso tem-se o terror, enquanto Israel e os Estados Unidos teem aquilo que seus inimigos não teem e que assim os torna maiores e mais fortes. Os outros não podem ter nada, é a igualdade da fazenda de Orwell onde uns são mais iguais que os outros. Os Estados Unidos são o filho bastardo que a Inglaterra cismou em ter e que está sempre a espantar seu pai europeu com suas rebeldias e ignorâncias, sua explosão do que há de mais puro no humano, em revés à excessiva agarração a valores ultrapassados no velho mundo. Nunca se preocupou, a metrópole, em elevar a educação até a colônia e assim temos países que abundam na ignorância e elegem genocidas ou que impedem verdadeiros pilares da democracia de governar em prol de todos. Vivemos em um mundo de plástico, onde os interesses de poucos superam os interesses de todos. Será que quererão mesmo igualdade e o poder do povo ou será que utilizavam seus discursos apenas enquanto manobras eleitoreiras grosseiras? Um negro e uma mulher são presidentes aqui e ali, continuarão eles com as políticas racistas e machistas? Michael Jackson tornou-se branco e bem se sabe que as mães estão entre os seres mais machistas do mundo, ao encherem de luxo os filhos machos e mandarem as garotas arrumar seus quartos, a cozinha e varrerem o chão sem reclamar. A lei da biologia é clara nesse ponto: as mães são machistas porque as mulheres já estão razoavelmente garantidas no jogo da procriação. Sempre haverão homens -- esses safados! -- querendo reproduzir-se com elas e assim elas não precisarão ser Giseles Bundchens para que a família se expanda em netos e os genes egoístas da família sejam passados às próximas gerações. Já os homens não, muitos deles jamais serão capazes, segundo a lei da natureza, de aceitarem ou terem mulheres que os aceitarão enquanto esposos. Os verdadeiramente bons terão várias mulheres e crias; os verdadeiramente ruins representarão o fim de suas linhagens genéticas. Eles precisarão competir diretamente com os outros machos e não serão eles a escolher suas fêmeas, pois serão eles a serem escolhidos. Senão pelo uso da força, punida hoje veementemente, a maioria dos homens não terá comparsas sexuais posto que são podres e nojentos, erros da roleta evolutiva. O velho Homer Simpson, outrora príncipe encantado, só vai entregar sua filha a alguém de estatus, a alguém de boa índole, de bem, forte, que tenha bons genes e que seja também um bom provedor. Entregará sua filha virgem, a ser então profanada em castidade apenas depois da cerimônia de entrega pública, com a presença de um representante de deus na terra e toda a comunidade a atestar e consentir em graças a união pombal. Ninguém terá nada contra, não se manifestará à hora ou em qualquer momento posterior. Dirão sim e sim, a partir daí estarão entregues a uma nova vida, independente e com o consentimento de todos, inclusive de um fantasma inventado que nada tem a ver com a união de laços civis entre seres humanos. A mitologia grega parece-me a primeira formalização concisa de hábitos e costumes quase-indígenas sobre uma roupagem moderna e idealizada. Temos agora deuses e semi-deuses, cada um com suas temperanças, idéias e comportamentos. Protege-se a água, os céus, o sol, o amor. E aí a vaidade e as guerras e as relações conflituosas entre deuses-e-deuses e deuses-e-humanos. Zeus era só mais um e ainda que fosse o maior não mandava exatamente em tudo ou controlava ninguém nem a todos. A passagem do politeísmo de cunho claramente metafórico e mitológico para a aquisição de explícitos monoteísmos conflitantes -- onde só o meu deus é o único possível existente, e deve-se guerrear contra outros monarcas-falsos dos céus -- foi uma passagem de caráter extremamente &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;mórbido&lt;/span&gt; na história da humanidade. Trocou-se a pluralidade pela unidade, trocou-se o simbolismo pela rispidez da crença no uno que não poderia ser outro e apenas aquele, verdade pronta e acabada a ser engolida forçadamente, sob pena de enforcamento ou fogueira. Deuses que representavam povos diferentes não poderiam ser os mesmos posto que o deus dos judeus teria características de um cavalheiro judeu, enquanto o deus árabe teria características de cavalheiro árabe. Deuses incompatíveis refletiriam culturas incompatíveis que a partir de então considerarão que só o que eles próprios dizem é que é a Grande Verdade, é que se torna a Verdade, uma verdade falsa e inventada que causará guerras e indisposições nas relações entre estados e culturas pelos próximos milhares de anos. A força de uma idéia que causou, causa e causará tanta desavença. E ainda se prega o desvalor ao relativismo cultural, é supostamente preciso acreditar no que é certo e sempre será. E mesmo na filosofia o que importa é o necessário, não o contingente. Busca-se a eternização ante um tempo em flecha ao invés da máxima alegria ante o eterno retorno. Só Nietzsche terá compreendido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/TQil6u3fq7I/AAAAAAAAAbg/HH7o2DaXdBY/s1600/atea.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 352px; height: 165px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/TQil6u3fq7I/AAAAAAAAAbg/HH7o2DaXdBY/s320/atea.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5550868969165925298" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Campanha publicitária da &lt;a href="http://www.atea.org.br/"&gt;Atea&lt;/a&gt; em ônibus de algumas cidades brasileiras. Por que deus não criou o mundo em dois dias e descansou no terceiro?&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Ainda é dia, semana, dia de semana, e preciso trabalhar. Como adiantar o fim de semana e tornar de todo o dia algo mais próximo a um dia de fim de semana? Eis o que se deve buscar, o ócio no cotidiano. Poder-se-ia ao menos ter feito com que este falso deus, criado à imagem e semelhança dos povos, tivesse criado o mundo em três, quatro dias. Ora, se não poderia. Para quê mais? Não é onipotente, o deus dessa gente? Tivesse-o criado em um só dia e descansado seis, se fosse realmente onipotente e consciente, posto que o descansar é ser verdadeiramente humano, é ser verdadeiramente deus. O trabalho e a roda da sociedade que gira e gira sob louros eticamente injustos teem desumanizado nossa gente e todo esse povo. O ser humano é o que é em seus momentos de ócio e de aproveitamento da vida. Sou muito mais eu nos sábados e domingos do que nos outros dias da semana em que preciso me disfarçar de um ser socialmente respeitável no enganador intuito de erigir uma sociedade mais rica. O pensamento moderno culpabiliza o ócio e beneficia o trabalho. Aquele que deixa de ser a si mesmo para transformar-se em instrumento de endinheiramento alheio é o que pode ter tudo e ter mais. Mas o dinheiro não transformará ninguém em melhor ser humano. Enriquecerá e viajará ou comprará carros e aviões e lanchas e o escambal. Mas será desumano por dentro, perderá o que tem de melhor, perderá sua natureza, sua capacidade de simplesmente ser e estar, fora do tempo, em uma eternidade que não ligará para o passar das horas e que estará além do que acontece nos modernos jornais da internet que se atualizam de cinco em cinco minutos. Num só dia lê-se dezenas de reportagens, entra-se no site do jornal pela manhã, à tarde e à noite. Sente-se bem informado, não se percebe a manipulação da opinião que se dá pela leitura do jornal. E esquece-se do mais importante, que é a vida fora do tempo, o aproveitar e carpedinear. A ansiedade da informação será o grande mal do mundo com a internet. E nas rodas de conversa, falar-se-á das mais novas idades enquanto o mais importante será esquecido. É tanta informação que não se dá mais tempo para pensar sobre, é apenas um engolir de dados e reproduzir para mostrar-se atualizado. Os humanos não teem mais tempo nem para amar, ou melhor teem tempo sim, mas não agora, Hoje não dá, meu bem, deixemos pr'outro dia porque tenho que cumprir com meu dever social de trabalho e estudo e o que quer que seja. Então as pessoas casam-se com a sociedade e não com outros seres humanos, os quais encontram apenas quando as circunstâncias estão boas. Faz-se então um amor frio, insosso, quase um aceitar do outro que, se não incomoda e faz as vistas, já está bom. Não se busca mais o amor, busca-se apenas o companheirismo e a catapulta social da união. E eis que o amor moderno é assim, desalmado, triste, ocupado, verdadeiro descaso e um desrespeito sentimental, um simples correr de dias ao lado e, de preferência, não muito próximo. Como alguém, pensar-me-ão, tem tempo para escrever tantas coisas, tanta inutilidade, tantas questões sem pé nem cabeça? Pois que é esta justamente uma revolta contra aqueles que se entregam à sociedade e esquecem-se de suas curtas vidas a cuidar de desimportâncias. Acordam cedo e tomam café e vão trabalhar e fazem mil coisas, milhares, leem dezenas de reportagens para no fim do dia apenas deitarem suas cabeças no travesseiro não a descançar, mas a pensar em outras coisas a fazer: roleta russa em tempo de superinformação. Minha cabeça é leve porque não deixo que os pensamentos me absorvam ao invés de tentar extrapolá-los em força e dureza. Eles é que naturalmente me guiam e não sou eu quem os força a ir onde eles não desejam. Eis um retorno urbano ao natural, ao que nos vai de mais íntimo, ao que nos torna humanos, demasiado humanos. Não sento aqui a saber o que vou escrever ou a planejar tudo de ante-mão, um texto não é o que ele será e sim o que ele se torna enquanto o pensamento vai em ritmo com as mãos, fora do tempo e fora do espaço. Assim é minha literatura e minha vida, carpedinear simplório sem ambições impossíveis ou objetivos bem traçados, ela é um se deixar levar em harmonia e serenidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não, minto, minto a mim mesmo. Estou incluído na sociedade e hoje é ainda dia, dia de semana e a labuta chama, grita, berra, força meus olhos a encontrar o relógio. Já vai, já vai, já vou, estou indo. Respiro mais uma vez o ar puro do dia e escuto outra vez o cantar dos pássaros, é hora de deixar o modo lírico, humano e próprio; é hora de entrar no modo quadrado, forçado, social, científico, acadêmico, universitário. "A leitura do mundo precede a leitura da palavra" (Paulo Freire), mas é preciso ensinar também a palavra, doutrinar ante o conhecimento, eis o dever de quem já muito assim aprendeu. E então a palavra ajudará à ler o mundo novamente, que ajudará a ler a palavra em vórtices incartesianos. Quem viver, verá. Um mundo de antíteses é o que estaremos sempre vivendo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-4031588640680550010?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/4031588640680550010/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=4031588640680550010&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/4031588640680550010'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/4031588640680550010'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2010/12/o-social-como-anti-humano.html' title='O social como anti-humano'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/TQil6u3fq7I/AAAAAAAAAbg/HH7o2DaXdBY/s72-c/atea.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-7058313778517935937</id><published>2010-12-06T01:01:00.002-02:00</published><updated>2010-12-15T23:49:02.698-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ética'/><title type='text'>Ética na padoca</title><content type='html'>&lt;br&gt;Quando entreguei-lhe o dinheiro já sabia que me devolveria o troco errado. Não sei como tive acesso a essa informação futurística, mas de alguma forma pressenti. Cobrou um real a menos, o caixa da padaria. Dois refrigerantes, pães, queijo e um bolo de confecção própria: treze reais, mas cobrou-me doze. Afora a premonição, essa sim incompreensível, a questão moral se deu por três etapas: houve o juízo de valor, depois a vontade consciente em agir segundo o mesmo e, por fim, a ação propriamente dita. A primeira etapa esteve relacionada em compreender (i) a melhor atitude a se tomar, a segunda consistiu (ii) na vontade do sujeito quem vos fala em tomar esta melhor atitude, e a terceira (iii) consistiu na atitude propriamente dita. Nenhum real me fará mais rico e, doutra forma, poderá vir-me assombrar à noite naqueles momentos de reflexão pré-sono onde o filme-do-dia passa em redemoinho ante o cérebro e as cenas do próximo capítulo são preditas em sobremedida. "Não seriam treze reais, senhor?" Devolveu-me então sete ao invés de oito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/TQIq4xqZfnI/AAAAAAAAAbQ/z6f4Zah3Qtg/s1600/1real.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 143px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/TQIq4xqZfnI/AAAAAAAAAbQ/z6f4Zah3Qtg/s320/1real.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5549044845766082162" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"Quando entreguei-lhe o dinheiro já sabia que me devolveria o troco errado (...) de alguma forma pressenti (...) 'Não seriam treze reais, senhor?' Devolveu-me então sete ao invés de oito (...) com uma cara qualquer que talvez o tenha feito a partir de então acreditar mais na humanidade."&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já a premonição, segundo os céticos, jamais se deu. A explicação é a seguinte: na hora em que me apresentou os oito reais, eu tive a impressão de ter imaginado isso antes, mas isso foi apenas um problema no meu cérebro, que parece funcionar razoavelmente bem noutras circunstâncias; simples lapso temporal disfarçado de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;déja vu&lt;/span&gt;. Porém o que se dirá de uma quase-certeza que tenho de que, se o tempo tivesse parado no instante exato em que o sujeito acabava de tomar de mim a nota de vinte reais, eu teria dito sem titubear: "vai me dar oito reais de troco". Não acho que houve nenhuma circunstância propícia para esta previsão, simplesmente a idéia me veio entre esses instantes de entregar nota e recuperar o troco. Não penso te-lo visto remexendo as notas nem tocando na moeda de um real extra com a qual me presenteou em má matemática. Apenas sei que previ e isso me basta, nenhum cético racionalista irá me fazer pensar o contrário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até onde irá minha moral? E se não fosse um real, porém cem ou mil ou dez mil? Devolve-los-ia? Se minha conta hoje tivesse um acréscimo de cem mil reais, eu relataria ao banco? Isso não vai acontecer, posto que se tem uma coisa que as pessoas tomam cuidado, é com o dinheiro. Exceto no Brasil talvez, onde o banco empresta dinheiro e diz que ainda tem, algo como se eu te emprestasse dez reais e ficasse com os mesmos dez reais pra mim ao mesmo tempo; dez reais esses que eu poderia então emprestar pra uma terceira pessoa sem perdê-los ainda. É o milagre da multiplicação de dinheiro, minhas colegas de trabalho. Só é incrível notar que os bancos são capazes de fazer isso com bilhões de reais e os pobres indivíduos como nós restam assim, sem ter nem como comprar suas covas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia deixei meu celular dentro de um taxi ao voltar bêbado pra casa e usar o motorista da vez, um mero desconhecido a dirigir seu carro nas noites belorizontinas. Apesar de minhas contínuas ligações e mensagens, o celular jamais apareceu de volta. E quem se revoltou com isso acabou pegando o real que sobrou do troco da padaria para colocar em uma caixinha pra comprar o próximo celular, enquanto o ciclo do eu-te-engano e tu-me-enganas continuava rodando no Brasil dos desonestos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um amigo disse-me que poderia descobrir por onde andava meu celular uma vez que trabalhava na empresa de telecomunicações, o que, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;ipsis litteris&lt;/span&gt;, significa que nossa vida vem sendo monitorada por tais empresas, que usam os nossos celulares como localizadores pessoais. Já as pessoas usam o celular hoje quase como um bicho de estimação, tamagoshi de adultos que se sentem perdidos ou nus, indefesos sem o companheiro de bolso. O meu, como já relatado, foi perdido e ainda não cheguei a comprar outro. Nem quero. Quero ser livre para andar por onde quiser sem que me venham a monitorar e dizer onde diabos eu me encontro. Acharam o celular lá pros lados de contagem, mas ninguém chamou a polícia para ir verificar se era mesmo o meu, ou coisa do gênero. Só me dá tristeza te-lo deixado com algumas fotos de momentos irrecuperáveis, além poucas doces mensagens de mulheres que eu gostava, vez por outra, de recordar. Isso sem contar com a lista de contatos que agora já não estão tão contactáveis, ao clique de um botão eletrônico. Não importa: a vida é o agora e o passado só existe enquanto lembrança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cara do sujeito da padaria foi de incredulidade. Refez suas contas e viu que eu estava correto, tomou-me então a moeda de um real com uma expressão indecifrável e é possível que a partir de então tenha acreditado mais na humanidade. Ora, que ilusão. Provavelmente pensou que eu era apenas mais um idiota no mundo. Ele tinha toda razão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-7058313778517935937?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/7058313778517935937/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=7058313778517935937&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/7058313778517935937'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/7058313778517935937'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2010/12/etica-na-padoca.html' title='Ética na padoca'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/TQIq4xqZfnI/AAAAAAAAAbQ/z6f4Zah3Qtg/s72-c/1real.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-81228829001470954</id><published>2010-11-30T22:18:00.004-02:00</published><updated>2010-12-15T23:59:09.120-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica social'/><title type='text'>Panancutchanco</title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/TPaG0k0tEuI/AAAAAAAAAao/pMpIzuPwe1U/s1600/escher.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/TPaG0k0tEuI/AAAAAAAAAao/pMpIzuPwe1U/s320/escher.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5545768228949398242" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Este texto tem trechos parcialmente inspirados na exposição de várias obras do artista gráfico holandês &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/M._C._Escher"&gt;MC Escher&lt;/a&gt; que pode ser conferida no CCBB de Brasília até o dia 26/12/2010.&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Abro a geladeira e percebo que sou uma pessoa que não muda, ou que muda pouco. Antes tomava apenas a boa e velha coca-cola, herança de uma década de 80 super-capitalista quando fui infante. Mais recentemente passei a tomar esses novos refrigerante leves que conteem apenas água gasosa com ligeiro gosto de frutas ao fundo. Poucas poucas vezes se viu outro refrigerante em minha geladeira, coisas do neocolonialismo, aquele que disseram já ter terminado. Nada como as mentes das crianças para se colocar caraminholas. Lembro agora daquele interessante artigo da Revista Terra Redonda, onde Renato Flores perguntava com propósito se "São as religiões para as crianças?" [1]. Pergunta-se em adendo: serão os comerciais para elas também? Enfim, tomo sempre os mesmos refrigerantes e penso agora na dona Maria ou no Gerson-Macunaíma médio do meu Brasil-sil-sil que ficam naquela mesmice de sempre, lenga-lenga danada de se acostumar com um jeito fixo e querer sempre assim de ladinho, sabe? Coisa que não leva a nada que não seja a repetição e o enfado, o sorriso falso e prazer desgostoso. Como o refrigerante na minha geladeira que me concerta a homeostase. Mas não era nada disso que eu iria dizer, o refrigerante deveria ser apenas uma metáfora do sujeito que não muda e que vive sempre naquela mesma ladainha soluária. Pois bem, era isso mesmo, já se entendeu. Daí eu quis chegar à conclusão, ao criticar o eu-mesmo que não muda refrigerantemente, que este quem vos fala era um dos sujeitos do outro lado da quadra, outro time: sou metido a ser desses sujeitos que mudam sempre. Isso porque supostamente eu jamais tive muita afinidade com esses caras estáticos que repetem em santidão a ladainha de seus viveres. Encontra-se com eles depois de dez anos e aí? Estão a mesma coisa, falam dos mesmos assuntos e reclamam dos mesmos problemas. Assim eu considerava-me aqueles do lado de lá das redes, pessoa muito mais legal e interessante, saca? Gosto mesmo é dos que revertem os padrões da sociedade antiquada e careta na qual cresceram, viveram e representam; ou representavam. Há tantos erros para se concertar... E quem pára no tempo, pára em muitos aspectos. Ele envelhece com os seus, usa as mesmas roupas d'outras modas, vai aos mesmos lugares, encontra as mesmas pessoas, fala as mesmas abobrinhas, seu tempo parou no tempo; brincadeira de estátua em dimensão einsteiniana não-espacial. E assim os anos vão se passando, um depois do outro. Essas pessoas assim não conhecem mais ninguém, acham que chega de amigos e nenhuma novidéia adentra seu círculo social, vivem viciados nas mais incorretas pseudo-verdades de outrora. Mas e eu? Eu que sou um sujeito legalzão e moderno prefiro viver do jeito maluco beleza ao ficar flutuando em nave de alegrias, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;pluctiplactizuneando&lt;/span&gt; por aí em ambulante metamorfose. Voilà este Rauzito descompassado em uma era onde apenas a podridão impera, onde as pessoas querem apenas seus dinheiros e nomes, não querem fazer nada direito, não teem nenhum rigor, não teem éticas nem morais, bando de porcos carcomidos pelas suas luxúrias e ganâncias. E supostamente sou eu o marrento. Mas não acusemos todos, há quem se salve em meio a todo esse desandamento da cadência vital em um mundo de novas genes e novas tecnologias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas acredite: a ambulante recentemente referida é também estável de certa forma, por incrível que pareça. Aquele que muda sempre acaba nunca mudando, uma vez que o normal para ele é mudar. Entende? Terei encontrado um paradoxo ou será mesmo possível? Perceba: aquele que muda sempre, por seu mudar constante, acaba sendo estável, tendo um movimento retilíneo uniformemente conservador. Será? Ora que sim. Seu instinto consiste em fazer tudo aquilo que sempre fez, ou seja, mudar. Este sócio-mutante igualar-se-á ao conservador que permanece constantemente em casa rezando suas mais sinceras preces a um deus da carochinha(?). Mas não-não, o virtuoso transformador do auto-cotidiano não pode se igualar a esse trambolho memético de tempos passados! Mudemos nossa óptica pensamental e consideremos agora que quem muda, de fato, é o mundo... É o mundo que muda! Ora, é o mundo que é este mudador incontrolável que ninguém sabe donde veio e ninguém sabe pronde vai. Ou sabe? Não sabe! Dirão que sabem, mas não sabem. "I know you don't know/What life is really worth", diria Bob Marley na esplêndida canção "Get Up Stand Up". Quem muda com o mundo e quem a ele segue, persegue, revive, revitaliza, encontra, liberta, entende, ama, este é o novo homem. Quem dele foge perece, aquece, liquefece, desaquece, empodrece; este desvanece. E eu que não sou este que diz ser igual àquele. Eu sou outro, acredito noutras coisas, em ideais que não estão mortos não senhor, que estão por aí ainda a engrandecer o homem, este homem, aquele homem, o verdadeiro, o que está na raiz, o que é fiel e... O homem da raiz era fiel? Não estou certo. Mas que não seja, e que não tenha sido fiel porra nenhuma, foda-se o que se foi, importa é o que será, façamos dele assim agora: isso, brilhante, em foco, feche nele, vá, o novo homem, o super-homem nietzscheneano, o colapso de um tempo, uma áurea, uma rédea, um poço de toda a compaixão espúria que se houvesse contemplado. O homem, o algoz de si mesmo, lobo de seu próprio rebanho, lobo de si mesmo, lobisomem hobbesiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;blockquote&gt;O homem, o algoz de si mesmo, lobo de seu próprio rebanho, lobo de si mesmo, lobisomem hobbesiano.&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;As ondas passadas são traves que se deram sem se romper. As ondas passadas, traves, deram-se sem se romper? As ondas passadas são traves que não se rompem? Quem alcança a compreensão ante a incompreensão é um forte, tentador voraz ante a criação das mais criativas simbologias racionais. Eis o cérebro humano. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Eis a ciência, pura simbologia racional.&lt;/span&gt; Observa-se o mundo, complexo, inexplicável e não se acanha. Vai-se em busca, procura-se saber. Junta-se as mais difusas informações e cria-se uma explicação lógica e racional, arcabouço conceitual que será incorreto? Ou não? Por que o mundo é assim? E supostamente o homem agora se encontra no conhecimento, na ciência, na tecnologia. Ele se olha no espelho da águas e Narciso vê sua própria imagem refletida, deus-do-gênesis, ao repetir: foi bom. Eis o homem que trocou o velho de barbas pela ciência, eis o super-homem, o homem voltado à ciência alegre, ao bem viver, à graça do saber, à &lt;span style="font-style:italic;"&gt;libido sciendi&lt;/span&gt; [2]. Não, mas não é ele, caro Frederico, vejo outro, vejo seu revés, vejo aquele que se traveste do virtuoso e que de fato preocupa-se apenas com seu estatus, senhor, preocupa-se apenas com seu poder, é Narciso, senhor, é Narciso novamente. Ele não acredita, não-senhor, não acredita verdadeiramente na ciência gostosa, no prazer de conhecer, ele trata seus conhecimentos, senhor, trata-os de de forma tão profissional, impessoal que as vezes precisa até mentir e manipular os dados, acredite!, acredite?!, para se obter "a boa história a se contar". Onde está a moral do homem, senhor? Ele acredita então nessas cegas histórias e defecaeanda para a verdadeira verdade? Então a ciência é isso? Então a ciência é esse fingir de dados e pessoas apenas para elevar seus egos? Ora, é isto a ciência? Será mesmo isto? Não, mil vezes não! Prefiro acreditar que "não é o que não pode ser que não é", acreditar que aqueles com os quais m'encontrei consistem em exceções; super-exceções, farsas e sombras imperfeitas do ideal do cientista fora da caverna. Não serão estes fraudadores que estarão por aí mandando e desmandando sob a pena do autoritarismo em todos os lugares? Não, aqui há uma exceção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muda, mudo, modo, medo, mido; e fico a mesma coisa. Quem faltou? Escher terá escrito literatura? Revolvo, colho, perdoo, voo, brinco e pouso num ponto oco, fosco, tosco. Gralho e ralho, pinto é o caralho, e quando acordo da ilusão estou de volta no sufoco, oco sufo. Oco sufo num pinhá, agora penso musicalmente, faço alegorias com as notas da minha guitarra-tarra-tarra matracatá. Onomatopeio uma crônica sem mais nem porquê, não sou filho de sinhá nem o barão me pariu. Quê, faltou o quê, quê-quererê-quê-quê, disse o galo na última cacarejada da noite ou do dia, que vinha, que ia, que cria e subia e tingia e mudava e pulava e cantava e gritava e dava cacetadas no bumbum da moça, bonita moça, que moçoila, que delícia de pedaço de mau caminho, que mulher, que putaqueopariu, que desrespeito com a estética das outras! Mas não, chega hora que é preciso parar, avança-se e para-se e anda-se e levanta-se e caga-se e então manda-se tudo à merda porque da merda viemos e para a merda iremos, ou será que não? "O que será que será? Que me bole por dentro, que me sacia, que é feito estar doente", com anemia, a letra eu não sabia, será que será, "que será, que será, será que estúpida retórica terá que soar, terá que se ouvir por mais zil anos?" Podres pobres poderes perdidos por portas e pontas e pintas e pentas e hexas e heptas e o Brasil-sil-sil está mais uma vez na copa do mundo que será aqui e será nossa, com brasileiro não há quem possa, guerreiro estação do ouro, é bom de bola, é bom de couro mouro crioulo louro estouro da boiada no centro-oeste do país. Exagero é tempero de bloguero sem juízo, sem tática, sintática e semanticamente destroçado pelo tiro de um circo, crico, critico crítico que és tu que me julgas quando melês, mela-se, panela, pá nela e como não poderia deixar de ser, putaquêoêopariu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;===&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;[1] O artigo "São as religiões para as crianças" saiu como capa da Revista Terra Redonda número 1, ela pode ser acessada neste &lt;a href="http://issuu.com/ceticismoaberto/docs/rtr01"&gt;link&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;[2] Conceitos retirados de "Gaia ciência" (Nietszche) e "A ilusão da alma" (Eduardo Gianetti).&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-81228829001470954?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/81228829001470954/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=81228829001470954&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/81228829001470954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/81228829001470954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2010/11/panancutchanco.html' title='Panancutchanco'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_h2XRf7gRzfY/TPaG0k0tEuI/AAAAAAAAAao/pMpIzuPwe1U/s72-c/escher.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-7598703730356896656</id><published>2010-11-20T09:11:00.000-02:00</published><updated>2010-11-20T11:53:49.561-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sexualidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica social'/><title type='text'>Divinidades</title><content type='html'>&lt;br&gt;O anel escorregou e caiu. A garota não hesitou em pegá-lo e devolver-me. Perguntou, apenas retoricamente, se era aliança. E complementou há quanto tempo éramos casados. Não entendi a utilização do plural na primeira pessoa, perguntou como se fôssemos casados um com o outro, coisa que era impossível, posto que havíamos acabado de nos conhecer. Mas por um instante fui capaz de entrar na jogada, tive aquela presença de espírito que normalmente me falta e que sempre volta a me assombrar à noite, cabeça ao travesseiro. =&gt; Pois se não são justamente as mulheres que guardam mais precisamente as datas ligadas ao relacionamento? &lt;= Machista, acusa-me então. Mas não é verdade?, É verdade, Então quanto tempo faz? Respondeu que havíamos nos casado fazia -10 meses. Um número negativo que então andaria ao contrário, contra o relógio, a transformar em passado o futuro, o presente que já foi, dia por dia, hora por hora, segundo por segundo. Revelei que o tempo era pouco e que, dado que éramos hoje casados com outros, o tempo revelado deveria distender-se tal qual na física einsteiniana, mesmo se quiséssemos de fato considerar tão absurda hipótese. Eu amo minha mulher, revelei, Isso passa, retrucou. E então ali mesmo, no meio da rua, ela me abraçou e me beijou, agarrou-me com volúpia e, sem nenhum pudor, enfiou as mãos dentro das minhas calças. E por mais que tudo me dissesse o contrário, eu não consegui resistir à tentação, alguma coisa nela me atraia mais do que nenhuma outra. Fomos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Seu vestido era branco sim e de uma sensualidade que me fazia desejá-la imediatamente, como sempre se deu entre nós. Combinamos que não faríamos nada antes do casamento, não por termos qualquer tipo de moral celibatária, já fôramos casados afinal, apenas para deixar algum segredinho escondido para depois da cerimônia. Quanta bobagem. Vestia um tipo qualquer de mini-saia branca que deixava suas grandes e voluptuosas pernas soltas e livres, desejosas em se abrir para mim a engolir Alexandre, o grande. O top branco colado realçava sua coragem e seu olhar entrava diretamente em mim e transpassava-me até o futuro. Pulou em cima de mim e usou o próprio véu para tapar-me o rosto enquanto cavalgava sobre o rei da macedônia em posição de sentido. Éramos apenas nós a simular qualquer coisa escondida que jamais aconteceria, nem em dez ou vinte ou trinta meses, negativos ou positivos, para o passado, presente ou futuro. Colocou-me o anel ao membro e selou nosso descompromisso com um grito de gozo que nunca dantes se houvera escutado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Não havia nada entre nós. Decerto havia alguma coisa, posto que nos conhecíamos, nos encontrávamos, tirávamos as falsas alianças e colocávamos as verdadeiras para dentro. Havia sim aquele encontrar ansioso, aquele tirar de roupas quase imediato e aquela entrega completa, super-úmida e voraz com a qual me devorava e me queria. Nem mesmo eu conseguia entender o que havia visto em mim para que este efeito Volúpia acontecesse de forma tão plena e completa, desnecessário dizer algo, era apenas o sentir mais profundo e desangustiante, sentimento e gozo que lavavam qualquer tipo de problema inventado do mundo cão e ainda qualquer tipo de doença d'alma ou formas quaisquer relacionadas à preocupação ou dor ou angústia. Nessas ocasiões, Alexandrão parecia feito do mais puro aço e, assim, quando ela vinha e assim me pulava, sentia, sentava, gozava, gritava, gemia e queria, todo o mundo desaparecia e éramos apenas um grande poço de prazer que jorrava águas contínuas em grande vazão. Por vezes sentia-me ao contrário e, confesso, perdia-me ante tanta convicção do querer ao navegar pela lua ou por astros ainda mais distantes. E ela estava sempre tão empenhada, fazia que fazia, queria que queria, continuava que continuava e então eu voltava, aterrissava e continuava e queria e fazia também e explodia em secreções dentro de si. Uma e duas e três e mais vezes consecutivas, insanidade de corpo e alma, entrega completa, libertação, magia e todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;As coisas entretanto foram se complicando dado que a bondade e gostosice daquele encontrar de corpos e espíritos em comunhão foram nos fazendo viciados em nós mesmos e agora não mais conseguíamos trabalhar ou render ou estudar ou viver com as outras pessoas posto que nada mais era a vida que senão um esperar pelo momento do encontro e um gozar de horas infinitas que insistiam em não se acabar, mais e mais continuando ante o trânsito e a cidade e os afazeres e as cobranças e as contas no fim do mês. Em pouco já estaríamos vivendo de amor e se ela ainda tinha arrimo da família a sustentá-la, eu estava indo de mal a pior em outros aspectos da chamada vida-em-sociedade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Foi em nosso aniversário de anel, os dez meses, contados negativamente desde o dia até o outro, em que decidi dar um basta naquilo tudo. Peguei-a pelo braço, coloquei-a no carro e partimos. Estamos até hoje. Nunca nos arrependemos e nunca mais voltamos. Não poderia ser de nenhum outro jeito. Somos e seremos, para sempre, a mais representativa parte do que é humano. Jamais nos cansamos, não vivemos que de amor, não estamos em nenhum lugar e somos o globo, o tudo, o que há de melhor, sem nenhuma falsidade ou pudor, sem medo ou desconfiança, transformamo-nos no que transcende, no que é verdadeiro, no que viaja e pensa e é, somos seres inexplicáveis vagando pelas absurdidades de um mundo falso que transformamos em verdadeiro. E não precisamos de nada que já não tenhamos, um ao outro, e apenas isso. Ciganeamos sem destino à vida, nunca nos faltou nada, nunca passamos necessidade, encontramo-nos, entregamo-nos. Seu cheiro e sua vontade são agora meu cheiro e minha vontade, deitados no quarto, na areia, na praça, no sítio, no banco de um jardim, entre o céu e o mar, a terra e os rios, por todos os lados já espalhamos nossas sementes do amor. Perdemos nossos pudores e medos e andanças e tempos, somos o eterno e somos deuses de nossos próprios mundos.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-7598703730356896656?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/7598703730356896656/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=7598703730356896656&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/7598703730356896656'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/7598703730356896656'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2010/10/ganhei-duas-apostas-no-jogo-da-vida-e.html' title='Divinidades'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-4776707326314465714</id><published>2010-11-07T21:41:00.006-02:00</published><updated>2010-11-20T02:46:52.205-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ensaio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='auto-ajuda'/><title type='text'>Esperança inspiradora</title><content type='html'>&lt;br&gt;Sinto-me novamente naquela fase, bomba prestes a explodir, pavio no fim, prevejo grande modificação interna. Mudanças -- é fato -- estão frequentemente a ocorrer em mim, em ti, em todos. Mas há as pequenas e as Grandes mudanças, há rampas e degraus. Encontro-me novamente e encontro-me melhor. Quem sou eu? Pareço estar prestes a entender minhas angústias e saber controlá-las. Quem não as tem? Entendo melhor a mim e a ti, entendo melhor o ser humano, o mundo, a experiência e o conhecimento. Tenho em mim a eterna insegurança socrática de saber que nada se sabe e paradoxalmente, confio mais no que faço posto que vejo que esta mesma insegurança epistemológica transcende a experiência de qualquer ser humano que tenha sido iluminado pela cultura. A soberba dos pseudo-intelectuais me enoja. Leio mais do que nunca, vagando pela experiência dos homens que vieram antes de mim e que compreenderam esta sociedade e nosso papel como seres, entes, fins em nós mesmos. Sou K de O processo e K de O castelo, sou Tertuliano Máximo Afonso, sou Macunaíma, sou um personagem de Nelson Rodrigues. Vivo a vida com mais explendor e dou mais valor a todos os momentos, todas as experiência e toda a aprendizagem do cotidiano que insiste em nos encharcar com a dúvida sobre nós mesmos. A leitura do mundo precede a leitura da palavra, já diria o grande educador Paulo Freire. Aprende-se mais vivendo do que lendo; quando então se vive intensamente, aprende-se intensamente. A única lei possível da longevidade é a lei da intensidade. E viva a leitura! Confesso finalmente que não me conheço e que não conheço nada sobre o mundo. Mas ao contrário de me entregar à dura realidade de jamais alcançar o intro-auto e exo conhecimento, decido continuar na luta em descobrir cada vez mais sobre o que sou, o que somos e onde podemos chegar com tudo isso. Ao mistério da existência busco incansavelmente uma resposta que sei que não vou encontrar mas que sei também que não vou desistir de buscar. Este é meu papel como professor, cientista, filósofo e ser humano, meu papel é compreender. Não sei o que sou e tenho sérias dúvidas sobre a virtude do que faço ou amo ou ajo, mas não será esta dúvida a me impedir de continuar tentando alcançar um lugar moral mais elevado do que este que a vida tem me apresentado. Sem pressa ou descontrolada ambição, para se incorporar o mundo leva-se tempo. Não quero ser ou parecer ninguém em especial, mas também não vou fugir de tentar dar um passo além, sendo que me sinto capaz e com vontade de fazê-lo. Não mudarei o mundo, não mudarei a natureza do homem e não mudarei o revés que é a sociedade. Mudarei o mundo, mudarei a natureza do homem e mudarei a sociedade. Todos mudam ao viverem, trabalharem, interagirem com outros seres humanos e deixarem-se despejar de idéias e despejá-las também nos outros, em nova roupagem, mais elegante, se possível. Mudarei a mim mesmo, renovar-me-ei, incutirei em mim mesmo tudo aquilo que puder chamar de virtude. Aprenderei com todas as situações, mas não mais me martirizarei posto que a vida deve ser aproveitada ao máximo: e é uma só, como já se dizia no Samba da Benção. Não lamentarei, porém lutarei. Não me calarei, porém falarei. Não aceitarei que me tenham como um qualquer, posto que todo ser humano é único e é belo. Esta beleza e unicidade é minha e é sua. Todo ser humano precisa ser respeitado como uma fatia única e uma eternização das mais impossíveis possibilidades. Nenhum físico preveria vida e nenhum evolucionista explicará o surgimento da consciência. Posto que estamos vivos e somos conscientes. Não explicaremos o mundo e não saberemos a verdade sobre nada. Sempre haverão mais coisas entre o céu e a terra do que suporá nossa vã-filosofia, insight epistemológico shakespereano. Não é porque tenho ou temos limitações que não devamos avançar. Nossas limitações, ao contrário de serem vistas como revezes, devem ser vistas como catapultas a propulsar nosso intelecto, a fazê-lo expandir, ir além, alcançar -- como a nave Enterprise -- mundos jamais explorados, mundos que ainda estão por descobrir, o inferno e a terra, o único paraíso possível que é o aqui e o agora. Elevemos nossas vozes para o além, falemos para todos de nossas inquietudes e angústias, sofrimentos pessoais. A conceitualização de novos mundos e sentimentos, a criação de novas linguagens expressando o inexpressável é o que pode salvar o ser humano de ser seu próprio arauto. Será mesmo? Respiro o ar puro e penso. E penso. O amor e o sexo. Antinomias que não se expressam na linguagem dos homens posto que tudo está além. A compreensão que fazemos do mundo em que vivemos é maior do que aquela que conseguimos expressar com fonemas numa palestra ou boteco, ou por símbolos num editor de texto. A sensação e a apreensão, explosão de nossas almas que guardam o mundo inteiro, anos e décadas de experiências sensoriais. Jamais estaremos prontos e Milan Kundera já dizia que a vida é o ensaio dela mesma: ela nunca estará acabada para que possamos apresenta-la às 21h00 de um dia de domingo, em salão de gala.    Não quererei também acabar estes textos, gosto deles assim, rascunhados, incompletos, errôneos, o que seja. A angústia do que vive é melhor do que a depressão daquele que crê na certitude desta sociedade. Questiona-la-emos. Mostraremos e falaremos o que pensamos posto que não devemos guardar nossas angústias para nós mesmos ou para os nossos psicólogos. Por outro lado não precisamos transformá-las em doenças físicas ou somatizações às quais os médicos sequer encontrarão diagnóstico: doenças d'alma. Precisamos quiçá agir ativamente, expressar-mo-nos. A expressão libertará a alma do ser humano. Joyce diz que escrevia para se livrar do sentimento, quem disse foi Gullar no filme do Vinícius; disse que disse. Que liberdade é esta que se tem, que enche o peito e que causa tanta maravilha noutros seres humanos! Escreve e liberta-te, maravilha-me!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-4776707326314465714?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/4776707326314465714/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=4776707326314465714&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/4776707326314465714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/4776707326314465714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2010/11/esperanca-inspiradora.html' title='Esperança inspiradora'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-6078120703134902457</id><published>2010-10-28T06:59:00.003-02:00</published><updated>2010-10-28T14:49:54.542-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='lirismo'/><title type='text'>Idealismo lírico dum poeta latino</title><content type='html'>&lt;br&gt;Saí de casa naquele dia sabendo que algo aconteceria. Não sabia que algo seria ou como aconteceria, mas sabia. Sentia a energia do dia enquanto ainda escrevia o texto, tomava o banho, colocava a roupa e me dirigia ao local. Minha premonição de amante sugeria que encontraria alguma das duas grandes musas da capital, pelo menos uma delas presente no recinto. De mais a mais, se não haviam amigos, haveria boa música. Não hesitei e saí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;++--++--&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem é poeta, parece, tem essa mania. Mitificação, endeusamento do feminino. Eu esperava encontrá-la. Ao menos uma delas. Dir-me-ão falso ao relatar ter duas musas, como poderá um poeta amar duas ao mesmo tempo? Pois que advirto que isso é não apenas possível, como bastante provável: é comum, inclusive. Na verdade eu teria talvez três ou quatro ou cinco musas se os leitores deixassem-me assim à vontade para discorrer sobre meu lirismo. Veja bem, as pessoas fazem sempre um tipo qualquer de ranking lírico onde colocam as outras pessoas que as atraem física, intelectual ou magicamente de qualquer forma. No meu ranking da capital federal, há portanto toda a lista das garotas que vejo e que mais me atraem, ou menos. É claro que embora haja o ranking completo da categorização feminina, há diferenças por vezes bruscas entre, digamos, o segundo e o terceiro lugar. Enquanto há também diferenças mais sutis como esta, digamos, entre o primeiro e o segundo lugar. Eis o que digo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A caminho da balada, ainda no carro, pensava se gostaria de encontrar uma ou outra, tentava classificá-las no tal ranking que acabei de teorizar e então percebi falha teórica em pensamento lírico. Eu não seria capaz de dizer qual das duas preferiria se estivessem assim a meu dispor, coisa que nunca acontecerá, sei muito bem, mas valendo apenas como exercício de pensamento. Há uma multiplicidade de fatores presentes numa e ausentes na outra, assim como há também importantes fatores para a caracterização de um ideal feminino que está ausente nas duas, ou presente em ambas. Fosse futebol chamaríamos de empate.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma é morena, branca, moderna. Já viajou o mundo e foi a lugares inimagináveis. Percebe-se que ela compreende melhor o louco, o mundo, as relações humanas. Ela me vê de longe e tem medo de se aproximar. Por vezes faz um sinal discreto a cumprimentar-me. Conversamos poucas vezes, onde nosso interesse recíproco ficou razoavelmente claro, razoavelmente duvidoso. Depois de palavras parece sempre cansar da minha cara, do meu assunto ou ser. Nesses momentos passa então ao que chamo de autistar, olhar para outros lados, responder por monólogos, descontinuar assuntos e, sem mais nem menos, desaparecer. Para amaciar meu próprio ego, desenrolei a hipótese de que tem mesmo problemas mentais ou de capacidade concentratória. Mas todas as vezes que nos encontramos fica a m'espiar de canto de olho por ondequer que eu vá. Doutra feita cheguei novamente para conversar consigo e resolveu fazer-se de díficil, de gostosa, de não sei o que. É mesmo metida a besta, esta garota. As mulheres, não há como compreendê-las. Ela parece querer conversar e querer me conhecer, mas talvez não queira apenas que seja esta coisa vazia da noite, esse lero-lero desprecavido das sextas ou sábados em casas noturnas. Ela espera o dia em que nos encontraremos em local adequado e travaremos então um diálogo inteligente sobre os mais diversos assuntos, desde fotos de roupas estiradas em varais do mundo até a biologia ou literatura. Mas o problema, querida, é que este dia pode nunca chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava convencido de que, caso a encontrasse, dirigir-me-ia com convicção para próximo de si e tentaria vencer essa barreira que se dá entre nós. Barreira de olhares julgadores, desejosos e amedrontados. Como é que nós vamos fazer, Doralice? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A outra é também morena nos longos e lisos cabelos, mas esta é morena também na tez de sua pele linda e bronzeada de índia tropical. Ela também tem aquela coisa de uma naturalidade à flor da pele que me atrai imensamente e que me faz sonhar com seu corpo nu junto ao meu, esbanja sensualidade. Tem cerca de vinte e cinco anos e é assim charmosa como nenhuma outra. Dança de uma forma altamente elegante e sensual, tendo também um charme derivado de algum tipo de estética moderna e parece estar sempre de bem com o mundo e com a vida. É um sorriso doce, um olhar esperançoso e uma vontade controlada de viver intensamente. Inclusive no dia em que conversarmos, foi ela quem puxou o assunto. O caso foi o seguinte: eu chegava ao CCBB e, antes de encontrar com qualquer pessoa dentre as quais eu houvera combinado assistir ao show do Hamilton de Hollanda, dei de cara com ela. Já havíamos nos visto na universidade e sabíamos ter conhecidos em comum, mas jamais havíamos trocado palavra sequer. Eu nem sabia seu nome. Mas dada nossa quase-trombada, ela foi categórica e direta ao me cumprimentar, Oi Plínio. E então falamos e conversamos como se nos conhecêssemos de longa data. Trocamos aquele diálogo fluido que se trava com os amigos ou pessoas agradáveis; e quando meu coração já ia amolecido pelo charme e despojamento da garota, ela disse ter que se encontrar com amigos, os, homens. Para quê?, não estava bom assim? Mas é que tinha combinado, ok. Fomos juntos, mas então nada mais foi a mesma coisa. Saímos de um mundo maravilhoso, atmosfera mágica de possibilidades líricas durante o anoitecer ou amanhecer e de lá partimos para o mundo-cão. Talvez eu devesse tê-la atacado neste momento, mas para variar perdi o timing. Eram vários homens, uma ou outra mulher de pouco charme, de forma que ficou um clima estranho com alguns destes querendo evidentemente seduzi-la; e eu também. Como sei que entro derrotado em toda e qualquer competição, resolvi autistar. Olhei em derredores e acompanhei o bandolim para cima e para baixo em êxtase, conversei aleatória e alegremente com outros que iam por ali e logo decidi encontrar também os meus amigos. Dei o jogo como perdido e nem me despedi da garota, saí andando sem rumo. Acredito que o homem que precisa convencer a garota de sua excelência enquanto macho não merece nada além do desprezo. É ela é quem deve medir os atributos e decidir-se. A hora do approach se mostra sozinha, abre-se tal qual porta eletrônica, não deve haver nenhum avanço de sinal, nenhuma forçação de barra, nenhum ponta-pé sentimental. Se a hora não se mostra, aguardar-se-á outra oportunidade melhor noutras feitas, se acontecerem. A vida não se resume também nisto, nela, em outroguém. A vida é muito mais do que os beijos de uma linda morena em noite de luar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a verdade é que o poeta lírico que sou este eu-personagem tem medo de sair da caverna e observar o mundo em sua completa realidade. Faz parte do humano mitologizar as sociedades e as relações humanas, montando-se quadros falsos e incompletos, coerentes internamente porém sem relação direta com o mundo exterior; sombras que não querem ser iluminadas. Endeusa-se a fêmea e evita-se trazê-la ao chão, ao mundo dos mortais. Evita-se viver em nome de poder sonhar. Não se arrisca desfazer o sonho ao tentar torná-lo realidade. Esta última é sempre uma degeneração do ideal onírico, ela nasce, cresce e apodrece; ou apodrece antes mesmo de poder nascer e crescer. Melhor talvez guardá-la enquanto crença, ideal, utopia despossível, covardia, medo de viver ou de fracassar. O que as musas teem de melhor é sua capacidade de fazer o poeta sonhar, ainda mais do que qualquer tipo de possibilidade de vingar, realizar, viver ou amar; idealismo lírico de um pobre poeta latino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--++--++&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, a sensação era apenas falsa, não ocorreu nada na noite. Nunca fui nenhum tipo de clarividente e mais uma vez o que se esperava não se deu. Azar ou alívio? Vontade de desmitificar ou medo de desfazer o mito? Não encontrei ninguém e fiquei mais uma vez solitário em meio à noite brasiliense de céu aberto e lua cheia. Cidade é pequena e estranha se comparada à nossa capital mineira. Os bares são como as esquinas e as quadras: sempre os mesmos, com sempre as mesmas pessoas, mesmo que diferentes. Para quem gosta de uma vida assim monótona e previsível, pode ser bom. Diz que deus dará, a roda gira e minha estadia vence mais uma vez. Perderei algumas musas para ganhar outras na capital do império, onde viveu Dom João em fuga de Napoleão. E a vida continua assim, sendo a arte do desencontro, embora haja por vezes bons encontros, eternos não só enquanto duram, eternos mesmo que efêmeros posto que não se apaga nenhuma memória e quem vive intensamente lembra-se também intensamente, vive da lembrança dos eternos momentos e esforça-se para fazer dos novos, também eternos. Fico curioso ao imaginar o que o poetinha pensaria de tudo isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-6078120703134902457?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/6078120703134902457/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=6078120703134902457&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/6078120703134902457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/6078120703134902457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2010/10/idealismo-lirico-do-poeta-latino.html' title='Idealismo lírico dum poeta latino'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-8845521282910932635</id><published>2010-10-24T10:34:00.001-02:00</published><updated>2010-10-26T18:46:46.139-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ensaio'/><title type='text'>Quando pouco é muito</title><content type='html'>&lt;br&gt;O desenvolvimento da literatura, das sociedades e das discussões entre os seres humanos tem provado que quanto menos se pronuncia sobre um assunto, mais valor se dá a esses dizeres. Aquele que fala demais, além de muitas vezes dar bom dia ao cavalo, perde-se em meio a insignificâncias e dilui o que é verdadeiramente importante em meio a um mundo de palavras que não serão jamais lidas com precisão ou empenho por nenhuma pessoa. O sábio é aquele que fala pouco, mas que o faz com exímia maestria e densidade, resumindo todo um sistema de pensamento e ética em poucos, porém representativos, símbolos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como prova de tudo isso estão estão as volumosas e complexas obras dos filósofos ocidentais que, depois de séculos, teem tido apenas poucos interpretadores acadêmicos -- enquanto o grosso da sociedade se esvai ante manobras nada humanistas dos poderosos, estes donos do capetal. Marx está esquecido e sofre agora um golpe mortal pelas mãos de Stalin, e assim morre mais uma vez, levando consigo maravilhoso ideal. A educação filosófica e a apresentação das filosofias morais para os humanos tornar-se-ia instrumento eficiente para melhorar a sociedade. Seria preciso que lêssemos mais e melhor. Seria preciso transformar as velhas mídias em novas, seria preciso apresentar a ética kantiana e o imperativo categórico às crianças, em forma de desenhos, animações, vídeos e filmes. Mas ninguém parece interessado em se tornar um ser humano melhor. E embora leia-se hoje mais, lê-se pior. Na internet, pinça-se palavras. A educação no mundo moderno é multimedia e são os jornais e as telenovelas governados pelos poderosos que mais educam a população ao mostrar atualidades lamentáveis e estórias alienantes ante um quadro político instável em nível nacional e internacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como contra-prova, do lado de lá de Greenwich, os orientais sempre souberam que pouco é muito. Os escritos de Confúcio e o grande livro de ensinamentos do taoísmo, o Tao Te Ching, escrito pelo sábio Lao Tzu são breves, porém extremamente densos. Os textos filosóficos chineses foram escritos por volta de seis ou cinco séculos antes de Cristo e apresentam tanto valores relacionados a uma moral e ética humanas, principalmente nos Anacletos confucianos, ou uma idéias mais metafísicas como é o caso do grande texto taoísta. A ambiguidade dos textos chineses também não será jamais possível de ser conhecida por nós, pobres herdeiros de ocidentais que possuem esta linguagem de símbolos fonéticos tão direta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizmente, para aqueles que não conseguem ficar calados ante tudo o que acontece e que teem esta necessidade intrínseca de expressão pública, resta o consolo de que sempre se poderá falar pouco sobre algum assunto em especial, mesmo que se fale muito sobre outras coisas quaisquer. E neste pouco que se disser estará contida as grandes sementes do que se pensa sobre o assunto. É preciso, entretanto, saber o que se dizer. Quando menos se diz sobre algo, mais fortes são nossas palavras. O histérico quer dizer, falar, gritar, espernear, imprimir suas idéias e visões em nossas mentes tal qual ferro quente em pele de gado. Não conseguirão. Então, com o objetivo de supra-valorizar o presente ensaio, vou ficando por aqui. De fato, deveria ter terminado exatamente na primeira frase.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-8845521282910932635?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/8845521282910932635/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=8845521282910932635&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/8845521282910932635'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/8845521282910932635'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2010/10/quando-pouco-e-muito.html' title='Quando pouco é muito'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-4380470874421789830</id><published>2010-10-19T23:30:00.000-02:00</published><updated>2010-10-26T18:11:30.658-02:00</updated><title type='text'>Alma vendida</title><content type='html'>&lt;br&gt;Não digo que sim nem que não. Não preciso comprometer-me neste momento, a tal ponto, contigo ou com o mundo. Sabes muito bem que a questão não gira apenas em torno de ti, em torno de nós. Ante a complexidade do mundo, tudo influencia a tudo e o bater de asas da borboleta é sempre belo e, em cascata, modificador de formas imprevisíveis. Dada a infecção por um parasita, aparecem novas moléculas em teu corpo, em teu imunológico sistema de vida. Elas podem não ser então reconhecidas por teu sistema de homeostase e assim tu beirarás sair deste equilíbrio, beirarás não ser mais o que és e então haverá uma guerra de ti contigo mesmo. Serás teu algoz. O parasita é tão burro e inócuo, é tu quem adoeces-te. Alguém te negas o casamento e então cais amargurada, entras em coma e adoeces colocando a culpa neste ou naquele microorganismo que, pobre, jamais teria a força de colocar-te tão baixo não fosse ti mesmo teu próprio e mais duro inimigo. Levanta-te, supera-te. Não importa o que dizem os doutores, tão doutos, tão tores, eis a verdade: nada se conhece da biologia, nada se conhece das reações imunológicas e de sua relação com toda a psicologia. Conhece-se, sim, a relação, mas não se sabe qual será a força ou intensidade ou superioridade de uma sobre a outra; vida e mente enquanto mistérios dos mais profundos. Se tu és ti mesmo, se tu és livre, sê forte e segue teus instintos!, pois assim viverás até teu último suspiro, teu tempo, tua vez e tua hora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;== ++ ==&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Negas então teu espírito, cais verdadeiramente ante a maldade do espírito de teu tempo, entregas-te à ânsia e à ganância, estás certo de que vale a pena, pensas melhor, escolhes, escolhes com a resposabilidade do existencialismo, pensas que viverás sim, viverás assim toda a falsa pujança; e serás amaldiçoado apenas em tua velhice quando ninguém mais to quiser e quando olharem para ti apenas como quem olha a um baú cheio de ouro do qual não se pode tirar tudo ao mesmo tempo. Comprarás tua falsa felicidade e sentirás -- em meio aos elogios -- a falsidade nas ações dos outros, um despreocupar, o mais puro fingimento, não te amarão. Não és burro, nunca fostes, sentes também a energia dos homens, das mulheres, sente que elas não te alcançam. Olham-te com respeito e medo, sem amor. Saberás que estará sendo usado, teu dinheiro comprará companhia, mas gastarás apenas neste afeto falso que saberás insuficiente para insuflar tuas mais profundas alegrias, serás infeliz e cairás ante a depressão de uma vida que nada terá valido pois terás chegado até o fim sem jamais ter tido alguém para dizer com sinceridade que te amou, que te ama, que te amará e que sentirá verdadeiramente tua falta quando daqui partires. Pelo contrário, olhar-te-ão com medo e ao te cumprimentares desejarão a liberdade que terão com tua morte. Matar-te-ão por antecedência, com os olhos. Em pouco, não servirás para mais nada, morrerás com teus milhões, com tuas estúpidas glórias materiais, com tuas empresas e teus terrenos. Enxotar-te-ão quando estiveres em teu leito de morte como fizeste estes anos todos com eles e com outros, muitos outros. No fim de tua vida terás de volta assim tão forte todo o mal que causou, todas as angústias que gerou, tuas ações, tuas autoridades e tuas falcatruas te pesarão tal qual estátua de bronze a apertar-te o peito e esmagar-te a alma. Morrerás sozinho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-4380470874421789830?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/4380470874421789830/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=4380470874421789830&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/4380470874421789830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/4380470874421789830'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2010/10/alma-vendida.html' title='Alma vendida'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-4521063579680775439</id><published>2010-10-13T19:37:00.002-03:00</published><updated>2011-01-16T02:15:54.516-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='lirismo'/><title type='text'>Simples extensão despossível</title><content type='html'>&lt;br&gt;Nem sei muito bem o que de fato houvera me levado até ali, fato é que me encontrava no meio dos mais nobres e galantes seres de um mundo onde realidade e irrealidade se mesclavam com o tédio, a futilidade e a diversão. Havia chegado de uma viagem longínqua onde fora completamente em aventura a solo e não encontrara ninguém com quem pudesse dividir o carma de se viver. Mas bastou um único olhar em seus olhos para perceber aquela chama de uma curiosidade vil que é a primeira semente para algo que poderemos ou não chamar, futuramente, de amor. Ela era alta e tinha longos cabelos lisos, morena de um espaço sideral, possuía ligeiras sobras milimetricamente medidas em todas as proporções -- de modo que ninguém pudesse deixar de chamá-la Mulherão. Seu sorriso de dentes sadios e de uma felicidade amargurada pela solidão davam pena, desejo e gosto de se ver. Variava seu sotaque conforme queria, evidenciando não só inteligência como percepção ligeira das diferentes brasilidades, além de senso estético aguçado: tirava o que tinha de melhor em cada uma das línguas do Brasil e falava com charme e delícia sobre qualquer assunto, do gauchês ao manaura. Vivera já por aqui e por ali e era um poço onde todas as misturas do Brasil confluiam-se em profusão e alarde. Por trás de sua personalidade assaz pacata, guardava o ímpeto da mulher rodrigueana, da maravilhosa e desejada devassa que todo homem tem a vontade secreta de encontrar. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;A ocasião. Jogado em meio a criaturas de tão alta estirpe, este quem vos fala, do alto de seu metro e setenta e poucos, forrageava com aquelas esquisitices que os anos foram capazes de marcar em seus hábitos e corpo. Viam-me como um qualquer ao qual se faz troça, idiota de meia tigela a quem por sorte calharam de juntar-lhe viajança e boa educação, atributos ainda tidos, para minha sorte, como Virtudes. Solitário e estranho, aqueles seres olhavam-me como quem olha a qualquer tipo de arte que antes não se conhecia e que agora se desejava julgar, mas se tem dúvida do fato daquilo se tratar de obra fidedigna ou pedaço de lixo falsamente refinado. Entre esses dois extremos colocavam-me em suas balanças morais, técnicas e estéticas. Dali do meio, eu tanto poderia cair para o gosto e salvação como para a mais completa e inequívoca zombaria. Mas também não me deixei aturdir pelo julgamento dos homens, coisa que jamais fiz e jamais farei, senti-me apenas como sempre me senti: livre e liberto, libertador e curioso. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Foi com a maior naturalidade que me aproximei dela e disse-lhe uma ou duas palavras. Das outras vezes que nos encontramos notei em si aquela distância que se coloca quando se simpatiza com alguém mas se tem um certo medo do resultado que isso pode causar. Tal qual Caymmi a Doralice. Percebia a sequência de atos falhos em suas atitudes perante a mim e sei que também ela pode ter percebido atitude freudiana simétrica atuando em mim quando era a si que eu deveria falar, responder, brincar, galantear, sugerir, sorrir, tocar ou olhar. Nunca nos olhamos olho-no-olho, mas quando estamos juntos sei que ela me deseja porque de alguma forma sinto isso vir de sua pele e de seus anseios, sua falta de jeito, transformo-me em um leitor de sua linguagem corporal. Mas não sou capaz de responder, não aqui, não nesta ocasião, não desta forma. Há tantas gentes que mal conhecemos e mesmo porque não sei se esta estrela que me cintilou por ela é real; e assim prefiro adiar mais uma vez a hora da abordagem, o instante do olhar e voluptuosidade do beijo. É preciso deixar que as atrações evoluam naturalmente e avançar o sinal pode até permitir ao homem experimentar ainda mais cedo (e superficialmente) a delícia e umidade que a mulher possui por dentro, mas parece afastar o verdadeiro aprisionamento e o profundo dividir de almas. Por isso tem-se dito que o sentir do outro é o sentir do tempo. O momento correto na arte do galanteio é o que permite o melhor e eterno aproveitamento quando do frigir dos ovos. Enfim, a verdade é que em meio a tão ilustres indivíduos eu realmente não teria como pegá-la pela mão ou olhá-la profundamente nos olhos a tentar qualquer tipo de aproximação forçada. Sendo o novo louco da ocasião, minhas atitudes eram diretamente observadas, medidas, calculadas, somadas, multiplicadas, divididas, subtraídas e finalmente colocadas sob uma barra onde se veria abaixo o total. Sentia aquela sensação mirandística de estar com um chapéu em forma de abacaxi e ser assim o centro das atenções, tico-tico lá. E embora eu não quisesse esconder de fato a admiração que tive pela moça, morena moça, também não queria expor-me assim tão claramente a ela de forma que esse apresentar deixasse-me fragilizado ante uma possível negativa lírica, donde o fiel da balança sentimental de toda a alcatéia penderia para o lado do podre-antipático a transformar-me em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;persona non grata&lt;/span&gt;. Tal como o pessoal do Rio Branco, eu diplomaticamente tomava apenas as mais comuns das atitudes que poderia sem perder minha liberdade, dom pessoal com o qual nasci e que não me sujeito a deixar para trás em lugar algum. Uma vez se disse que toda nossa liberdade é falsa ou limitada e disso jamais discordei, entretanto quando se está em qualquer situação pode-se escolher fechar-se em fortaleza ou abrir-se voluntariamente ao adquirir o maior bem estar e naturalidade -- dentro das condições possíveis. Estou sempre neste limiar, tentando operá-lo em jogo de cintura com respeito e dignidade para que não me pensem por demais folgado ou excessivo ante as condições impostas. A bem da verdade por vezes ultrapasso sim tal limiar imaginário que está apenas nas cabeças dos povos ocasionais. Nestes casos, tendo percebido tal travessia moral, apenas retorno e reprimo-me doutro lado da balança, até alcançar novamente níveis estáveis de liberdade e naturalidade. Ação e reação. Em todas vezes que nos encontramos, jamais fui embora antes dela e sempre esperei até o último momento na esperança de que algo inusitado acontecesse e nos deixasse cara-a-cara, sozinhos, com a possibilidade de olhar-mo-nos finalmente aos olhos e revelar-mo-nos sobre a deliciosa energia que aconteceu e acontece quando de nossa presença e proximidade. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Ela se vai, despede-se educadamente porém sem emoção. Ela se vai. Sinto nela a grande insegurança, ansiedade da balzaquiana, vontade de atropelar todas as coisas em prol do mito da família ou do grande amor, atropela inclusive a naturalidade do conversar e do seduzir. Sei que peco ao não ser direto e que assim corro o risco de jamais ter o prazer de saborear seus deliciosos lábios. Prefiro porém conter-me ao invés de partir para cima com a volúpia da carne, desejo superficial do homem com a sutileza do mamute e que pode simplesmente colocar tudo a perder, minando a semente do grande amor ao qual procuramos quem se queira acreditar ao nosso lado. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;Vou-me também embora. Neste momento sinto que pensa em mim e não sou assim narciso porém sonhador. E de estranho ocasional passarei a amante e de amante a príncipe de um reinado de amor que avançará e atravessará horizontes e mares e rios, talvez ficando marcado eternamente na história do mundo, talvez terminando um dia ante a porta de um apartamento donde escorraçar-me-á; mas não ficará com meus livros ou discos. Odara, o que se dará ou não se dará, dar-se-á enquanto navegarmos noutras ondas, diz que deu, diz que dá, diz a bruxa Esperai o que virá.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-4521063579680775439?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/4521063579680775439/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=4521063579680775439&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/4521063579680775439'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/4521063579680775439'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2010/10/simples-extensao-despossivel.html' title='Simples extensão despossível'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-933612971552921412</id><published>2010-10-02T08:01:00.002-03:00</published><updated>2010-10-03T15:25:30.979-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade plural'/><title type='text'>O sucesso</title><content type='html'>&lt;br&gt;Adentrei o recinto com um susto, fui empurrado lá pra dentro, onde havia milhares de pessoas m'esperando, todas elas me idolatrando de uma forma que eu não compreendia muito bem. Fato: eu passara a vida toda lutando para ser um exemplo, um ídolo ou ter qualquer tipo de aprovação por parte da sociedade. Mas agora ao subir ao palco e ficar ali à frente de todos, mais do que nu, senti o tal frio na pele, pensei em voltar e fazer como muitos artistas: conseguir algum tipo de droga que me desligasse a nervosia de estar a me apresentar para tanta gente e que me fizesse agir de forma simplesmente natural. Felizmente havia luzes, grandes holofotes iluminavam o palco e à minha pessoa deixando-me em uma completa cegueira branca que de alguma forma me deixava à vontade e dava-me um sentimento de solidão ou liberdade. Eu que sempre amei a penumbra agora utilizava o excesso de fótons para me distrair e tentar me fazer esquecer sobre onde estava ou o que precisaria e deveria fazer, dizer, comportar, servir de exemplo, abafar, ser responsável.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;É verdade que quando comecei a apresentar minhas idéias e minha arte, entrei em um tal tipo de estado mental que me aliviou a nervosia inicial e que me fez seguir adiante como todas as vezes, todas as aulas e todos os ensaios. Aos poucos, fui voltando a enxergar, embora ainda só me desse conta da grandiosidade do evento quando o público interagia em palmas ou gritos; creio ter havido também uma ou outra vaias. Consegui concentrar-me na atividade pensamentária de entretenimento e educação que para alguns era vista mais como um ou outro, dependendo da verdadeira atenção que prestavam em determinados aspectos da apresentação ou do background que traziam consigo enquanto indivíduos. Um evento como esse consistia de fato em uma multiplicidade de eventos e funcionava de forma a tentar agradar uma imensa variedade de gentes com diferentes formações e idéias montadas sobre o mundo e a sociedade; evento plural. Alguns repararam na decoração, nas luzes, e aprenderam. Outros focaram na técnica demonstrada enquanto terceiros observaram as palavras, enquanto métrica e poesia, enquanto argumentação. Houve os que sentiram as energias que emanávamos e interagiram com ela, aumentando-a em intensidade, sabor, apoteose. À saída fui ovacionado com aplausos e confesso nunca ter recebido assim tanta dessa vibração ao mesmo tempo, tanta gente, energia positiva que me encheu o peito e que agora me faz querer continuar no ramo, com seriedade, dedicação e uma vontade cada vez maior de superação, desejo de buscar o que há de melhor em mim ante todo e qualquer aspecto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Ao camarim houveram fãs que queriam falar e que decidi por bem permitir a entrada. Arrependi porém quando entraram posto que repetiam apenas sobre a exímia qualidade do que eu houvera apresentado, mas pareciam não ter percebido qualquer coisa com o devido detalhe. Não repararam os erros de continuidade ou o desandamento das melodias e idéias à medida que a apresentação foi acontecendo. Não tinham de fato nenhuma capacidade crítica, eram só elogios e aquelas pessoas pareciam completamente seduzidas, encantadas e apaixonadas por este quem vos fala e sua trupe. Se houvéssemos lhes dito para tirarem a roupa e simplesmente me permitem a penetração, não teriam demorado nem dois segundos para fazê-lo, teriam pedido ao pelo e anos depois viriam requisitar o exame de DNA para que eu reconhecesse os filhos que lhes houvesse feito. Não sabiam de minha esterilidade. Mas eu não estava interessado naquelas garotas lindas que queriam apenas sugar de mim um poder que eu houvera ganhado depois de décadas na estrada. Elas que apostassem em si e perseguissem seus próprios sucessos, seus próprios sonhos, eu não permitiria o vampiramento assim tão simples de minha carreira. Fisgavam vencer na vida pelas suas periquitas aquelas garotas e fizeram-me refletir se boa parte das mulheres não faria mesmo assim. Neguei em mim preconceituosa idéia e peguei apenas aquela que mais me agradava fisicamente e dei-lhe o que insistia em ter. Em menos de dez minutos outra já insistia querer falar comigo em particular e preferi antes enxotá-la do que inxoxotá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;A crítica falou mal da apresentação. Os frustrados indivíduos que ficam do alto de suas posições nos jornais repetindo valores morais baseados em uma tradição ultrapassada e uma moral decadente disseram horrores sobre certas atitudes, frases, harmonias. Houve também quem falasse bem apenas por falar, apenas porque eu estava agora na crista da onda. Não encontrei uma única crítica precisa, bem pontuada, que me fizesse refletir sobre erros que eu certamente cometera e que sugerisse boas práticas a serem tomadas no futuro. Não havia este tipo. Havia apenas gritos de bichas velhas e frustradas que jamais tiveram coragem de fazer nada e que sentadas em suas cadeiras repetiam o blá-blá-blá do academicismo ou diziam aleatoriedades sem qualquer embasamento preciso, nenhuma sensibilidade. De fato, fiquei decepcionado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Um dia parei de ler as críticas e passei a confiar apenas nos meus sentidos e sentimentos. Faria o melhor de mim e, se a sociedade não gostasse, não teria problema. Meu principal compromisso sempre houvera sido o auto-respeito, antes mesmo da tentativa de agradar alguém. Felizmente minhas idéias evoluíram no sentido de que, ao me auto-respeitar e expressar-me com liberdade, isso agradou às pessoas e elas acabaram vindo seguir-me como aprendizes. Época dura foi aquela em que passei de aprendiz a tutor e mesmo com o contínuo passar dos anos ainda me sinto muito melhor para aprender do que para ensinar. De fato, conseguimos ensinar apenas uma ínfima parte de tudo aquilo que aprendemos e, sinceramente, acredito que o maior ensinamento vem da atitude na vida cotidiana. Ensino mais em atitudes e gestos do dia-a-dia do que em palavras e argumentos. Sou um cavalheiro confuciano, um homem cordial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Quanta mentira. Cá entre nós, chega de toda essa farsa. Mais dia menos dia o sujeito descobre-se um crápula. Dada a quantidade de dias que se passam ao longo de uma vida só se pode ser duas coisas: um salafrário ou um sujeito que se auto-engana. Nenhum homem consegue ser nenhum exemplo último de valor ético ou moral, mais cedo ou mais tarde chega-se o dia em que se engana, ludibria e foge-se impune. Somos todos uma junção, complexos de príncipes e bruxos que se mesclam e se sobrepõe de forma imprecisa, indevida, independente e sintética. Tentamos sempre esconder nossos podres e ressaltar nossas virtudes. Agora já me decidi: não subo mais em palco algum.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-933612971552921412?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/933612971552921412/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=933612971552921412&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/933612971552921412'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/933612971552921412'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2010/10/o-sucesso.html' title='O sucesso'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-162242616643665717</id><published>2010-09-27T21:53:00.009-03:00</published><updated>2011-01-16T02:21:49.043-02:00</updated><title type='text'>Popraganda ereitoral ingrata-uita</title><content type='html'>&lt;br&gt;Senhores ereitores, no dia da ereição, aperti u nove, u meia, u seti, u cinco e u cuatro, é Lindalvo pra cecaganador! Se fô eleitcho prometo criá a TPM du macho, só ancim teremo iguardade de dereitos e poderemo acabarr cum essa poca veirgonha qui hoje assora nosso país. É u'a questão moral qui pricisamo resolveir. Inquanto hoje as muié pódi nos amarr e nos odiarr de uma hora pra otra, inquanto elas pode tratá a gente mar e nem vim pidir discurpa, enquanto elas podi simprismente fingirr qui num existimo e botá a curpa na tar da TPM, inquanto... é... óia, isso num dá, gente, isso num pode, num é justio, num el pulsílvel! Essa situação deprorável num podi mais continuarr di jeitcho ninhum! Purisso, vote Lindaulvo pra cecaganador. É Lindaulllvo, viu? Num é Lindarvo, num vai errá na horá agá lá na urna, hein?! Cuand'eu fô cecaganadô, eu vô anexá um artigo na constituissão falano qui "todo santo homem tem u de-reito de tê TPM tomém", incrusive mais de uma veiz pur meiz. Uai, si elas podi? Num é iguardade qu'elas qué? Intão: é iguardade qu'elas vão tê. Tudo é discurpa pra TPM, uai! Tá doido! Puirque nóis num podemo, intão? É disiguar esse capitaliusmo do secso. Só cum isso, co'essa revolussão masculina é qui nóis vamo pudê finarmente acabá de veiz com essa desiguardade sociar entre us ômi e as muié, diminuinu esse iate qui a gente vê hoje na telivisão e na vida da gente, essa questão da torelância, torerância, to-le-rância, agora foi, do casal, cês mi discurpa. Muinta gente tá aí defendeno u deretcho das muié, mas chega de muié, gente!, cês num tão veno qui as muié já tão é na maió forga di licença maternidade e nóis continuamu aqui trabaiano iguar u capeta?, tá doido sô!, é hora di mudá!, é hora di mudança!, é u dereito dus ômi, u nosso direitcho. Nóis num temo deveir pra cumpri?, temo qui tê dereito tomém, tá cumpreendeno? Eu sei qui u telispectadô é ingnorante, mais tenta pensá um poquinho, junta u tico-e-teco aí e me ajuda, e ajuda nóis. TPM du ômi é dereitcho cuns-ti-tu-ci-o-naul, Lindaullvo pra cecaganador, aperta lá nove i meia i seti i cinco i cuatro e cunfirma! É nóis! Pió qui tá num fica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Baseado na estética fonética do Seu Creysson; Claudio Manoel, Casseta &amp; Planeta.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-162242616643665717?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/162242616643665717/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=162242616643665717&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/162242616643665717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/162242616643665717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2010/09/popraganda-ereitoral-ingrata-uita_27.html' title='Popraganda ereitoral ingrata-uita'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-7258345977602314523</id><published>2010-09-19T19:49:00.000-03:00</published><updated>2010-09-19T10:30:39.696-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ensaio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica social'/><title type='text'>Abraço a Hegel</title><content type='html'>&lt;br&gt;Não, não é isso, disse ao apertar o botão delete. Já era talvez a décima vez que insistia em tentar se expressar por meio de palavras, lia-se, achava-se idiota, e então começava novamente. Com o correr dos ciclos, ao digitar letras e idéias e depois comê-las com o botão Retorna, arrependia agora de ter apagado o quarto ou quinto texto que de fato haviam começado mal mas que, finalmente, teria apresentado algumas idéias novas que valeriam a pena terem sido melhor desenvolvidas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo o que se faz, hoje, é temporário. Nada mais se faz de duradouro, as músicas são as do carnaval, as idéias são as do período pré-eleitoral e a copa do mundo, essa já passou. Até esta crônica se transveste de relato jornalístico ao perder sua característica atemporal enquanto pensamento filosófico, descrição de tempo ou materialização de um histórico momento que, dois minutos depois, já passou. Vivemos em um mundo baumaniano, líquido, uma sociedade sem lastro, uma sociedade que só quer o imediato, que não tem compromisso com o que virá, que engole informações com tanta velocidade que é incapaz de digeri-las perfeitamente. O mundo roda mais rápido do que a reflexão sobre o mundo. Na era da informação cada vez se lê mais... e pior. Você mesmo deve estar lendo uma palavra e pulando duas, e peço desculpas pela acusação indevida se não o faz, mas é que a maioria... a leitura atenta não mais existe e as pessoas estão tão gulosas perante o mundo da super-informação que entram em uma obesidade de um saber mundano e não reflexivo. Os nerds sabem tudo sobre a guerra da Prússia ou sobre quem foi o faraó do Egito no século XIII, ou mesmo sobre as mais novas super-novidades da maravilhosa tecnologia, beatificada e santa seja ela. E então, gordas de um conhecimento inútil, não são capazes aplica-los ao seus viveres, às suas vidas e aos seus trabalhos. Os símbolos se destroem em um mundo epistemologicamente caótico onde não se entende, não se reflete e não se compreende as atitudes pessoais enquanto moldadoras de opinião em um mundo semiologicamente caótico. Tudo que se faz e o que se veste, a forma como se age, tudo isso influencia o mundo do porvir. A ética e a moral pragmática, aquela que o indivíduo sugere e prega em seu cotidiano, é esta que deve ser impecável e virtuosa. Usa-se hoje, entretanto, irresponsavelmente símbolos e emblemas de um mundo sem ideais. Estamos todos perdidos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para toda tese, há uma antítese.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não somos capazes, hoje, de viver o momento presente. A idéia do homem enquanto ser social parece ser garantir seu futuro, parece ser construir, guardar, segurar que seu porvir não será absolutamente miserável. John Lennon dizia algo como "o presente é o que acontece enquanto as pessoas planejam o futuro". Ao longo da história da humanidade, quantas vezes já não se viu argumentar que os fins justificariam os meios? Quantas vezes tal argumentação já não se mostrou a algoz de tantos, quem gostaria de ter sua vida retirada enquanto meio para alcançar algum estúpido fim ideológico? Só mesmo aqueles doutrinados a acreditar em uma improvável vida depois da morte e do seu julgamento moral como bom e virtuoso, com mil virgens a esperá-los. A doutrinação do amanhã melhor acaba com o mundo do presente. Ninguém tem bola de cristal, ninguém sabe do futuro e ninguém pode garantir que aqueles maravilhosos fins serão alcançados através destes deploráveis meios. O fim não importa. Só os meios importam. Faça uma sociedade que seja feliz e justa no agora e assim terás um futuro brilhante; e para sempre. Pois que o futuro é simplesmente a reunião de todos os agoras juntos, um após o outro. É claro que um governo precisa criar planos para um futuro melhor, mas não planos que sacrifiquem o agora, não planos que se mostrem suicidas para um futuro. Cuidar do futuro é, antes de tudo, cuidar do agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na dialética hegeliana há o conceito de tese, antítese e síntese.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo está errado em muitos pontos, e a matemática da sociedade consiste num sistema complexo que deve ser analisado em sua pluralidade. Nenhuma resposta absolutista tal qual "pensa-se demais no presente" ou "pensa-se demais no futuro" resolverá nenhum problema. De fato, em alguns aspectos o pensar no presente é bom pois nos permite viver bem, por outro lado, não podemos viver de forma tão irresponsável que isso mine nosso futuro enquanto indivíduos ou sociedade. Os ricos quererão apenas mais riquezas desta forma, posto que a riqueza tem uma grande chance de salvá-los do caos que o planeta irá se transformar caso Gaia venha mesmo a fraquejar. Somos células de um corpo complexo, daquele um super-sistema proposto por Lovelock, e somos um câncer. Os humanos são para Gaia o que um câncer é para o indivíduo. Os humanos se dividem muito, sem parar, teem característica maligna -- basta olhar para suas faces -- e estão ocupando todo o corpo de Gaia irresponsavelmente. O câncer humano matará Gaia, ela já está moribunda. Não parece capaz de se reestabelecer deste mal oriundo de si própria. Mas Gaia será forte e sobreviverá aos humanos, a vida ainda é capaz de continuar em suas mais diversas e belas formas. Houve um dia trilobitas, houve um dia os dinossauros, houve um dia os homens, houve um dia. Os trilobitas se extinguiram, os dinossauros viraram pássaros e voaram, os homens virarão ainda qualquer coisa perigosa, e Gaia renascerá das cinzas pois não será um mero endoverme símio a assassinar o que ela vem criando há milhões de anos. Também as cianobactérias alteraram de forma significativa o meio ambiente, e Gaia se recuperou e se superou, ela é forte e criativa. Ela mais do que seus seres a pensar no mais absoluto agora ou gastarem seus neurônios a moldarem um futuro utópico e inalcançável. Vai ser tudo igual, tudo, tudo igual, igual-al. A história do homem se repete, pete, pete. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E esta já seria outra tese a pedir antítese e então síntese. Mas tenho a impressão de que nem o leitor e nem o Espírito quererão que eu continue esta descrição. O meu abraço a Hegel!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-7258345977602314523?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/7258345977602314523/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=7258345977602314523&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/7258345977602314523'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/7258345977602314523'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2010/09/abraco-hegel.html' title='Abraço a Hegel'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-2937375997594439742</id><published>2010-09-12T09:58:00.002-03:00</published><updated>2010-10-20T09:04:00.314-02:00</updated><title type='text'>Pimenta</title><content type='html'>&lt;br&gt;Quer dizer que faz três anos que você não fala mal de mim, veja só, desde o dia do nascimento do meu sobrinho em que a nova vida deu-se em luz e espantou a escuridão que ia em su'alma, mas não ponha a culpa na criança, foi você mesma que se iluminou, mas eu não, você sabe, quanto tempo faz que não espalho por aí más palavras sobre a sua pessoa, ora, eu jamais t'injuriei, não, claro que não e por vários motivos, se é que você quer saber, primeiro porque nunca te achei má ou pensei qualquer ponto negativo sobre a senhorita, ou senhora, como preferir, não sei como tratar as desquitadas, percebi em constante que você não foi muito amada em sua infância, não tanto como fui pelo menos, vejo um amargor em ti por conta disso, talvez teu pai lhe tenha pregado os piores castigos, ou talvez você tivesse sido obrigada a fazer coisas que não gostaria enquanto jovem, talvez tenha sido abusada sexualmente ou coisa do gênero, vê-se claramente em seu jeito de encarar a vida que é uma pessoa traumatizada de alguma forma e que você parece não estar livre disto, se eu fosse você já teria buscado ajuda psicoterápica há muito tempo, mas isso, note bem, não faz de você uma pessoa má ou da qual eu tenha até mesmo antipatia, não senhora, tenho é curiosidade sobre si e sobre como desenvolveu este trauma físico ou psicológico que agora te faz ver o mundo sob esta óptida do azedume, e em Segundo lugar porque percebendo sim que me calunia ondequer e quandoquer que tenha a oportunidade, ou que tinha, até três anos atrás, se é que posso confiar no que diz, reitero que não tenho por você nenhum sentimento que não a curiosidade na formação de uma personalidade assim tão amedrontada, sensível e por contrário, atiçada, neurótica e até perversa de uma forma razoavelmente falsa, enfim, sobre as pessoas que me tratam desta forma eu não tenho melhor atitude a tomar do que a total indiferença com relação a elas, elas não me chateiam enquanto não participam diretamente de minha vida e se me fazem injúrias ao relatar com outras pessoas, isso não me incomoda porque sei que as outras pessoas também teem seus sensos e seus sentidos e podem relevar o que se diz a elas pelo tanto que conhecem de mim e de você, provavelmente o que a senhora-ita faz ao caluniar-me perante os outros nada mais é do que caluniar-se a si mesma posto que quem fala mal de pessoas sem motivo claro e aparente, ao relatar histórias sob um prisma artificial e enviesado provavelmente terá no interlocutor alguém que simplesmente acredite piamente, ou duvide ligeiramente ou sabe-se-lá qual outro sentimento tenha, mas não estou interessado, nunca quis aparecer como qualquer tipo para pessoas como se fosse o que não sou e isso mesmo a senhorita-ora me diz em minha cara que eu jamais tentei fingir ser o que não sou, não o faço porque não o conseguiria, já você dá a impressão de que está sempre fantasiada de algo que não é e que ainda não se admitiu para si mesma, veja bem, não quero com isso ofendê-la, muito antes gostaria de ajudar-te a recuperar de teus traumas infligidos em tenra infância ou breve adolescência, se é que Freud terá razão e que seus problemas não sejam de fato na anatomia ou fisiologia cerebral, nunca se saberá, fato é que agora que você me coloca no centro de vários acontecimentos de sua vida, tenho a impressão de que a senhora, quero dizer, que a senhorita, não-não, melhor não falar sobre isso, bem, se bem que tendo já chegado até aqui nessa minha apressada análise de sua condição psíquica, vou continuar, veja que a senhora-senhorita deu vários exemplos nesta noite sobre homens que poderiam interessar-te e em todos os exemplos você coloca-me no meio de alguma forma, se eu fosse beijar você, por exemplo, foi isso o que você disse, como poderia você me beijar se o que sente por mim ou o que sentiu até três anos atrás não passou de uma aversão completa e irrestrita, escute, acho que você talvez esteja platonicamente apaixonada por algum tipo de espelho psicológico que faz de mim e que encontrou noutras pessoas ao meu derredor, mas escute, eu não tenho culpa disso, eu não sou este quem fui e agora nem sei se sou quem de fato sou e quem te fala tais coisas, não sei se duras não sei se leves, apenas a tentar compreender toda essa incompreensão que aconteceu entre nós durante todos esses anos e que eu simplesmente tenho ignorado completamente e que continuaria ignorando caso o destino não nos fizesse cruzar novamente este caminho sem direção que é o mundo das pessoas e relações humanas, se o que vale para você é jogar contra o mundo tudo que o mundo jogou contra você, para mim vale o contrário e minha moral é inversa, reversa, de ponta-cabeça, o mundo acaba comigo e eu retorno para ele amor e mais amor, se alguém me faz algum tipo de mal, eu simplesmente ignoro esta pessoa e passo a conviver com outros que me tragam a beleza e o bem, não estou com este tipo de gente de calúnias e difamações e injúrias, disso saio rápido quando percebo ao meu redor, desvio-me tal qual Neo em matriz e sigo procurando outros tipos que vejam apenas lirismo à sua volta enquanto vou e volto do serviço para casa e da casa para o clube e para o bar que são os principais lugares onde passo meus tempos, e quando faço músicas sempre são canções que falam de belezas ou até de injustiças, mas nunca com esta carga de peso psicológico que o mundo joga em nós e que precisamos engolir e digerir antes tragar ou refazer-nos em eterna reconstrução de nós mesmos, desculpe se falo demais e se as vezes o que digo parece sem lógica ou coerência, são apenas sentimentalidades e pensamentos vagos que jogo para o mundo e que espero que alguém um dia engula e que isso lhe seja de boa valia, tento também não escrever nada que incite em outros qualquer tipo de sentimento maléfico ou de guerra, de sacanagem, injustiça, bola de meia, bola de gude, nem sei mais sobre o que falo, só acho que já chega dessa tua história de ficar blasfemando a mim e a outras pessoas quaisquer, isso te dá uma carga enorme de ódio que vai em seu cérebro ou coração ou mente e que te impede, sabe, de curtir a vida e de tentar se ver longe desses maus sentimentos que não teem para quê serem remoídos em todos os seus acordares e dormires, melhor mesmo sublimá-los tal qual água em vapor e ver-se logo livre de todos eles a cantar por aí, mas agora vejo pela sua cara que me considera algum tipo de idiota e infantil, que subestimo a força das relações humanas e a influência que isso tem na nossa vida e tudo bem que a senhora ou rita não consiga assim digerir todas essas psicologicidades de maneira tão natural quanto pareço eu mesmo fazer, mas penso que tal carga emocional monta esta nuvem cinza que vai agora acima da tua cabeça a apertar teus medos e angústias e deixá-los cada vez mais acentuados, temo que um dia se suicide, você, nestes teus mais suspirosos rogos em carne e ódio, talvez tenha sangue de guerreira e que não queira igualdade alguma, você que nasceu pobre, nasceu em berço inesplêndido e foi maltratada quando criança, isso está escrito neste teu sorriso sarcástico e as dificuldades que passastes precisa digeri-las em melhor tratamento, veja que o mundo nunca foi justo e que a sociedade nunca foi meritocrática, veja que há injustiças e eu mesmo já fui assaltado por mais de uma dúzia de vezes, mas escute, não deixo de andar despreocupado e estou sempre pronto para ser assaltado mais uma vez, por mais que me roubem e me violentem eu me recuso a ficar por aí a pedir mais policiamento ou a andar olhando para todos os lados em preocupação ondequer que eu vá, o problema é mais embaixo e as coisas vão aos poucos melhorando, mas a mágoa e a angústia não trazem nada além de sofrimento e desgosto pelo viver, precisamos continuar continuando não importa o que nos aconteça e tentar modificar principalmente em ideologia o nosso próximo que assim passará à frente um ideal mais humanista para o próximo e que assim deixará espalhar pelo mundo as idéias de que os homens precisam se respeitar em suas diferenças, nós discordamos e batemos boca, mas não partiremos às vias de fato jamais, e se alguma vez fui a este extremo foi por explícito pedido do apanhante, que se deleitava com as agruras e depois se arrependia do pedido e incriminava-me, mas também dele não tenho mágoa posto que se trata de um pobre coitado que ia bêbado misturado com remédios psicoativos, não tenho mágoa alguma e agradeço por não ter contratado o bando que pessoa a m'espancar e dar-me o troco que em sua cabeça enviesada eu mereci, não estou nem aí, não estou nem aqui, não estou nem mesmo querendo dizer o que disse ou querendo apontar que sou a melhor das almas neste mundo, longe disso, não sou mesmo, não sou e tenho não só um como milhões de defeitos que aos poucos vou descobrindo e tentando saná-los, tentando fazer com que tornem-se virtudes, uso-os como catapulta de virtuose e algumas vezes acredito ser bem sucedido, noutras mal, não sei ao certo, o que importa é que você aqui, senhora ou senhorita, mãe de uma filha linda, não pode ficar se martirizando por todos os problemas do mundo ou por todos os malentendidos que aconteceram e que ainda acontecerão por ondequer que se vá, nem mesmo o fato de ter sido estuprada ou maltratada enquanto jovem são ou seriam desculpas para continuar tendo esta atitude com o mundo e com as outras pessoas e com sua própria família e filha e ex-marido e o porteiro do teu prédio, escute, chega, estou com sono e cansado e bêbado, não tenho mais nenhuma estúpida lição de moral pra dar-te e de fato falei demais e falei merda, peço desculpas pelo palavrório verborrágico e peço finalmente licença para me despedir, sei que você tem agora esta cara de interrogação e sei que vai precisar digerir com calma essas palavras, talvez você me odeie agora mais do que nunca porque talvez eu tenha completamente incompreendido você e suas atitudes, mas outro dia você que me explique, por favor, a verdadeira verdade, se é que ela existe, gastei aqui apenas os sentimentos e pensamentos que o encontrar com você me trouxe à mente e provavelmente estarei errado em um sem-número de pontos, outro dia conversaremos melhor e travaremos diálogo ao invés de monólogo, peço desculpas pela sinceridade e pelos erros de interpretação que certamente faço neste meu devanear, mas agora preciso dormir, não me beije, não se vista, deixe-me apenas dormir e tente não me matar e não se matar, caso seja bem sucedida nesse embate de ti contra ti, discutiremos mais amanhã, boa noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inspirado (naturalmente) em Raduan Nassar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-2937375997594439742?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/2937375997594439742/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=2937375997594439742&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/2937375997594439742'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/2937375997594439742'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2010/09/pimenta.html' title='Pimenta'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-975800758810414712</id><published>2010-09-04T09:38:00.002-03:00</published><updated>2010-09-04T09:49:55.076-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica social'/><title type='text'>A contracultura sob uma óptica psiquiátrica, parte II</title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"Se pensas diferente, só podes estar louco." (pensamento popular)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Como podemos definir a questão da loucura, perguntou-se ao psiquiatra, Baseado em quais aspectos podemos dividir a sociedade entre pessoas sãs e pessoas loucas, reformulou-se a questão, O que caracteriza de fato um indivíduo como insano, terminou-se a arguição ao esperar-se resposta, (...), A loucura, o louco, a insanidade e o insano, disse o doutor, isto consiste em uma incapacidade de se adaptar ao mundo e à sociedade em que se vive, ele é o que não se adapta, o que não consegue, o que não concorda, ele é o que surta ante situações, é o que precisa ser tratado, separado, drogado, recuperado, ajudado por profissionais competentemente treinados para tal, Mas se é assim, senhor doutor, professor, do saber detentor, como podemos saber quando é que o problema está no próprio indivíduo que surta e quando é que o problema está no cerne da própria sociedade que o oprime com tanta força, reperguntou-se ao doutor, Como colocar no pobre coitado uma culpa que não está nele, que não vem dele, que vem de fato de uma sociedade onde os valores humanos não mais existem e onde tudo obedece a uma torpe ordem do capital, da ganância, do medo e da desilusão, da destruição dos sonhos da infância em prol de um bem-suceder mundano, cego e despropositado, teoricamente podre e que só pode levar a humanidade a um tipo qualquer de suicídio, reformulou-se a questão ao esperar-se novexplicação, (...) (...), Esta é uma boa pergunta para a qual não existe devida resposta, refletiu o doutor do alto pedestal de seu saber, quarenta anos de atuação na área, o problema psiquiátrico está e esteve sempre presente na interação indivíduo-sociedade e, se hoje temos mais pessoas nos sanatórios, talvez isso reflita apenas esta degeneração dos mais belos valores e sonhos aos quais a senhorita se refere, valores hoje sublimados ante um mundo sem lastro conceitual, sem preocupação com o amanhã, mundo de falsas aparências onde as neopessoas bem sucedidas não compartilham um pensar social, perderam o lirismo e a capacidade de amar, esqueceram-se da poesia e transformaram-se apenas em uma espécie de seres consumidores, o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Homo consumus&lt;/span&gt;, que medem e são medidos pelo que teem, não pelo que pensam ou fazem, compram a tudo e a todos, policiais e juristas com seus dólares, compram também as amizades e depois descartam-nas quando estas não mais lhes são úteis, e ante um esvaziar de seus cérebros e encher de seus bolsos, vagam apenas a esmo sem objetivos, idéias ou ideais, são apenas trabalhadores incessantes de um trambique generalizado e, individualistas ao extremo, ocorreu nelas o mais completo derretimento de éticas e morais seculares, humanistas, tudo isso perante também uma igreja que, antes reduto das mais belas morais ideológicas para o bem do humano, destruiu-se e corrompeu-se por séculos a fio,  em indulgências e inquisições, jogando no lixo a beleza da verdadeira ética do Cristo enquanto humano, transformando-se ela mesma talvez no maior exemplo, institucionalmente montado, desta quebra dos valores espirituais e morais ante uma visão material do mundo sob a qual a humanidade parece perecer, eis o que acho, eis o que penso, eis o que sinto, e, só para completar, agora todos os pensamentos que vão contra os ideais cegos de um mundo podre onde se impera o capital, tudo isso que podemos chamar de contracultura, tais eventos são vistos não mais como manifestações antropológicas de cunho cultural ou tradicional, vê-se as revoltas enquanto problemas mentais, enquanto loucuras e insanidades daqueles que as pregam, e assim os arautos da contracultura teem acabado nas clínicas psiquiátricas dada a monstruosa dificuldade de modificação deste modelo podre e geral que vem se desenvolvendo há tantos anos, veja bem, não há mais casas de umbanda ou centros espíritas, há apenas sanatórios e esquizofrênicos, nem à fé e as culturas milenares respeita-se mais, tudo isso em nome de uma adaptação falsa a um mundo deturpado, mundano e insosso, e assim nós, profissionais da saúde, que valorizamos o humano e a comunhão, senti-mo-nos hoje débeis, pequenos, incapazes de fazer qualquer coisa que vá contra essas falsas idéias circulantes e acabamos por tentarmos a adaptação também, antes que sejamos nós mesmos enrolados em camisa-de-força e trancafiados em sanatórios sob o efeito de poderosas drogas tranquilizantes, eis a triste questão, o malfadado andar e a inglória égide de viver nestes tempos imodernos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-975800758810414712?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/975800758810414712/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=975800758810414712&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/975800758810414712'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/975800758810414712'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2010/09/contracultura-sob-uma-optica.html' title='A contracultura sob uma óptica psiquiátrica, parte II'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-3426987558744274954</id><published>2010-08-24T10:50:00.003-03:00</published><updated>2010-08-30T19:33:00.985-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mitologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='lirismo'/><title type='text'>Um caminho</title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Foi simplesmente natural a forma como sua história de vida veio à minha cabeça. Eu sequer a conhecia, havia encontrado esta mulher apenas algumas poucas vezes e, não obstante, pensava conhecer toda sua vida, toda sua história, todos seus dramas e angústias, caminhos e descaminhos. Tudo isso me viera enquanto hipótese, na medida em que reparava em seus jeitos, maneiras, tom de voz, forma de se vestir, falar e se portar; os símbolos que carregava. Era morena e em seu rosto via-se o toque do classicismo, vinha certamente de família abastada, parecia tratar a pele com cremes, pele boa, tinha sobrancelha bem feita, olhos pintados com discrição e vestia modelos modernos, jamais espalhafatosos. Em seu rosto, entretanto, via-se -- de certa forma -- o fracasso. Estava ali escrito de forma tão nítida e notória que, à primeira ocasião, assustei-me. Exclamava palavras de ordem contra um conservadorismo dentro do qual muito provavelmente nascera e vivera boa parte de sua vida; e que ultimamente parecia seu maior algoz, seu carrasco, seu medo e sua decepção. Sei que pode parecer machismo de minha parte, mas normalmente as pós-balzaquianas que apresentam estas faces de imensa frustração emanam uma só corrente: a decepção do grande amor. Mas isso, devo acrescentar, não afeta apenas as mulheres, afeta também muitos homens e provavelmente afeta também todos que atravessam a tênue fronteira dos gêneros. E toda esta decepção vem certamente do fato de nossa cultura ter assim como tão forte pilar duas grandes mitologias: a mitologia do grande amor e a mitologia da família. Imagina-se a pobre criança, pobre pré-adolescente que sequer sabe o que se dará nos anos vindouros, imagina ela que encontrará algo como o príncipe encantado, o homem, a parte e o complemento, encontrará alguém de exímias qualidades físicas e morais que olhe para si e veja nela também o yang de um yin. Este amor que terá para com ele, reza a lenda, será duradouro, forte, tranquilo e eterno. Haverão cuidados, haverá amor e paixão. Haverá filhos saudáveis, belos e inteligentes ao redor de um núcleo familiar sólido. Porém o caminho da mitologia familial é assim tão distante destas sombras de uma caverna platônica, dos desvios que sempre existem no mundo real. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontramo-nos em uma festa, ela sempre tão expansiva, alegre, feliz por fora e amargurada por dentro. Veio dizer-me algo sobre seu aniversário, que aconteceria dentro de duas semanas. Não éramos assim tão próximos, de fato, mal nos conhecíamos, mas neste momento revelou sua simpatia por este quem escreve estas pobres linhas e disse que gostaria de ver-me na celebração. Senti uma energia boa fluindo de si e questionei prévias observações sobre suas frustrações. Seus olhos entretanto invariavelmente olhavam para dentro de mim com desejo, um desejo forte e incontido, um desejo de quem parece nunca ter tido um homem de verdade, de quem parece jamais ter chegado ao verdadeiro êxtase do amor e que está sempre esperando hora que nunca chega para se entregar completamente a alguém, a um príncipe encantado das histórias de contos de fadas: ela sonha em ser mocinha de um príncipe cuja história terminará com os dizeres "e foram felizes para sempre". Assim, ao mesmo tempo em que me falava ardendo de desejo, com aquela tão bem desenhada boca que parecia requisitar volúpia com urgência, temperava seus atos e trejeitos ao esconder de outros qualquer interesse. Evidenciava assim suas crenças nos mais arraigados costumes de que a mulher não pode e não deve tomar qualquer tipo de atitude direta em uma abordagem, devendo permanecer em seu papel de expectador passivo da novela chamada Conquista. De fato, a auto-estima normalmente impede os seres humanos de se declararem como deveriam fazer, sejam eles quem forem. Fez-me então o convite, a moça-mulher, e falou que me avisaria pela internet, sequer tínhamos um o telefone do outro e até aquele momento não tínhamos de fato trocado mais do que algumas palavras em curtos diálogos que eram sempre interrompidos pela chegada de outros ou por assuntos genéricos em rodas de conversas entre amigos que tínhamos em comum. Talvez justamente por conhecer-mo-nos tão pouco é que pude montar toda esta sua estória de decepção tal qual escritor ou cronista razoavelmente imaginativo. Não era de todo impossível que minhas impressões fossem falsas, em grande medida. Não era também de todo impossível que fossem até mesmo verdadeiras...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguia sempre com uma companheira que absolutamente não dividia com ela os mesmos padrões estéticos, o leitor bem sabe que a amizade está sim relacionada com o compartilhamento de símbolos que vão desde as mais profundas crenças até a cor do batom ou o tamanho do decote: nunca se viu freira ser amiga de puta. Nossa protagonista era extremamente bela e parecia sofrer de profunda carência ao abraçar bobos amigos e sentir-se por eles desejada. Quando ao lado de velhos conhecidos, não parecia ver neles qualquer interesse sexual, fazendo entretanto a mais absoluta questão de olhá-los fundo aos olhos e tentar seduzi-los em toques, gestos e abraços. Jamais entregaria a eles a carne e o sabor de seu desejo, utilizando-os apenas como armas de sedução ou elevadores de uma auto-estima que andara tão alta nos tempos do casamento e dos vinte e poucos anos, mas que agora parecia vagar errante perante a grande decepção de quem já deixara Balzac para trás e temia perecer enquanto irmã da mãe. Pensando bem, talvez escolhesse sim por vezes um ou outro destes bobos a jorrar-lhes sua volúpia contida e ansiosa, remédio inócuo que normalmente dava com os burros n'água e apenas aumentava esta sua ansiedade pelo momento perfeito de um gozo do tamanho do universo. Fato é que a mitologia da família reprimia nossa bela e forte heroína como o cadafalso de uma derrota social. Há muito esperava-se dela o casamento e os herdeiros. Os ares de reprovação da família e de um íntimo conservador matavam-na dia após dia, ferida interna d'alma. Mas é verdade que não perdia as esperanças, isso não. O passar soluário, porém, tornava-a ainda mais amargurada em uma ânsia pela vitória social de uma mulher nem tão moderna assim. O carimbo do desesperada-para-casar podia ser visto em sua testa, em letras garrafais, uma ânsia incontida, lábios de fogo e medo. Sabia que sua beleza não duraria mais cinco, dez anos. Mas também não casaria com nenhum homem que não fosse bem nascido ou não tivesse charme ou classe, consideraria esta a pior de todas as derrotas. Seus cremes e seus cuidados cada vez mais numerosos e maiores vinham associados à percepção de uma ou outra ruguinha iminente que reparava ao pensar em Pitanguy. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca precisei perguntar o que teria acontecido com sua vida pregressa, o casamento. Estava claro. Bela e sedutora, não teria dificuldade em conseguir fracos e idiotas, homens que rastejariam aos seus pés. Em princípio a mitologia da família vencera seu drama contra a mitologia do grande amor. Sim, agora eu percebia com clareza. Acreditara que viveria e casaria e seria feliz tendo aquele homem de mesmo estatus social a dividir consigo as agruras do dia-a-dia. E se quando o olhou nos olhos sobre o altar, em branco e grinalda, percebeu que não o amava, ainda assim escolheu depositar nele as esperanças não só suas, mas de toda uma velha doutrinação, e seu Sim espalhou-se convicto ao longo da capela. Não estou certo sobre como acontecera sua decepção, mas está claro que fora algo doloroso e amargo, extremo e indigesto, duro e traumatizante. Traição, abandono ou morte trágica seriam hipóteses plausíveis. Ou talvez ele tenha simplesmente transformado o Grande Sonho em monótona e insossa rotina. Jamais saberei ao certo se não lhe perguntar. Fato é que ela antes tão cheia de vida era agora meio morta, a inveja e a derrota haviam lhe contaminado de forma ainda pior do que uma doença bacteriana qualquer para a qual existem antibióticos capazes de trazer a cura. Sua doença psiquíca era viral e não havia remédio conhecido  a cuidar das profundas causas, apenas dos sintomas; o vírus da decepção instalara-se em sua mente tal qual os ácidos nucleicos dos vírus se instalam nos genomas hospedeiros. Talvez não houvesse salvação para si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A festa está para terminar e o dia, para clarear. Ela está ainda ali, conversa com amigas. Estou bêbado e cansado, é hora de partir. Não vou me despedir dela e nem sei como terminará esta estória, sua história. Sei apenas que o caminho é tão importante quanto o destino. Ela ainda está traumatizada, mas ela também sabe.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-3426987558744274954?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/3426987558744274954/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=3426987558744274954&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/3426987558744274954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/3426987558744274954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2010/08/o-caminho.html' title='Um caminho'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-3077717015185498771</id><published>2010-08-19T20:22:00.000-03:00</published><updated>2010-08-24T21:08:30.276-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='experimento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='lirismo'/><title type='text'>Fundo de ela</title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Seu nome era uma visão do absurdo. Não havia dia em que não visse este nome e assim não me desse a gargalhar, sorrir, pensar ou imaginar. Seu rosto em chamas no livro de faces do mundo virtual não apenas me trazia conforto, como também deleite. Em todos os instantes de meu monótono trabalho na agência de viagens, trocava a tela do computador para vê-la em sua face de anjo endiabrado a olhar-me e seduzir-me. Tanto o fiz e tanto tempo perdi nos últimos dias a ver sua foto principal ou a foto doze do álbum três que rapidamente os colegas passaram a brincar, Estás apaixonado, dizia Mona, enquanto o Neto dizia apenas que era realmente uma gostosa e que passasse o contato também para ele. O filho da puta já queria me roubar a musa, mas falei-lhe que não era de seu bedelho, não era de sua estirpe, moça linda e prendada que não iria querer saber das cafajestices às quais estava acostumado a fazer com as pobres senhoras suburbanas que seduzia a prometer mundos e fundos por trabalhar aqui e por já ter acompanhado os mais nobres senhores de nosso país nas suas mais longínquas viagens e aventuras pelo Brasil e pelo mundo. Por vezes decidia verdadeiramente trabalhar, mas então novamente me lembrava de seu rosto angelical mesclado aos cifres de capeta que tinha e que lhe trazia um charme ainda mais apavorante do que os filmes do Hitchcock. Tanto fiz e tanto olhei e pensei, e tanto meus colegas já sabiam de minha mais recente neurose ou adoração que decidi apelar e peguei logo a foto doze a colocar como fundo de tela onde podia vê-la sempre atrás da desorganização daquelas dezenas de arquivos que salvava na área de trabalho para depois movê-los sem nunca ter tempo de fazê-lo -- exceto quando tudo entupia e quando a limpeza se tornava não opção, mas necessidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que os momentos de concentração no trabalho eram poucos nessas épocas em que meu coração batia forte pela jovem. E devo dizer que meus amores sempre foram assim um tanto quanto psicóticos ou neuróticos, tanto é que não foi por apenas uma vez que pensei em me matar ou matar a moça ante um término de relacionamento e houve mesmo aquela que um dia cortou seus pulsos e me ligou chorando e querendo colo. Achei sinceramente que estivesse blefando, mas depois ouvi dizer que a vizinha teve que supostamente salvá-la ante uma crise de falta de sangue ou de cabeça. A verdade é que tudo correu bem e eu ainda tive tempo de ver suas cicatrizes cortadas assim superficialmente nos pulsos, evidenciando o medo ou a coragem que teve ao tentar o suicídio ante minha negação em vê-la. Não a veria nem pintada de ouro ou regada de frango com quiabo, coisa que sinceramente sempre preferi ao vil metal. Outra quis comprar meu amor um dia, quis que eu fosse com ela para os mais longes cafundós e sugeriu que me sustentaria se eu continuasse dando a ela o amor que eu sempre houvera lhe dado. Mas eu que não sou bobo sei muito bem que amor vai e vem e que as pessoas não medem amor que se dá ou se deixa de dar, e com mulheres loucas o melhor mesmo é prevenir para não precisar remediar posteriormente. Tendo o futuro ganho, deixei-a se lamentar e até a véspera pensou que eu a acompanharia; e a verdade mesmo foi que eu a amei até o dia em que ela quis me comprar, levar-me de onde ela sabia ser meu lugar, em uma história que era apenas a vida dela e que eu não me encaixava em nenhuma instância, nenhum porto ou lugar. Eu fiquei e ela se foi, em menos de dois meses parece ter se arranjado com algum gigolô que abusava de seu dinheiro mas que provavelmente lhe dava bastante prazer à cama ou à vida. Não cheguei a saber quando ficou grávida, ninguém me contou. Mas também não me importava. Outra ainda mais louca tinha alguns reais no bolso e me ofereceu desaparecer consigo pelo mundo, conseguiríamos o que fazer ondequer que fôssemos, segundo ela éramos inteligentes e em todo lugar se precisa de gentes inteligentes e assim, tendo o que tínhamos de dinheiro, virar-nos-íamos dentro dos próximos três a seis meses até que conseguíssemos aterrar nalgum lugar lá pros interiores do nordeste ou do norte, onde faríamos nossa vida tranquilamente e viveríamos em eterna lua de mel. Ora, eu não tinha porque arriscar uma vida com esta mulher uma vez que ela já havia se provado insana ao me perseguir sem parar por anos, e não era minha culpa se agora ela tinha finalmente se cansado do marido e queria assim deixá-lo sem eira nem beira, simplesmente desaparecendo. Além do mais meu corporativismo masculino sentia dó do pobre coitado que teria a esposa desaparecida e ficaria a procurá-la sem saber onde encontrar por anos, pensando-a sequestrada ou morta por corruptos que talvez a tivessem pegado por engano para depois de uma década descobrir que ela fora embora com um outro amor. E aí o sujeito ia provavelmente querer me matar sem que eu mal tivesse culpa de amar sua mulher antes mesmo dele ou dela me amar e querer assim realizar este tipo de loucura do qual eu não concordava em levar a cabo e nem queria arranjar tanta complicação também. Pobre da minha família também a desaber de mim e de meu paradeiro. Definitivamente não vale a pena entrar em uma de mulheres loucas. Melhor se guardar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já haviam se passado algumas semanas, eu a encontrara duas ou três vezes e, em minha timidez, jamais pude realmente dizer-lhe o que queria ou sentia, embora tenha notado certo interesse de sua parte, provavelmente um erro de minha suposição. Por que ela, do alto de sua estirpe, se interessaria por um mero agente de viagens que só faz buscar nos sítios da internet as mais baratas condições propocionadas por parceiros comerciais para poder desembolsar, com sorte, uns dez por cento e fazer seu salário ainda um pouco menos medíocre? Não obstante, sua foto continuava ao fundo, não mais a foto doze, agora eu já houvera trocado pela foto cinco do album seis onde seu corpo aparecia menos, mas sua graça aparecia mais e melhor, livre e pura de toda máscara. A foto era ela, a foto respirava sua essência e não apenas o fotógrafo havia sido excelente no buscar de uma espontaneidade hoje perdida nas fotos de sorrisos falsos, ele houvera sido magnífico a buscar aquele seu trejeito mais característico, justamente aquele que poderia quase ser enganado ou tido como defeito pelo apressado, não fosse pela beleza natural de um corpo sempre em chamas e uma face marota. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inspirado pela musa agora de uma forma menos radical e mais madura, meu trabalho rendia como nunca e vendi mais pacotes de viagens em um mês do que houvera vendido num trimestre inteiro do ano anterior. De vento em popa seguia a economia do país e meu amor pela guria. Foi quando eu fechava mais um pacote de turistas para a Argentina que o colega atrás me cutucou dizendo É verdadeiramente uma boazuda, não dei atenção, apenas continuei a ligação e a internet e a rede quando o vi se levantar para atender um cliente que chegava, Gostaria de falar com o Alair, ela disse. Reconheci imediatamente a voz e nesse instante, ainda de costas, meu coração começou a bater tal qual bateria de escola de samba, escutei o colega a chamar-me e pedi ainda um minuto para me recompor. Respirei fundo e tentei de todas as formas me controlar. Quando me virei dei de cara com ela, sim, ela, linda e leve, tinha as mesmas sardas ao rosto e usava um vestido de verão que a fazia não apenas sensual, mas elegante e imponente. Pois não? &lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-3077717015185498771?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/3077717015185498771/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=3077717015185498771&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/3077717015185498771'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/3077717015185498771'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2010/08/fundo-de-ela.html' title='Fundo de ela'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-926651996780746788</id><published>2010-08-13T07:40:00.001-03:00</published><updated>2010-08-28T10:29:01.783-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contracultura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica social'/><title type='text'>A contracultura sob uma óptica psiquiátrica</title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"Se pensas diferente, só podes estar louco." (pensamento popular)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;A precocidade enquanto estilo, a nova estética do texto ante o novo mundo da informação. Não há formato que me caiba e talvez não haverá. Não entro em caixas quadradas e recuso-me a fazer só porque o sistema assim exige. O titã não irá se adaptar. O livre pensamento é o carro-chefe da contracultura, arma inócua ante o aceitar omisso dos individualistas a viverem suas vidas e cagarem para todo o resto. Se estão por cima, estão bem; e foda-se o resto. A democratização do patamar da boa-vida, se erradica assim a pobreza, gera um problema intelectual para o próximo século. Se as pessoas teem seus pequenos bens, suas vidas, se trabalham e chegam estafadas em casa querendo apenas a hipnose televisiva, consideram tudo isso bom e não querem mais saber daquilo que não os afeta: cada um com seus problemas. Enquanto isso as minorias são rechaçadas e humilhadas, o que se vê é apenas a intolerância e o desrespeito com o diferente. Mata-se a diversidade da humanidade na era da comunicação de massa, na era alienante das tevês e dos pensamentos assim tão iguais, bobalizados. As estéticas são vendidas em latas sem sabor que se compra e se veste e se usa e se repete sem sequer saber porque se o faz. Em modelitos Che Guevaras defende-se o neoliberalismo e no mundo moderno há uma desvalorização e um embaralhar quase aleatório de símbolos que se misturam até em contradição ideológica, tornam-se moda e vendem; e vendem. A sobrevida de tais movimentos entretanto é como o dia, que amanhece um e anoitece outro. As estrelas são de poucos minutos, as idéias são também de poucos minutos enquanto duas semanas depois já se está noutro mundo, blogosfera sem ideais ante uma repetição de colunistas absolutamente incoerentes que ora se odeia e ora aceita, algumas vezes se ama. Todas as críticas possíveis existem a um clicar de google e tão bem já se escreveu sobre o que se sequer sabia da existências dois cliques atrás. A era da informação é também a era do aceitar da ignorância humana. Nenhum especialista está verdadeiramente a salvo desde o advento da internet. É preciso tomar bastante cuidado com o que se fala, deve-se fornecer explicações precisas, concisas, corajosas. O aluno em dois segundos já buscou o google e a wikipedia, já completou os buracos em todo seu conhecimento enquanto o professor ainda caminha em direção à conclusão de sua aula. A tecnologia da informação está gerando, sem sombra de dúvida, profissionais mais capacitados e com maior conhecimento técnico. Estes são feitos apenas de seus próprios interesses e curiosidades, interesses e curiosidades estas que supostamente lhe garantirão mais sucesso em suas vidas profissionais. Os jovens brilhantes, entretanto, serão muitas vezes fruto da mais odiosa das invejas alheias daqueles da sua geração e o boicote por parte dos velhos que deteem o poder, temendo perde-lo e temendo serem provados incompetentes por a mais b ante novas lógicas de avaliação das competências profissionais. Aos jovens rebeldes oferece-se o descaso, usa-se-o como fonte de trabalho quase escrava, entope-se-o de trabalhos desinteressantes e pisa-se em suas cabeças, humilha-se-os em praça pública e sai-se exaltante. Esqueçamo-nos das agruras dos nossos dias e aquietemos nossa pessimist'alma, fixemos noutras idéias. A estética. Tudo é estética. A amizade nada mais é do que o compartilhamento de estéticas, o compartilhamento de símbolos, de modos de se viver, modos de se pensar. Une-se aos outros em interseção e gera-se bem maior, aceita-se certa divergência; o que não é sozinho, ama-se e se é amado. Mas o mundo gira e a roda vai e vem, por vezes a onda senóide Diferença atinge, suprime e alcança a onda Semelhança; beleza e positividade da troca. Aos derrotados e mal amados percebe-se de longe a sobrepujança da onda Diferença e destes sugere-se distanciamento. Respeita-se-o, conversa-se com eles e tenta-se aumentar a amplitude, ajustar a frequência da onda Semelhança, mas muitos são avessos às tentativas, parece que desejam, pelo contrário, aumentar a onda Diferença até que ódio alcance ponto extremo: a guerra. O inferno são os outros, dizia Sartre esquecendo-se também do céu ao qual frequentemente nos leva o amor fraterno. Vivemos um mundo de diferenças que precisamos ser capazes de aceitar, conviver e amar. A institucionalização dos processos e das culturas torna estática a natureza e a modificação natural dos costumes esbarra num muro de idéias engessadas às quais se deve seguir e respeitar tal qual tela renascentista. Mas se devemos ter o apego do velho mundo às nossas tradições, devemos ainda mais tentarmos ser naturais e usar tudo isso que aprendemos para gerar o novo, o nosso, o moderno e o belo. Todas as encruzilhadas da erudição devem se cruzar para a montagem de um novo tempo, um novo país, um lugar onde a informação chegue a todos e onde todos saibam o que acontece em todo o mundo. Mas na era da informação há também a má-informação, informação que atende aos interesses apenas de alguns e que é veiculada de forma supostamente democrática e imparcial, mas que carrega em si o germe do conflito de interesses. O jornal pode ser imparcial dentro de uma reportagem, mas ao escolher mostrar esta ao invés daquela, ele está sendo extremamente parcial. É possível quem Veja também reportagens encomendadas e falsas, armas para o alardeamento de visões políticas enviesadas. E ao invés de falar sobre os grandes crimes e as grandes denúncias, o jornal foca na história do Seu Zé cuja filha adoeceu devido à mordida do cachorro do vizinho. E então, enquanto o congresso pega fogo e vota-se os aumentos dos próprios salários ou a diminuição da amazônica legal, entrevista-se o vizinho dono do animal, a filha mordida e, é claro, mostra-se enquanto serviço de utilidade pública o que o Sr. Homer Simpson deve fazer caso sua filha seja ela também mordida pelo cão do morador da casa ao lado, algo cuja probabilidade de ocorrência é simplesmente ínfima, para não arredondar para o igual-a-zero. Sob então esta chuva de porcarias, aquele que se enquadra deve se adequar. Aquele profissional que cedo acorda e todo o dia trabalha para poder à noite hipnotizar-se ante as mesmas estupidezes de sempre, ante novo rótulo: o bom, o cafajeste, a mocinha e as intrigas, peça por peça, até o final feliz. Daqui a revolta literária contra um mundo de quadrados, de fórmulas que já dão certo e que não devem ser modificadas, contra enlatados que sequestram a cabeça das pessoas e transformam-nas em zumbis, aceitadoras do estatos quos vigentes e disseminadoras de um nada, dotadas de gritos completamente surdos e revoltas tratadas enquanto doenças no mundo do prozac. Eu bem esqueci meu medicamento hoje.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-926651996780746788?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/926651996780746788/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=926651996780746788&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/926651996780746788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/926651996780746788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2010/08/contracultura-sob-uma-optica.html' title='A contracultura sob uma óptica psiquiátrica'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-8695738676785410069</id><published>2010-08-06T21:15:00.000-03:00</published><updated>2010-08-13T16:53:42.623-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='auto-ajuda'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica social'/><title type='text'>Amor e sociedade</title><content type='html'>&lt;br&gt;A instabilidade de su'alma vinha do amor. Tanto havia sido amado desde a mais tenra infância que nada poderia fazer sem que a insígnia do amor estivesse ali intrometida. Sem amor, estava convicto: não seria nada nem ninguém. Jamais faria qualquer virtuosismo longe deste suntuoso sentimento e amava tudo o que fazia e todos aqueles a quem conhecia. Sua vida era só amor. Quando longe do sentimento, o amargor e a angústia tomavam-lhe as rédeas e assim vagava mundanamente entre o mundo dos pobres mortais aos quais ninguém quis ou quer ou quererá. Tendo sido muito amado, hoje e sempre, sua alma expandia amor e toda relação que tinha nesta vida era uma relação de amor, até mesmo quando o assunto era profissional ou passava pelo nojo do capital, dinheiro, vis metais. Tinha medo da ganância dos homens e não seria jamais um bom e seco profissional posto que um poeta existia dentro de si. O amor que lhe haviam incutido saia por seus poros e amava tanto que as palavras faltavam-lhe sempre ao descrever seus sentimentos pelas pessoas, pelo mundo, pelas artes e pela música. E pela ciência também. Quando em meio a amargas pessoas como aquelas do hemisfério norte que pela indiferença dos pais jamais souberam ou sentiram-se amadas, perecera. Entrara em um tipo de depressão profunda que a cada dia apenas aumentava e aumentava. E quando encontrou finalmente um amor naquelas frias terras, depositou tanta esperança e fugor sobre ele que este não foi capaz de aguentar e explodiu-se em dúvidas das mais ferozes, afastando de si o pobre poeta; mais uma vez solto num mundo de amargos falsamente respeitosos a outros. Sabia que o respeito sincero vinha de um afeto pelo e para o ser humano e àquelas almas nortistas tão amargas e que jamais souberam ou saberão o sabor do verdadeiro sentimento amoroso, latino e gostoso, sabia que estavam fadadas a transformar o mundo numa guerra pseudo-respeitosa onde todos olham para seus umbigos e supõe respeitar o próximo. O respeito de muitos europeus para com outros povos é um respeito falso e hipócrita, sentimento que não deveria sequer ser cunhado com esta palavra. Mesmo muitos latinos, os amargos, não sabem do que falam quando dizem que respeitam o próximo ao encher seus bolsos e cuecas de um dinheiro que não é deles, porém de todos. Tais genocidas sociais não merecem menos que o encarceramento &lt;span style="font-style:italic;"&gt;ad eternum&lt;/span&gt;. Roubar a galinha do vizinho ou mesmo seu carro é uma coisa, roubar milhões de reais que seriam utilizados para ajudar a população, a parcela mais necessitada de nossa sociedade, isso não pode ser visto como menos do que Genocídio: é sim um assassinato em massa que operam os grandes donos do poder no Brasil. A impunidade, entretanto, impera num país onde os grandes juízes são comprados e corroboram com o grande ciclo do capital que roda, roda e agride, estupra a população. Se os crimes estão aparecendo, este parece um ponto positivo. Mas tanto quanto aparecem, desaparecem. O senado continua presidido por um genocida, assim como o distrito de Juscelino. As pessoas que não aprenderam a amar não entenderam também que a sociedade só melhorará, inclusive para eles próprios, se a distribuição de renda alcançar a grande população do país. Os grandes assaltantes engravatados de nossa população são absurdamente ignorantes -- posto que deveriam perceber que uma sociedade melhor se faz com maior distribuição de renda. Aumentam seus coeficientes em contas bancárias mas precisam sempre se proteger e contratar seguranças e habitar dentro de caixas-fortes para não serem usurpados de seus falsos e caluniosos poderes. Mas o problema do Brasil certamente vai mais em baixo, vai mais fundo, uma vez que tais bandidos estão no poder não de hoje, mas há décadas. E nada acontece ou aconteceu. Onde estão as milícias para nos salvar? O amor do verdadeiro e pobre brasileiro é capaz de perdoar os grandes; e associado a uma força midiática enorme, é capaz ainda de reelegê-los. Pobre do povo brasileiro. Os amargos mal-amados agora entopem nosso senado e congresso e câmaras estaduais, distritais e municipais. São poucos aqueles honrados, amados e moralmente éticos que encabeçam a politicaria do estado brasileiro. Mas é neles que confiamos e que devemos apostar nossos votos. Nos grandes colégios eleitorais a mídia é censurada e não se pode falar mal dos governos, sob pena de demissão. A crítica que deveria ser utilizada de forma positiva, para aumentar e melhorar a gestão pública, é solapada e calada tal qual nos tempos da antiga ditadura. Ao invés de chamar os grandes críticos para ajudar na gestão pública e sugerirem novos caminhos de melhora social, o que fazem e assassiná-los, senão por balas na cabeça, através de uma morte social: o desemprego. Os jornais noticiam o que querem nos anos eleitorais; se os donos dos mesmos querem continuidade, falarão dos bônus; se desejam ruptura, acentuarão suas críticas. A crítica é saudável e deve ser sempre realizada com responsabilidade e empenho, tentando melhorar o sistema ao invés de destruí-lo, pisá-lo ou chutá-lo quando já em moribundo e ensanguentado chão. Mas o Brasil... ah, meu Brasil. Quantos não são os interesses globais e os lobbies religiosos e daqueles que querem apenas mais lucros em seus dividendos? O social e o ambiental são deixados de lado pelos amargos que pensam apenas em números em suas contas bancárias. O desenvolvimento deixa de ser sustentável e passa a ser genocida. Não queremos um desenvolvimento hoje que acabará com um Brasil de amanhã e que destruirá nossas maiores riquezas, destas que só podem ser exploradas a longo prazo. Queremos educar melhor este nosso povo ainda ignorante em grande medida; queremos mais colégios e mais informação, inclusão digital. Queremos acabar com o analfabetismo funcional, único meio de impedir a manipulação das massas pela força da informação-falsa e enviesada da mídia moderna. Queremos discussão e melhorias, queremos que o bem e o amor sejam espalhados para toda população. Que crítica é essa contra um suposto governo paternalista? O governo tem a obrigação de proteger pelos seus cidadãos e o governo deve ser tão paternalista -- ou, antes, maternalista -- quanto possível. É preciso amar seus cidadãos, alimentá-los e caminhar junto a eles, fazendo com que eles possam enfim andar sozinhos e brilhar por si mesmos. Deve-se atuar em todas as áreas, mas principalmente na educação e na formação pessoal, devemos incentivar todos os diversos tipos de profissionais e devemos fazer com que os indivíduos trabalhem apenas naquilo que lhes traga interesse e satisfação. Ao contrário, a sociedade incute em nós um rancor pelo trabalho e uma visão incorreta de que trabalhar é matar-se. Quem ama o que faz e faz com amor será sempre um melhor profissional e estará sempre estimulado em aprender e superar-se naquela profissão. Devemos incentivar os indivíduos e permitir sempre a possibilidade de crescimento profissional. Não devemos supor que as pessoas odeiem suas profissões, devemos -- pelo contrário -- supor que as amam. Mas, que sociedade é esta? Que pessoas são estas? Onde está o amor? Onde está o idealismo? Que revés é este que temos? Quão invertidos são os valores... Que confusão! Que mundo! As pessoas parecem apenas robôs que entram e saem de suas classes e turmas e repartições e até mesmo de bares onde apenas a luxúria impera de forma medonha, a antítese de uma cultura cristã que não tem lastro conceitual e satisfaz-se apenas como uma revolta acéfala a tudo que vem sendo feito pelo ocidentalismo. Precisamos de novos líderes e novas idéias, novos ideais e um respeito e preocupação do ser humano pelo ser humano e pelo seu ambiente. Mas apenas a ganância dos mal-amados impera neste mundo. Nós que não nos deixemos desestimular pela presença dos fracos de espírito! Tomemos esta força que vem de nossas entranhas e o amor que acumulamos ao longo de nossas vidas e lutemos por algo melhor. Influenciemos nossos amigos e vizinhos e conhecidos e alunos e professores. Explodamo-nos em conhecimento e vivência, aprendamos posto que nenhum humano estará jamais completo e busquemos nossa própria superação e a elevação de nossos próximos. Pensemos positivamente e influenciemos a tudo e a todos posto que somos agentes ativos desta roda louca que chamamos de mundo ou universo ou sociedade. Mais do que tudo: amemos todas as coisas, amemos nossas profissões e nossos conhecidos, despejemos neles amor que só assim teremos tudo isso de volta de forma forte e consistente, a nos dar força para buscar a melhoria e a virtuose de tudo e de todos! Não há limites para o ser humano e podemos ser tanto quanto nos dispusermos e buscarmos ser. Não serei apenas isso ou aquilo. Serei tudo e serei todos, amarei a todas as pessoas e coisas. Mas punirei também aqueles que neste círculo virtuoso entrarem para atrasá-lo ou desmantelá-lo. Dos seres humanos não podemos esperar apenas a fortuna posto que almas amargas estão sempre pipocadas aqui e ali, estabelecidas pelas elites dos gananciosos e dispostas a qualquer coisa para superar-se sobre o cadáver de seus irmãos. Extirpemos estes de nossa sociedade e montemos uma nova ordem sob a insígnia do amor e do respeito mútuo. Grito estas palavras que vão dentro de mim com esperança e sei que sou de certa forma inocente em pensar que tudo isso pode vir a acontecer. Mas quero ser inocente e quero ter esperança e amor, posto que tudo isso que me sustenta e que, quiçá, sustentará o Brasil e o mundo do porvir.&lt;br&gt;&lt;br /&gt;(02/01/2010)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8085739-8695738676785410069?l=chicopros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://chicopros.blogspot.com/feeds/8695738676785410069/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8085739&amp;postID=8695738676785410069&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/8695738676785410069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8085739/posts/default/8695738676785410069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://chicopros.blogspot.com/2010/08/amor-e-sociedade.html' title='Amor e sociedade'/><author><name>Prós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18282398415856299778</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-OJfdox4-acU/Tm_oXf840OI/AAAAAAAAAlc/1ROS0tKzZ5k/s220/facebook_perfil_picture.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8085739.post-3360800261643364232</id><published>2010-08-01T09:55:00.000-03:00</published><updated>2010-08-01T10:51:01.653-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica social'/><title type='text'>Tudo, e de novo</title><content type='html'>&lt;br&gt;Entre terra e céu agora me encontro, venho fazer minhas preces que de ateístas serão melhor chamadas Meditações. Nelas, o excesso do corpo sob a água satisfaz possíveis excessos da alma sobre a vida, permitindo o equilíbrio de uma psiquê, ego ou self, que vai tão abalada pelos fazeres e desfazeres daqueles que neste mundo ousam atacar os seus, em nome de algo que não levarão além da vida. Trago comigo um evangelho no qual me encaverno depois da meditação e começo então, um novo meditar, um entrar na alma de outro, um escritor que acolá nas terras de nossos conquistadores rescreve e reinterpreta capítulos assim tão importantes para a história de nossa sociedade, sendo tal importância apenas uma questão histórica, uma vez que nos tornamos o que somos devido a esta herança cultural de ocidente que na realidade é o oriente médio, as terras sagradas. José baseia-se nas escrituras e preenche-lhes as lacunas, apresentando o messias enquanto criança e crucificando seu pai que ardia em culpa pelas outras crianças não ter jamais salvo e apenas seu filho, que mal assim se pode ser dito, dá-se ao luxo de salvar das tropas do rei que, tendo recebido a notícia do nascimento daquele que o poderia destronar, manda matar as crianças que ali viviam. Enfadado então também desta segundo meditação, embora tal enfado não venha de uma não apreciação da obra, mas sim de um não conseguir concentrar-se tanto apenas em uma coisa e já tendo passado para lá de cinquenta laudas, acordo de um transe e percebo a alegria de mulheres seminuas a me rodearem fingindo não me perceberem. A obra molhada e amassada pelo uso é então guardada no alforge, as sandálias são calçadas e as roupas vestidas, momento é o de começar a sair do transe e entrar na vida e correria do dia-a-dia. Mas não ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;Monto à máquina que me transportará de lá para cá e piloto-a com simplicidade e elegância. Em muitos momentos, máquina e ser humano são apenas um e a primeira se transforma simplesmente em mera extensão do corpo do segundo, como também se imaginou um dia homúnculos dentro de nossos cérebros a governarem nossos corpos, agora são homúnculos que governam tais conjuntos de engrenagens cientificamente reunidos e com ele tornam-se apenas um; e nesta pele metálica também morrem muitos que abusam de seu poder ou que são vítimas do abuso de poder dos outros; pobres destes últimos. E então à saída, ainda parcialmente enredado em terceiras meditações que agora reúnem e concatenam toda minha história de vida às primeiras e segundas meditações que já se diz ter-se dado neste dia, eis que outro homem, noutra máquina, impede agora minha passagem à entrada da rota que àqui me traria. É um daqueles de uniforme de ordeiro, destes que podem abusar de suas autoridades apenas por carregarem outros tipos de máquinas, daquelas capazes de disparar e tirar a vida sem quê nem porquê. Felizmente não se parece mais estar nestas épocas em que vidas são perdidas sem propósito aparente. O homem tem em seu uniforme os dizeres "guarda presidencial", levanta-se de sua máquina que impede a passagem da minha e preparado agora estou para mostrar-lhe aqueles estúpidos papéis que preciso sempre manter comigo a provar que não sou quem não deveria ser e que tenho contribuído com parcimônia meu dever de cidadão para com o estado. Mas ele não quer nada disso, olha-me dentro da máquina e recita, Espere por favor passar nossa comitiva, e então vira-se e assenta-se novamente à sua máquina. E então à minha frente passa a comitiva, uma das grandes máquinas com gentes e outra e mais outra, ao fim uma menor e outras das pequenas máquinas que à comitiva fazem proteção e impedem que inocentes incomodem seu trajeto. Para que tanta proteção seja necessária, é bastante possível que esteja ali algum grande estadista, mas não será, penso eu, aquele novo messias que salvou nosso povo da exploração do capital, este que agora nega a reeleger-se quando isto era o que todos queriam, fazendo-o dignamente ao dizer que nossa dem
